24 de setembro de 2008

Câmara de Cascais adquire documentos da colecção de Álvaro Cassuto para Museu da Música Portuguesa

A Câmara Municipal de Cascais anunciou hoje que vai adquirir por 100 mil euros um conjunto de documentos "raros e muito valiosos" da colecção do maestro Álvaro Cassuto para a Casa Verdades Faria - Museu da Música Portuguesa, no Monte Estoril.

"Da colecção reunida pelo maestro Álvaro Cassuto fazem parte documentos únicos, como partituras manuscritas, autógrafos originais e manuscritos musicais, de entre os quais há a salientar 16 operetas de Eugénio Ricardo Monteiro de Almeida, um músico de finais do século XIX, que merece ser estudado e divulgado", refere uma nota da Câmara.

Segundo a autarquia, a colecção tem "inegável valor para a História da Música Portuguesa" e "releva-se de uma importância extraordinária para o Museu da Música Portuguesa - Casa Verdades Faria, vindo completar a oferta documental já existente, fruto dos espólios de Fernando Lopes-Graça e Michel Giacometti".

A aquisição deste conjunto de documentos foi aprovada na última reunião pública da câmara por deliberação unânime.

Os 2.750 títulos da colecção incluem alguns periódicos musicais, mais de 400 monografias musicais dos séculos XIX e XX e mais de 2000 partituras avulsas.

De entre as monografias musicais destacam-se obras consideradas de referência de musicólogos e investigadores como José Leite de Vasconcelos, Michelangelo Lambertini, Luís de Freitas Branco, Solange Corbin e Santiago Kastner.

Em declarações à Lusa, Álvaro Cassuto disse que a colecção começou a ser reunida pelo seu pai, um coleccionador de livros e documentos antigos, a partir dos anos 50.

"Achei oportuno entrar em conversações com a câmara para que este espólio não ficasse em mãos privadas", sublinhou o maestro, apontando a importância de manuscritos que não são conhecidos ficarem, a partir de agora, acessíveis a estudiosos num museu dedicado à música.

Álvaro Cassuto, um dos mais importante maestros portugueses da actualidade, estudou em Berlim com Herbert von Karajan e em Lisboa com Pedro Freitas Branco, tendo iniciado a sua carreira nos anos 60.

fonte ~ rtp

Mafalda Arnauth: "Este disco é um rio de sentimentos"

Mafalda Arnauth lança, no próximo dia 29, o novo álbum, "Flor de fado", que conta com composições próprias e de Tiago Torres da Silva. Além de dez inéditos, o disco inclui o clássico "Povo que lavas no rio".

É de maturidade que fala o mais recente disco de Mafalda Arnauth. O álbum, que nasceu nos palcos, oferece um punhado de canções que vivem da serenidade de quem compôs, desenhou e sonhou este álbum.

Se dúvidas houvessem, "Flor de fado", que é lançado no próximo dia 29, tem a plenitude da vista de um "qualquer miradouro". Em entrevista ao JN, a artista falou deste "horizonte aberto, com o rio que leva e traz sentimentos".

"Flor de Fado" só foi gravado depois de uma tournée. Faz sentido "rodar" primeiro o disco na estrada?

É o percurso que qualquer artista acharia ideal. Começar primeiro por sentir as coisas no palco e depois passar para disco. Não foi exactamente com esse objectivo, mas sim porque precisámos mesmo ter um concerto como deve ser e, depois dessa oportunidade, é que acabou por surgir o disco. No fundo, o álbum acaba por ser pedaços do concerto e mais alguns temas originais.

Os originais acabaram, igualmente, por ganhar uma maturidade no palco?

Muitos deles nasceram mesmo no palco, que é a parte mais curiosa. Surgiram nos tempos mortos que temos depois do ensaio de som ou quando estamos a viajar. Aquele momento preciso de preparar tudo em palco acabou por criar inspiração para depois fazermos a outra sonoridade do disco, que é mais intima, diferente.

Há no álbum três versões de "Tinta verde", "Flor de verde pinho" e "Povo que lavas no rio". Como é que cada uma destas três músicas entraram na sua vida?

