26 de dezembro de 2008

Deolinda : Fado Toninho [Canção ao lado, 2008]

Dizem que é mau, que faz e acontece!
Arma confusão e o diabo a sete!
Agarrem-me que eu vou-me a ele, nem sei o que lhe faço!
Desgrenho os cabelos, esborrato os lábios...
Se não me seguram, dou-lhe forte e feio!
Beijinhos na boca...
Arrepios no peito...
E pagas as favas!
Eu digo, enfim: “Ó meu rapazinho és fraco para mim!”
De peito feito, ele ginga o passo;
arregaça as mangas e escarra pró lado.
Anda lá, meu cobardolas!
Vem cá, mano a mano!
Eu faço e aconteço; eu posso, eu mando!
Se não me seguram, dou-lhe forte e feio!
Beijinhos na boca...
Arrepios no peito...
E pagas as favas!
Eu digo, enfim: “Ó meu rapazinho, sou tão má para ti!”
“Ó meu rapazinho, ai...”
Eu digo assim: “Se não me seguram, dou cabo de ti!”

Pedro da Silva Martins

Deolinda chegam à platina

O disco «Canção Ao Lado», dos Deolinda, atingiu a marca da platina por vendas superiores a 20 mil exemplares.

O lema de que «o fado não tem de ser triste» levou-os à platina. O fenómeno Deolinda, comparado com o boom de Humanos, é já uma referência no panorama nacional. Prova de que cantar em português ainda fica no ouvido dos lusos.

«Fado toninho», a canção do rapazola que «faz e acontece», já faz parte da banda sonora de uma novela da TVI e «Movimento Perpétuo Associativo» já foi sugerido como hino nacional.

A melodia de «Clandestino» conquista facilmente os mais românticos e o rapaz que toca «Fon, Fon, Fon» na banda filarmónica também.

«Canção ao Lado» foi editado em Abril. A banda promete surpresas para breve.

fonte ~ destak

fol&ar lançam álbum de estreia

Os fol&ar - quarteto de música tradicional - acabam de lançar o seu álbum de estreia, composto exclusivamente por temas originais inspirados em danças tradicionais europeias e interpretados em instrumentos tão diversos como a harpa celta, o banjo, o violino, o contrabaixo, a concertina ou a sanfona.

O CD homónimo conta com a participação especial de Alexandre Matias e Duda Amaro (percussões) e Ana Lúcia Palminha (voz) recente vencedora do concurso televisivo "À procura de Sally" e protagonista do musical "Cabaret" em cena no Teatro Maria Matos.

Os fol&ar surgiram em 2006 com os músicos Hugo Lopes, João Salvado, Maria Corte e Miguel Gelpi e, nestes dois últimos anos, têm sido presença habitual em alguns dos festivais de música e dança tradicionais mais representativos do País, como o Andanças, Entrudanças, Planície Mediterrânica/Sete Sóis Sete Luas, Iberfolk, Festival Internacional de Acordeões do Mundo de Torres Vedras, entre outros.

O CD de lançamento dos fol&ar pode ser encomendado no site www.folear.com ou adquirido em formato mp3 em diversos sites como o iTunes ou a Amazon.

10 de dezembro de 2008

Novo CD d'Uxu Kalhus | Transumâncias Groove

Já anda a circular a informação sobre o próximo disco dos Uxu Kalhus, que será lançado no dia 9 de Fevereiro.
Com o título de Transumâncias Groove, este segundo trabalho pretende traçar uma nova rota migratória onde o tradicional em Português, as influências de todos os continentes e a modernidade das novas linguagens confluem num único objecto, animado duma sonoridade única, com muito Groove, improvisação e uma pitada de boa energia.
Transumâncias Groove dá um passo definitivo na reinvenção do baile e volta a
reafirmar o direito à autodeterminação do Folk Português.

http://www.rodobalho.com/albuns/transcumancias-groove-051208.html (Clique para mais informação, alinhamento do CD, baile - + info.)

http://www.rodobalho.com/oubir/leitor_uxu.html (clique para ouvir o single "A Saia da Carolina")

6 de dezembro de 2008

ÆMINIUM em disco

Lançamento do primeiro CD do Grupo de Fado de Coimbra ÆMINIUM
Pavilhão Centro de Portugal - Coimbra
12 Dezembro 2008, às 21:45
Entrada Livre

No âmbito das comemorações do seu 10º aniversário, o Grupo de Fado de Coimbra ÆMINIUM vai lançar, no próximo dia 12 de Dezembro, o seu primeiro trabalho discográfico num espectáculo, com entrada livre, que terá lugar no Pavilhão Centro de Portugal em Coimbra às 21:45.

Este trabalho discográfico pretende retratar a actividade do ÆMINIUM durante a passada década, evocando os temas mais marcantes do seu reportório. Tendo contado com o apoio da empresa conimbricense de confecções SANTIX, o grupo propõe uma viagem por 14 temas, desde os clássicos mais marcantes da canção de Coimbra, como o “Fado Hilário”, “Coimbra Menina e Moça” ou “Traz Outro Amigo Também” não esquecendo ainda alguns dos temas originais que celebrizaram o grupo, como “Maria” ou “Fuga”.

O Grupo disponibiliza, de forma gratuita, para download 6 temas do seu CD em http://palcoprincipal.clix.pt/aeminium .

O Grupo de Fado ÆMINIUM nasceu em Outubro de 1998 com João Nuno Farinha na voz, João Pedro Monteiro na Guitarra de Coimbra e Pedro Cunha na Guitarra Clássica. Em Abril do ano seguinte que decorreu o primeiro espectáculo, no âmbito da Récita de Quintanistas da Queima das Fitas de Coimbra. Já em Agosto desse ano, Luís Toscano integra a formação do grupo como cantor, e em Dezembro o ÆMINIUM integrou a Secção de Fado da AAC. Em Junho de 2000 Rui Rodrigues, na Guitarra Clássica, inicia a colaboração com o grupo e em Setembro de 2006 o cantor José Vilhena completa a formação.

No que respeita a discografia, estão presentes nos álbuns “Serenata do Caloiro 2004: Tributo a Carlos Paredes” e “Baladas da Despedida Anos 90”.

Se em Portugal o grupo é uma referência no fado de Coimbra, o mesmo sucede no estrangeiro. Depois de ter marcado presença em centenas de espectáculos no país, incluindo programas televisivos, ÆMINIUM realizou digressões um várias partes do mundo. Espanha, França, Suíça, Polónia, Tailândia e Vietname, foram alguns dos países que se renderam às vozes e sons que compõem o grupo.

25 de novembro de 2008

Filipe Lucas toca de "Sol a Sol"

“Sol a Sol”, é um recital de Guitarra Portuguesa em que Filipe Lucas se apresenta a solo.
Uma vez que se trata duma Guitarra Portuguesa com 14 Cordas, ou seja, com mais duas que o habitual, para além das melodias, o acompanhamento das mesmas surge em simultâneo, por vezes com a sensação que estamos a ouvir dois instrumentos.

O espectáculo é essencialmente composto por temas originais, onde se viaja por um Portugal erudito, sentido bem presente as influências da Musica de Raiz Tradicional Portuguesa, da Musica Erudita, e por vezes também do Fado.

21 de novembro de 2008

Frei Fado d'El Rei : De não saber o que me espera [Senhor Poeta, 2007]

De não saber o que me espera
Tirei a sorte à minha guerra
Recolhi sombras onde vira
Luzes de orvalho ao meio-dia

Vítima de só haver vaga
Entre uma mão e uma espada
Mas que maneira bicuda
De ir à guerra sem ajuda

Viemos pelo sol nascente
Vingamos a madrugada
Mas não encontramos nada
Sol e água sol e água

De linhas tortas havia
Um pouco de maresia
Mas quem vencer esta meta
Que diga se a linha é recta


José Afonso

Prémio José Afonso 2008

A notícia já tem alguns dias, mas não deixa de ter a sua devida importância e pertinência, por mais um destaque de qualidade da música portuguesa. Por isso, não posso deixar de felicitar o justo reconhecimento ao trabalho dos Frei Fado d'El Rei. Parabéns e venham mais discos!

O grupo Frei Fado d´El Rei venceu o Prémio José Afonso 2008 com o álbum "Senhor Poeta - Um tributo a José Afonso", anunciou hoje a câmara municipal da Amadora, que atribui o galardão.

O júri, que decidiu por unanimidade atribuir o prémio aos Frei Fado d´El Rei, foi composto por António Moreira, Olga Prats, Carlos Pinto Coelho e Natália de Matos.

Os Frei Fado d´El Rei, que receberão o prémio no dia 29 nos Recreios da Amadora, surgiram no Porto em 1990 como um projecto inspirado na música de raiz popular e tradicional.

O álbum de estreia, "Danças no tempo" foi lançado em 1995, um ano depois de os Frei Fado d´El Rei terem integrado a colectânea "Filhos da Madrugada", de homenagem a Zeca Afonso.

