26 de abril de 2010

Desafinar a Tradição

Tiago Pereira quer libertar a tradição e, provocador, lança ao ar: "Kill Giacometti!". Diz-nos: "tenho que dizer que esta memória existe, mas se quiser que seja contemporânea, tenho que a tratar de uma forma contemporânea". Algo que atravessa a sua obra, representada no IndieMusic do IndieLisboa por "Significado", o seu último filme, e "B Fachada - Tradição Oral Contemporânea"

"Significado" começou como encomenda da d'Orfeu, associação cultural que, em Águeda, vem trabalhando, divulgando e ensinando a música tradicional, as danças populares ou as artes de palco. Seria uma comemoração dos seus 15 anos, com os irmãos fundadores (Luís, Artur, Vítor e Rogério Fernandes) como personagens centrais, mas não ficou por aí. Transformou-se nisso e numa outra coisa. E é precisamente daquilo e disto que Tiago Pereira conversa de forma rápida e entusiasmada. Discorre sobre o seu novo filme, sucessor de "11 Burros Caem de Estômago Vazio" ou "B Fachada - Tradição Oral Contemporânea", e mais uma acha para a fogueira da discussão sobre o lugar da tradição na música popular da actualidade.

"Significado" tem por subtítulo "Como seria a música portuguesa se gostasse dela própria" e, durante a entrevista, Tiago aponta que a Banda do Casaco, em "Hoje Há Conquilhas, Amanhã Não Sabemos", ano 1977, já recorria aos samples de diversas proveniências que, anos depois, Brian Eno e David Byrne utilizariam no celebrado "My Life In The Bush Of Ghosts" - ainda assim, refere, poucos em Portugal sabem quem é a Banda do Casaco. Mais tarde, falará de João Aguardela e do seu trabalho enquanto Megafone e lança a questão: "Como teria sido Portugal, para nós da geração que assistiu ao eclodir da música de dança, se os samples de músicas e recolhas portuguesas tivessem sido usadas desde o início?" Fala-nos disto, mas aquele "como seria a música portuguesa" é primordialmente dirigido aos que, de tanto a querer preservar, a envolvem num abraço sufocante. Explica: "Há a tendência para ignorar que a tradição hoje, em 2010, não tem nada a ver com o que era há 40 anos. Continua presente o positivismo do aqui só se faz assim e só se faz desta maneira. Temos a memória afectiva do PREC que criou uma resistência. E aquilo foi tudo muito bonito, mas hoje em dia já não existe".

Afinem a velhinha!

Em "Significado", Tiago Pereira não procura sinais de um passado à beira de desaparecer. Enquanto autor, busca novos sentidos. Agitador, põe óculos de mergulhador em Adélia Garcia, cantadeira que Giacometti recolheu há cinco décadas, aponta que o deslumbramento urbano com o exótico rural representa estagnação e parolice e, ao contar-nos das recolhas que faz país fora e dos documentos vídeo que vasculha em baús esquecidos, há-de destacar: "tenho que dizer que esta memória existe, mas se eu quiser que ela seja contemporânea, tenho que a tratar de forma contemporânea". Todo o seu trabalho, de resto, aponta nesse sentido. Não por acaso, define-se como "vídeomúsico" - pormenor: nos seus filmes, a montagem do som precede sempre a da imagem.
Em 2009, na vídeo instalação "Mandrágora", pôs mezinhas e responsos a encontrar eco na música de Tó Trips ou Tiago Sousa, contrapôs gwana marroquino a curandeiros beirãos, correspondeu trip de rave moderna a alucinação da ancestral erva do diabo.

