23 de dezembro de 2010

[Partituras] Ao Menino Deus


in Cancioneiro de Músicas Populares César das Neves

22 de dezembro de 2010

Katia Guerreiro edita CD com duetos inéditos

A fadista Katia Guerreiro, para celebrar os dez anos de carreira, edita o duplo CD “Nas asas do fado” em que reúne os temas mais emblemáticos, os que menos canta nos espectáculos e inéditos.

“Escolhi para este ‘Best of’ os temas mais emblemáticos da minha carreira, como ‘Segredos’ ou ‘Amor de mel, amor de fel’ e alguns que canto menos nos meus espetáculos como ‘Algemas’”, disse a fadista.

Estes e outros temas, como “Ponham flores na mesa”, “Pranto de amor ausente”, “Asas”, ou “Lisboa à noite”, estão reunidos num CD.

No segundo CD, Katia escolheu duetos que fez ao longo da carreira, nomeadamente com Ney Matogrosso, Santos & Pecadores e Martinho da Vila.

“Estes duetos são encontros musicais que fizeram parte do enriquecimento musical, artístico e até humano que fui adquirindo”, afirmou.

O CD inclui três duetos inéditos, gravados propositadamente para este álbum duplo, nomeadamente com Rui Veloso, Amina Alaoui e Simone de Oliveira.

Com Simone, Katia interpreta o único tema original, “Amor sem tamanho” (Pedro Rapoula/ Pedro Pinhal).

fonte ~ Diário Digital / Lusa

"Canções de Cordel" na voz de César Prata

OuTonalidades regressa em 2011

A comitiva da d’Orfeu em Santo Estêvão, no Algarve, ponto mais a sul do 14º OuTonalidades.

Em Santo Estêvão (Tavira), ponto mais a sul de todo o circuito, foi um espectáculo da associação organizadora, “Toques do Caramulo”, que encerrou a 14ª edição do "OuTonalidades - circuito português de música ao vivo". O evento começou a 22 de Setembro na Corunha e apresentou uma impressionante agenda de música ao vivo até 18 de Dezembro, num roteiro que se estendeu da Galiza ao Algarve.

Neste último fim-de-semana, além da Casa do Povo de Santo Estêvão, espaço onde o circuito pegou de estaca nas últimas edições, o OuTonalidades teve concertos em Lisboa (Toques do Caramulo, na véspera de descer ao Algarve) e em Tondela e no Fundão (com o projecto do guitarrista Marcos Teira, um dos vários grupos galegos desta edição). O poder de intervenção cultural deste circuito assume uma importância cultural decisiva em muitos destes locais e cria importantes oportunidades de circulação para os grupos envolvidos.

O êxito do OuTonalidades vem resultando, incontornavelmente, do inédito intercâmbio luso-galaico resultante da parceria do circuito português com a Rede Galega de Música ao Vivo, criando-se um roteiro único de espaços e grupos portugueses e galegos. Foram muitas as noites memoráveis desta edição, foram muitos os quilómetros percorridos pelos grupos, e foram muitas as centenas de espectadores deste grande palco chamado OuTonalidades, à 14ª edição.

Os Municípios de Águeda, Estarreja, Ovar e Tavira apoiaram oficialmente o 14º OuTonalidades, além do Ministério da Cultura / Direcção-Geral das Artes e de vários outros organismos. Na Galiza, a AGADIC e a Clubtura são os parceiros oficiais do OuTonalidades. O circuito foi coordenado, como desde sempre e a partir de Águeda, pela d’Orfeu Associação Cultural.

Muito em breve, durante o primeiro trimestre de 2011, abrirá o período de inscrições de grupos para a 15ª edição.

Propostas de Programação para o Andanças 2011

Encontram-se abertas as inscrições para propostas de programação para o Festival Andanças 2011. Propostas de oficinas de danças, bailes, actividades paralelas, actividades para crianças. Até dia 31 de Janeiro.

Formulário de candidatura

15 de dezembro de 2010

Pé na terra : Escadas de Luar [13, 2010]

"Viva a república, Viva" novo CD de Vitorino

Já disponível em exclusivo nas lojas FNAC, "Viva a República Viva", o novo CD de Vitorino conta com a participação especial de Sam the Kid, Filipa Pais, Janita.

Vitorino Salomé pretende, com este album, comemorar a implantação da República, a consagração de "A Portuguesa" como símbolo nacional, a partir de 19 de Junho de 1911, e a Constituição Portuguesa de 1911.

Particularmente grato aos ideais anarco-sindicalistas que estiveram na base do movimento que na tarde de 4 de Outubro de 1910, em Setúbal e em quase toda a Margem Sul, deu início à implantação da República, Vitorino reúne neste CD seis temas, na sua maioria compostos propositadamente para este efeito.

Somando a sua vivência e experiência adquiridas Vitorino procura entender o passado recente que, através dos seus avós e tios, começa com o século XX.

Deste modo Vitorino faz aquilo que pode ser uma banda sonora da sua vida e recria as ambiências, do que pode ter sido a música popular que andava no ar, no princípio do século XX, tarefa facilitada pela grande quantidade de material disponível em arquivos, livros, discos e informação fornecida por amigos.

27 de novembro de 2010

Carlos do Carmo e Sassetti. Separados por 30 anos. Juntos em disco.

