25 de fevereiro de 2010

António Chainho : Sentir em português [The London Philarmonic Orchestra, 1996]

António Chainho: de Lisboa a Goa

Lisgoa: novos descobrimentos

«Parece sempre que não há mais nada para fazer – mas há». Quem o diz é Mestre António Chainho, que quase sem querer resume numa frase a sua longa carreira e a vontade que a motiva.

De facto o mundo parece não chegar para o homem que fez da guitarra portuguesa o seu amor e a sua missão. Depois de acompanhar os grandes fadistas do seu tempo, António Chainho sentiu a necessidade de afirmar o que lhe estava na alma e não se podia limitar ao fado. Nessa altura, tomou a decisão corajosa de se lançar como solista; e hoje só podemos estar agradecidos por isso.

Lisgoa, o novo disco e projecto de Mestre Chainho é mais uma escala no mapa dos afectos que o guitarrista tem desenhado no planeta. Desta vez viajou para a Índia e encontrou cumplicidades e diferenças que quis trazer para o seu mundo musical e partilhá-lo connosco. Os cúmplices nesta aventura não poderiam ser melhores: para as colaborações vocais indianas, Lisgoa conta com dois cantores consagrados no seu país: Sonia Shirsat e Remo Fernandes, que cantam em Concanim, dialecto goês com muitas contribuições do português; para os temas cantados em Hindi, há a espantosa voz de Natasha Lewis; e para a ponte portuguesa, Mestre Chainho conta com Isabel de Noronha, companheira de aventuras musicais anteriores e que garante a alma fadista nesta longa viagem. Tiago Oliveira na guitarra clássica, Paulo Sousa na cítara, Raimund Engelhart nas tablas, Ruca Rebordão nas percussões, Rodrigo Serrão no contrabaixo, Mohamed Assani nas tablas e cítara, Marc Rapson nos sintetizadores e Carlos Barreto Xavier (que produziu, assegurou a direcção musical e toca teclados e piano) completam a equipa de músicos-viajantes que fizeram nascer Lisgoa.

Depois do Brasil e de África a guitarra portuguesa passa pela Índia, num casamento perfeito entre o sagrado e o profano, entre a lágrima e a festa. O ponto de partida e de chegada desta viagem é universal, como há muito António Chainho nos tem mostrado: esta jornada começa e acaba na alma. E nesse aspecto, Lisgoa é um dos mais belos descobrimentos.

Apresentação:

Auditório do Edifício Sede do Montepio, Lisboa
18 Março | 18.30h | Entrada c/ convite

Auditório Municipal Eunice Muñoz, Oeiras
20 de Março | 21.30h | €6,00 – plateia e balcão

22 de fevereiro de 2010

Os fados da Alvorada

A série "Os fados da Alvorada", a editar a 01 de Março, recupera 58 temas, 25 deles pela primeira vez em CD, acompanhados por uma brochura com textos explicativos do investigador José Manuel Osório e fotografias inéditas.

"Esta colecção lança pistas para novas abordagens e repõe, em muitos casos, a verdade dos factos, pois dávamos por certo muita coisa que assim não é", disse à Lusa José Manuel Osório.

O investigador refere-se a autorias erroneamente atribuídas, além de pela primeira vez se publicar as biografias de dois nomes incontornáveis da história do fado: Pedro Rodrigues e Francisco Viana, (Vianinha), entre outros.

"A Ada de Castro interpreta o fado "A rosa" que há mais de 50 anos tem sido intitulado "Rosa caída" e atribuída a autoria José Guimarães, quando o autor é um poeta do Porto, Joaquim Borges da Silva. E por outro lado identificou-se o autor da música, Joaquim Campos", explicou.

O investigador afirmou existirem "dezenas de casos destes de que agora se repõe a verdade".

Osório levou dois anos a investigar os arquivos da Movieplay Portuguesa, que adquiriu o espólio da extinta etiqueta Alvorada, mas também pesquisou em arquivos, cartórios, bibliotecas e até nas ruas e nos cemitérios de Lisboa.

O investigador recorreu à memória de familiares de alguns dos fadistas, autores e compositores, ou até de pessoas que os conheceram.

"Recorri à memória dos vizinhos, cruzando com outras fontes, e consegui fazer aquela que é a sua primeira biografia, publicando até uma fotografia", afirmou.

Carlos da Maia, guitarrista e compositor, de que também se publica pela primeira vez a fotografia e uma biografia, foi um "caso bicudo" na medida em que existiram vários Carlos da Maia na família.

