28 de outubro de 2007

Mário Pacheco | Clube de Fado

Mário Pacheco
Clube de Fado

World Connection, 2006

Já diz o ditado que “filho de peixe, sabe nadar”. E no caso de Mário Pacheco, a sabedoria popular não poderia ser mais acertada!

Sendo filho do guitarrista António Pacheco, quem acompanhou a alguns dos melhores fadistas, desde muito novo se enraíza no mundo do fado.

O seu percurso inicia-se no acompanhamento de viola rítmica, tendo feito, inclusivamente, a formação em guitarra clássica pela Academia de Música de Lisboa. No entanto, tocar guitarra portuguesa era o seu anseio, atrevendo-se a ubstituir a viola pelo instrumento que ele próprio afirma que “mais expressivamente define o fado”. Então, era considerado como um dos melhores instrumentistas de viola, criticando-se a sua decisão, por temor a perder-se um excelente violista para um mau guitarrista. Mas o tempo provou o contrário, e contra factos não há argumentos! A comprová-lo está a sua discografia, desde 1992 até ao seu último trabalho “Clube de Fado”, nome da sua casa de fados na zona de Alfama, um espaço de referência no ambiente fadista de Lisboa.

É neste retiro artístico onde Mário Pacheco dá a conhecer a sua interpretação do fado, acompanhado pelas melhores vozes da actualidade, como é o caso de Rodrigo Costa Félix, Ana Sofia Varela, Camané e Mariza. Precisamente, estes fadistas da nova geração colaboram neste disco, gravado ao vivo no aristocrático Palácio Nacional de Queluz (concerto que se pode apreciar no DVD de acompanhamento), interpretando composições próprias de Mário Pacheco, algumas das quais, grandes êxitos internacionalizados pela voz de Mariza.

É um disco de tradição, mas igualmente de abertura a uma sonoridade mais contemporânea, especialmente as guitarradas de composição própria, instrumentais onde a guitarra portuguesa não deixa lugar à indiferença. É um disco de amadurecimento musical e de homenagem a todas as suas fontes de inspiração e admiração, nomeadamente Carlos Paredes e Fontes Rocha. Imperdível!

© Sara Louraço Vidal, 2007

17 de outubro de 2007

PETIÇÃO GDA -DIREITOS ARTISTAS-PL132/X DO PARLAMENTO

Durante anos esperámos por uma Lei para o Estatuto do Artista, e finalmente ela aí está (quase)!
No meio da magnitude dos problemas de insegurança e precariedade, desemprego e falta de protecção social que afectam os Profissionais do Espectáculo, e a que o presentes diplomas em discussão (PS, PCP e BE) ensaiam uma resposta, facilmente passariam despercebidas, para a maiorparte das pessoas, as catastróficas implicações do conteúdo do Artº.17 da proposta do Governo.
Não só a GDA, como também muitos e muitos Artistas, Actores, Músicos e Bailarinos lutaram ao longo de duas décadas para por fim à cedência coerciva dos seus Direitos de Propriedade Intelectual.
A Lei 50/2004 veio finalmente, no seu Artº178, consagrar a Gestão Colectiva Necessária como a única forma de garantir o livre, equilibrado e efectivo exercício dos nossos Direitos individuais,
utilizando um mecanismo de analogia com Directivas europeias transpostas para a nossa legislação em 1997, o qual nunca foi posto em causa do ponto de vista constitucional ou qualquer outro.
O Governo vem agora, de forma algo cínica, à boleia das carências da situação sócio-profissional dos Profissionais do Espectáculo, ceder às pressões, nomeadamente das Televisões e Operadores de Exploração de Conteúdos Digitais, impondo a regulação dos nossos Direitos de Propriedade Intelectual através de Contrato de Trabalho ou Instrumento de Regulação Colectiva, no sentido de reverter as coisas para a situação anterior a 2004.

Leiam todo o texto dirigido ao Presidente da A.R. se tiverem a paciência mas, pelo menos, meditem na conclusão e ASSINEM A PETIÇÃO!!!
http://www.PetitionOnline.com/N17132X/

Vamos conseguir mais de 4.000 assinaturas!