Desde então editaram ainda "Encanto da Lua" (1998), o álbum ao vivo "Em concerto" (2003) e "Senhor Poeta", registo com 14 temas de José Afonso reinventados pelo grupo a propósito dos vinte anos da morte do músico aveirense.

Integram o álbum temas como "Verdes são os campos", de Luís de Camões, "No comboio descendente", de Fernando Pessoa, ou "Senhor poeta", de Manuel Alegre, que dá o título ao álbum.

Em declarações à agência Lusa, quando saiu o álbum, o guitarrista Ricardo Costa disse que "José Afonso continua a ter uma sonoridade contemporânea e é incontornável para as novas gerações".

"José Afonso trouxe uma roupagem inovadora à música portuguesa, explorando o âmago da música tradicional e popular", explicou na altura o músico.

O Prémio José Afonso, no valor monetário de cinco mil euros, foi criado há vinte anos, em 1988, com o objectivo de homenagear o compositor português e incentivar a criação musical de raiz portuguesa.

Em 2007 o galardão foi atribuído à Brigada Victor Jara, que se junta a uma galeria de artistas como Sérgio Godinho, Fausto, Filipa Pais, Dulce Pontes e Vitorino.

fonte ~ rtp

11 de novembro de 2008

100 anos de Fado de Coimbra

(Re)publicamos a notícia sobre a edição do disco "100 anos de fado de Coimbra", publicado pelo Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra, que se integra na secção do Grupo de Fados dos AOC. Contudo, desta vez com informação actualizada graças à gentileza do Dr. Heinz Frieden, fundador e produtor da editora public-art e responsável pela realização deste trabalho discográfico enquanto director técnico do Coro, quem nos alertou para algumas incorrecções anteriormente publicadas. Assim sendo, citamos o texto de apresentação disponível na web da referida editora, onde também se pode encomendar o disco (por cada CD vendido, um euro reverterá a favor da “Liga Contra o Cancro”).
Relembramos que é um
CD duplo em edição de luxo, que compila não apenas os 40 temas seleccionados, todos eles interpretados por 17 cantores dos AOC e 9 instrumentistas, com a especial participação do Dr. Almeida Santos (sócio honorário nº1 dos AOC), mas também contém um livro, de 52 páginas, com informação das letras, as biografias resumidas de autores e compositores, bem como a história do Fado de Coimbra, do Coro dos Antigos Orfeonistas e da própria academia da Universidade de Coimbra.
É um disco que prestigia a cultura portuguesa a nível nacional e internacional, e desde aqui não podemos deixar de felicitar os AOC pelo seu magnífico e constante trabalho.

"No seguimento da missão que tem marcado a sua existência – prestigiar, promover e divulgar a cultura musical portuguesa e coimbrã a, internacionalmente reconhecida, Associação dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra pretende, com esta obra, cristalizar os diferentes momentos que marcaram a História do Fado de Coimbra através de interpretações surpreendentes dos seus mais emblemáticos temas cantados e instrumentais.

A obra apresentará uma compilação de 40 Fados de várias épocas e terá a particularidade de poder contar com 16 vozes que, apesar de timbricamente diferentes, espelham uma unicidade emocional que só o Fado de Coimbra consegue transmitir.

Assim sendo, este trabalho discográfico reúne diferentes gerações de intérpretes da tradição musical mais emblemática da cidade dos estudantes."


10 de novembro de 2008

"Recado" de Joana Costa

Joana Costa apresenta esta segunda-feira (hoje), às 21.45 horas, no Café Guarany, no Porto, o primeiro disco, "Recado", concerto no qual a fadista é acompanhada por Samuel Cabral (guitarra portuguesa), André Teixeira (viola) e Filipe Teixeira (contrabaixo).

Natural do Ribatejo, Joana Costa demonstrou cedo o interesse pela música. Aos nove anos, participou na gravação de um disco e aos 16 já mostrava o que valia numa revista à portuguesa.

Gravado no Porto e co-produzido pelo quarteto e por Francisco Maldonado, "Recado" (que chega hoje às lojas) nasceu de uma recriação de uma noite de fados. O disco inclui poemas de António Lobo Antunes, Tiago Torres da Silva, António Torre da Guia, Pedro Homem de Mello, Ferrer Trindade, Fernando Perez e Carlos Ary dos Santos, entre outros.

No álbum - uma edição de autor -, além de três temas inéditos, pode encontrar-se "Lisboa garrida", "Meu corpo" e "Sou um fado desta idade", êxitos da fadista Beatriz da Conceição, que sempre foi uma grande fonte de inspiração para Joana Costa.

Um single com o mesmo nome do CD, com letra de António Lobo Antunes, serviu de apresentação ao disco que é apresentado hoje.

Além dos quatro temas referidos, "Recado" tem mais oito: "Meu amor abre a janela", "Tua guitarra", "Fria claridade", "Fado de Coimbra nº 4", "São saudades", "Valsa nº 2", "Depois do amor" e "Duas lágrimas de orvalho".

Informações adicionais sobre Joana Costa podem ser encontradas em www.myspace.com/joanacostafado.

fonte ~ jn

6 de novembro de 2008

Grão a grão

O blog Raízes e Antenas dá-nos a conhecer uma nova editora discográfica no mercado fonográfico português. De nome "Grão", foi criada pelo poeta e letrista Tiago Torres da Silva, quem já colaborou com vários nomes da música portuguesa e brasileira, sendo a sua mais recente aparição o último disco "Flor de fado" da Mafalda Arnauth.
Toda a informação aqui.

Desgarradas de Fernando Maurício e Francisco Martinho editadas em CD

A discográfica Ovação recupera para digital gravações de 1970 de Fernando Maurício e Francisco Martinho que o estudioso de fado Luís de Castro qualifica como "uma mais-valia para as gerações actuais".

"Foram dois grandes nomes que marcaram uma época, as décadas de 1960 e 1970, dois fadistas que se entendiam muito bem e as desgarradas que interpretaram são disso exemplo", disse à Lusa Luís de Castro.

O CD intitula-se "Desgarradas" e além de três desgarradas inclui fados por cada uma destas duas vozes já desaparecidas.

"Toda a recuperação do espólio das editoras para CD é positivo, tanto mais que o Fernando Maurício é um nome de referência, e este CD constitui uma mais-valia para as novas gerações", sublinhou Luís de Castro.

"Revista de fados" (Carlos Conde/Rapsódia), "O fado em duas almas" (C. Conde/Fado Menor) e "Improviso ao desafio" (C.Conde/Rapsódia), são os três fados interpretados pelos dois fadistas.

Referindo-se a Francisco Martinho, Luís de Castro afirmou: "Era um rapaz que tinha uma voz belíssima, cantou na Parreirinha de Alfama e noutras casas também. Tinha uma voz mais metálica do que Fernando Maurício de quem não vale a pena dizer que cantava bastante bem: toda a gente o reconhece. Mas o Francisco não deixava de cantar também muito bem e era uma pessoa que agradava bastante".

As gravações originais foram realizadas em Outubro de 1970 pela editora Estúdio, sendo agora recuperadas para CD pela Ovação.

O editor da Estúdio, Emílio Mateus, disse à Lusa que o "Fernando Maurício foi um dos melhores fadistas, descuidou muito a sua carreira, era um homem essencialmente bairrista, enquanto o Martinho queria sempre gravar novos discos".

Opinião partilhada por Luís de Castro, segundo o qual "para Maurício o dinheiro estava sempre em segundo plano, apesar de não ser rico".

"Vivia o fado e a sua camaradagem, chegando a recusar bons contratos porque se comprometera a cantar numa festa de beneficência", sublinhou.

Emílio Mateus referiu, por seu turno, que "Maurício era sempre fugidio às gravações, preferia o convívio dos amigos, tendo ligado pouco à carreira".

A este propósito, recordou que o poeta Júlio de Sousa ofereceu ao fadista o tema "Saudade vai-te embora", que cantou mas nunca gravou, acabando a sua criação por ser de Fernanda Maria "tornando-se um estrondoso êxito", tendo Amália Rodrigues e Celeste Rodrigues gravado o mesmo tema em seguida.

Deste poeta incluem-se no CD os fados "Loucura", cantado por Maurício, e "Alvorada", por Martinho.

Luís de Castro salientou à Lusa que "Fernando Maurício tinha uma voz belíssima, marcante no seu estilo que deixou escola. Há hoje muitas cópias mas são isso mesmo... cópias, sempre inferiores".