"Ele é o Carlos Augusto da Maia, que nos discos surge como Carlos da Maia quando acompanhava fadistas, e como Manuel Lencastre quando tocava a solo".

A cada fadista corresponde um texto que inclui biografia, fotografias, capa original do disco, a letra do fado, os respectivos autores, ano de gravação e de edição, e ainda outros dados como o técnico responsável, acompanhantes, local de gravação, e sempre que se justifique a alusão a uma outra personagem.

Por exemplo, Carlos Augusto da Maia é referenciado a propósito do fado "Perseguição" interpretado por Flora Pereira.

O "Fado Alberto", interpretado por Fernando Maurício, com uma letra de João Rodrigues Gomes, "Saudades de mim", justifica uma referência biográfica ao violista Miguel Ramos, seu autor.

Os três CD separados incluem fadistas de A (Ada de Castro) a V (Vicente da Câmara), passando por Amália, Carlos do Carmo, Maria Amélia Proença, Mariana Silva, Tony de Matos, Maria José da Guia ou Alfredo Monderrei.

"Uma colecção equilibrada que não mostra apenas os mais conhecidos, mas muitos que se calhar só gravaram um disco. Quis mostrar a história da Alvorada que se fez desde 1957 até 1977", asseverou.

Na escolha de cada um dos fados "imperou o gosto pessoal". "É uma colecção de autor e que dedico a dois nomes maiores do fado: Fernanda Maria e Raul Nery, ainda felizmente vivos ", enfatizou.

"Noventa e dois por cento são fados tradicionais porque era o que se gravava, alguns são registados ao vivo, casos de Maria Amorim, Maria da Fé ou Argentina Santos".

A colecção, que será apresentada a 03 de Março no Museu do Fado, em Lisboa, tem a chancela de "Fado, património da Humanidade".
fonte ~ destak

21 de fevereiro de 2010

Quatro Caminhos: novos disco de Ana Laíns

A cantora Ana Laíns define o seu novo álbum, Quatro Caminhos, que sai amanhã, e em que se estreia como compositora, como "um reflexo da música tradicional e do fado". Aos 30 anos, a intérprete estreia-se na composição com a música para um poema de Reynaldo Varella, Não sou nascida do fado.

Quatro Caminhos, editado pela Difference, inclui originais de Amélia Muge, Samuel Lopes, Ângelo Freire, e Diogo Clemente, que volta a ser o produtor, e poemas de Carlos Drummond de Andrade, Natália Correia e Ruben Dario.

O álbum surge quatro anos depois do primeiro disco, Sentidos, e dos muitos quilómetros percorridos em digressões.

"Há um percurso que foi essencial para chegar aqui, e depois de ter respondido às minhas próprias perguntas, ter acumulado experiências e perceber que queria ser fiel a mim própria e continuar numa linha entre o fado e a música tradicional", explica.

O álbum integra uma homenagem ao compositor Frederico Valério com a interpretação de Na rua dos meus ciúmes, criação de Helena Tavares, e de Não sei porque te foste embora, que Amália canta no filme Capas negras.
fonte ~ dn

Muxima : Amanhã [Muxima, 2010]

Muxima: tributo ao Duo Ouro Negro

No próximo dia 22, pelas 19h, a Fábrica Braço de Prata acolhe a apresentação do projecto Muxima, uma homenagem ao Duo Ouro Negro idealizada por David Benasulin e Manuel d’Oliveira, quem também é o produtor musical, e que é acompanhado nesta viagem aos sons e às cores matriciais de diferentes culturas por Janita Salomé, Filipa Pais, Yami, Rita Lobo, Manuel d'Oliveira, Filipe Raposo e Kiné.
Este tributo Muxima (que significa "coração" no idioma quimbundo do Sul de Angola) recupera todos os grandes êxitos do Duo Ouro Negro, tais como "Maria Rita", "Vou Levar-te Comigo", "Menino de Braçanã" ou "Amanhã", sempre numa perspectiva de grande respeito pelo legado desta formação angolana, que foi pioneira na fusão musical ao misturar sonoridades de África, Brasil e da música popular portuguesa.

20 de fevereiro de 2010

Augusto Canário à desgarrada com Cândido Miranda



"Fadinho a 2" pelos Al Mouraria

Está previsto para a primeira quinzena de Março, o lançamento do novo álbum do Grupo de Fados Al Mouraria com o título "Fadinho a 2".