Com "Significado", monta um caleidoscópio de gentes e de suas práticas na abordagem ao tradicional para chegar a isto: "Tradição de futuro. Para mim, isso é que é importante. Ter o passado, o que é agora e o que vai ser, como na banda desenhado do Alan Moore em que todos os tempos se encontram num vértice. É essa noção que quero nos [meus] filmes".
Temos então os irmãos Fernandes, temos etnógrafos e musicólogos, a artista plástica Joana Vasconcelos, os Diabo na Cruz e o músico Vítor Rua. Temos Carlos Guerreiro, dos Gaiteiros de Lisboa, ou Júlio Pereira, pai de Tiago, e, com eles, uma genealogia da descoberta e apropriação da música tradicional desde a década de 1970. Temos o Megafone de João Aguardela e a sua dança samplada das recolhas de Michel Giacometti e José Alberto Sardinha. E os Dazkarieh que com instrumentos tradicionais e atitude rock põem metaleiros do Barreiro todos no "mosh", um Ricardo Lameiro que, com tecnologia moderna, transporta o fagote para novas dimensões, e, claro, a Banda do Casaco que, recuperando palavras de um dos fundadores, Nuno Rodrigues, em "Significado", andou nos anos 1970 e inícios de 1980 a pensar a tradição rural para "gajos que eram de Lisboa e Cascais" e a resgatar Ti Chitas a Penha Garcia para "pôr um botox nas berças". Tiago Pereira não escolhe ninguém, não aponta um caminho. "No 'Significado', interessava ver todo o tipo de práticas contemporâneas que existem na música tradicional. Não me interessa criar a narrativa de um filme, interessa-me o conceito de dar esta informação toda, lançar os ses e as interrogações". Conclui: "Não é para eu escolher, é para as pessoas irem por onde quiserem".

No caso dele, não poderia ser de outro modo. No universo da música tradicional, aquilo que mais o incomoda é sentir que se defende um caminho único, sem hipótese de desvios. É por isso que se atira "à sacralização das velhinhas e das recolhas de Giacometti". Provoca: "Afinem a velhinha!, Kill Giacometti!". E pergunta: "Para quê fazer projectos iguais à Brigada Vítor Jara? Porque é que, vinte anos depois, ainda tens gente a tentar fazer o 'Cavaquinho' que o Júlio Pereira fez nos anos 1980? Que o façam, mas percebam que isso não representa o pulsar actual, não representa a evolução". Na sua opinião, a ânsia de preservar a música de contaminações conduziu a um processo perverso: "Muitos dizem que a culpa das pessoas não ligarem à música tradicional é da folclorização do António Ferro, mas isso aconteceu há mais de quarenta anos e, entretanto, assistiu-se a um fenómeno semelhante, com toda esta espécie de 'folclotribos' que se juntam para fazer as danças europeias no Andanças com tudo muito coreografado e pouco sentido". Acentua, novamente: "O meu interesse é perceber como poderá a tradição sair do seu gueto e chegar a novos públicos, chegar realmente às pessoas".

Ponto de partida

Em "B Fachada - Tradição Oral Contemporânea", também em exibição no Indie, Tiago levou o músico de "Viola Braguesa" a Caçarelhos, pô-lo a cantar canções as cantadeiras e ouvir as canções que elas tinham para cantar. Filmou-os no mesmo plano, sobrepondo a ruralidade delas e o urbanismo dele como se emanassem de uma mesma vontade - e depois, Fachada trouxe de Caçarelhos uma "D. Filomena" com séculos de idade e, em Lisboa, ninguém suspeitou que a canção não fosse dele. "Tradição oral é transmitir o que se vive. Passá-lo de geração em geração, contaminando-se, alargando-se e atingindo combinações infinitas"- isto o que nos disse então Tiago Pereira. Em "Significado", ensaia uma conclusão. Coisa múltipla e por vezes contraditória, com as imagens e os sons, os de arquivo e os captados agora em dança neurótica ou em fusão frutuosa.

A encomenda inicial de que resultou este filme, que será também um DVD acompanhante o livro "Contexto", história da d'Orfeu assinada pelo jornalista António Pires, já continha a génese da sua estrutura. De facto, bastava a Tiago Pereira olhar os quatro irmãos que fundaram a associação. Artur, tocador de concertina que, nos Danças Ocultas, rompe com as formas canónicas de abordar o instrumento. Luís, dos Toques do Caramulo, que "pega na música da Serra e as coloca num contexto global". Rogério, "mais convencional", que "tomou conta da Orquestra Típica de Águeda". E Vítor, homem do improviso que percorre as ruas experimentando percussões e captando os sons da cidade, "inventor" de uns deliciosamente baptizados Mistérios das Vozes Vulgares que vemos a ensaiar polifonias ora na serra, ora em altar de sacristia. A partir deles, dos seus diferentes processos criativos, Tiago abriu o espectro. E, abrindo o espectro, oferece-nos um quadro múltiplo e dinâmico, mas com centro definido, denúncia da sua marca autoral.