O CD, além das desgarradas, inclui outros temas que cada um canta a solo, designadamente "Bairro eterno" (José António Sabrosa/Júlio Vieitas) por Maurício, ou "A luz do teu caminho" (António Rocha/Miguel Ramos) por Francisco Martinho.

fonte ~ visão

Ana Moura: Os búzios [Para além da saudade, 2007]

Havia a solidão da prece no olhar triste
Como se os seus olhos fossem as portas do pranto
Sinal da cruz que persiste, os dedos contra o quebranto
E os búzios que a velha lançava sobre um velho manto

À espreita está um grande amor mas guarda segredo
Vazio tens o teu coração na porta do medo
Vê como os búzios caíram virados p'ra norte
Pois eu vou mexer o destino, vou mudar-te a sorte (bis)

Havia um desespero intenso na sua voz
O quarto cheirava a incenso, mais uns quantos pós
A velha agitava o lenço, dobrou-o, deu-lhe 2 nós
E o seu padre santo falou usando-lhe a voz

Jorge Fernando

Ana Moura apresenta "Coliseu"

"Coliseu", o primeiro DVD da fadista Ana Moura, chega às lojas a 24 de Novembro. Este foi o seguimento lógico depois dos três trabalhos editados: Guarda-me a vida na mão (2004), Aconteceu (2005) e Para além da saudade (2007). O último rendeu-lhe finalmente um lugar de destaque no fado.

Pisou o palco dos Coliseus de Lisboa e do Porto e foi a partir de um destes concertos, à data esgotado, que foram registados e poderão agora ser revividos em DVD. Coliseu é, então, o primeiro DVD de Ana Moura. A fadista percorreu as canções maiores da sua carreira e contou também com a presença de nomes como Maria da Fé e Beatriz da Conceição, o guitarrista e produtor de sempre Jorge Fernando. Como naipe de músicos, Ana Moura contou com a participação de José Manuel Neto (guitarra portuguesa), José Elmiro Nunes (viola) e Filipe Larsen (viola baixo).

O alinhamento do DVD é o seguinte:

1. Lavava no rio lavava (Amália Rodrigues / Fontes Rocha)
2. Os Meus Olhos São Dois Círios (João Linhares Barbosa / José Alfredo dos Santos Moreira (Fado Menor))
3. Ó meu amigo João (Jorge Fernando / Fado Corrido)
4. Sou do fado, sou fadista (Jorge Fernando)
5. Fado das horas incertas (Jorge Fernando)
6. O Que Foi Que Aconteceu (Tozé Brito)
7. Venho falar dos meus medos (António Laranjeira / Acácio Gomes da Silva [Fado Acácio])
8. Porque teimas nesta dor (José Luis Gordo / José Carlos Gomes [Fado Magala])
9. Divino Fado (José Luís Gordo / Fado Corrido) por Maria da Fé
10. Meditando / Variações em Lá (Armando Freire)
11. Creio (Natália Correia / Jorge Fernando)
12. Boa noite solidão (Jorge Fernando) por Jorge Fernando
13. O meu corpo (Ary dos Santos / Fernando Tordo) por Beatriz da Conceição
14. Fado da procura (Amélia Muge)
15. Primeira Vez (Mário Raínho / Joaquim Frederico de Brito (Fado da Azenha))
16. E viemos nascidos do mar (Fausto Bordalo Dias)
17. Mapa do Coração (Nuno Miguel Guedes / José Blanc (Fado Blanc))
18. Até ao fim do fim (Tozé Brito)
19. Rosa Cor de Rosa (Jorge Fernando / Custódio Castelo)
20. Os búzios (Jorge Fernando)
fonte ~ bodyspace

31 de outubro de 2008

José Mário Branco incita público a 'Mudar de Vida'

Música. Cantor/compositor apresenta pela primeira vez em Lisboa a canção que estreou no Porto em 2007. Os Gaiteiros de Lisboa são os convidados especiais de um espectáculo assumidamente político, que não deixará de oferecer a restrospectiva de uma carreira única

Músico tentou trazer canção a Lisboa há um ano

No dia 30 de Abril de 2007, o Porto ouviu pela primeira vez Mudar de Vida, a composição que José Mário Branco apresenta hoje e amanhã na capital. "Eu quis fazer este espectáculo em Lisboa há mais de um ano, mas não consegui financiamento", explicou. "Este convite da Culturgest permite-me apresentar cá esse tema, mesmo que o programa não seja exactamente igual ao que levei ao Porto".

Não obstante, a ideia central do espectáculo continua a ser a mesma. "Há uma crítica ao que nós chamamos democracia parlamentar representativa, que não resolve os verdadeiros problemas das pessoas, limitando-se a redistribuir a riqueza em função de estratos, classes sociais, e elites que existem na política e na economia e se apoderam da riqueza produzida".

O cantor/compositor não quer, porém, "impingir uma receita política a ninguém", desejando apenas incitar as pessoas. "Se não gostam da vida que estão a viver têm que a mudar, que ela não muda sozinha se as pessoas não fizerem nada", lembra. "Começa-se nas pequenas coisas, pois tem que haver uma progressiva acumulação de forças para haver uma mudança geral na sociedade".

O músico não crê, porém, que seja possível alterar o actual sistema político, sem a movimentação das "grandes massas", descontentes com o actual estado do mundo. "Quando se fala em criar movimento político, em colocar em marcha as energias que há nas pessoas para mudar de vida, música como esta não resolve nada, a não ser do ponto de vista afectivo", continua. "É um oxigénio moral que se dá às pessoas".

No seu entender, esta atitude distingue o artista dos falsos "cantores de intervenção" que "dão um oxigénio contaminado para as pessoas se esquecerem dos seus problemas. É uma droga como outra qualquer, como todos os outros vícios desviantes da realidade". As suas canções, por outro lado, tentam "mobilizar as pessoas para serem sujeitos na sociedade, e não objectos".

É por isso que considera que "tudo é político, mesmo quando diz que não é". Este domínio da política sobre o quotidiano também está presente na canção apresentada hoje na Culturgest. "Um dos temas abordados no Mudar de Vida, é precisamente esse", concorda, referindo uma das frases mais marcantes do tema: "bem tentais não vos ocupar de política, mas a política ocupa-se de vós". Uma citação a Charles Montalembert - "um daqueles neoclássicos franceses" - incluída na canção.

"O Mudar de Vida é apresentado em três partes", refere. "Ouve-se no início - apesar de começar com um tema inédito que escrevi para Lisboa, intitulado Vamos Embora - depois no meio aparece outra vez, antes de fechar o espectáculo com o Mudar de Vida final". Pelo meio vão soar diversas canções retiradas do mais recente Resistir é Vencer (2004), mas também de outros registos, gravados desde a década de 70, e variando entre momentos abertamente políticos e outros mais intimistas.

"Gosto de revisitar os temas, porque os músicos, as condições e os estados de espírito nunca são os mesmos", reitera. Entre os temas reformulados será possível ouvir A Cantiga de Trabalho ou A Engrenagem, de 1973, ou mesmo Remendos e Côdeas, que se ouviu pela primeira vez no Disco da Mãe, corria o ano 1978. Para interpretar estes temas, o artista socorreu-se de um quinteto que o acompanha há vários anos, e inclui Carlos Bica, José Peixoto, Rui Júnior, Filipe Raposo e Guto Lucena.

De entre os músicos que actuaram na Casa da Música, em 2007, este são os únicos que visitam Lisboa, por limitações de orçamento. Agora, o cantor volta a colaborar com o quarteto de cortas que o acompanhou "nos Coliseus de há 4 anos", quando editou o último disco. As percussões tradicionais e os suportes corais cabem aos Gaiteiros de Lisboa, um grupo ao qual José Mário Branco chegou a pertencer. Os bilhetes já estão esgotados, mas a actuação será gravada, e a edição de um disco com a actuação não está posta de parte.
fonte ~ DN

Carlos do Carmo: 45 anos de carreira em disco e DVD

Fado Maestro
Nas lojas a 17 de Novembro de 2008

'A comparação é talvez fútil, mas eu atrevo-me a dizer que Marceneiro cantou os fados de Lisboa, e Carlos do Carmo canta Lisboa em fado. E por isso, quando longe desta cidade eu o ouvia, ele trazia-me sempre naquilo que cantava, a cor, o ruído, o cheiro, a gente, o paradoxo de uma saudade que doía e, ao mesmo tempo, consolava.' As palavras são do Professor João Lobo
Antunes e foram escritas para descrever aquele que não se encerra em descrições. Carlos do Carmo, por muitos considerado o expoente máximo vivo do fado em Portugal celebra os seus 45 anos de carreira.

Para o celebrar, a Universal, a sua casa, edita o primeiro Best Of de Carlos do Carmo, para o grande público. Chamar-se-á 'Fado Maestro' e estará disponível em três versões. A primeira, standard, onde se alinharam, por ordem cronológica, os 17 fados que, desde há 45 anos a esta parte, fizeram desta uma das mais respeitadas carreiras em Portugal. Os já clássicos 'Gaivota', 'Por Morrer uma Andorinha', 'Canoas do Tejo', 'Lisboa Menina e Moça', 'Os Putos', "Um Homem na Cidade" ou o mais recente 'Fado da Saudade', que valeu a Carlos do Carmo o prestigiado prémio Goya, são alguns dos notórios registos que fazem parte deste disco.