Antes de tudo, essas músicas têm um papel importante no meu percurso e, por isso, acabo por decidir cantá-las. "Tinta verde" é um tema de alegria. Há muito tempo que admiro o trabalho do Vitorino e achei que a música ia ficar bem na minha voz. Além disso, achei que com o novo arranjo ia ganhar muita vida e isso ia enriquecer muito o concerto. A "Flor do verde pinho" resulta também de uma admiração pelo Manuel Alegre e pelo Carlos do Carmo. É um tema composto há muito tempo e que continua tão contemporâneo. E o "Povo que lavas no rio" pode ser considerada a minha homenagem ao país. Quando decidi cantar este fado, a ideia era fazê-lo como se fosse uma oração. Um momento de irreverência da minha parte e daí um arranjo tão diferente daquele que se costuma fazer. Tentei dirigir-me para um lado mais íntimo, mais caloroso do tema.

Como se deu a sua descoberta como autora de algumas das composições?

Já faço isso desde o princípio da minha carreira. Curiosamente, para este disco, voltei a fazer muitas músicas...

Mas, agora, a composição é mais evidente...

Sim. E sinto que agora o que ficou ainda mais evidente foi a sonoridade, porque fiz um bocadinho de batota e voltei a ouvir não só música brasileira, mas também outros grandes autores portugueses, prestando mais atenção às harmonias. Acaba por se abrir um horizonte muito grande.

"Flor de fado" é um reafirmar da sua parceria com Tiago Torres da Silva?

Sim, a presença dele está muito mais evidente. A admiração mútua que já tínhamos ganha uns contornos muito grandes neste disco. Ele apresentou-me dez poemas e seleccionei dois ou três e disse: 'Estes são a minha linguagem. Agora, vais fazer mais'. Ele, em pouco tempo, apareceu-me com coisas que me impressionaram, que me arrepiaram completamente. "O mar fala de ti" é um exemplo claríssimo de uma encomenda bem conseguida.

Como aconteceu a parceria com a brasileira Olivia Byngton em "Entre a voz e oceano"?

Conheci-a num dos concertos que a Olivia fez em Portugal e antes de ela regressar ao Brasil gravei o tema com ela. No final da canção, rimo-nos uma para a outra, porque sentimos que a música é capaz de originar uma boa química. Temos uma admiração muito grande uma pela outra.

Se o fado tradicional vive em Alfama, qual é a paisagem de Lisboa que tem a cara do "Flor de fado"?

(risos) Ui! (suspiro) Qualquer miradouro. Se calhar, escolho o miradouro do Castelo de S. Jorge, porque é precisamente de onde se sente toda essa antiguidade e, ao mesmo tempo, é um horizonte aberto, com o rio que leva e traz sentimentos.

fonte ~ jn

22 de setembro de 2008

Joana Amendoeira : Sopra o vento [À flor da pele, 2006]

Sopra o vento, sopra o vento,
Sopra alto o vento lá fora,
Mas também meu pensamento
Tem um vento que devora.

Há uma íntima intenção
Que tumultua o meu ser
E faz do meu coração
O que um vento quer varrer.

Não sei se há ramos deitados
Abaixo, no temporal,
Se pés do chão levantados
Num sopro onde tudo é igual.

Dos ramos que ali caíram
Sei só que há magoas e dores
Destinadas a não ser
Mais que um desfolhar de flores.

Letra: Fernando Pessoa
Música: Paulo Paz

Sopra o vento
Joana Amendoeira
À flor da pele
HM Música, 2006

Joana Amendoeira e Mar Ensemble em disco e DVD

Gravado ao vivo na quinta edição da Festa do Fado, na Praça de Armas do Castelo de São Jorge, a 21 de Junho de 2008.
O Fado é o que lhe vai na alma. E a Alma é como um rio que força a margem para alcançar o talento, o respeito, a verdade e a coragem que se reflectem em todos os versos que canta, todas as palavras que empresta àquilo que no fim se transforma na “sua voz”.

A Paixão é o que lhe vai no sangue, incontida, desesperadamente incontornável. Pela música, pelas palavras lusas dos grandes poetas de ontem, de hoje e de amanhã.

O Fado na sua essência, na sua raiz e género musical é tudo em que acredita e de forma alguma poderia considerar menor aquilo que a torna maior.