Grande Abraço,
Pedro Wallenstein
Presidente de GDA-Gestão dos Direitos dos Artistas

6 de outubro de 2007

Fados - Vários (2007)

Foi necessário um estrangeiro para mostrar ao mundo aquilo que é genuinamente português. A banda sonora de «Fados» mostra o que há-de melhor no fado.

É o filme mais falado do ano em Portugal. «Fados», de Carlos Saura, retrata um cenário português através da câmara de quem nunca viveu em Portugal e fá-lo com tremenda sensibilidade e propriedade. Mais uma vez, foi necessário vir alguém de fora mostrar o que neste caso se faz de bom em Portugal.

Claro que a acompanhar um musical desta estirpe, só poderia estar uma banda sonora à altura. E nesse aspecto, «Fados» tem um prolongamento brilhante na música, não só pelo nível dos intérpretes como também pela capacidade de ser eclético sem desvirtuar a essência do fado.

Em «Fados» há um pouco tudo. Revelações, como o são Cuca Roseta ou Catarina Moura, consagrações que já o são à partida, como é o caso de Carlos do Carmo, valores seguros e fundamentais para o fado, como Mariza e Camané, e até cruzamentos como nas participações de NBC e SP & Wilson.

«Fados» apresenta também o valor acrescentado das participações de Chico Buarque e Caetano Veloso. É que apesar do fado ser a expressão musical mais portuguesa que se conhece, importa não fechar as portas a um som que, nos últimos anos, tem conhecido diversas tentativas de miscigenação.
fonte ~ Davide Pinheiro/Diário Digital

3 de outubro de 2007

Rotunda - novo projecto sonoro

César Prata apresenta-nos mais uma "subversão" (saudável, há que referir) da música tradicional portuguesa: o projecto "Rotunda", do qual podemos ouvir 2 temas, que estão disponíveis no seu blog. E dá vontade de esperar por mais!

Comboio (a vapor) [César Prata]
César Prata: bandolim eléctrico, programações, samples e viola braguesa.
Saca-Sons [participação (muito) especial]: adufes
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Ó, ó, menino, ó (Canção de embalar) - Nozedo de Cima [Trás-os-Montes]
César Prata: bandolim, flauta de bisel contralto, fauta de bisel sopranino, programações e voz.

WOMEX 2007: O nosso “samurai” em Berlim

Rui Mota, um dos seis “samurais” responsáveis pela selecção das quatro dezenas de projectos seleccionados para os “showcases” da WOMEX 2007, descreve como viveu esses dias intensos e como foi difícil ao júri ir eliminando outros canditados tão bons quanto os que se irão apresentar ao vivo em Sevilha entre os dias 24 e 28 de Outubro.

SEM RESSACAS DE BERLIM

No dia que voei para Berlim, levantei-me às cinco da madrugada.

Tinha prometido a mim mesmo não ouvir música nos dias anteriores, para que a minha cabeça e ouvidos estivessem “limpos” antes da maratona germânica.

O taxista que me conduziu ao aeroporto tinha, certamente, outra ideia em mente e não se envergonhou de partilhá-la comigo. A partir do momento em que entrei no táxi, sabia que teria de ouvir um sonante “funaná” de Cabo-Verde. A voz era de Tito Paris. Conheço Tito dos clubes da noite lisboeta e gosto de música cabo-verdiana. O condutor notou o meu interesse e, da conversa que se seguiu, outro CD apareceu: desta vez Nancy Vieira, interpretando uma “morna”. A “corrida” para o aeroporto levou menos de vinte minutos, mas nesse curto espaço de tempo tive de escutar 5 ou 6 cantores cabo-verdianos diferentes. O taxista ficou satisfeito por ter um cliente com quem pudesse falar sobre música do seu pais natal e eu fiquei contente por poder dividir com ele este gosto universal por sons únicos. Já no avião, enquanto anotava os nomes das canções que tinha acabado de ouvir, prometia a mim mesmo comprar alguns deles quando regressasse a Lisboa. Todos eram bons e, em tão pouco tempo, eu não conseguia decidir qual deles era melhor. Sem o saber, o condutor de Cabo-Verde tinha antecipado os dilemas que eu encontraria naquele fim-de-semana em Berlim.

