4 de fevereiro de 2011

10 anos de Uxu Kalhus

Logo pelo próprio nome, adivinha-se a "perversão" total e completa do purismo tradicional. E passados 10 anos de discos e de palcos, cativando o seu lugar de referência na música portuguesa, engane-se quem pense que Uxu Kalhus é apenas a distorção da nossa tradição musical. É sim, de forma exímia, a sua evolução e actualização.
Ora vejam e oiçam tudinho até ao fim.

1 - Tamurriata do Caldeirão
2 - Círculo
3 - Malhão
4 - Velho atrevido
5 - Saia da Carolina
6 - Mata Aranha | Faca e Alguidar
7 - Ponha aqui o seu pézinho
8 - Legaliza Malaquias
9 - Linda Falua | Bretónia
10 - Erva Cidreira
11 - Virose da Dextrose

3 de fevereiro de 2011

Seremos parvos?

No passado mês de Janeiro, durante os 4 concertos que realizámos nos Coliseus do Porto e de Lisboa, apresentámos uma canção nova intitulada "Parva que sou".

Esta música fazia parte de um conjunto de 4 novas canções que trabalhámos e ensaiámos com o intuito de apresentar uma delas num alinhamento especialmente feito para os Coliseus. Escolhemos "Parva que sou", porque era aquela que tinha o arranjo terminado e porque o tema que abordava nos pareceu actual.

Durante os ensaios e até em apresentações feitas a amigos nunca imaginámos a dimensão que a sua letra poderia tomar. Foi com grande surpresa e emoção que assistimos a uma reacção tão intensa e espontânea por parte das pessoas que estavam a ouvir uma música inédita.

Verso a verso, fomos sentindo o público a apropriar-se da canção e a tomá-la como sua. Foram 4 momentos especiais e porventura únicos de comunhão entre nós e o público.

Após os concertos, ao ver que o tema "Parva que sou" continua a ganhar vida através das redes sociais e dos meios de comunicação, não podemos deixar de demonstrar o nosso agrado em perceber que uma canção está a suscitar debate e diálogo em volta de um assunto actual e que julgamos da maior pertinência. Mais felizes ainda ficamos, enquanto músicos, ao constatar que a Música continua a ter este papel na nossa Sociedade.

Iremos em breve disponibilizar uma versão da música, gravada num dos concertos nos Coliseus, para que quem a queira ouvir o possa fazer com maior qualidade sonora.

Agradecemos todo o carinho que as pessoas têm demonstrado e o genuíno interesse da imprensa relativamente ao "Parva que sou". Mais não precisamos de dizer. A canção fala por si.

Deolinda


2 de fevereiro de 2011

Xícara

Outra das novidades discográficas deste ano é o EP de Xícara, editado pela Mdparte e que já se encontra disponível à venda na sua web e através do email do grupo.
Ainda mal começou a dar os primeiros passos e já é, indubitavelmente, um dos grupos a não perder de escuta, pela lufada de ar fresco que trazem à música portuguesa.
Sem perder o rumo à tradição e ao acústico, mas também com um piscar de olhos ao jazz, os arranjos instrumentais, em comunhão com a doce voz de Carla Carvalho, reinventam a nossa tradição musical e fluem em dinâmicas virtuosas e ricas em tons e formas, num diálogo constante entre os instrumentos.
Com génese na poesia portuguesa, Xícara é, também, a expressão musical e mais actual dos poetas nacionais, de forma envolvente e despertando o nosso imaginário e sensibilidade literária. Os poetas reunidos neste projecto foram deliberadamente seleccionados de todos os cantos do país, tendo sido escolhidos, entre outros, António Botto, João Penha de Oliveira Fortuna, João de Deus, Fernando Pessoa e João Cabral do Nascimento.
Aos Xícara, reservamos-lhes o futuro. Poeticamente.

Membros:
Carla Carvalho: voz
David Viegas: baixo, voz
Hélder Costa: braguesa, bandolim, cavaquinho
Nuno Cachada: guitarra clássica
Pedro Oliveira: percussão
Rui Ferreira (Caps): piano, acordeão

Xícara : Cantiga [Xícara, 2011]

Deixa-te estar na minha vida
Como um navio sobre o mar.

Se o vento sopra e rasga as velas
E a noite é gélida e comprida
E a voz ecoa das procelas,
Deixa-te estar na minha vida.

Se erguem as ondas mãos de espuma
Aos céus, em cólera incontida,
E o ar se tolda e cresce a bruma,
Deixa-te estar na minha vida.

À praia, um dia, erma e esquecida,
Hei, com amor, de te levar.
Deixa-te estar na minha vida.
Como um navio sobre o mar.

João Cabral do Nascimento / Xícara

Dazkarieh regressa ao som do "Ruído do Silêncio"

foto © Rita Carmo

Este ano, a música folk portuguesa promete ser fértil em novos trabalhos discográficos, entre os quais "Ruído do Silêncio", o quinto álbum de Dazkarieh a ser editado no dia 21 de Março, na Alemanha e em Portugal.
Uma vez mais, as recolhas antigas e a tradição oral portuguesa são o ponto de partida para as composições originais, com letras assinadas por Joana Negrão e músicas de Vasco Ribeiro Casais, consolidando uma sonoridade já característica de Dazkarieh, num equilíbrio entre o acústico e a distorção eléctrica.
Este disco conta igualmente com a colaboração de Velha Gaiteira, em “Repasseado da Calçada”, e de André Galvão, no contrabaixo, nos temas “Mazurka da Água”, “Moda da Ceifa I” e “Ruído do Silêncio”.