Não o preocupa a contradição que é ter Joana Vasconcelos, olhando da cidade, dizer que em Portugal ainda há muita gente "que depende do seu burro" e, no Caramulo, o musicólogo que refere vivermos "tempos de despedida do mundo rural": "Fica a memória individual e o estudo, a museologia". Não, isso não o incomoda. Porque nesse jogo de vozes, tudo acaba por se conjugar.

Vítor Rua a referir o manifesto "Arte do Ruído", do futurista Luigi Russolo - "há que destruir o passado, os conservatórios e criar algo novo, e o ruído tem que estar ali" - e Vítor Fernandes a cantar sons de guindastes e apitos de fabrico nas suas improvisações. Carlos Guerreiro a diagnosticar que "o problema não está na fonte [nas recolhas, nas canções que subsistem na memória das pessoas], está em como tratar aquilo que ainda está no reservatório", e Jorge Cruz, dos Diabo na Cruz, a manifestar o desejo de, amalgamando tradição e a vivência de hoje, chegar a algo "único", "nosso".
"Significado" pretende discussão e presente. Pretende ser a tal memória de futuro.
"Num país fragmentado", pergunta Tiago Pereira, "como é que se partem as caixas todas, como é que se parte este mundo da tradição para criar objectos que, vindos dela, sejam uma outra coisa, encaixem noutros sítios e interessem a mais pessoas?"
"Significado", que se ensaia como conclusão das obras de Tiago Pereira que o antecedem, não fecha nada. É um ponto de partida.
fonte ~ Ípsilon

Deolinda : Um contra o outro [Dois selos e um carimbo, 2010]

Anda
Desliga o cabo
Que liga a vida
A esse jogo
Joga comigo
Um jogo novo
Com duas vidas
Um contra o outro

Já não basta esta luta contra o tempo
Este tempo que perdemos a tentar vencer alguém
E ao fim ao cabo
Que é dado como um ganho
Vai-se a ver desperdiçamos
Sem nada dar a ninguém

Anda
Faz uma pausa
Encosta o carro
Sai da corrida
Larga essa guerra
Que a tua meta
Está deste lado da tua vida

Muda de nível
Sai do estado invisível
Põe o modo compatível
Com a minha condição
Que a tua vida
É real e repetível
Dá-te mais que o impossível
Se me deres a tua mão

Sai de casa e vem comigo para a rua
Vem, que essa vida que tens
Por mais vidas que tu ganhes
É a tua que mais perde se não vens

Anda
Mostra o que vales
Tu nesse jogo
Vales tão pouco
Troca de vício
Por outro novo
Que o desafio
É corpo a corpo

Escolhe a alma
A estratégia que não falha
O lado forte da batalha
Põe no máximo que der
Dou-te a vantagem
Tu com tudo
E eu sem nada
Que mesmo assim desarmada
Vou-te ensinar a perder

Sai de casa e vem comigo para a rua
Vem, que essa vida que tens
Por mais vidas que tu tenhas
É a tua que mais perde se não vens

Deolinda carimbam novo disco

Os Deolinda estão de volta com novas canções em que se acentua o humor, a sátira, e também o sonho, depois do sucesso de "Canção ao lado".

O novo álbum, "Dois selos e um carimbo", recupera três temas que a banda já tocava nos palcos - "Quando janto em restaurantes", "Entre Alvalade e as Portas de Benfica" e "Fado Notário" - sendo "um reforço daquilo que é a sonoridade dos Deolinda", disse à Lusa, a vocalista da banda, Ana Bacalhau.

Os Deolinda são os irmãos Pedro da Silva Martins, Luís Martins, a sua prima Ana Bacalhau (ex-Lupanar) e o amigo José Pedro Leitão.

