27 de novembro de 2010

Carlos do Carmo e Sassetti. Separados por 30 anos. Juntos em disco.

Carlos do Carmo e Bernardo Sassetti conheceram-se há sete anos, quando o fadista celebrou 40 anos de carreira. Mas quase se poderia dizer que os dois são amigos de longa data, apesar dos trinta anos que os separam. Sentados à mesa de um bar de hotel junto ao Tejo, desdobram-se em elogios mútuos, entre chá verde e histórias passadas. A razão da conversa? Um disco que não é fado nem jazz, mas que simboliza o encontro de duas gerações distintas da música portuguesa. E muito mais, como veremos adiante.

Carlos do Carmo sempre quis gravar "as canções de uma vida". Já Bernardo Sassetti sempre ouviu Carlos do Carmo. Em casa, ainda pequeno, lembra-se de escutar o fadista na rádio a cantar "Os Putos". Poderíamos ser fiéis ao velho pregão do "Video Killed The Radio Star" - e até admitir que hoje poucos escutam rádio em casa - mas não andaremos muito longe da verdade se dissermos que, desses tempos, Sassetti guardou muito mais do que uma recordação de frequência modelada. "Ouvir o Carlos era uma forma de tentar ser melhor. Uma referência como músico, cantor, conversador", diz.

Talvez por isso, este encontro, que muitos classificaram de improvável, seja afinal o ponto de contacto mais natural entre dois músicos, que se influenciaram mutuamente ao longo dos anos. Carlos do Carmo, que já tinha convidado Sassetti para fazer as orquestrações do seu espectáculo comemorativo dos 40 anos de carreira, define a ideia como "uma martelada matinal". "Acordei a pensar que queria gravar estas músicas com o Bernardo. Daí ao telefonema foi um impulso", recorda.

Tudo começa à mesa

Convém esclarecer que "Carlos do Carmo e Bernardo Sassetti" - assim se chama o disco - nasce primordialmente de conversas, antes de ganhar forma musical. De conversas e de histórias e de jantares intervalados por algumas incursões ao piano e microfone.

"Todas as músicas foram construídas a dois, em minha casa, com muita conversa e piano pelo meio. O mais importante era transformar aquelas peças num momento genuíno que tivesse que ver com o nosso universo de voz e piano, de um intimismo profundo, encontrar um espaço e tempo para cada canção", confessa Sassetti.

Claro que, tratando-se de músicas que ganharam vida própria - e se eternizaram - não será errado dizer que esta se revelou como uma responsabilidade acrescida para ambos. Sassetti define cada canção como "uma facada no original". "Mas uma facada com muito respeito e admiração". Provavelmente, só assim seria possível a Carlos do Carmo gravar canções com as quais tem uma relação quase visceral. Falamos, naturalmente, das interpretações de temas escritos por Sérgio Godinho, Fausto, Rui Veloso e, acima de tudo, José Afonso.

"As escolhas são afectivas. Uma vez o Sinatra fez um disco chamado "Some Nice Things I''ve Missed", um disco com versões de músicas que poderiam ter sido escritas para ele. Sinto um pouco isso em relação a estas dez canções do disco, embora tenha tido grandes artistas a escreverem para mim", esclarece Carlos do Carmo, antes de ser interrompido por Sassetti, que quis falar das suas preocupações relativas às canções.

"Tive muitas, sobretudo porque falamos de tocar temas que têm à partida uma versão definitiva, que é a original, o que acontece com o ''Yesterday'', dos Beatles, com Brel, esse verdadeiro tormento, ou o Zeca", diz. "Não se trata de um disco de covers. Isso seria um mal necessário. Existem textos bonitos e nós fomos à procura de novas soluções."

José Afonso teria gostado?