A segunda versão de 'Fado Maestro' a chegar às lojas será um duplo CD, juntando ao primeiro já referido um segundo disco, compilado como uma homenagem de Carlos do Carmo aos poetas que cantou. E aqui desfilam mais alguns dos fados que já formam parte do cancioneiro nacional, como 'O Cacilheiro', 'Homem das Castanhas', 'Fado Varina' ou 'Fado do Campo Grande'.
Ainda nesta edição deluxe será incluido um DVD com o documentário 'O Fado de Uma Vida', realizado por Rui Pinto de Almeida. A história da vida e da carreira de Carlos do Carmo contada através do próprio e de testemunhos de quem fez e faz parte da sua carreira. Neste DVD estão incluídos ainda 10 temas ao vivo, quatro gravados em Frankfurt e os restantes gravados em
Lisboa.
A terceira versão de "Fado Maestro" conta com o CD standard e com o DVD documentário "O Fado de Uma Vida".

16 de outubro de 2008

"Sons em Trânsito" silenciados

Dois blogues nacionais de leitura obrigatória sobre a actualidade folk, dão-nos a conhecer de que a edição deste ano do Festival Sons em Trânsito foi cancelada por motivos financeiros. Já se sabe que com a "crise", a Cultura é sempre a primeira a ser prejudicada. Há lá coisas do diabo, ou dos políticos...
Toda a informação disponível nos blogues Crónicas da Terra e Raízes e Antenas.

12 de outubro de 2008

Moçoilas : Amor Serralheiro [já cá vai roubado, 2002]

Amor serralheiro
Moçoilas
Já cá vai roubado
Casa da Cultura de Loulé, 2002

10 de outubro de 2008

Madredeus : Guitarra [Ainda, 1995]

Quando uma guitarra trina
Nas mãos de um bom tocador
A própria guitarra ensina
A cantar seja quem for
Eu quero que o meu caixão
Tenha uma forma bizarra
A forma de um coração
A forma de uma guitarra
Guitarra, guitarra querida
Eu venho chorar contigo
Sinto mais suave a vida
Quando tu choras comigo

Letra: Popular
Música: Pedro Ayres Magalhães e Rodrigo Leão

Guitarra
Madredeus
Ainda
Blue Note, 1995

Madredeus lançam "Metafonia" no dia 20 e regressam aos palcos em Novembro

Os Madredeus regressam aos palcos em Novembro com uma nova formação e apresentam o álbum "Metafonia" no Teatro Ibérico, Lisboa, o mesmo espaço onde fizeram há 20 anos os primeiros ensaios, anunciou à Lusa a editora Farol.

"Metafonia", a editar no dia 20, é um duplo álbum com inéditos e temas antigos dos Madredeus, grupo agora relançado por Pedro Ayres Magalhães e Carlos Maria Trindade, depois da saída em 2007 de Teresa Salgueiro, José Peixoto e Fernando Júdice.

Nos concertos agendados de 06 a 08 e de 13 a 15 de Novembro, Pedro Ayres e Carlos Maria Trindade apresentam os Madredeus & A Banda Cósmica, uma formação alargada a duas vozes principais e sete instrumentistas, destacando-se a inclusão de harpa, guitarra eléctrica, violino e percussão.

"A nova formação dos Madredeus pretendeu inventar uma nova concepção de música cantada em português para grandes espectáculos, inspirada na diversa tradição das suas próprias composições e nos arranjos da música popular da Europa, da África Ocidental e do Brasil", afirma Pedro Ayres Magalhães, num comunicado enviado à agência Lusa.

Assim, Pedro Ayres mantém-se na guitarra clássica, assume a direcção musical e de produção, Carlos Maria Trindade continua nos sintetizadores, juntando-se as cantoras Mariana Abrunheiro e Rita Damásio e os músicos Ana Isabel Dias (harpa), Sérgio Zurawski (guitarra eléctrica), Gustavo Roriz (guitarra baixo), Ruca Rebordão (percussão), Babi Bergamini (bateria) e Jorge Varrecoso (violino).

Participam ainda, como vozes em coros, Sofia Vitória, Cristina Loureiro e Marisa Fortes.

Segundo Pedro Ayres Magalhães, com esta nova formação vislumbra-se "um caminho contemporâneo" para o grupo: "A partir de agora podemos sempre fazer os concertos de câmara que são a nossa tradição ou apresentarmo-nos perante audiências maiores, com a Banda Cósmica, a banda que toca mais alto".

O duplo álbum "Metafonia" reparte-se por um disco com 12 originais e um outro com sete temas retirados de trabalhos anteriores dos Madredeus.

O álbum foi gravado em Agosto no estúdio de Carlos Maria Trindade, no Alentejo, mas está a ser preparado desde o final do ano passado, quando os dois músicos fizeram audições para cantoras e trabalharam nos arranjos do antigo e novo repertório.

Foi também nessa altura que Pedro Ayres Magalhães e Carlos Maria Trindade testaram ainda a introdução de novos instrumentos que vão alterar a sonoridade do grupo, acontecendo precisamente a metafonia, que dá nome ao álbum.

"Há muito que eu e o Carlos desejávamos poder tocar as nossas composições, mais alto e para mais pessoas, tantas foram as solicitações para os Madredeus se apresentarem em grandes concertos ao ar livre e festivais", sublinhou Pedro Ayres.

Os Madredeus, um dos mais singulares nomes da música portuguesa, surgiram em 1986 em Lisboa, com uma sonoridade que destoava do pop-rock de então, que procurava inspiração na tradição popular portuguesa e que deveu muito do sucesso às melodias de Pedro Ayres e à voz de Teresa Salgueiro.

Venderam cerca de três milhões de discos em todo o mundo, por conta de registos como "Existir", "Os dias da Madredeus", "O espírito da paz" ou "Um amor infinito".

Nas duas décadas de existência os Madredeus já tiveram várias vidas. Rodrigo Leão, Gabriel Gomes e Francisco Ribeiro, que estava na formação inicial, saíram nos anos 1990, tendo entrado depois Carlos Maria Trindade, José Peixoto e Fernando Júdice.

fonte ~ rtp

6 de outubro de 2008

António Pinho Vargas

Não é propriamente música tradicional, folk, étnica ou como se queira chamar, mas não deixa de ser uma boa notícia para a música portuguesa em geral. Agora em partitura, a Notação XXI disponibiliza os mais conhecidos temas de António Pinho Vargas.

É o caso destas dezoito peças para piano, consagradas pelo público, gravadas em CD, ouvidas em concertos ao vivo, disponíveis no YouTube, mas nunca editadas em livro. A edição destas partituras torna acessíveis aos pianistas portugueses e de todo o mundo, composições de um dos mais conhecidos e inspirados músicos portugueses – António Pinho Vargas.

O primeiro volume inclui temas tão conhecidos como Tom Waits ou A dança dos pássaros, que podem ser escutados no mais recente CD de António Pinho Vargas.

Este livro está já disponível na editora (na sede ou através de encomenda no site), nas lojas Maestro (Lisboa, Almada, Cascais) e na livraria Sá da Costa (Chiado). Também disponível na Paleta dos Sons (Espinho).

24 de setembro de 2008

Câmara de Cascais adquire documentos da colecção de Álvaro Cassuto para Museu da Música Portuguesa

A Câmara Municipal de Cascais anunciou hoje que vai adquirir por 100 mil euros um conjunto de documentos "raros e muito valiosos" da colecção do maestro Álvaro Cassuto para a Casa Verdades Faria - Museu da Música Portuguesa, no Monte Estoril.

"Da colecção reunida pelo maestro Álvaro Cassuto fazem parte documentos únicos, como partituras manuscritas, autógrafos originais e manuscritos musicais, de entre os quais há a salientar 16 operetas de Eugénio Ricardo Monteiro de Almeida, um músico de finais do século XIX, que merece ser estudado e divulgado", refere uma nota da Câmara.

Segundo a autarquia, a colecção tem "inegável valor para a História da Música Portuguesa" e "releva-se de uma importância extraordinária para o Museu da Música Portuguesa - Casa Verdades Faria, vindo completar a oferta documental já existente, fruto dos espólios de Fernando Lopes-Graça e Michel Giacometti".

A aquisição deste conjunto de documentos foi aprovada na última reunião pública da câmara por deliberação unânime.

Os 2.750 títulos da colecção incluem alguns periódicos musicais, mais de 400 monografias musicais dos séculos XIX e XX e mais de 2000 partituras avulsas.

De entre as monografias musicais destacam-se obras consideradas de referência de musicólogos e investigadores como José Leite de Vasconcelos, Michelangelo Lambertini, Luís de Freitas Branco, Solange Corbin e Santiago Kastner.

Em declarações à Lusa, Álvaro Cassuto disse que a colecção começou a ser reunida pelo seu pai, um coleccionador de livros e documentos antigos, a partir dos anos 50.

"Achei oportuno entrar em conversações com a câmara para que este espólio não ficasse em mãos privadas", sublinhou o maestro, apontando a importância de manuscritos que não são conhecidos ficarem, a partir de agora, acessíveis a estudiosos num museu dedicado à música.