Falam todos com grande entusiasmo e ao mesmo tempo, a frase de um é completada por outro e retomada por um terceiro. O grupo entende-se, partilha conceitos e ideais.

"A química é grande entre nós, relacionamo-nos bem, e estamos todos na mesma onda", justificam entre animadas gargalhadas.

14 novos temas

"Dois selos e um carimbo" integra 14 temas, alguns que estavam "no estaleiro", e é editado na segunda-feira pela EMI Music Portugal.
"Um novo disco é um desafio e decidimos aceitar outro desafio que foi a mudança de editora", disse Ana Bacalhau.

"Este segundo álbum pedia um reforço daquilo é a sonoridade de 'Canção ao lado' [CD de estreia]. Mudar seria não ter certeza daquilo que somos enquanto grupo, enquanto som e este disco sela a nossa a identidade", sublinhou Ana Bacalhau.

Luís Martins acrescentou: "Havia a necessidade de explorar as potencialidades do grupo até limite em termos de trabalho criativo, mas certamente, haverá muito que fazer".

Pedro Silva Martins, autor das letras da banda, referiu por seu turno: "Esta é uma sonoridade que pretendemos que chegue a muita gente, até no estrangeiro, mas que tenha um cunho próprio".

"Queremos que as canções sejam referenciais a uma cidade, a um país e a um grupo. Essa assinatura importa-nos muito", realçou.

Apresentação no dia 22 nos jardins do Palácio de Belém

Desde a saída de "Canção ao lado" em 2008, a banda fez mais de 200 concertos em Portugal e no estrangeiro. A agenda de apresentação de "Dois selos e um carimbo" começa dia 22 em Lisboa, nos jardins do Palácio de Belém e até julho estão previstos 20 espetáculos em Portugal, Bulgária e Itália.

Referindo-se às novas canções, José Pedro Leitão afirmou: "Todas nos satisfazem, até algumas que tínhamos posto de lado no álbum anterior porque os arranjos não nos agradavam, foram aqui retomadas".

O músico salientou que "se escutarmos, todas são diferentes nos tratamentos instrumentais, entre si e relativamente às do álbum anterior".
As canções - desvendaram - partem de uma melodia trauteada pelo Pedro da Silva Martins. "A melodia está logo a dizer que tipo de canção vai ser, e a temática que quer", explicou Silva Martins e Ana Bacalhau.

Depois vêm os arranjos que, se não são do agrado do grupo, "pomos de lado e deixamos no estaleiro", disse João Pedro Leitão.

"Um contra o outro" é o primeiro single

"Um contra o outro" é o primeiro single do álbum que inclui ainda, entre outros, "Se uma onda invertesse a marcha", "Não tenho mais razões", "Sem noção", "A problemática colocação de um mastro" ou "Patinho de borracha".

Pedro da Silva Martins escreve propositadamente para a voz de Ana Bacalhau, o que a cantora afirmou ser "uma felicidade e um privilégio".

Para desenhar a capa do álbum o grupo convidou o cartoonista João Fazenda.

O grupo afirmou que "a Deolinda está mais urbana, atrevida, e com um humor mais corrosivo, mas não é cínica e sonha. Neste álbum trabalha mais sobre o real e extrapola-o", disseram Ana Bacalhau e Luís Martins.
fonte ~ expresso

Karrossel : O malhão da desfolhada

Grande Noite do Fado de Braga

Estão abertas as inscrições para a edição de 2010 da Grande Noite do Fado de Braga. Realizado pela ACOFA, este evento vai já na sua 10ª edição.

A Grande Noite do Fado de Braga teve o seu início aquando a celebração dos 20 anos da Associação. Foi uma aposta num novo espectáculo no âmbito da música e em particular do FADO, visando o aparecimento de novos valores do fado.

Este evento define como condição principal para concurso que os fadistas amadores à data da realização do concurso, não possuam título profissional nem vivam da actividade artística. Os fadistas podem concorrer a partir dos 15 anos de idade.

Esta realização envolve anualmente todos os associados, um trio de guitarristas, apresentadores de rádio, jornalistas, concorrentes, júris das áreas da música, da poesia, das artes, equipes de som e luzes, entre outros.