O “Johann Hotel” é um pequeno e acolhedor edifício com cerca de trinta quartos, no famoso bairro de Kreuzberg. Para além de alemães, podem ver-se inúmeros emigrantes turcos e cidadãos asiáticos da Índia, China e Tailândia naquela zona da cidade. Nos cafés e parques circundantes, a “música do Mundo” mistura-se durante todo o dia. Sente-se uma atmosfera descontraída e podemos caminhar pelo parque ou beber uma (boa) cerveja num dos barcos-restaurante do urbanhafen. Aí encontrámo-nos pela primeira vez, todos os membros do júri, com Gerald e Christine da Womex. Eles foram os nossos guias nessa noite e a música foi, naturalmente, o tópico da conversa nesse primeiro encontro.

Os escritórios da Womex são a cerca de dez minutos do “Johann Hotel” e para lá nos dirigimos no dia seguinte, cheios de coragem para iniciar o grande trabalho, ainda não eram 10 horas da manhã. Os escritórios estão situados num antigo e bem cuidado edifício, que em tempos terá sido um hospital ou uma instituição similar e que, actualmente, está transformado num espaçoso “lof”. Espaços abertos e milhares de CD´s e livros sobre o circuito da Música do Mundo. Nada de surpreendente, uma vez que é ali, também, a sede da editora “Piranha”. A primeira surpresa surgiu com as caixas das candidaturas aos “showcases”: mais de trinta, de cartão, contendo 650 envelopes com materiais dos candidatos para serem vistos e ouvidos pelo júri, em apenas dois dias e meio…

O facto da Ásia e da África terem menos candidatos, não significava que estivéssemos satisfeitos com as primeiras horas de discussão sobre os gostos e critérios no grupo. Eu não estava. A segunda metade do dia, dedicada às Américas (Norte e Sul) e à Europa, seria ainda mais difícil. Por outro lado, esta era a música onde eu me sentia mais à vontade e isso ajuda sempre. O difícil era a qualidade a eliminar. Já passava da uma da manhã do dia seguinte e tínhamos reduzido a lista a 120 nomes.

O segundo dia seria, se possível, ainda mais polémico pelo que foi impossível evitar a discussão dos “experts” em redor da mesa. Apesar disso, não foi difícil concordar com a excelente “inside information” trazida por Bill dos Estados Unidos ou o gosto escandinavo de Siogborn e a sua experiência radiofónica. Menos expressivos, mas dotados de grande conhecimento, foram Peter de Praga e Gaelle de Paris, a representante francesa no júri. Por outro lado, Hermínia (Espanha) teve o gosto e o humor suficientes para nos ajudar a atravessar as horas mais negras da noite. O dia findou às duas da manhã seguinte. Tínhamos trabalhado durante 14 horas consecutivas e chegado a uma primeira lista de 70 nomes. Destes, uma lista final de 40 artistas estará presente em Sevilha. Isso sabíamos de certeza.

Quando estes apontamentos forem publicados, os nomes dos artistas seleccionados para actuarem na próxima Womex serão conhecidos em todo o Mundo.

Após ouvir mais de 650 candidatos em três dias de 12 e mais horas de trabalho, os membros do júri (uns verdadeiros “samurais”!) fizeram a sua escolha: 40 nomes de grupos e artistas individuais que representam uma larga paleta de estilos musicais, países e, claro está, gostos pessoais.

Dadas as premissas e linhas de orientação conhecidas antecipadamente, devo admitir que fizemos um bom trabalho. Não que outros bons nomes, não pudessem ser igualmente escolhidos. Certamente outros quarenta, ou mais…

E este foi a principal problema do júri: como escolher bem, quando os candidatos eram tão bons?

Devo confessar que – estando pela primeira vez no “outro lado da barricada” – isso deu-me uma melhor percepção dos tremendos esforços que todos fizeram para dar uma oportunidade real à maioria dos grupos. Esta é uma responsabilidade que tenho de dividir com todos os meus colegas. Estou certo que todos eles concordam com a minha opinião: a dificuldade não foi fazer escolhas, mas eliminar nomes e, nesse sentido, ser obrigado a fazer escolhas…