Nada se desvirtua, nada se dispersa, tudo se transforma quando se acredita incondicionalmente em todos os momentos áureos da arte que nos perseguem e abraçam como condição.

Joana Amendoeira é uma fadista de raiz, incondicionalmente uma fadista. Hoje e sempre. E até quando se lança numa aventura forçada pela sua Paixão, consegue ser uma fadista quando, num burburinho, fervilha a água mais pura e mais cristalina. Como quando dois rios se encontram e nesse momento se fundem. Um rio é a “Alma” o outro a “Paixão”.

A Confluência entre a Alma e a Paixão…

Em Portimão, no mês de Novembro de 2007, Joana Amendoeira (voz), Pedro Amendoeira (guitarra portuguesa), Pedro Pinhal (viola de fado), Paulo Paz (contrabaixo) e Filipe Raposo (acordeão) encontraram-se numa reflexão em redor do repertório da fadista para uma actuação com a Orquestra do Algarve. O resultado foi um dos espectáculos mais emblemáticos da história da sua vida.

Como não seria possível deixar em branco uma noite tão memorável como esta, surgiu a ideia de criar um ensemble para se juntar à voz de Joana Amendoeira e ao seu quarteto, formando assim um espectáculo com arranjos de João Godinho, que viria a estrear na Praça de Armas do Castelo de São Jorge, em Lisboa, no âmbito da Festa do Fado, em Junho de 2008.

Deste espectáculo surgiu o sexto disco da fadista, desta vez gravado e filmado para se tornar num disco ao vivo com oferta de DVD.

O Mar Ensemble, criado especificamente para este espectáculo, com a direcção de Paulo Moreira (violoncelo), conta ainda com a presença de António Barbosa (primeiro violino), Paula Pestana (segundo violino), Ricardo Mateus (viola d’arco), Maria Rosa (flauta), Rui Travasso (clarinete), Carlos Alberto (trompete) e João Carlos (trompa). Filipe Raposo, um dos mais conceituados músicos da actualidade, junta o seu acordeão ao trio de fado que desde sempre tem vindo a acompanhar a fadista pelos quatro cantos do mundo.

21 de setembro de 2008

Raquel Tavares : Rosa da Madragoa [Bairro, 2008]

No Bairro da Madragoa
à janela de Lisboa,
nasceu a Rosa Maria
Filha de gente vareira
foi criada na ribeira
entre peixe e maresia

Flor, mulher aquela rosa,
era a moça mais airosa
que a malta já conheceu
e toda a malta do mar
suspira ao vê-la passar de chinela e perna ao léu

Lá vai a Rosa Maria
que a alegria desta ribeira
ouvia e ria à gargalhada qualquer piada por mais cora jeira.
Vai bugiar meu menino!
Não deites barro à parede
que esta rosa é peixe fino para as malhas da tua rede.

O jovem Chico Fateixa
já jurou que não a deixa,
pois a paixão é teimosa
e é de tal modo cegueira
que deu a sua traineira
o nome daquela rosa.

E a Rosa da Madragoa
ao ver escrito na proa
seu nome Rosa Maria
ergueu os braços ao Chico.
Começou o namorico
e vão casar qualquer dia.

Lá vai a Rosa Maria
que a alegria desta ribeira
ouvia e ria à gargalhada qualquer piada por mais cora jeira.
Vai bugiar meu menino!
Não deites barro à parede
que esta rosa é peixe fino para as malhas da tua rede.

Vai bugiar meu menino!
Não deites barro à parede
que esta rosa é peixe fino para as malhas da tua rede.
Rosa da Madragoa
Raquel Tavares
Bairro
Movieplay, 2008

18 de setembro de 2008

Pedro Jóia : Ciganita [À espera de Armandinho, 2007]

Ciganita
Pedro Jóia
À espera de Armandinho
HM Música, 2007

Pedro Jóia vence Prémio Carlos Paredes com CD "À espera de Armandinho"

O álbum "À espera de Armandinho", de Pedro Jóia, ganhou o Prémio Carlos Paredes por unanimidade, anunciou hoje a câmara de Vila Franca de Xira, que instituiu o galardão há seis anos.