O projecto da Grande Noite de Fado de Braga, desenvolve-se em três fases, a abertura do concurso (Maio e Junho), a selecção dos concorrentes através de 3 sessões de audições e a final cujo júri escolhe o respectivo vencedor nas categorias feminino e masculino e juventude (15 aos 25 anos de idade).

A Grande Noite do Fado de Braga ao longo da sua existência tem premiado concorrentes que hoje em dia são considerados novos valores do fado.
O acompanhamento musical é composto pelos Mestres da Guitarra Portuguesa, António Lima, da Viola António Rodrigues e da Viola Baixo, Henrique Lima.

Este é um evento marcante na cultura da cidade Braga, pela qualidade dos seus participantes, da organização e das homenagens que tem vindo a prestar àqueles que ao longo dos anos solidificaram esta forma de cantar como Amália Rodrigues, Marceneiro, Tony de Matos, entre outros.
Mais informações e formulário de inscrição AQUI.

20 de abril de 2010

Carlos Macedo lança CD de fé

Maria da Fé cumpria com esmero e garbo a “ponte cultural luso-brasileira” em 1984, actuando por todos os recantos do Brasil, quando num determinado espectáculo, no Rio de Janeiro, foi mudar de fato e deixou o palco entregue a Carlos Macedo.

Grande surpresa para o público e imprensa quando o “senhor da guitarra” que acompanhava a grande fadista, também cantava e muito bem.

A imprensa regista sucesso. Tanto mais pela surpresa e pela forma elegante com que Maria da Fé deixa o palco sem deixar de haver fado e dando assim protagonismo a quem a acompanhava há muito, principalmente na sua casa de fados.

Mas se para os brasileiros Carlos Macedo foi uma novidade não era para os portugueses habituados à sua voz melodiosa, afinada e compasso certo.

Este CD recupera temas de um anterior “O caminheiro” em que o músico dava testemunho da sua fé em Cristo e apego a N.ª Sr.ª de Fátima, como “Ser peregrino” ou “O milagre que eu pedi”.

Nesta vertente católica recupera um extraordinário fado, “Avé Maria fadista” do grande poeta Gabriel Marujo e Francisco Viana, cuja interpretação de Amália eternizou, mas que se tornou um clássico e Carlos Macedo (muito bem) recupera e canta.

Além de se acompanhar à guitarra portuguesa, Carlos Macedo é acompanhado neste CD pelo extraordinário guitarrista Custódio Castelo que não poupa elogios ao colega.

Escreve Castelo: “Carlos Macedo é sem dúvida um dos grandes fadistas da história” e acrescenta:”homem dotado de sensibilidade, cujo talento o tem destacado pela diferença”.

Outros acompanhantes são Carlos Garcia (Cajé) e Jorge Fernando na viola e Carlos Menezes e Filipe Larsen na viola baixo.
No Museu do Fado, dia 22 a partir das 19:00 estarão ao seu lado Castelo, Cajé e Menezes.

“Quero ser o teu velhote” é o tema de abertura do álbum deste fadista nascido no Minho e que actualmente canta e toca no Taverna do Embuçado, a Alfama, tendo deixado o Senhor Vinho.
fonte ~ hardmusica

Atenção músicos: curso de música tradicional portuguesa na Suécia.

Enquanto que em Portugal, a música tradicional ainda é uma grande desconhecida para a maioria da população e está totalmente ausente no ensino oficial, parece um pouco surreal esta boa nova que nos chega através de Sérgio Crisóstomo (músico português a residir actualmente na Suécia e membro de Stockholm Lisboa Project). E assim se alimenta a esperança duma verdadeira rede de ensino da música tradicional em Portugal.