Álvaro Cassuto, um dos mais importante maestros portugueses da actualidade, estudou em Berlim com Herbert von Karajan e em Lisboa com Pedro Freitas Branco, tendo iniciado a sua carreira nos anos 60.

fonte ~ rtp

Mafalda Arnauth: "Este disco é um rio de sentimentos"

Mafalda Arnauth lança, no próximo dia 29, o novo álbum, "Flor de fado", que conta com composições próprias e de Tiago Torres da Silva. Além de dez inéditos, o disco inclui o clássico "Povo que lavas no rio".

É de maturidade que fala o mais recente disco de Mafalda Arnauth. O álbum, que nasceu nos palcos, oferece um punhado de canções que vivem da serenidade de quem compôs, desenhou e sonhou este álbum.

Se dúvidas houvessem, "Flor de fado", que é lançado no próximo dia 29, tem a plenitude da vista de um "qualquer miradouro". Em entrevista ao JN, a artista falou deste "horizonte aberto, com o rio que leva e traz sentimentos".

"Flor de Fado" só foi gravado depois de uma tournée. Faz sentido "rodar" primeiro o disco na estrada?

É o percurso que qualquer artista acharia ideal. Começar primeiro por sentir as coisas no palco e depois passar para disco. Não foi exactamente com esse objectivo, mas sim porque precisámos mesmo ter um concerto como deve ser e, depois dessa oportunidade, é que acabou por surgir o disco. No fundo, o álbum acaba por ser pedaços do concerto e mais alguns temas originais.

Os originais acabaram, igualmente, por ganhar uma maturidade no palco?

Muitos deles nasceram mesmo no palco, que é a parte mais curiosa. Surgiram nos tempos mortos que temos depois do ensaio de som ou quando estamos a viajar. Aquele momento preciso de preparar tudo em palco acabou por criar inspiração para depois fazermos a outra sonoridade do disco, que é mais intima, diferente.

Há no álbum três versões de "Tinta verde", "Flor de verde pinho" e "Povo que lavas no rio". Como é que cada uma destas três músicas entraram na sua vida?

Antes de tudo, essas músicas têm um papel importante no meu percurso e, por isso, acabo por decidir cantá-las. "Tinta verde" é um tema de alegria. Há muito tempo que admiro o trabalho do Vitorino e achei que a música ia ficar bem na minha voz. Além disso, achei que com o novo arranjo ia ganhar muita vida e isso ia enriquecer muito o concerto. A "Flor do verde pinho" resulta também de uma admiração pelo Manuel Alegre e pelo Carlos do Carmo. É um tema composto há muito tempo e que continua tão contemporâneo. E o "Povo que lavas no rio" pode ser considerada a minha homenagem ao país. Quando decidi cantar este fado, a ideia era fazê-lo como se fosse uma oração. Um momento de irreverência da minha parte e daí um arranjo tão diferente daquele que se costuma fazer. Tentei dirigir-me para um lado mais íntimo, mais caloroso do tema.

Como se deu a sua descoberta como autora de algumas das composições?

Já faço isso desde o princípio da minha carreira. Curiosamente, para este disco, voltei a fazer muitas músicas...

Mas, agora, a composição é mais evidente...

Sim. E sinto que agora o que ficou ainda mais evidente foi a sonoridade, porque fiz um bocadinho de batota e voltei a ouvir não só música brasileira, mas também outros grandes autores portugueses, prestando mais atenção às harmonias. Acaba por se abrir um horizonte muito grande.

"Flor de fado" é um reafirmar da sua parceria com Tiago Torres da Silva?

Sim, a presença dele está muito mais evidente. A admiração mútua que já tínhamos ganha uns contornos muito grandes neste disco. Ele apresentou-me dez poemas e seleccionei dois ou três e disse: 'Estes são a minha linguagem. Agora, vais fazer mais'. Ele, em pouco tempo, apareceu-me com coisas que me impressionaram, que me arrepiaram completamente. "O mar fala de ti" é um exemplo claríssimo de uma encomenda bem conseguida.

Como aconteceu a parceria com a brasileira Olivia Byngton em "Entre a voz e oceano"?

Conheci-a num dos concertos que a Olivia fez em Portugal e antes de ela regressar ao Brasil gravei o tema com ela. No final da canção, rimo-nos uma para a outra, porque sentimos que a música é capaz de originar uma boa química. Temos uma admiração muito grande uma pela outra.

Se o fado tradicional vive em Alfama, qual é a paisagem de Lisboa que tem a cara do "Flor de fado"?

(risos) Ui! (suspiro) Qualquer miradouro. Se calhar, escolho o miradouro do Castelo de S. Jorge, porque é precisamente de onde se sente toda essa antiguidade e, ao mesmo tempo, é um horizonte aberto, com o rio que leva e traz sentimentos.

fonte ~ jn

22 de setembro de 2008

Joana Amendoeira : Sopra o vento [À flor da pele, 2006]

Sopra o vento, sopra o vento,
Sopra alto o vento lá fora,
Mas também meu pensamento
Tem um vento que devora.

Há uma íntima intenção
Que tumultua o meu ser
E faz do meu coração
O que um vento quer varrer.

Não sei se há ramos deitados
Abaixo, no temporal,
Se pés do chão levantados
Num sopro onde tudo é igual.

Dos ramos que ali caíram
Sei só que há magoas e dores
Destinadas a não ser
Mais que um desfolhar de flores.

Letra: Fernando Pessoa
Música: Paulo Paz

Sopra o vento
Joana Amendoeira
À flor da pele
HM Música, 2006

Joana Amendoeira e Mar Ensemble em disco e DVD

Gravado ao vivo na quinta edição da Festa do Fado, na Praça de Armas do Castelo de São Jorge, a 21 de Junho de 2008.
O Fado é o que lhe vai na alma. E a Alma é como um rio que força a margem para alcançar o talento, o respeito, a verdade e a coragem que se reflectem em todos os versos que canta, todas as palavras que empresta àquilo que no fim se transforma na “sua voz”.

A Paixão é o que lhe vai no sangue, incontida, desesperadamente incontornável. Pela música, pelas palavras lusas dos grandes poetas de ontem, de hoje e de amanhã.

O Fado na sua essência, na sua raiz e género musical é tudo em que acredita e de forma alguma poderia considerar menor aquilo que a torna maior.

Nada se desvirtua, nada se dispersa, tudo se transforma quando se acredita incondicionalmente em todos os momentos áureos da arte que nos perseguem e abraçam como condição.

Joana Amendoeira é uma fadista de raiz, incondicionalmente uma fadista. Hoje e sempre. E até quando se lança numa aventura forçada pela sua Paixão, consegue ser uma fadista quando, num burburinho, fervilha a água mais pura e mais cristalina. Como quando dois rios se encontram e nesse momento se fundem. Um rio é a “Alma” o outro a “Paixão”.

A Confluência entre a Alma e a Paixão…

Em Portimão, no mês de Novembro de 2007, Joana Amendoeira (voz), Pedro Amendoeira (guitarra portuguesa), Pedro Pinhal (viola de fado), Paulo Paz (contrabaixo) e Filipe Raposo (acordeão) encontraram-se numa reflexão em redor do repertório da fadista para uma actuação com a Orquestra do Algarve. O resultado foi um dos espectáculos mais emblemáticos da história da sua vida.

Como não seria possível deixar em branco uma noite tão memorável como esta, surgiu a ideia de criar um ensemble para se juntar à voz de Joana Amendoeira e ao seu quarteto, formando assim um espectáculo com arranjos de João Godinho, que viria a estrear na Praça de Armas do Castelo de São Jorge, em Lisboa, no âmbito da Festa do Fado, em Junho de 2008.

Deste espectáculo surgiu o sexto disco da fadista, desta vez gravado e filmado para se tornar num disco ao vivo com oferta de DVD.

O Mar Ensemble, criado especificamente para este espectáculo, com a direcção de Paulo Moreira (violoncelo), conta ainda com a presença de António Barbosa (primeiro violino), Paula Pestana (segundo violino), Ricardo Mateus (viola d’arco), Maria Rosa (flauta), Rui Travasso (clarinete), Carlos Alberto (trompete) e João Carlos (trompa). Filipe Raposo, um dos mais conceituados músicos da actualidade, junta o seu acordeão ao trio de fado que desde sempre tem vindo a acompanhar a fadista pelos quatro cantos do mundo.

21 de setembro de 2008

Raquel Tavares : Rosa da Madragoa [Bairro, 2008]

No Bairro da Madragoa
à janela de Lisboa,
nasceu a Rosa Maria
Filha de gente vareira
foi criada na ribeira
entre peixe e maresia

Flor, mulher aquela rosa,
era a moça mais airosa
que a malta já conheceu
e toda a malta do mar
suspira ao vê-la passar de chinela e perna ao léu

Lá vai a Rosa Maria
que a alegria desta ribeira
ouvia e ria à gargalhada qualquer piada por mais cora jeira.
Vai bugiar meu menino!
Não deites barro à parede
que esta rosa é peixe fino para as malhas da tua rede.

O jovem Chico Fateixa
já jurou que não a deixa,
pois a paixão é teimosa
e é de tal modo cegueira
que deu a sua traineira
o nome daquela rosa.