Em "À espera de Armandinho", editado pela HM Música em Junho do ano passado, Jóia interpreta 12 composições de Armando Augusto Freire (1891/1946), que ficou conhecido por Armandinho. "Ciganita", "Fado Magioli", "Fado Conde de Anadia" e "Pinoia de Alfama" são algumas das composições que interpreta.

"Este é um prémio que me satisfaz muito e reconforta", disse à Lusa o Pedro Jóia, que não escondeu o seu entusiasmo e o facto de o antecederem neste prémio músicos como Mário Laginha e Bernardo Sassetti.

Ao prémio, com uma dotação de 2.500 euros, concorreram cinco projectos, que foram apreciados por um júri constituído pelo poeta José Jorge Letria e o maestro Pedro Osório, da Sociedade Portuguesa de Autores, o crítico de música Ruben de Carvalho e o compositor e músico Pedro Campos.

Com este prémio, a autarquia ribatejana visa "galardoar o melhor CD de música instrumental não erudita, feita por portugueses, no ano anterior", segundo uma nota da edilidade.

Eminente guitarrista, Armandinho foi acompanhador de vários fadistas, tendo composto essencialmente para guitarra portuguesa. Para este CD, Pedro Jóia, fez a transcrição para guitarra clássica.

"O desafio foi precisamente tornar audíveis e sonoramente agradáveis os temas criados para guitarra portuguesa, numa sonoridade diferente proporcionada pela guitarra clássica", disse á Lusa Jóia, acrescentando ter mergulhado "em absoluto no universo de Armandinho".

"Escolhi os temas que se apropriavam mais à transcrição da guitarra portuguesa para a clássica, havendo alguns que são emblemáticos da sua produção musical", disse.

Segundo Jóia, na música de Armandinho "há ornamentos musicais e andamentos muito rápidos que são difíceis de passar para a guitarra clássica".

O anúncio do Prémio Carlos Paredes antecede a partida de Jóia para o Brasil onde, no âmbito das comemorações dos 200 da Chegada da Corte Portuguesa àquele país, irá realizar uma série de recitais.

Ainda este ano, prevê realizar, em Novembro, um concerto na Casa da Música com a Orquestra de Câmara Portuguesa, que repetirá em Janeiro, em Lisboa, no Centro Cultural de Belém.

Pedro Jóia iniciou aos sete anos os estudos de guitarra clássica na Academia dos Amadores de Música em Lisboa, concluindo o curso de guitarra do Conservatório Nacional, em 1990.

Em 1986 começou a estudar guitarra flamenca, inicialmente de forma autodidacta, frequentando, mais tarde, "master classes" e cursos de aperfeiçoamento com os guitarristas Paco Peña e Gerardo Nuñes.

Frequentou, entre 1989 e 1992, a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e leccionou a disciplina de Guitarra Clássica no Conservatório Regional de Loures entre 1990 e 1992.

Entre 1992 e 1998 estudou e trabalhou com o guitarrista Manolo Sanlúcar, em Córdova.

Iniciou em 1993 a actividade de concertista, realizando vários recitais e apresentando-se em diferentes festivais, tanto em Portugal como no estrangeiro.

Em 1996 gravou o seu primeiro CD, "Guadiano", e, três anos mais tarde, "Sueste".

O seu terceiro CD - "Variações sobre Carlos Paredes" - surgiu em 2001 e, em 2003, editou "Jacarandá", que, entre outras, teve as prestações de Elba Ramalho, Ney Matogrosso e Daniela Mercury.

No ano passado editou "À espera de Armandinho", que integra, além dos citados fados, quatro variações, em Lá menor, I e II, em Mi menor e em Ré Maior.

fonte ~ rtp

11 de setembro de 2008

Roberto Leal : Canto da Terra [Canto da Terra, 2007]