"A escola onde trabalho tem há vários anos curso de música trad, jazz, pop & rock, entre outros, e mais recentemente, também música tradicional Portuguesa.
Para o ano (2010/2011) vamos abrir 5 vagas para alunos portugueses e assim podemos focar mais energia no curso de Música Portuguesa. A escola prepara alunos para a universidade, pelo que ter o ensino secundário concluído é importante.
O curso terá aulas de teoria, instrumento principal e secundário (instr. de harmonia), coro, ensemble/banda, audição, liderança de grupo, partilha de música sem pauta, composição, etc Durante o ano há ainda semanas dedicadas a projectos específicos. O curso é de preparação para a Universidade, mínimo 1 semestre. Quem quiser pode seguir universidade na Suécia.
O ensino é gratuito, o aluno tem de pagar somente a estadia e comida. Estadia e comida paga-se em qualquer lado e na Suécia não é tão caro como se pensa.
Este valor oscila entre os 2.000 e 3.500 euros por ano dependendo de onde se vive ou come. A escola tem cantina e dormida que se pode "comprar".
Vamos em conjunto com os alunos procurar também formas de angariar financiamento também para este valor.
A escola oferece o ensino gratuitamente, apesar de não receber subsídios estatais para alunos estrangeiros. Daí termos apenas 5 vagas. Esta é uma opurtunidade invulgar. Quem vier conta com o meu apoio e com alunos suecos, com quem tocar e trocar experiências.
Podem-se inscrever ou fazer mais perguntas através de mim. As inscrições estão abertas para as 5 vagas até Maio."

sergio.crisostomo.sjovik@folkbildning.net
+46 703 155 073
Sérgio Crisóstomo
Professor na escola de Sjövik, Dalarna, Suécia.
www.stockholmlisboa.com
www.sjovik.eu

18 de abril de 2010

Melech Mechaya : Dança do Desprazer [Budja Ba, 2009]

A "Porta do coração" de Ricardo Ribeiro

O fadista Ricardo Ribeiro regressa na segunda-feira, dia 19, com o seu mais recente trabalho, intitulado 'Porta do Coração'

"Pretende ser aquilo que for. Não pretende ser nada mais do que um disco de fados. Pretende mostrar o Ricardo Ribeiro, e onde foi criado, e aquilo que foi", declara categoricamente Ricardo Ribeiro, acerca do seu novo álbum, Porta do Coração, que tem edição agendada para a próxima segunda-feira, dia 19.
"É um disco que honra muito o meu primeiro disco", diz, referindo-se à estreia a solo, o auto-intitulado Ricardo Ribeiro, de 2004. "Mas neste disco resolvi cantar como eu quero, como eu acho que devo cantar, e fazer este disco como eu ambiciono fazer, como eu o sinto, e foi isso que aconteceu. Não se trata de uma renovação, ou de fazer novas coisas, ou coisas mais elaboradas."
É na fala marcada e decidida do fadista que se adivinha a mudança que o percurso recente de Ricardo Ribeiro operou na sua personalidade.
Embora declare não ter qualquer desejo de "fundir o fado nalguma coisa", foi por "coisas mais elaboradas" que Ribeiro marcou o seu caminho. A colaboração de 2008 com Rabi Abouh-Khalil, Em Português, onde o cantor se uniu ao conjunto do oudista e compositor libanês representa, até ao momento, a digressão mais alargada de Ricardo Ribeiro pela chamada "música do mundo". "Nem Rabi nem eu tivemos a intenção sequer de fazer fados, aquilo que houve a intenção foi de utilizar um fadista. Era eu, o Ricardo Ribeiro, a cantar a música de Rabi, não era eu a cantar fados com o Rabi", corrige, "Foi uma união de personalidades."
A propósito desse "percurso", que já lhe granjeou, em 2005, o prémio Revelação Masculina da Fundação Amália Rodrigues e o Prémio Revelação da Casa da Imprensa, em 2006, Ribeiro, que participou também nos filmes Rio Turvo , de Edgar Pêra, e Fados, de Carlos Saura, ambos de 2007, confessa: "Não sei se acabei ou se comecei, até porque nestas coisas da arte nunca se acaba. Foram as pessoas do fado, os fadistas, os guitarristas, os poetas, que, no fundo, me elegeram."
O que pode parecer excesso de modéstia denuncia, no entanto, a "profunda gratidão" que o fadista nutre pela "grande família do fado": "[A Porta do Coração] é sobretudo um agradecimento por aquilo que me deram, por aquilo que me ensinaram."
É de peito igualmente aberto que fala de Fernando Maurício, seu mestre, "amigo" e colega na casa de fados Os Ferreiras, em Lisboa. "Uma das coisas que mais me fascinam nele é que viveu onde, quando e como quis. Era autêntico, verdadeiro. Era assim, era aquilo."
Com a "autenticidade" de Fernando Maurício como referência, Ricardo Ribeiro regressa agora, com um currículo alargado por concertos em Bona e Frankfurt, ao fado tradicional (ou tradicionalista) que o "fez" enquanto cantor.
fonte ~ dn