Da lista de dez canções do disco, fazem parte melodias tão célebres como "Lisboa que Amanhece" (Sérgio Godinho), "Foi por Ela" (Fausto), "Porto Sentido" (Rui Veloso e Carlos Tê), "Cantigas do Maio" (José Afonso), "Avec Le Temps" (Leo Ferré), "Quand on a que L''Amour" (Jacques Brel) e "Gracias a La Vida" (Violeta Parra). Talvez pela sua ligação afectiva, Carlos do Carmo fale de José Afonso com a naturalidade - e saudade - de quem lhe assinou uma petição para não ser preso há muitos anos.

"Andou desaparecido uns tempos até ter entrado na minha casa de fados, para me agradecer. Era uma pessoa muito atenta", recorda. E José Afonso, teria gostado do disco? "Não sei, vou ter uma conversa muito séria com a Zélia (viúva do músico) para saber o que ela pensa que ele acharia. O Zeca e eu tínhamos uma relação de mútuo respeito. Admirava-o particularmente. Ele é um ser à parte, a minha referência ética e estética."

O disco foi gravado em poucos dias, com algumas das faixas a saírem ao primeiro take. "Tínhamos encontros semanais, conversávamos imenso e tocávamos um bocadinho. Acho que as músicas foram sempre tocadas de forma diferente", conta. Dessa liberdade criativa, nascem canções familiares, mas com outro código genético, marcado pelas deambulações jazzísticas do pianista e pelo cantar falado de Carlos do Carmo. "Tudo muito natural, não houve grandes coisas combinadas, nada estava escrito", assegura o fadista.

A cumplicidade entre Sassetti e Carmo não se espelha apenas no disco que acabam de editar. A própria conversa, os olhares comprometidos e as piadas que trocam entre si mostram bem o entendimento entre os dois, humano e musical. "A realidade é que são dois amigos que se passeiam por uma ou várias cidades em que tudo acontece de forma muito tranquila. Se um vai para uma rua, o outro segue-o naturalmente. E existe espaço para o silêncio", sorri Bernardo Sassetti. Uma coisa é certa: aqui, o silêncio não é fatal.
fonte ~ jornal i

21 de novembro de 2010

O povo volta a cantar!





A Tradisom, e o seu incansável impulsionador José Moças, volta a marcar o panorama etnomusicológico português, desta vez com o lançamento da filmografia completa de Michel Giacometti, o etnógrafo corso que percorreu Portugal de lés-a-lés na recolha de registos musicais, costumes sociais e de trabalho.
Esta edição, feita em parceria com a RTP e o jornal Público, e que estará à venda desde o dia 22 de Novembro, inclui a reedição da série "Povo que canta", um marco da televisão portuguesa dos anos 70 e um dos retratos mais completos, de então, da nossa tradição musical e realidade etnográfica.
Apesar de ser um olhar díspar relativamente à actualidade, pelo seu valor patrimonial e cognitivo esta é uma colecção a não perder!

Mais sobre a reedição
jornal hardmúsica
"Povo que canta" está de volta

jornal i
Michel Giacometti. O apóstolo do cancioneiro popular português

20 de novembro de 2010

Fado para ouvir e provar

Tudo Isto é Fado - roteiro e receitas para provar e ouvir o fado em Lisboa», faz um périplo por cerca de 20 locais, das casas de fado mais tradicionais às tasquinhas e recantos onde se cultiva o bom fado amador, trazendo receitas de pratos e petiscos que acompanham o fado em cada uma delas, a par de informação sobre o ambiente e o tipo de fado que podemos esperar encontrar. Um guia indispensável para todos os apreciadores de bom fado e boa comida!
Fazer um roteiro sobre o fado não é tarefa fácil. Fazer um «roteiro para provar ouvir o fado em Lisboa», é ainda mais complicado, mas é também um prazer redobrado que põe à prova todos os sentidos. Há cada vez mais casas de fado, tertúlias de amigos que se reúnem para «fadistar» nas tasquinhas, e até inúmeros bares frequentados por uma geração mais nova, e que incluem a tradição do fado na sua programação. Com tantas alternativas, optámos por fazer uma selecção que incluísse todas estas tendências. Nas nossas sugestões podem ouvir desde o fado profissional, passando pelo fado amador, até ao chamado fado vadio. Houve algumas (poucas) casas que não demonstraram o mesmo entusiasmo que nós tivemos a fazer este livro, mas as 20 que aqui estão, partilharam as suas «receitas» de fado sem hesitação!
Ao longo de várias semanas, ouvimos poetas, vozes abençoadas, histórias de vidas. «Provámos» de tudo um pouco, tendo por companhia o som único da guitarra portuguesa e da guitarra clássica, e sendo envolvidos pela «Luz da Noite» que José Manuel dos Santos tão bem descreve no seu prefácio. Decididamente o fado é uma parte da nossa alma, o oxigénio da nossa saudade… uma história que se conta a cantar.