O trabalho que é um misto de temas mais intimistas com outros de cariz mais popular, contém fados com o cunho de autores como David Mourão Ferreira, Jorge Fernando, João Gil, Pedro Ayres de Magalhães, Frederico de Brito e Dulce Pontes, entre outros.

Este trabalho teve a particularidade de ser gravado já depois de ser tocado em variadíssimos espectáculos, pois acabou por ser gravado com um ano de atraso, adiamento causado por problemas de saúde do seu líder. Assim acabou por ser algum publico em primeira mão a testar os temas e sem querer a dar a sua aprovação. A grande novidade é a inclusão de um quarteto de cordas na maioria dos temas, acrescentando sem dúvida inovação e qualidade.

Seis elementos formam este grupo que musicalmente se baseia na música portuguesa, situando-se entre o Fado mais Tradicional e o chamado Fado Novo, tendo ainda como característica o afadistamento de temas de outras áreas musicais.

Formado por músicos multi-instrumentistas que se desdobram pela guitarra portuguesa, viola acústica, saxofones, clarinete, baixo, acordeão, guitolão e acordina, assenta também na novidade de integrar duas cantoras.

Nos concertos ao vivo e sempre que as condições de palco o permitem, o grupo faz-se acompanhar de bailarinos que dançam alguns fados, fazendo deste modo uma viagem ao passado, no tempo em que este género chegou a ser uma dança.

Em 2004 o grupo gravou num estúdio em Sevilha, um CD promocional com o titulo "Al Mouraria"que teve como objectivo a promoção do grupo nos países do Mediterrâneo.
Em 2007 saiu "Em Tudo na Vida há Fado", dirigido ao mercado nacional, tornou-nos muito mais conhecidos do grande publico pois possibilitou-nos algumas actuações em televisão, entrevistas, etc.

13 de fevereiro de 2010

No Mazurka Band leva-nos ao baile

A propósito do festival Entrudanças, em Entradas, Castro Verde, os No Mazurka Band lançam no próximo dia 14 de Fevereiro, Domingo, às 00h30, o seu primeiro disco: "À do Baile".

O seu mote é "No Rules - No Harmony": Os No Mazurka Band recusam embarcar na moda recente da "mazurka" dos Novos Bailes que pululam por todo o país e dedicam-se exclusivamente a temas do repertório português, reinterpretados de uma forma muito...própria. Um bocado excêntrica, um bocado ao lado, assumidamente "à bruta", mas com uma complexidade e uma tessitura musical sofisticada que não deixam dúvidas quanto ao percurso e qualidade dos seus músicos. Se desafinam - é porque podem - e porque querem que assim seja:

"Atrevemo-nos a reinventar danças seculares como o Vira, o Malhão, o Passeado, o Dois Passos e o Corridinho. E claro, tirámos do baú as brincadeiras onde os nossos avós se conheceram e enamoraram. Porque o Folk vivo é um Folk contemporâneo, vibrante, actual a reinventar-se
constantemente. E porque o Folk de identidade é a melhor forma de festejar o que nos faz ser diferentes. Por isto tudo e porque sim, apareçam no Entrudanças, para dar um pézinho de dança e brincar à roda ao som destes instrumentos improváveis. Vão ver que não dói nada...
(...) A-do-Baile, o Manifesto, diz que a regionalização da cultura é, em grande medida, uma invenção dos anos 40;..."

Os NMB, cuja edição de CD é apoiada pela PédeXumbo, fazem parte da corrente (já não tão recente) de revisitação do património musical tradicional português, mas com um olhar muito mais próximo e atento aos "originais da tradição" e aos instrumentos que fazem parte desse legado, do que, por exemplo, projectos recentes como os Deolinda, Diabo na Cruz, B-Fachada, que se situam talvez num espectro mais próximo da "pop", mais imediatamente acessível ao grande público.

NMB assume-se como "Folk-tuga-hard-core", na mesma linha de grupos como Uxu-Kalhus (de resto, Paulo Pereira é um dos elementos fundadores dos dois grupos), Omiri ou Charanga, prontos a reinventar a "tradição" para fazer o que lhes dá na real gana - pode chocar os mais sensíveis? Pode! Com uma diferença: enquanto que os Charanga ou Omiri recorrem à electrónica e programações, NMB fá-lo com instrumentos tradicionais: Viola campaniça, Flauta de Tamborileiro, Gaita galega, Rauchpfeifen, Tamboril, Timbalão, Bombo e Caixa tradicionais (dispostos como uma bateria!) - com distorção pelo meio. "E claro, como não podia deixar de ser, tudo com vozes à bruta".