6 de abril de 2010

Dinamizador Workshop de Instrumentos Tradicionais Portugueses | Festival Parapanda Folk [Íllora - Granada]

O Festival Parapanda Folk, que decorre em Íllora / Granada, Espanha, entre os dias 29 de Julho e 2 de Agosto de 2010, gostaria de ter na sua programação um workshop de Instrumentos Tradicionais Portugueses com a duração de 1 ou 2 dias.

Na sequência desta manifestação de interesse por parte deste Festival, vimos comunicar que procuramos um dinamizador para este workshop, que domine o castelhano, pois deverá ser esta a língua utilizada no decorrer do workshop. Este decorrerá durante 1 dia (2 horas de manhã e 3 horas de tarde) e terá uma vertente teórica e prática, o que implica sempre a demonstração prática dos diferentes instrumentos, ou seja, terá de ser alguém que domine tecnicamente vários instrumentos tradicionais.
Há igualmente a possibilidade de reunir uma equipa de 2/3 músicos, cada um tratando de pelo menos 3 conjuntos de instrumentos: cordofones, aerofones e membranofones, por exemplo.
É preciso que os interessados enviem uma proposta de orçamento.

Informações sobre o Festival:
http://parapandafolk.com/
http://parapandafolk.blogspot.com/
http://www.facebook.com/people/Parapandafolk-Illora/100000442582753

Coordenação do Sector de Etnografia | Direcção de Cultura
Sofia Tomaz
stomaz@inatel.pt
T. +351 210 027 174
F. +351 210 027 140

5 de abril de 2010

Joana Amendoeira canta o seu "Sétimo fado"

A fadista Joana Amendoeira apresenta na próxima sexta- feira, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa e no dia 17 no Coliseu do Porto o novo álbum, "Sétimo fado", que chega ao mercado no dia 12. Tal como o título indica, trata-se do sétimo disco da cantora.

Em palco, tal como no CD, estarão Pedro Amendoeira (guitarra portuguesa), Pedro Pinhal (viola), Paulo Paz (contrabaixo), Filipe Raposo (acordeão/piano), Davide Zaccaria (violoncelo) e João Ferreira (percussões).

"Sétimo fado" marca a vontade da fadista em "tomar mão" da carreira ao assumir pela primeira vez a produção do disco, com os músicos Pedro Pinhal e Filipe Raposo, mas também a edição discográfica e a produção dos espetáculos, através da empresa por si criada, Nosso Fado.

Os 17 fados deste álbum são de diferentes autores, de Hélder Moutinho a Pedro Tamen, passando por João Monge, Domingos Gonçalves Castro ou Amélia Muge.

Um dos temas, "Fado Rosa Maria" (Tiago Torres da Silva/Paulo Paz) recupera esta personagem do imaginário fadista referenciada em outros fados como o "Há festa na Mouraria" que Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro e Carlos do Carmo gravaram.

"Por um lado, é o meu compromisso com o fado tradicional e a história do fado, por outro, uma homenagem ao fado espontâneo", afirmou a fadista.

1 de abril de 2010

Ana Sofia Varela : Luvas de minha mãe (Fados de amor e pecado, 2010)

De onde vem
O regaço permanente
Esse beijo transparente
Que me dás só de o pensar
De onde vem
A promessa de alegria
A doce melancolia
Que eu herdei do teu olhar

De onde vem
Este amor que me pressente
Que me dói se estou ausente
Dessa dôr que ele me tem
De onde vem
O saber não aprendido
Do coração aquecido
Nas luvas de minha mãe

João Monge / João Gil