17 de novembro de 2010

Pedro Moutinho e Mayra Andrade : Alfama [Lisboa mora aqui, 2010]

Quando Lisboa anoitece
Como um veleiro sem velas
Alfama toda parece
Uma casa sem janelas
Aonde o povo arrefece

É numa água-furtada
No espaço roubado à mágoa
Que Alfama fica fechada
Em quatro paredes de água
Quatro paredes de pranto

Quatro muros de ansiedade
Que à noite fazem o canto
Que se acende na cidade
Fechada em seu desencanto
Alfama cheira a saudade

Alfama não cheira a fado
Cheira a povo, a solidão,
Cheira a silêncio magoado
Sabe a tristeza com pão
Alfama não cheira a fado
Mas não tem outra canção.

Ary dos Santos/ Alain Oulman

15 de novembro de 2010

Uxu Kalhus: 10 anos de folk em português!

Os Uxu Kalhus comemoram 10 anos de existência em 2010 e assinalam a data com o lançamento do DVD "10 anos de folk em português", um concerto gravado com som directo no Festival Andanças 2010.

O lançamento do DVD será assinalado com um concerto/baile a 4 de Dezembro, Sábado, no Hard Club, no Mercado Ferreira Borges, Porto. A entrada custa 7,5 € e na compra do bilhete, o DVD pode ser adquirido por mais 5 €.

Em 10 anos de existência, os Uxu Kalhus lançaram dois cd’s (“A revolta dos badalos”, 2006 e “Transumâncias Groove”, 2009) e apresentaram mais de 600 actuações ao vivo em formato bailes e concertos no país e no estrangeiro. Com actuações vibrantes, uma postura irreverente e sempre fiéis à sua estética folk-rock de fusão, Uxu Kalhus estão constantemente a renovar as fronteiras do Tradicional.

Porque hoje o folk de identidade já não é local mas sim global, Uxu Kalhus assumem-se como um grupo português contaminado pelas sonoridades do mundo actual. Composições elaboradas e arranjos complexos desafiam regras e surpreendem quem escuta os temas gravados; mas é ao vivo que Uxu Kalhus se libertam, transformando-se num colectivo orgânico que leva as suas capacidades ao limite, numa mescla de energia e sentimento, trocando o conforto da previsibilidade pelo risco constante da improvisação.

Os Uxu Kalhus são compostos por Joana Margaça (voz), Paulo Pereira (sopros), André Lourenço (teclas), Tó Zé (guitarras), Eddy Slap (baixo) e Luís Salgado (bateria) e nasceram em 2000 com o objectivo inicial de divulgar as danças portuguesas em França. Cedo revelaram a sua vocação de grupo folk português algures entre os universos da Fusão e das Músicas do Mundo. As composições do grupo alternam arranjos de sonoridades que acompanham as danças portuguesas (raramente utilizadas fora do universo folclórico tradicional) com influências diversas de cada um dos seus elementos para obter um resultado original no panorama nacional e internacional. A sua maior força é a prestação contagiante ao vivo, que incita o público a dançar e a explorar o folk nacional.