Polémicos? Talvez. Provocadores? Um bocadinho. A ouvir? Sem dúvida.
fonte ~ PédeXumbo

8 de fevereiro de 2010

Pedro Caldeira Cabral : Balada da Oliveira [Memórias da Guitarra Portuguesa, 2003]

Pedro Caldeira Cabral grava ao vivo e sem rede

Pedro Caldeira Cabral (Lisboa, 1950), um dos mestres da guitarra portuguesa, lançou-se ontem, na Casa da Música, ao desafio de gravar o terceiro álbum ao vivo - o primeiro no País. "Normalmente temos um dia de ensaios, preparação e montagem, para este temos apenas uma hora." O resultado? "É um bocado sem rede. Mas a minha experiência diz-me que as coisas correm bem", vaticinou, esperançado na realização do 15.º disco de uma carreira com 42 anos.

"Para já é ainda um plano de intenções", amacia para poder explicar porque não pode sequer referir com que editora está a ser feito este "trabalho sem rede". No entanto, nota-se que Cabral está optimista na gravação (dirigida pelo engenheiro Amândio Bastos) das peças tocadas pelo trio constituído pelo próprio, por Joaquim António Silva (guitarra clássica) e Duncan Fox (contrabaixista da Orquestra Sinfónica Portuguesa) há coisa de 20 anos.

"Vamos apresentar três peças inéditas, nunca tocadas ao vivo. Duas delas são da minha autoria: a Astoriana [homenagem ao argentino Astor Piazzolla] e Balada do Tejo", explica, em conversa com o DN, o autor da celebrada Balada da Oliveira, que data dos anos 70, mas está bem viva - "é a minha peça mais emblemática, a primeira da série Baladas das Seis Árvores, da qual muitos guitarristas fizeram versões e que, também por isso, deixei de tocar".

Muitos dos quais guitarristas jovens, diga-se. E sublinhe-se: "Por vezes, esquecemo-nos da guitarra portuguesa para nos centrarmos nos nomes das pessoas. A guitarra portuguesa está numa fase de ressurgimento, depois de ter tido muito sucesso antes do fado e, depois, ter ficado algo colocada de lado", contextualiza. "Sim, era vista um bocado como 'aquilo que acompanhava a Amália'", admite. "Hoje em dia, no entanto, vêem-se cada vez mais jovens intérpretes a descobrir e a tocar guitarra portuguesa", acrescenta, notando a ressureição de um instrumento muito próprio, tão próprio e característico como o fado.

"Não há nenhuma guitarra na Europa que seja parecida. A única que se aproxima é uma prima alemã que foi inspirada na nossa, a Waldzither", enfatiza aquele que é um dos nomes cimeiros da guitarra portuguesa actual. "As comparações com o Carlos Paredes vêm do facto de ambos termos provocados rupturas na tradição", alega. "Este espectáculo é Guitarristas Lendários dos últimos 200 anos. Incluir-me pode ser pretensioso, mas as rupturas justificam-no."
fonte ~ dn

3 de fevereiro de 2010

Aulas guitarra clássica | Lisboa

- Prática e Teoria musical
- Iniciação Musical
- Aprendizagem de Harmonia (acordes)
- Iniciação à improvisação
- Estilos musicais: Bossa-Nova, Tradicional Portuguesa, Jazz, Erudita, World Music

Deverá contactar o professor com o intuito de definir o local, o horário e o valor mensal das aulas.
Para mais informações: Bruno Fonseca - 96 370 40 68
bruno.fonseca@sapo.pt

Formação Académica / Musical:- 5º Grau do Conservatório de Sintra
- Guitarra Clássica e Formação Musical
- Academia dos Amadores de Música
- prof. António Ferreirinho
- Estudou na escola de Jazz
- JB Jazz Lisboa
- Workshop Hot Clube em Loures com Mário Delgado e Vasco Agostinho
- Aulas Guitarra com André Fernandes (jazz)
- Aulas Guitarra Portuguesa com Carlos Gonçalves (antigo Guitarra Portuguesa de Amália Rodrigues)

Projectos musicais actuais:
- http://www.bruno-fonseca.com/guitarra
- http://www.donacano.com
- Bruno Fonseca Trio (Jazz)

Projectos musicais em que participou:
- http://www.trioguanabara.com (bossa-nova)
- http://www.a4band.com (pop, funk, reggae e jazz)
- Eventualmente.Blue (blues e bossa-nova)