São demasiados os exemplos para serem mencionados aqui. Pessoalmente, estou muito satisfeito que artistas como MAYRA ANDRADE (Cabo-Verde) ou TANYA TAGAQ (Canadá), possam estar presentes. Dos restantes nomes, as minhas preferências vão para os KASAI ALLSTARS (Congo), que falharam a edição do ano passado devido a problemas com os “vistos” e prometem um “show” colorido, onde a energia posta em palco não será inferior à música tocada. Grande música africana em perspectiva, pois. O “tanguero” MELINGO (Argentina), representante da velha escola “lunfarda”, com um timbre a lembrar o mestre Goyeneche, é outro nome a fixar. SIBA E A FULORESTA (Brasil), um verdadeiro caleidoscópio de ritmo e cor, é bem representativo da riqueza nordestina brasileira e um “must”. O grupo 3 CANAL (Trinidad e Tobago), um trio de cantadores-dançarinos que mistura hip-hop, ska e música electrónica, num espectáculo frenético, promete ser uma das surpresas destes “showcases”. FANFARA TRIANA (Albânia) uma “brass-band” pouco clássica, onde os sopros se misturam com as belas polifonias Balcãs, num espectáculo pleno de intensidade e técnica arrepiantes. TARA FUKI (República Checa) uma cantora surpreendente, na voz e atitude “zen”, onde o minimalismo das interpretações conseguem atingir uma atmosfera verdadeiramente encantatória. ROSS DALY (Irlanda/Grécia) o veterano tocador de “lyra” grega, que interpretará as belas melodias tradicionais de Kreta acompanhado do seu grupo “Labyrinthos”. Finalmente, os famosos BALKAN BEAT BOX, que têm dominado as “charts” europeias da “World Music” e que, em Sevilha, não deixarão os seus créditos por mãos alheias…

Todos eles aceitaram o convite para estarem em Sevilha. Nessa altura poderemos ajuizar da qualidade da sua música. E a boa música é, como todos sabemos, o último critério para julgar um músico no seu melhor. Não disfarço a minha impaciência.

Rui Mota (membro do júri Womex 2007)

WOMEX 2007: Portugal volta a conquistar o mundo

A WOMEX, principal feira de músicas tradicionais (e tudo à volta), tem sido ao longo de cerca de década e meia de existência, “a” montra de projectos emergentes dos quatro cantos do mundo que aí se dão a conhecer à imprensa e, sobretudo, aos programadores dos principais festivais do planeta. Uma boa prestação num “showcase” de meia-hora poderá representar a aquisição de uma “carta verde” para actuações regulares na Europa e na América do Norte e a possibilidade de um disco desse projecto ser distribuído a nível mundial. Apesar de haver inúmeros artistas que não necessitam de actuar neste certame para entrarem no “circuito”, o certo é que os seus agentes e editores não dispensam os três ou quatro dias de contactos ao mais alto nível que esta feira proporciona.

Se olharmos para o panorama da música feita por cá, verificamos que muito poucos músicos nascidos (ou a residirem) no nosso país pisaram os vários palcos disponíveis para “show cases”. Mas, aqueles que tiveram o talento de o fazer (e a qualidade necessária para convencer os “sete samurais” a integrar determinada “colheita”), como SARA TAVARES ou MARIZA, não esquecerão tão cedo que a WOMEX serviu de “rastilho” para uma carreira internacional que “explodiu” pouco tempo depois. ANA SOFIA VARELA só não aproveitou o mesmo “embalo” porque teve de interromper a sua carreira musical para cuidar do seu rebento.

O fado é, cada vez, mais uma das mais apetecíveis “iguarias” do, cada vez mais, miscigenado “cocktail” da “world music”. Claro que os MADREDEUS foram uma espécie de Bartolomeu Dias que transformaram o Cabo das Tormentas em Boa Esperança, abrindo o caminho à filiação da canção urbana de Lisboa para os palcos internacionais, mostrando aos programadores de festivais “world” e aos “media” da especialidade que em Portugal faz-se um certo tipo de música que é único, só nosso. É essa autenticidade, esse “blues” urbano da cidade de Lisboa, que cativaram editores holandeses (World Connection) e norte-americanos (Times Square) e programadores de espectáculos da vizinha Espanha como a Syntorama que trabalha, provavelmente, com mais músicos portugueses do que espanhóis.