QUEM HÁ DE REGAR O PRADO

AI, E A OLIVEIRA DO MONTE

E DAR DE BEBER AO GADO

AI ! SE UM DIA SECAR A FONTE


QUEM HÁ DE PLANTAR NAS SERRAS

AI, QUEM HÁ DE COLHER A FLOR

QUEM HÁ DE LAVRAR A TERRA

QUANDO NÃO HOUVER UM LAVRADOR


AI, AI, AI – O CANTO DA SERRA

AI, Ó LINDA ATÉ QUANDO SERÁ

AI,AI,AI , O CANTO DA TERRA

AI, Ó LINDA O TEMPO DIRÁ


QUEM SABE A COR DA VIDEIRA

AI, E O TEMPO DE SEMEAR

E O CHEIRO DA LARANJEIRA

AI SE UM DIA NINGUÉM LÁ VOLTAR


QUEM HÁ DE PISAR O VINHO

AI, QUEM CEIFARÁ OS TRIGAIS

E OUVIR OS PASSARINHOS

DE MANHÃ CANTANDO NOS BEIRAIS


E QUANDO EU JÁ FOR VELHINHO

AI, NÃO PUDER SUBIR A SERRA

VOU SONHAR OS TEUS CAMINHOS

HÁS DE SER SEMPRE A MINHA TERRA


(Roberto Leal / Márcia Lúcia)

Canto da Terra
Roberto Leal
Canto da Terra
Som Livre, 2007

Mariza nomeada para Grammy latino pela segunda vez

A cantora Mariza foi nomeada para a 9ª edição dos Latin Grammy Awards, com o seu último álbum, "Terra", na categoria de Melhor Álbum Folk, anunciaram hoje os representantes da artista em Portugal.

Trata-se da segunda vez que Mariza é nomeada para os Latin Grammy Awards - prémios atribuídos anualmente desde 2000, pela secção latina da National Academy of Recording Arts and Sciences norte-americana - depois de no ano passado ter sido seleccionada com o registo ao vivo "Concerto em Lisboa", também na categoria de Melhor Álbum Folk.

"Terra", o quarto CD de originais gravado pela cantora, que se encontra no top de vendas da Associação Fonográfica Portuguesa desde que foi editado, a 30 de Junho deste ano, e é já disco de platina, integrou por pouco uma das 49 categorias dos Latin Grammy Awards deste ano, destinada a premiar os melhores discos lançados entre 01 de Julho de 2007 e 30 de Junho de 2008.

A cerimónia de entrega dos prémios realiza-se a 13 de Novembro, no Toyota Center, em Houston, no Estado norte-americano do Texas.

fonte ~ rtp

10 de setembro de 2008

Amélia Muge : Não sou daqui [Não sou daqui, 2006]

não sou daqui
mas gosto daqui estar
de aprender no lugar de outros
a me encontrar
de poder um lugar achar
no estar aqui
desejar o lugar de todos neste lugar
e saber, no lugar daqui
o meu lugar
não sou daqui

não sou daqui
mas se aqui estou
é porque para mim
também há aqui lugar
e porque há um eu
que aqui se foi achar
e porque um teu
gostou de mim
de me encontrar

(Amélia Muge)
Não sou daqui
Amélia Muge
Não sou daqui
Vachier & Associados, 2006

9 de setembro de 2008

Camané : Sei de um rio [Sempre de mim, 2008]

Sei de um rio, sei de um rio
Em que as únicas estrelas nele sempre debruçadas
São as luzes da cidade
Sei de um rio, sei de um rio
Onde a própria mentira tem o sabor da verdade
Sei de um rio…
Meu amor dá-me os teus lábios, dá-me os lábios desse rio
Que nasceu na minha sede, mas o sonho continua
E a minha boca até quando ao separar-se da tua
Vai repetindo e lembrando
Sei de um rio, sei de um rio
Meu amor dá-me os teus lábios, dá-me os lábios desse rio
Que nasceu na minha sede, mas o sonho continua
E a minha boca até quando ao separar-se da tua
Vai repetindo e lembrando
Sei de um rio, sei de um rio
Sei de um rio, até quando

(Pedro Homem de Melo - Alain Oulman)

Sei de um rio
Camané
Sempre de mim
EMI, 2008

5 de setembro de 2008

Mariza : Rosa Branca [Terra, 2008]

De Rosa ao peito na roda
Eu bailei com quem calhou
Tantas voltas dei bailando
Que a rosa se desfolhou

Quem tem, quem tem
Amor a seu jeito
Colha a rosa branca
Ponha a rosa ao peito

Ó roseira, roseirinha
Roseira do meu jardim
Se de rosas gostas tanto
Porque não gostas de mim?

(José de Jesus Guimarães / Resende Dias)

Rosa Branca
Mariza
Terra
EMI, 2008