E a Rosa da Madragoa
ao ver escrito na proa
seu nome Rosa Maria
ergueu os braços ao Chico.
Começou o namorico
e vão casar qualquer dia.

Lá vai a Rosa Maria
que a alegria desta ribeira
ouvia e ria à gargalhada qualquer piada por mais cora jeira.
Vai bugiar meu menino!
Não deites barro à parede
que esta rosa é peixe fino para as malhas da tua rede.

Vai bugiar meu menino!
Não deites barro à parede
que esta rosa é peixe fino para as malhas da tua rede.
Rosa da Madragoa
Raquel Tavares
Bairro
Movieplay, 2008

18 de setembro de 2008

Pedro Jóia : Ciganita [À espera de Armandinho, 2007]

Ciganita
Pedro Jóia
À espera de Armandinho
HM Música, 2007

Pedro Jóia vence Prémio Carlos Paredes com CD "À espera de Armandinho"

O álbum "À espera de Armandinho", de Pedro Jóia, ganhou o Prémio Carlos Paredes por unanimidade, anunciou hoje a câmara de Vila Franca de Xira, que instituiu o galardão há seis anos.

Em "À espera de Armandinho", editado pela HM Música em Junho do ano passado, Jóia interpreta 12 composições de Armando Augusto Freire (1891/1946), que ficou conhecido por Armandinho. "Ciganita", "Fado Magioli", "Fado Conde de Anadia" e "Pinoia de Alfama" são algumas das composições que interpreta.

"Este é um prémio que me satisfaz muito e reconforta", disse à Lusa o Pedro Jóia, que não escondeu o seu entusiasmo e o facto de o antecederem neste prémio músicos como Mário Laginha e Bernardo Sassetti.

Ao prémio, com uma dotação de 2.500 euros, concorreram cinco projectos, que foram apreciados por um júri constituído pelo poeta José Jorge Letria e o maestro Pedro Osório, da Sociedade Portuguesa de Autores, o crítico de música Ruben de Carvalho e o compositor e músico Pedro Campos.

Com este prémio, a autarquia ribatejana visa "galardoar o melhor CD de música instrumental não erudita, feita por portugueses, no ano anterior", segundo uma nota da edilidade.

Eminente guitarrista, Armandinho foi acompanhador de vários fadistas, tendo composto essencialmente para guitarra portuguesa. Para este CD, Pedro Jóia, fez a transcrição para guitarra clássica.

"O desafio foi precisamente tornar audíveis e sonoramente agradáveis os temas criados para guitarra portuguesa, numa sonoridade diferente proporcionada pela guitarra clássica", disse á Lusa Jóia, acrescentando ter mergulhado "em absoluto no universo de Armandinho".

"Escolhi os temas que se apropriavam mais à transcrição da guitarra portuguesa para a clássica, havendo alguns que são emblemáticos da sua produção musical", disse.

Segundo Jóia, na música de Armandinho "há ornamentos musicais e andamentos muito rápidos que são difíceis de passar para a guitarra clássica".

O anúncio do Prémio Carlos Paredes antecede a partida de Jóia para o Brasil onde, no âmbito das comemorações dos 200 da Chegada da Corte Portuguesa àquele país, irá realizar uma série de recitais.

Ainda este ano, prevê realizar, em Novembro, um concerto na Casa da Música com a Orquestra de Câmara Portuguesa, que repetirá em Janeiro, em Lisboa, no Centro Cultural de Belém.

Pedro Jóia iniciou aos sete anos os estudos de guitarra clássica na Academia dos Amadores de Música em Lisboa, concluindo o curso de guitarra do Conservatório Nacional, em 1990.

Em 1986 começou a estudar guitarra flamenca, inicialmente de forma autodidacta, frequentando, mais tarde, "master classes" e cursos de aperfeiçoamento com os guitarristas Paco Peña e Gerardo Nuñes.

Frequentou, entre 1989 e 1992, a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e leccionou a disciplina de Guitarra Clássica no Conservatório Regional de Loures entre 1990 e 1992.

Entre 1992 e 1998 estudou e trabalhou com o guitarrista Manolo Sanlúcar, em Córdova.

Iniciou em 1993 a actividade de concertista, realizando vários recitais e apresentando-se em diferentes festivais, tanto em Portugal como no estrangeiro.

Em 1996 gravou o seu primeiro CD, "Guadiano", e, três anos mais tarde, "Sueste".

O seu terceiro CD - "Variações sobre Carlos Paredes" - surgiu em 2001 e, em 2003, editou "Jacarandá", que, entre outras, teve as prestações de Elba Ramalho, Ney Matogrosso e Daniela Mercury.

No ano passado editou "À espera de Armandinho", que integra, além dos citados fados, quatro variações, em Lá menor, I e II, em Mi menor e em Ré Maior.

fonte ~ rtp

11 de setembro de 2008

Roberto Leal : Canto da Terra [Canto da Terra, 2007]

QUEM HÁ DE REGAR O PRADO

AI, E A OLIVEIRA DO MONTE

E DAR DE BEBER AO GADO

AI ! SE UM DIA SECAR A FONTE


QUEM HÁ DE PLANTAR NAS SERRAS

AI, QUEM HÁ DE COLHER A FLOR

QUEM HÁ DE LAVRAR A TERRA

QUANDO NÃO HOUVER UM LAVRADOR


AI, AI, AI – O CANTO DA SERRA

AI, Ó LINDA ATÉ QUANDO SERÁ

AI,AI,AI , O CANTO DA TERRA

AI, Ó LINDA O TEMPO DIRÁ


QUEM SABE A COR DA VIDEIRA

AI, E O TEMPO DE SEMEAR

E O CHEIRO DA LARANJEIRA

AI SE UM DIA NINGUÉM LÁ VOLTAR


QUEM HÁ DE PISAR O VINHO

AI, QUEM CEIFARÁ OS TRIGAIS

E OUVIR OS PASSARINHOS

DE MANHÃ CANTANDO NOS BEIRAIS


E QUANDO EU JÁ FOR VELHINHO

AI, NÃO PUDER SUBIR A SERRA

VOU SONHAR OS TEUS CAMINHOS

HÁS DE SER SEMPRE A MINHA TERRA


(Roberto Leal / Márcia Lúcia)

Canto da Terra
Roberto Leal
Canto da Terra
Som Livre, 2007

Mariza nomeada para Grammy latino pela segunda vez

A cantora Mariza foi nomeada para a 9ª edição dos Latin Grammy Awards, com o seu último álbum, "Terra", na categoria de Melhor Álbum Folk, anunciaram hoje os representantes da artista em Portugal.

Trata-se da segunda vez que Mariza é nomeada para os Latin Grammy Awards - prémios atribuídos anualmente desde 2000, pela secção latina da National Academy of Recording Arts and Sciences norte-americana - depois de no ano passado ter sido seleccionada com o registo ao vivo "Concerto em Lisboa", também na categoria de Melhor Álbum Folk.

"Terra", o quarto CD de originais gravado pela cantora, que se encontra no top de vendas da Associação Fonográfica Portuguesa desde que foi editado, a 30 de Junho deste ano, e é já disco de platina, integrou por pouco uma das 49 categorias dos Latin Grammy Awards deste ano, destinada a premiar os melhores discos lançados entre 01 de Julho de 2007 e 30 de Junho de 2008.

A cerimónia de entrega dos prémios realiza-se a 13 de Novembro, no Toyota Center, em Houston, no Estado norte-americano do Texas.

fonte ~ rtp

10 de setembro de 2008

Amélia Muge : Não sou daqui [Não sou daqui, 2006]

não sou daqui
mas gosto daqui estar
de aprender no lugar de outros
a me encontrar
de poder um lugar achar
no estar aqui
desejar o lugar de todos neste lugar
e saber, no lugar daqui
o meu lugar
não sou daqui

não sou daqui
mas se aqui estou
é porque para mim
também há aqui lugar
e porque há um eu
que aqui se foi achar
e porque um teu
gostou de mim
de me encontrar

(Amélia Muge)
Não sou daqui
Amélia Muge
Não sou daqui
Vachier & Associados, 2006

9 de setembro de 2008

Camané : Sei de um rio [Sempre de mim, 2008]

Sei de um rio, sei de um rio
Em que as únicas estrelas nele sempre debruçadas
São as luzes da cidade
Sei de um rio, sei de um rio
Onde a própria mentira tem o sabor da verdade
Sei de um rio…
Meu amor dá-me os teus lábios, dá-me os lábios desse rio
Que nasceu na minha sede, mas o sonho continua
E a minha boca até quando ao separar-se da tua
Vai repetindo e lembrando
Sei de um rio, sei de um rio
Meu amor dá-me os teus lábios, dá-me os lábios desse rio
Que nasceu na minha sede, mas o sonho continua
E a minha boca até quando ao separar-se da tua
Vai repetindo e lembrando
Sei de um rio, sei de um rio
Sei de um rio, até quando

(Pedro Homem de Melo - Alain Oulman)

Sei de um rio
Camané
Sempre de mim
EMI, 2008

5 de setembro de 2008

Mariza : Rosa Branca [Terra, 2008]

De Rosa ao peito na roda
Eu bailei com quem calhou
Tantas voltas dei bailando
Que a rosa se desfolhou

Quem tem, quem tem
Amor a seu jeito
Colha a rosa branca
Ponha a rosa ao peito

Ó roseira, roseirinha
Roseira do meu jardim
Se de rosas gostas tanto
Porque não gostas de mim?