A miscigenação de Lisboa

Lisboa tem sido também berço de muita da música da África lusófona apreciada, sobretudo, lá fora. Inúmeros são os artistas (BONGA, WALDEMAR BASTOS, LURA, SARA TAVARES, MANECAS COSTA, etc) que usam a grande Lisboa como um local onde se recupera energias antes, durante e depois de intensas digressões. Para além disso, certos grupos mais ligados à “folk”começam também a tocar com regularidade em importantes festivais do género. Veja-se a ascensão internacional dos DAZKARIEH. Coisa impensável há uns anos atrás quando alguma “inteligentsia” questionava como seria possível a uma banda, que não se pautasse pela autenticidade que o fado garante a alguns intérpretes portugueses, competir com músicos britânicos ou nórdicos tecnicamente muito mais dotados. Apesar de nunca terem tido a oportunidade de efectuar um “showcase” na WOMEX, a banda de VASCO RIBEIRO CASAIS tem tido presença assídua nestes últimos quatro anos. Basta olharmos para a agenda de concertos dos dois últimos anos para verificar que o quarteto já começou a colher os frutos do investimento efectuado e nunca prescindirá de regressar a esta feira.

Este ano, os GAITEIROS DE LISBOA asseguraram a única presença portuguesa nos “show cases” da WOMEX e JANITA SALOMÉ foi seleccionado para uma segunda lista de reservas para colmatarem eventuais desistências entre as cerca de quatro dezenas de projectos alinhados. Curiosamente, dois nomes não ligados ao fado entre um dos mais fortes lotes de sempre, com alguns “tubarões” pelo meio, que não precisavam de ir à WOMEX para serem figuras de cartaz nos principais festivais “world”, como são os casos de BAJOFONDO TANGO CLUB, MAYRA ANDRADE ou TOUMAST. Aqui se constata, quer importância cada vez mais determinante na angariação de datas para a “tournée” de uma banda, quer a maior qualidade dos projectos seleccionados pelo júri que parece saber, felizmente, o que é a nata da nata da música tradicional portuguesa além fado.

fonte ~ Luis Rei

28 de setembro de 2007

ROBERTO LEAL mergulha a fundo na tradição mirandesa

E se numa das mais importantes celebrações folk da Península Ibérica pudéssemos ver (num dos cartazes de 2008) inscrito o nome de ROBERTO LEAL? Espantados? Depois de ouvir o novo disco “Canto da Terra” diria que tudo é possível. Oriundo de Vale da Porca, Macedo de Cavaleiros, o cantor de música ligeira sobejamente conhecido pelo seu sotaque brasileiro e por êxitos da rádio de Onda Média como “Dá Cá Um Beijo” ou “Bate o Pé”, mergulhou a fundo na cultura mirandesa e apresenta-nos agora um álbum que, quem sabe, poderá ser um dos candidatos ao Prémio José Afonso de 2008. Não. Não estou a exagerar. Senão vejamos: Sabem quem é o responsável pelos arranjos e direcção artística do disco? RICARDO DIAS. Olhemos agora a lista de convidados: MANUEL ROCHA (da BRIGADA), AMADEU MAGALHÃES (já perdemos a conta aos projectos em que este multi-instrumentista que criou os REALEJO participa), GALANDUM GALUNDAINA (que cantam e tocam percussões em algumas das modas), RÃO KYAO, ANDRÉ SOUSA MACHADO e VITORINO. Além disso, há aqui também um agradecimento muito especial a MÁRIO ESTANISLAU e VICTOR FÉLIX dos RONCOS DO DIABO.

Em “Canto da Terra”, ROBERTO LEAL mergulhou a fundo na tradição de Miranda. Chega mesmo a cantar em mirandês (o escritor e estudioso Amadeu Ferreira colaborou também na pesquisa e tradução das letras) em vários temas, como “Nós Tenemos Muitos Nabos”, “Sinhá Senhora”, “Chin Glin Din”, “La Molinera” e “La Çarandilhera”. Só é pena que o trabalho gráfico da capa não tenha a sofisticação dos arranjos deste interessante lote de temas. O disco será apresentado ao vivo em breve no Casino Estoril (em data a anunciar). Eu vou!

fonte ~ Luís Rei, Crónicas da Terra

27 de setembro de 2007

Coimbra - Grupo de Fado apresenta temas inéditos do seu CD

O CD desta formação, a lançar antes do final do ano, intitula-se «Coimbra» e contém 13 temas inéditos da canção coimbrã, disse hoje à agência Lusa Ricardo Dias, um dos músicos do grupo.