Entre mais de 600 bailes/concertos em Portugal, Espanha, França, Alemanha, Macau e Itália, houve a necessidade de registar as criações sonoras em dois cd´s. No primeiro - A Revolta dos Badalos de 2006, o Malhão, a Erva cidreira, o Mata Aranha, o Saraquité ou o Regadinho adquirem uma dinâmica nova, fracturante, com ritmos de bateria, baixos jazzísticos e arranjos com influências Afro, Ska, Rock, Drum n´Bass e Hip Hop. Com o segundo álbum Transumâncias Groove de 2009, a "revolução" na música tradicional dá ainda mais um passo no aprofundar do Folk nacional, com originais do grupo para danças como o Vira, o Corridinho e as Saias.

Voz: Joana Margaça
Sopros: Paulo Pereira
Teclas: André Lourenço
Guitarras: Tó Zé
Baixo: Eddy Slap
Bateria: Luís Salgado

Próximas datas de apresentação:

Hard Club, Porto
4 Dezembro 2010, Sábado, 22h00

Clube Oriental de Lisboa
11 de Dezembro, Sábado, 22h30

Viva a Música / Antena 1
13 de Dezembro, Segunda

12 de novembro de 2010

Mariza grava novo disco com fados tradicionais

“Fado tradicional” é o título do novo álbum de Mariza, que integra um dueto com Artur Batalha, “Promete jura”, e ainda temas de autoria de Fernando Pessoa, Amália Rodrigues e Diogo Clemente, entre outros, noticiou a Lusa.

O álbum, o quinto de estúdio de Mariza, é o primeiro produzido pelo músico Diogo Clemente, e será apresentado no Coliseu do Porto, no dia 25 de Novembro, e no dia 29 no de Lisboa, num cenário desenhado pelo arquitecto Frank Gehry.

Tal como o título indica, as melodias que interpreta são fados tradicionais, casos do Fado Sérgio, a solo e em dueto com Artur Batalha, no tema “Promete jura” (Maria João Dâmaso/Sérgio Dâmaso), Fado Alfacinha para o tema de Fernando Pinto Ribeiro “As meninas dos meus olhos”, ou o Fado Varela para uma letra de Diogo Clemente, “Mais uma lua”.
De Fernando Pessoa interpreta na melodia do fado bailarico de Alfredo Marceneiro, “Dona Rosa”.

“Ai, esta pena de mim” (Amália Rodrigues/José António Guimarães Serôdio) no Fado Zé António, e “Na rua do silêncio” na melodia do fado alexandrino de Joaquim Campos com letra de António Sousa Freitas, são dois dos temas do repertório de Amália Rodrigues que recria.

Acerca deste CD, o musicólogo Rui Vieira Nery afirma que a fadista “regressa às próprias raízes do fado ‘clássico’, mergulhando por completo nas tradições mais autênticas e mais consagradas pelo tempo de um género de que é hoje um expoente consagrado”.
“Ao mesmo tempo – escreve ainda Nery – [Mariza] continua atenta a uma nova geração de jovens compositores como Sérgio Dâmaso, e estimula os seus acompanhadores a apoiá-la nesta viagem como um suporte instrumental assumidamente contemporâneo e por vezes ousadamente experimental”.
Uma “mistura tão especial do velho e do novo, mas sempre só o melhor”, remata o musicólogo.

“Rosa da Madragoa” (Frederico de Brito/José Duarte) na melodia do fado Seixal, “Boa noite, solidão”, um tema criado por Fernando Maurício, no fado Carlos da Maia, com um poema de Jorge Fernando, “Desalma” de Diogo Clemente na música do fado Alberto de Miguel Ramos, e ainda “Meus olhos que por alguém” no fado menor do Porto de José Joaquim Cavalheiro Jr. com letra de António Botto, de quem a fadista já interpretou “Os anéis do meu cabelo” com música de Tiago Machado, são outros dos temas incluídos no álbum.