MARÇO
10 :: Folk Club Züri – Suíça
11 :: Spielboden Dornbirn – Áustria
12 :: Spitalkeller Offenburg – Alemanha
13 :: Tollhaus Karlsruhe – Alemanha
15 :: Schlachthof Kassel – Alemanha
16 :: naTo Leipzig – Alemanha
17 :: Crystal Club Berlin – Alemanha
18 :: Speicher Husum – Alemanha
19 :: Weitblick Bugewitz – Alemanha
20 :: Dreikönigskirche Dresden – Alemanha
25 :: Hard Club – Porto – Portugal
26 :: CCC – Caldas da Rainha – Portugal

ABRIL
1 :: Acert – Tondela – Portugal
2 :: Teatro Cine – Torres Vedras – Portugal
7 :: Forum Romeu Correira – Almada – Portugal
8 :: Teatro Cine – Castelo Branco – Portugal
9 :: CAE Portalegre – Portugal
13 :: Cinema S.Jorge – Lisboa – Portugal

27 de janeiro de 2011

Música portuguesa com "Contexto e Significado"

Foto © Léa López

Após o lançamento em Águeda a 4 de Dezembro do ano passado, o livro-filme "Contexto e Significado" está a ser apresentado além das margens do Botaréu, um pouco por toda a geografia nacional, assinalando os 15 anos da d’Orfeu Associação Cultural.
Este ano, Guimarães será a primeira cidade a acolher a apresentação desta dupla obra. Se por um lado, António Pires traça um retrato mais introspectivo e biográfico da associação no livro "Contexto", já o filme "Significado", da autoria de Tiago Pereira, apresenta-nos uma reflexão sobre a evolução e o estado actual da música tradicional, desafiando-nos com a pergunta: e se a música portuguesa gostasse dela própria?
Esta edição comemorativa, que assinala igualmente a estreia do selo editorial d'Eurídice, percorrerá o país nas seguintes datas:

28 de Janeiro - FNAC Guimarães (22h00)
29 de Janeiro - FNAC Coimbra (17h00) e FNAC Leiria (21h30)
30 de Janeiro - FNAC Viseu (17h00)
2 de Fevereiro - FNAC Chiado (18h30) e FNAC Colombo (21h30)
6 de Fevereiro - FNAC Braga (17h00)

“Contexto e Significado" encontra-se já à venda nas principais lojas FNAC do país, mas encontra-se igualmente em várias associações parceiras da d’Orfeu: na ACERT (Tondela), no Contagiarte (Porto), na Oficina de Música de Aveiro, na Discoteca Wah-wah do Mercado Negro (Aveiro), na Tradballs (Lisboa) e na PédeXumbo (Évora). Está também à venda directamente na d’Orfeu e através da web da associação www.dorfeu.pt.

25 de janeiro de 2011

Fadoteca

Com apenas quatro anos de actividade, o Portal do Fado rapidamente tornou-se numa das referências informativas e divulgativas mais importantes sobre o universo fadista, não só pela constante actualização sobre as novidades discográficas e da agenda de concertos/ concursos que vão ocorrendo por todo o país, como também pelo seu carácter mais pedagógico e arquivístico.
É neste sentido que, paralelamente à já existente lista de contactos de músicos, o Portal do Fado está empenhado na criação duma base de dados de letras de Fado, respondendo a uma crescente procura e petição.
Segundo a informação publicada na web, «esta base de dados obedece a 3 critérios obrigatórios : nome da letra, nome do autor da letra, nome do autor da música, e ainda a 2 critérios não obrigatórios : repertório e nome do fado onde se insere a letra, por exemplo "Fado Menor".
A pesquisa na base de dados pode ser feita utilizando um dos seguintes critérios: nome da letra, nome do autor da letra, nome do autor da música e repertório.
Para isso apelamos à colaboração de todos os nossos visitantes no sentido de enviarem as letras de Fado que têm em sua posse de forma a irmos preenchendo a base de dados.
O Portal do Fado como forma de incentivo irá premiar todos os meses os utilizadores que tiverem enviado mais letras.»

Marco Rodrigues e Carlos do Carmo : Homem do Saldanha [Tantas Lisboas, 2010]

De sorriso na cara à noite, na praça do Saldanha
à beira da estrada parado já ninguém o estranha
toda a gente o conhece
ele acena e agradece
e a cidade continua no seu rumo
De sorriso na cara à noite, na praça do Saldanha
apagando a solidão ao luar que o acompanha
é vê-lo chegar quando anoitece
esperam os carros que atravesse
com a mão no ar, como quem diz "olá Lisboa"

Seja benvindo meu amigo à nossa rua
faz algum tempo que não o via por aqui
nunca é demais, há ssempre espaço
venha de lá esse abraço
folgo vê-lo bem-disposto
a dizer olá a quem passa
com o prazer espelhado no rosto
Benvindo à nossa rua, meu amigo
faz algum tempo não o via por aqui
nunca é demais, há sempre espaço
venha cá dar-me um abraço
porque à noite, Lisboa sorri

Não é adeus, é olá que diz a quem por ali passa
de casaco castanho, João dá o ar da sua graça
torna a cidade mais risonha
só é louco quem não sonha
quem não percebe, então não sabe o que é ser só
Não é adeus, é olá que diz a quem por ali passa
com um olhar abraça Lisboa, despede-se da praça
já se faz tarde a sua hora
apanha o táxi, vai-se embora
chega por hoje, amanhã estará por cá

Seja benvindo meu amigo à nossa rua
faz algum tempo que não o via por aqui
nunca é demais, há sempre espaço
venha cá dar-me um abraço
folgo vê-lo bem-disposto
a dizer olá a quem passa
com o prazer espelhado no rosto
Benvindo à nossa rua, meu amigo
faz algum tempo não o via por aqui
nunca é demais, há sempre espaço
venha de lá esse abraço
porque é noite, Lisboa sorri