(José de Jesus Guimarães / Resende Dias)

Rosa Branca
Mariza
Terra
EMI, 2008

15 de agosto de 2008

Dois mil e duzentos ranchos folclóricos têm o seu pico de actividade em Agosto

Guimarães, 14 Ago (Lusa) - Agosto é mês de trabalho para os dois mil e duzentos grupos de folclore existentes em Portugal. Serão mais de cem mil praticantes amadores que têm como único "pagamento" os passeios e as viagens ao estrangeiro feitas em grupo.

Dois deles, Marta e Júlio, vão ter este sábado, em Viana do Castelo, a prova da entrega voluntariosa com que os praticantes se dedicam ao folclore. O seu casamento vai contar com a bênção do Rancho Folclórico das Lavradeiras de Vila Franca.

Os noivos dançam no rancho e, no dia da boda, serão os cantadores e as cantadeiras, nos seus trajes minhotos, a animar a missa e a festa do matrimónio.

"No grupo toda a gente trabalha de graça, com ensaios uma vez por semana e espectáculos três fins-de-semana por mês", disse à Lusa Rafael Rocha, presidente da associação cultural que dá nome ao rancho.

"É claro que, quando um dos cinquenta membros do grupo precisa, nós vamos todos ajudar", referiu ainda Rafael que, não sabe bem há quantos anos atrás, entrou para o rancho "para ver se conseguia namorar com uma rapariga".

O namoro não avançou, mas o "amor" pelo folclore permaneceu e são vários os casamentos entre membros do grupo, que têm como padrinhos os escritores Jorge Amado e Zélia Gattai.

"Eles vinham muitas vezes a Viana do Castelo e aceitaram apadrinhar as Lavradeiras de Vila Franca", disse, com orgulho, Rafael Rocha.

Com dois mil e duzentos grupos legalmente existentes em Portugal, o folclore é uma das áreas culturais que envolve "mais praticantes e mais adeptos".

"Em muitas aldeias e vilas, os grupos folclóricos são o motor de toda a actividade social", explicou Fernando Ferreira, presidente da Federação do Folclore Português (FFP).

"Sem as viagens dos grupos, sem as actuações no estrangeiro, havia pessoas que morriam sem sair da terra onde nasceram", frisou.

Com cerca de 50 elementos por grupo, entre músicos, dançarinos e cantadeiras, o folclore movimenta milhares de pessoas que trabalham gratuitamente.

"Os ranchos têm a vertente cultural que é muito importante, mas têm também a vertente social que é tanto ou mais importante que a recolha e divulgação de tradições", disse Fernando Ferreira.

Dos dois mil e duzentos grupos folclóricos existentes em Portugal, 600 são federados na FFP, 400 estão em processo de adesão e os restantes "não podem ou não querem fazer parte"da entidade que supervisiona o folclore.

"Somos muito exigentes com os grupos que pedem adesão à federação", salientou Fernando Ferreira.

"O folclore é um património que representa uma comunidade e se não for fiel aos usos e costumes dessa comunidade, pode ser um grupo de dança, mas não pode ser um grupo de folclore", referiu o presidente da FFP.

Para manter a fidelidade à tradição, a federação tem vindo a organizar cursos de formação sobre folclore.

A próxima acção de formação é destinada aos ensaiadores dos grupos e deverá ter início no mês de Setembro.

E para que um grupo seja considerado representante do folclore português, há coisas "simples" que têm que ser respeitadas: "Nada de maquilhagem, nada de relógios de pulso, cabelos pintados e saias curtas", exemplificou Fernando Ferreira.

O grupo folclórico de Mafamude, em Vila Nova de Gaia, tal como o de Viana do Castelo, não é federado.

Mesmo assim, em 27 anos de vida, Maria Albina, fundadora do grupo, garante que nunca faltaram convites para actuações.

Pela primeira vez, os 60 elementos do grupo estão a actuar no estrangeiro.

"Tivémos sempre medo de sair de Portugal sem ter tudo combinado e, desta vez, em Barcelona, saímos de Gaia já com o nome dos sítios onde íamos dormir e comer", disse "Bininha", a presidente do grupo.

A viagem a Espanha acaba por ser uma prenda para o grupo que ensaia uma vez por semana e tem actuações quase todos os sábados ou domingos.

"Vamos a muitos convívios sem ganhar um tostão, vamos pela festa, mas há sítios como as Caves do Vinho do Porto onde nos pagam cada actuação que fazemos", referiu Maria Albina.

fonte ~ rtp

Grupo Folclórico de Vila Verde
regadinho


29 de julho de 2008

Morreu fadista Adelina Ramos, 82 anos

A fadista Adelina Ramos, 82 anos, que foi proprietária do restaurante típico "A Tipóia", faleceu no passado sábado 26 de Julho, na Casa do Artista, informou hoje a Associação Portuguesa dos Amigos do Fado (APAF).

Na mesma nota, a APAF "lamenta o facto do falecimento de tão insigne figura não ter sido divulgado por aquela instituição".

Fonte da Casa do Artista confirmou hoje à Lusa que Adelina Ramos faleceu sábado, tendo sido realizado o funeral segunda-feira da Igreja de São João de Brito para o cemitério do Alto de S. João.

A fadista foi a criadora de "Não passes com ela à minha rua", que Fernanda Maria popularizou décadas mais tarde, e do êxito "Ouvi cantar o Ginguinhas".

"Como fadista tinha um estilo peculiar, que congregava uma legião de fãs. Além de Ginguinhas, outro fado muito apreciado era o da Agualva", disse à Lusa o poeta José Luís Gordo.

José Luís Gordo realçou que a sua casa de fados, A Tipóia, "era na década de 1960 uma das mais requisitadas, por onde passaram vários nomes e aonde se ia pelo convívio".

Teresa Tarouca, José Ferreira Rosa, Casimiro Ramos, Carlos Ramos, Francisco Stofel, Maria da Fé, Manuel de Almeida são alguns dos fadistas que cantaram n`A Tipóia.

"Na década de 1960, até antes, foi um espaço de referência do fado e de tertúlia de poeta. Nos inícios da década de 1970, era um espaço onde pontuava o poeta José Carlos Ary dos Santos", ", assinalou o estudioso de fado Vítor Duarte Marceneiro.

Na década de 1970, "todas as noites como que em romaria ia lá, com o meu avô, Alfredo Marceneiro, que gostava de ouvir declamar o Ary e apreciava aquele espírito de tertúlia, pois passava por lá toda a gente de Lisboa, como dizíamos na época", recordou ainda.

fonte ~ RTP/Lusa

Fadista Fernanda Baptista morre aos 89 anos

A fadista e actriz Fernanda Baptista, de 89 anos, criadora de êxitos como "Fado da carta", faleceu no dia 25 de Julho ao princípio da madrugada, no hospital de Cascais, onde se encontrava internada, disse à Lusa um familiar.

Além do "Fado da carta" (João Nobre/Amadeu do Vale) a fadista criou vários outros êxitos e foi primeira figura de várias operetas e revistas, entre elas, "Chuva de mulheres" e "Fonte luminosa".

A sua estreia na revista deu-se em 1945, em "Banhos de sol", a convite do compositor e maestro João Nobre, mas já anteriormente integrara o cartaz do Café Luso, a convite de Filipe Pinto, no início da década de 1940.

O êxito alcançado levou-a a deixar a profissão de costureira que exercia.

"Saudades de Júlia Mendes", "Fui ao baile", "Trapeiras de Lisboa", "Pedrinha da rua", "Fado toureiro" ou "Fado das sombras" foram alguns dos seus êxitos.

A sua última presença em palco foi no musical "Canção de Lisboa" de Filipe la Féria, em 2005.

A fadista foi alvo de várias homenagens, nomeadamente da Associação Portuguesa dos Amigos do Fado, da Câmara de Lisboa e, em 2003, foi condecorada com a Ordem de Mérito pelo Presidente da República, Jorge Sampaio.

Ao longo de mais de 65 anos de carreira artística, a fadista e actriz actuou em cerca de 50 revistas e operetas, gravou centenas de discos e realizou várias digressões, tendo actuado nos Estados Unidos, Brasil, Argentina e Angola.
fonte ~ portal do fado

não voltes nunca

Parceria Valentim de Carvalho/IPlay lança coleccção de CD "O melhor de..."

A parceria Iplay e Valentim de Carvalho lançou no mercado uma nova série de CD, "O melhor de", que recupera êxitos da música portuguesa de nomes como Carlos Ramos, Hermínia Silva, Maria Clara ou Alberto Ribeiro.