O novo disco estará disponível numa “edição standard” (CD com 12 fados), numa “edição especial” (12 fados e dois extra) e uma "edição digital".
Os temas extra da edição especial são “Olhos da cor do mar” de João Ferreira-Rosa e Óscar Alves na música do fado Amora de Joaquim Campos, e “Lavava no rio lalava” de Amália Rodrigues e José Fontes Rocha.

“Fado Tradicional” foi gravado no Lisboa Estúdios entre julho e setembro passados, e sucede a “Terra”, produzido por Javier Limón, editado em 2008.
A fadista é acompanhada por Ângelo Freire (guitarra portuguesa), Diogo Clemente (viola) e Marino de Freitas (viola-baixo).

Mariza, já distinguida com vários prémios nacionais e internacionais, actua dia de S. Martinho (dia 11) na Sala Palatului na Roménia, seguindo para a Suíça onde canta em Basileia, no dia 14.
fonte ~ hardmusica

11 de novembro de 2010

"Contexto e Significado" aos 15 anos da d'Orfeu!

trailer de “Significado”

A d’Orfeu Associação Cultural completa 15 anos de intensa actividade no próximo dia 4 de Dezembro, data em que lançará o livro+filme “Contexto & Significado”, fruto do convite da associação de Águeda ao jornalista António Pires e ao realizador Tiago Pereira. A sessão terá lugar no Auditório do CEFAS, em Águeda, a 4 de Dezembro próximo pelas 17h30.

Com os 15 anos d’Orfeu como mote, é criativamente que a Associação celebra a efeméride, com uma obra dupla: "Contexto", o livro escrito por António Pires e que nos transporta até às origens de uma associação artística que abriu novos caminhos culturais a Águeda, e "Significado - A música portuguesa se gostasse dela própria", realizado por Tiago Pereira, um testemunho visual de contextualização contemporânea das tradições musicais que, mais que enaltecimento gratuito, antes faz o ponto de equilíbrio entre a história da própria associação e o retrato da sua posição, hoje, no meio cultural. É questionando o global que nos damos conta que também a d'Orfeu, nos últimos 15 anos, já escreveu história. “Contexto & Significado” é também a primeira edição da d’Eurídice, o novo selo editorial da d’Orfeu Associação Cultural.

O programa integral de comemoração dos 15 anos da d’Orfeu inclui, ainda, a 3 de Dezembro pelas 19 horas na Biblioteca Municipal Manuel Alegre, a inauguração de uma Exposição da história gráfica da associação (centenas de cartazes de eventos desde 1995) e um convívio popular no Espaço d’Orfeu, na noite de sábado 4 Dezembro, aberto a toda a comunidade.
Muito mais informações estão disponíveis no sítio http://www.dorfeu.pt, no blogue http://dorfeu.blogspot.com e nos perfis d’Orfeu nas redes sociais.

7 de novembro de 2010

Quadrilha : Levitação azul [Deixa que aconteça, 2006]

No átrio do cinema, entardecer de café
Em Lilás, só p'ra te ver sorrir
Vestidos à pressa foi só p'ra perder a sessão
Nem me sei despedir
E então, o filme da tua mão, na tela

Talvez um dia venha a sentir a tua falta de ar
Nalgum entardecer
Adivinhar o filme da tua nova história de amor
E fingir não entender
E então, as coisas são como são, é pena

Faz-me um favor, deixa o teu perfume no elevador
Então faz-me um favor, por favor

Ah, levitação azul
Voltei a casa só p'ra te revisitar
Levitação azul
Deixa passar mais uma meia hora

Adoro fins de tarde a recordar-me de ti
Em Lilás, só p'ra te ver sorrir
Depois de um mazagran com duas pedras de...
Toca o telefone, um convite p'ra sair
E então, tu vais dizer-me que não, faz parte?