Carlos do Carmo e Bernardo Sassetti conheceram-se há sete anos, quando o fadista celebrou 40 anos de carreira. Mas quase se poderia dizer que os dois são amigos de longa data, apesar dos trinta anos que os separam. Sentados à mesa de um bar de hotel junto ao Tejo, desdobram-se em elogios mútuos, entre chá verde e histórias passadas. A razão da conversa? Um disco que não é fado nem jazz, mas que simboliza o encontro de duas gerações distintas da música portuguesa. E muito mais, como veremos adiante.

Carlos do Carmo sempre quis gravar "as canções de uma vida". Já Bernardo Sassetti sempre ouviu Carlos do Carmo. Em casa, ainda pequeno, lembra-se de escutar o fadista na rádio a cantar "Os Putos". Poderíamos ser fiéis ao velho pregão do "Video Killed The Radio Star" - e até admitir que hoje poucos escutam rádio em casa - mas não andaremos muito longe da verdade se dissermos que, desses tempos, Sassetti guardou muito mais do que uma recordação de frequência modelada. "Ouvir o Carlos era uma forma de tentar ser melhor. Uma referência como músico, cantor, conversador", diz.

Talvez por isso, este encontro, que muitos classificaram de improvável, seja afinal o ponto de contacto mais natural entre dois músicos, que se influenciaram mutuamente ao longo dos anos. Carlos do Carmo, que já tinha convidado Sassetti para fazer as orquestrações do seu espectáculo comemorativo dos 40 anos de carreira, define a ideia como "uma martelada matinal". "Acordei a pensar que queria gravar estas músicas com o Bernardo. Daí ao telefonema foi um impulso", recorda.

Tudo começa à mesa

Convém esclarecer que "Carlos do Carmo e Bernardo Sassetti" - assim se chama o disco - nasce primordialmente de conversas, antes de ganhar forma musical. De conversas e de histórias e de jantares intervalados por algumas incursões ao piano e microfone.

"Todas as músicas foram construídas a dois, em minha casa, com muita conversa e piano pelo meio. O mais importante era transformar aquelas peças num momento genuíno que tivesse que ver com o nosso universo de voz e piano, de um intimismo profundo, encontrar um espaço e tempo para cada canção", confessa Sassetti.

Claro que, tratando-se de músicas que ganharam vida própria - e se eternizaram - não será errado dizer que esta se revelou como uma responsabilidade acrescida para ambos. Sassetti define cada canção como "uma facada no original". "Mas uma facada com muito respeito e admiração". Provavelmente, só assim seria possível a Carlos do Carmo gravar canções com as quais tem uma relação quase visceral. Falamos, naturalmente, das interpretações de temas escritos por Sérgio Godinho, Fausto, Rui Veloso e, acima de tudo, José Afonso.

"As escolhas são afectivas. Uma vez o Sinatra fez um disco chamado "Some Nice Things I''ve Missed", um disco com versões de músicas que poderiam ter sido escritas para ele. Sinto um pouco isso em relação a estas dez canções do disco, embora tenha tido grandes artistas a escreverem para mim", esclarece Carlos do Carmo, antes de ser interrompido por Sassetti, que quis falar das suas preocupações relativas às canções.

"Tive muitas, sobretudo porque falamos de tocar temas que têm à partida uma versão definitiva, que é a original, o que acontece com o ''Yesterday'', dos Beatles, com Brel, esse verdadeiro tormento, ou o Zeca", diz. "Não se trata de um disco de covers. Isso seria um mal necessário. Existem textos bonitos e nós fomos à procura de novas soluções."

José Afonso teria gostado?

Da lista de dez canções do disco, fazem parte melodias tão célebres como "Lisboa que Amanhece" (Sérgio Godinho), "Foi por Ela" (Fausto), "Porto Sentido" (Rui Veloso e Carlos Tê), "Cantigas do Maio" (José Afonso), "Avec Le Temps" (Leo Ferré), "Quand on a que L''Amour" (Jacques Brel) e "Gracias a La Vida" (Violeta Parra). Talvez pela sua ligação afectiva, Carlos do Carmo fale de José Afonso com a naturalidade - e saudade - de quem lhe assinou uma petição para não ser preso há muitos anos.

"Andou desaparecido uns tempos até ter entrado na minha casa de fados, para me agradecer. Era uma pessoa muito atenta", recorda. E José Afonso, teria gostado do disco? "Não sei, vou ter uma conversa muito séria com a Zélia (viúva do músico) para saber o que ela pensa que ele acharia. O Zeca e eu tínhamos uma relação de mútuo respeito. Admirava-o particularmente. Ele é um ser à parte, a minha referência ética e estética."

O disco foi gravado em poucos dias, com algumas das faixas a saírem ao primeiro take. "Tínhamos encontros semanais, conversávamos imenso e tocávamos um bocadinho. Acho que as músicas foram sempre tocadas de forma diferente", conta. Dessa liberdade criativa, nascem canções familiares, mas com outro código genético, marcado pelas deambulações jazzísticas do pianista e pelo cantar falado de Carlos do Carmo. "Tudo muito natural, não houve grandes coisas combinadas, nada estava escrito", assegura o fadista.

A cumplicidade entre Sassetti e Carmo não se espelha apenas no disco que acabam de editar. A própria conversa, os olhares comprometidos e as piadas que trocam entre si mostram bem o entendimento entre os dois, humano e musical. "A realidade é que são dois amigos que se passeiam por uma ou várias cidades em que tudo acontece de forma muito tranquila. Se um vai para uma rua, o outro segue-o naturalmente. E existe espaço para o silêncio", sorri Bernardo Sassetti. Uma coisa é certa: aqui, o silêncio não é fatal.
fonte ~ jornal i