"Esta colecção tem mais informação. Há uma melhoria de textos específicos, em português e inglês, sobre cada artista, as letras de cada canção e fado. É uma edição mais cuidada. Todavia, esta colecção não pretende substituir a colecção lançada há uns anos pela EMI Music, mas sim uma outra, a colecção Caravela", explicou à Lusa o director geral da Iplay, José Serrão.

Editados estão Hermínia Silva, Alberto Ribeiro, Frei Hermano da Câmara, Maria de Fátima Bravo, Tony de Matos, Carlos Zel, Beatriz da Conceição, Fernando Farinha, Carlos Ramos, Lucília do Carmo e Maria Clara.

Segundo Serrão, "a maioria dos temas escolhidos provêm da Valentim de Carvalho, havendo casos pontuais em que se recorreu a outras editoras".

Um desses casos pontuais é o de Carlos Zel, falecido há seis anos e de quem se escolheu, entre outros, "Restos de uma saudade" (Francisco Stofel/Carlos Manuel Lima), "Disseste que me deixavas" (Mário Martins/José Lopes) e "Neste rio vou morrer" (Alfredo Duarte/António Fontes).

A colecção integra nomes já desaparecidos como Zel ou Carlos Ramos, outros que deixaram de cantar, caso de Maria de Fátima Bravo, ou outros ainda no activo, como Beatriz da Conceição ou Frei Hermano da Câmara, que decidiu este ano regressar aos palcos.

Serrão afirmou à Lusa que o mercado está receptivo aos êxitos de outrora, "que são aliás de sempre".

"Há um certo saudosismo e temos um quadro de artistas cujos nomes, em termos discográficos, estavam desaparecidos há muito tempo", assinalou.

Todos os CD incluem 20 temas, entre eles os mais significativos da carreira de cada artista.

Assim, o CD de Fátima Bravo inclui o emblemático "Vocês sabem lá" (Carlos Sousa/Jerónimo Bragança) e o de Carlos Ramos "Não venhas tarde" (Aníbal Nazaré/João Nobre).

O CD de Alberto Ribeiro, falecido em 2000, integra a sua criação "Coimbra" (José Galhardo/Raul Ferrão), mas também os popularíssimos "Marco de Correio" (Amadeu do Vale/Alberto Ribeiro) e "Fado Hilário" (Gabriel de Oliveira/Augusto Hilário Alves).

"O melhor de Beatriz da Conceição" regista essencialmente êxitos saídos do teatro de revista nas décadas de 1960 e 1970, designadamente "Sou um fado desta idade" (Ferrer Trindade/Rogério Bracinha), "Lisboa da cor da ponte" (F. Trindade/César Oliveira/R. Bracinha), "Mini fado" (F. Trindade/C. Oliveira) ou "Santo António detective" (Artur Varatojo/Carlos Dias).

Entre os 20 temas de Hermínia Silva, outra vedeta do teatro da revista nas décadas de 1940 a 1980, o CD inclui o muito aplaudido "Gonçalo Velho" (Amadeu Santos/Raul Ferrão).

Do CD da fadista constam também "Fado da sina" (A. Santos/Jaime Mendes), e as sátiras a "Vou dar de beber à dor", de Amália Rodrigues, e ao "Fado falado", de João Villaret, respectivamente "Vou dar de beber à alegria" e "Fado mal falado".

No mercado estão já 11 títulos, projectando-se a saída, em breve, de outros seis, "sendo o previsto saírem seis títulos de três em três meses", disse José Serrão.

António Mourão, Maria José Valério, João Ferreira Rosa, José Cid, Alfredo Marceneiro e Maria Teresa de Noronha são aos próximos a serem editados, indicou Serrão.

Vítor Duarte Marceneiro, que este ano recebeu o Prémio Amália Rodrigues de Ensaio e Investigação, afirmou à Lusa que "tudo o que seja relembrar figuras antigas é bem-vindo".

O investigador espera que, "para além da edição discográfica, propriamente dita, esta seja uma hipótese de se reflectir sobre a época, se reconheça a qualidade dos poemas e também a qualidade musical".

"Há coisas de muita qualidade que estão esquecidas, e aprende-se sempre com quem chegou antes de nós e fez bom trabalho", frisou Vítor Duarte Marceneiro.

Por outro, lado, disse ainda, este "é um instrumento utilíssimo para quem investiga e procura saber mais na área da música ligeira portuguesa".

fonte ~ RTP/Lusa

Maria Teresa de Noronha
cotovia


26 de junho de 2008

Aldina Duarte: Mulher de armas

Aldina Duarte está de regresso com um terceiro disco «feminino e feminista». Ao Diário Digital, falou do seu percurso, das mulheres e do fado.

O que representou para si a saída da EMI e o consequente trabalho pelas suas mãos?
«Sair da EMI foi mais um desafio no meu percurso profissional, uma nova adversidade a combater, mais um teste à minha resistência artística, acima de tudo, reforçou esta minha realidade de andar sozinha nesta espécie de margem… e uma tomada de consciência de mais uma das manifestações do capitalismo selvagem, que nunca me surpreende na sua insensibilidade e arrogância. Paralelamente, esta situação revelou-me a competência, a generosidade e a amizade profissional duma equipa excelente em qualquer das áreas relacionadas com a produção e divulgação dum CD, todos ex-funcionários da EMI, agora cada um em locais de trabalho diversos, porém, juntos de novo neste meu terceiro disco, «Mulheres ao Espelho»!

Sente que os artistas devem ser cada vez mais do que artistas e passarem a controlar outros processos?
«Ganhamos sempre todos, artistas, produtores, editores e público em geral, quanto mais cada um se envolve no conhecimento do todo em que somos parte. Isto é válido para qualquer matéria da vida!»

Pela primeira vez, um disco seu tem uma capa colorida. Porquê?
«Porque as Mulheres têm uma flexibilidade afectiva e racional muito abrangente!»

«Mãe, eu quero ir-me embora - a vida não é nada». Revê-se nestas palavras?
«Revejo-me em qualquer sofrimento humano, é uma coisa de sangue e pele… é um sentimento de fraternidade involuntário, é o que nos torna verdadeiramente humanos, a consciência do outro… penso eu.»

Porquê a homenagem a Maria José da Guia, Hermínia da Silva e Lucília do Carmo?
«Porque são três fadistas a quem dedico muito tempo a ouvir para aprender a dizer bem as palavras, a dividir bem as frases, a saborear o ritmo e o balanço dos fados… a desvendar as melodias nas suas subtilezas… porque me dão força para avançar no meu caminho, enquanto fadista, quando as oiço, penso sempre: «obrigada por não terem desistido desta arte que seria bem mais pobre sem vocês» e «por me darem momentos de grande inspiração e comoção tão necessários na minha vida em geral».

Podemos considerar «Mulheres ao Espelho» um álbum feminino?
«Feminino e feminista. Gosto muito de ser mulher e das mulheres em geral; e quis dar voz a mulheres à margem, vítimas de preconceitos arrepiantes para qualquer ser humano pensante, mesmo que pouco sensível. Qualquer homem que goste das mulheres entenderá facilmente a grandeza dos sentimentos e das atitudes das mulheres cantadas neste disco, nestas histórias a que assisti… de fiz parte directa ou indirectamente… e sinto uma gratidão por todas as mulheres e homens que lutaram anonimamente na maior parte dos casos, e publicamente também, para que eu seja sobretudo mais livre e feliz por tudo o que a liberdade têm em si de explícito e implícito.»

É conhecido o seu trabalho de pesquisa no fado. Continua a emocionar-se com o fado?
«Surpreendo-me constantemente… e a minha dedicação e amor a esta arte é incondicional. Acho como todas as formas artes transcendente nos seus mistérios… emociono-me continuamente com o Fado, no meu dia-a-dia quando canto e quando oiço… e tenho a certeza que, como qualquer arte superior, é de todos e não é de ninguém… há uma vida própria na criação artística que está para além do entendimento de um só ser humano… há que ter a humildade de trabalhar, trabalhar , sem pensar nos resultados. Já ouvi falar do Fado á semelhança de Deus, cada um tem direito à sua Fé, porém, custa-me a aceitar aqueles crentes que acham sempre que estão mais perto de Deus que os outros, que eles acham que estão sempre longe ou mesmo de fora da esfera divina, neste caso fadista… eu sou pelas portas sempre abertas a todos como nas igrejas.»

Como vê este interesse súbito do grande público por alguns fadistas (Mariza, Camané, Ana Moura)?
«Vejo como uma vontade dos portugueses de salvaguardar uma parte da sua identidade cultural, valorizando uma forma de arte que foi esquecida durante um certo tempo e que só existe aqui, em Portugal, e que por isso está a ter receptividade no mundo inteiro. O fado está na moda, ou melhor, continua na moda de há uns anos para cá, o que pode ser bom se a atenção for também direccionada para os muitos e brilhantes cantores, músicos, compositores e letristas que fazem a história desta Arte de tradição oral que tem graças a todos resistido e persistido desde há pelo menos 150 anos…»

fonte ~ disco digital

princesa prometida
mulheres ao espelho, 2008