Enquanto os dias passam com retratos de creme e limão
Gotas de entardecer
As nuvens envelhecem no calor da primeira estação
De um comboio a perder
E então, o amor servido em boião, lembranças

Faz-me um favor, deixa o teu perfume no elevador
Então faz-me um favor, por favor

Ah, levitação azul
Voltei a casa só p'ra te revisitar
Levitação azul
Deixa passar mais uma meia hora

3 de novembro de 2010

d'Orfeu integra rede europeia LIVE DMA

A d’Orfeu Associação Cultural é membro fundador, junto com várias associações musicais europeias, da rede “LIVE DMA”, uma plataforma de redes nacionais dedicadas à circulação de música ao vivo, cuja formalização teve lugar no passado mês de Setembro em Vic (Espanha). A associação de Águeda participa na qualidade de promotora do “OuTonalidades – circuito português de música ao vivo”, cuja 14ª edição decorre actualmente em Portugal e na Galiza.

Teve lugar, durante o recente Mercado de Música Viva de Vic, a formalização da rede europeia LIVE DMA, constituída por seis associações de difusão musical, sendo de destacar a presença da d'Orfeu Associação Cultural (Águeda, Portugal) entre as congéneres ACCES (Espanha), La Fédurok (França), Clubcircuit e Club Plasma (Bélgica), e Spillesteder (Dinamarca), todas gestoras de circuitos nacionais – no caso do OuTonalidades, transfronteiriço - de música ao vivo de pequeno formato.

Naquela ocasião foi apresentado e assinado o Protocolo de cooperação, que envolverá os vários parceiros numa filosofia de acção comum. As redes agora associadas comprometem-se a apoiar-se mutuamente e contribuir activamente para a descoberta, emergência e intercâmbio de novos projectos musicais, assumindo, deste modo, um papel determinante na mobilidade dos artistas europeus e nas dinâmicas europeias de renovação artística. Acrescem uma dimensão política e económica, com o intuito de se conquistar, em conjunto, uma legitimidade europeia para a proliferação e circulação da música ao vivo de pequeno formato no espaço europeu, através das economias de escala que emanam das práticas nacionais de cada circuito.

A LIVE DMA Network é dirigida conjuntamente por todas as estruturas associativas que a integram, tendo já sido estabelecido um cronograma de encontros de trabalho e um plano de acção à escala europeia. A próxima reunião da LIVE DMA realizar-se-á no festival TransMusicales, em Rennes (França), no início de Dezembro de 2010.


Mais sobre o OuTonalidades em
http://www.dorfeu.pt/OuTonalidades

Assembly Point : Dona Infanta


Tradicional / Luís Peixoto
Arranjos: Assembly Point


Ricardo Rocha vence Prémio Carlos Paredes

"Luminismo", editado no final de 2009, é um duplo álbum para guitarra portuguesa e piano, com composições originais de Ricardo Rocha, Pedro Caldeira Cabral, Artur Paredes e Carlos Paredes.
As composições para piano, que preenchem o segundo disco, são interpretadas pelo pianista Ingeborg Baldaszti.
Ricardo Rocha, neto do guitarrista Fontes Rocha, é um dos mais elogiados instrumentistas de guitarra portuguesa, pela renovação de um instrumento que no imediato se associa ao fado.
Aos 30 anos acumula vários prémios, entre os quais Prémio Revelação Ribeiro da Fonte para Jovens Compositores e Prémio Amália Rodrigues para Melhor Guitarra Portuguesa.
Ricardo Rocha já tinha recebido o prémio Carlos Paredes em 2004, na altura com o álbum de estreia "Voluptuária", em ex-aequo com o contrabaixista Carlos Barretto.
O prémio foi criado pela autarquia de Vila Franca de Xira para homenagear Carlos Paredes, "um dos maiores criadores e intérpretes musicais portugueses do século XX", mas também para "incentivar a criação e a difusão de música de qualidade, não erudita, de raiz popular portuguesa".
fonte ~ hardmusica

2 de novembro de 2010

Madredeus & A Banda Cósmica põem ponto final

Em comunicado divulgado a banda explica que "Castelos na areia" é o terceiro e último álbum de originais e que completa uma trilogia iniciada em 2008 com "Metafonia" e "Nova Aurora".
Pedro Ayres Magalhães e Carlos Maria Trindade reformaram os Madredeus em finais de 2007, depois da saída de Teresa Salgueiro, José Peixoto e Fernando Júdice de um dos projetos de maior sucesso dos anos 1990 da música portuguesa.

