25 de junho de 2008

Ana Moura: «O fado está a resistir às dificuldades»


Depois de vencer o Prémio Amália e estar há mais de 50 semanas no Top com 'Para Além da Saudade', a fadista culmina com dois concertos nos Coliseus. Amanhã, o Porto recebe Ana Moura, e no dia 26, será o de Lisboa.
Além dos músicos que a acompanham habitualmente, a cantora conta com as convidadas de referência Beatriz da Conceição e Maria da Fé. Ana Moura já fez parcerias com os Rolling Stones e, quando estiveram cá, convidaram-na a pisar o palco.

Filipa Estrela | festrela@destak.pt

Os Coliseus são palcos muito esperados ou uma grande responsabilidade?
As duas coisas! São palcos onde qualquer artista português, com a história que os Coliseus têm, deseja tocar. O facto de fazer estes dois concertos é um agradecimento meu a todo o público, pelo carinho que me tem dado por este último trabalho.

O que podemos esperar deste espectáculo?
Estou num trabalho intensivo para poder realizar tudo o que desejo. Vão acontecer muitas surpresas ao longo do concerto, e gostava que se mantivessem surpresas... Estou a ter preocupação em todo o tipo de coisas, como o cenário, por exemplo.

Como foi estar em palco com os Rolling Stones, em Lisboa?
Foi um dos momentos mais marcantes da minha vida profissional. Foi mesmo indescritível. Vieram a Portugal no ano passado e foram à Casa de Fados ouvir-me cantar, e convidaram-me para assistir ao espectáculo deles. Quando estou a chegar ao estádio, recebo um telefonema do Tim Ries, saxofonista, a convidar-me para cantar o No Expectations, no palco. Fiquei felicíssima, mas ao mesmo tempo nervosíssima, porque o Mick Jagger canta 4 tons acima do meu. Tive de improvisar uma melodia nova dentro daquela melodia. Ensaiamos a música duas vezes, mas tentei fluir no momento. Só o convite já foi um grande privilégio para mim.

Sentiu necessidade de dizer «Viva o Fado» nesse espectáculo de rock. Porquê?
Fiquei tão feliz e o público estava a apoiar-me e a chamar o meu nome, que eu senti essa necessidade de dizer «Viva o Fado!». Durante alguns anos o Fado andou um bocado despercebido e sempre foi a música puríssima que temos o privilégio de ter. Agora começam a dar mais exposição e as pessoas têm oportunidade de conhecer, e de se identificar ou não. Fiquei mesmo muito feliz, por mim, mas também pelo fado.

Sente-se mais acarinhada em Portugal ou no estrangeiro?
A minha carreira começou no estrangeiro, porque as pessoas com quem trabalhava eram holandesas. Neste último trabalho já comecei a trabalhar com portugueses e o meu trabalho teve mais exposição cá.

O prémio Amália foi importante para ver esse reconhecimento do público português?
Sem dúvida. Para mim foi uma grande honra ter recebido este prémio, ainda por cima na categoria que foi - a de melhor intérprete.

Estar há mais de 50 semanas no top também é uma honra?
Acho que sim… a música portuguesa está a atravessar uma fase tão difícil, e é bom ver que o Fado está a resistir às dificuldades. É sinónimo de sucesso para o fado essencialmente.

Há algum tema do seu álbum que queria realçar?
É de destacar Os Búzios, o fado com o qual as pessoas se identificaram e O Fado da Procura, da Amélia Muge. Estes temas ligaram-me mais ao público sem dúvida.

Este tem sido o melhor ano da sua vida?
Profissionalmente tem sido sim, sem dúvida. Pessoalmente não, porque não tenho tempo!

fonte ~ destak

os búzios
para além da saudade, 2007


1 comentário:

Luiz Gonzaga disse...

Por ser um amante do fado e ter descoberto esta linda fadista com sua voz e interpretação magnificas, gostaria de saber se ela tem alguma proposta para cantar no Brasil, onde e quando.

Com fadistas como Ana Moura e outras o fado jamais deixara de emocionar nossos corações