Poemas de Fernando Pessoa, Eugénio de Andrade, Miguel Torga, Mário Cesariny e Antero de Quental, entre outros autores, serão cantados com música inédita do grupo.

Vão ser também executados alguns dos temas instrumentais inéditos que farão parte do CD.

O Coimbra - Grupo de Fado integra João Farinha (voz), Ricardo Dias (guitarra) e Pedro Lopes (viola).

No espectáculo de sábado, actuam ainda Luís Oliveira (contrabaixo) e o maestro Augusto Mesquita (piano de cauda).

Constituído em 2006 com o objectivo de «representar e dignificar a canção de Coimbra ao mais alto nível, o grupo potencia a vasta experiência dos seus elementos no sentido de renovar e refrescar a música de Coimbra, através, sobretudo, da composição de temas novos, embora mantendo a identidade e a sonoridade com que a música coimbrã é conhecida e reconhecida», lê-se num texto sobre a iniciativa.

No concerto, a fadista Cristina Branco interpretará temas do seu repertório, acompanhada pelo pianista Ricardo M. Dias, e actuará também com o grupo.

Organizado pela Fundação Inês de Castro, o espectáculo insere-se no ciclo «As Quatro Estações das Lágrimas», que visa proporcionar a Coimbra uma noite musical diferente.

Segundo a nota da organização, a celebração do Outono é o pretexto para esta «noite mágica» que assinala, na Quinta das Lágrimas, a mudança de estação.

Cada concerto é «especialmente concebido para assinalar a mudança de estação» e procura-se «fomentar o encontro entre intérpretes de Coimbra e nomes cimeiros da cena musical portuguesa, numa ambiência única e numa noite que se pretende fique na memória de todos os que assistam ao espectáculo».
Lusa

17 de setembro de 2007

Brigada Victor Jara distinguida com Prémio José Afonso


O grupo português
Brigada Victor Jara venceu a edição de 2007 do Prémio José Afonso, com o álbum Ceia Louca, editado em 2006, anunciou hoje a Câmara Municipal da Amadora.

Ceia Louca assinalou o regresso da Brigada Victor Jara, numa altura de celebrações de mais de três décadas de carreira, desde que o grupo apareceu, em 1975 em Coimbra.
O prémio foi atribuído por unanimidade por um júri do qual fizeram parte Olga Prats, António Vitorino de Almeida, Carlos Pinto Coelho, António Moreira e Natália Cañamero de Matos.
O Prémio José Afonso foi criado em 1988 para homenagear o cantautor português e destina-se a galardoar um álbum de edição portuguesa cujos temas tenham como referência a cultura e a história portuguesas.

Actualmente com nove músicos, a Brigada Victor Jara já integrou na sua formação inicial artistas como Né Ladeiras, Fernando Amílcar e Joaquim Caixeiro.
Em 1977, dois anos depois de se terem formado, com um nome que homenageia o cantor chileno Víctor Jara, editaram o primeiro álbum, Eito Fora, feito de cantares regionais.
Da sua discografia destaca-se Monte formoso, em 1989, do qual saiu um espectáculo de homenagem a José Afonso, que contou com a participação do Teatro Bonifrates e do Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra.
Em 2000 lançaram Por sendas, montes e vales e em 2006 Ceia louca, que contou com a participação de convidados como Carlos do Carmo, Vitorino e Janita Salomé, Lena d´Água e Jorge Palma.
O prémio José Afonso, que não foi atribuído em 2006, será entregue à Brigada Victor Jara no dia 22 de Setembro nos Recreios da Amadora.
Fausto, Sérgio Godinho, Né Ladeiras, Dulce Pontes, Filipa Pais, Carlos do Carmo e José Medeiros foram alguns dos músicos portugueses já distinguidos com o Prémio José Afonso.
Lusa/SOL

14 de setembro de 2007

A não perder!

Amanhã, 15 de Setembro, na TSF depois do noticiário das 11h, vão emitir um programa especial dedicado ao Festival Intercéltico de Sendim, que ocorreu no Nordeste de Trás-os-Montes a principios de Agosto.