Na altura, Pedro Ayres Magalhães disse à Lusa que a nova “roupagem musical” pretendia "inventar uma concepção de música cantada em português para grandes espectáculos, inspirada nas diversas tradições das suas próprias composições e nos arranjos da música popular da Europa, da África Ocidental e do Brasil".
A matriz vinha dos Madredeus mantinha-se mas renovava-se com novos instrumentos.

Pedro Ayres Magalhães mantinha-se na guitarra clássica, direção musical e produção, Carlos Maria Trindade continuava nos sintetizadores, juntando-se a Banda Cósmica com as cantoras Mariana Abrunheiro e Rita Damásio e os músicos Ana Isabel Dias (harpa), Sérgio Zurawski (guitarra elétrica), Gustavo Roriz (guitarra baixo), Ruca Rebordão (percussão), Babi Bergamini (bateria) e Jorge Varrecoso (violino).
O comunicado dá conta que a Banda Cósmica terminou em Dezembro por causa da falta de meios.

"Os concertos não abundam, a rádio e televisão pouco arriscam na divulgação deste tipo de música e a venda de CD é completamente irrisória", lê-se.

"Castelos na Areia", que fecha o ciclo dos Madredeus, foi gravado no ano passado nos estúdios de Carlos Maria Trindade, no Alentejo, e reúne 11 temas originais, destinados a serem divulgados "por uma rádio progressista".

Os Madredeus foram um dos mais singulares nomes da música portuguesa, desde que se formaram em 1986 em Lisboa, com uma sonoridade que destoava do pop-rock de então.

O projecto, que procurava a inspiração na tradição popular portuguesa com uma sofisticação que não existia na altura no panorama português, deveu muito do sucesso às melodias de Pedro Ayres Magalhães e à voz de Teresa Salgueiro.

Venderam cerca de três milhões de discos em todo o mundo, por conta de registos como "Existir", "Os dias da Madredeus", "O espírito da paz" ou "Um amor infinito".
Nas duas décadas de existência os Madredeus já tiveram vários momentos de renovação. Rodrigo Leão, Gabriel Gomes e Francisco Ribeiro, que estava na formação inicial, saíram nos anos 1990, tendo entrado depois Carlos Maria Trindade, José Peixoto e Fernando Júdice.

O último fôlego da banda, já muito diferente dos primeiros tempos, deu-se em 2008, quando surgiu então Madredeus & Banda Cósmica, que agora termina com "Castelo na Areia".
fonte ~ hardmusica

Xícara : Cantiga Bailada

Tenho à minha janela
Eras tão bonita
E eu já te não quero
O que tu não tens à tua
Um vaso de manjerico
Eras tão bonita
E eu já te não quero
Que dá cheiro a toda a rua

Adeus ó rua da ponte
Eras tão bonita
E eu já te não quero
Calçadinha mal segura
E quando o meu amor passa
Eras tão bonita
E eu já te não quero
Não há pedra que não bula

As pedras do meu balcão
Eras tão bonita
E eu já te não quero
Estão todas a três a três
Os meus amores de algum dia
Eras tão bonita
E eu já te não quero
Já os cá tenho outra vez

Pelos trilhos do Andarilho

O documentário produzido pelo GEFAC "Pelos trilhos do Andarilho", que aborda a vida e obra de Ernesto Veiga de Oliveira, foi o vencedor do prémio etnografia no Cine-eco 2010.