3 de novembro de 2010

Assembly Point : Dona Infanta


Tradicional / Luís Peixoto
Arranjos: Assembly Point


Ricardo Rocha vence Prémio Carlos Paredes

"Luminismo", editado no final de 2009, é um duplo álbum para guitarra portuguesa e piano, com composições originais de Ricardo Rocha, Pedro Caldeira Cabral, Artur Paredes e Carlos Paredes.
As composições para piano, que preenchem o segundo disco, são interpretadas pelo pianista Ingeborg Baldaszti.
Ricardo Rocha, neto do guitarrista Fontes Rocha, é um dos mais elogiados instrumentistas de guitarra portuguesa, pela renovação de um instrumento que no imediato se associa ao fado.
Aos 30 anos acumula vários prémios, entre os quais Prémio Revelação Ribeiro da Fonte para Jovens Compositores e Prémio Amália Rodrigues para Melhor Guitarra Portuguesa.
Ricardo Rocha já tinha recebido o prémio Carlos Paredes em 2004, na altura com o álbum de estreia "Voluptuária", em ex-aequo com o contrabaixista Carlos Barretto.
O prémio foi criado pela autarquia de Vila Franca de Xira para homenagear Carlos Paredes, "um dos maiores criadores e intérpretes musicais portugueses do século XX", mas também para "incentivar a criação e a difusão de música de qualidade, não erudita, de raiz popular portuguesa".
fonte ~ hardmusica

2 de novembro de 2010

Madredeus & A Banda Cósmica põem ponto final

Em comunicado divulgado a banda explica que "Castelos na areia" é o terceiro e último álbum de originais e que completa uma trilogia iniciada em 2008 com "Metafonia" e "Nova Aurora".
Pedro Ayres Magalhães e Carlos Maria Trindade reformaram os Madredeus em finais de 2007, depois da saída de Teresa Salgueiro, José Peixoto e Fernando Júdice de um dos projetos de maior sucesso dos anos 1990 da música portuguesa.

Na altura, Pedro Ayres Magalhães disse à Lusa que a nova “roupagem musical” pretendia "inventar uma concepção de música cantada em português para grandes espectáculos, inspirada nas diversas tradições das suas próprias composições e nos arranjos da música popular da Europa, da África Ocidental e do Brasil".
A matriz vinha dos Madredeus mantinha-se mas renovava-se com novos instrumentos.

Pedro Ayres Magalhães mantinha-se na guitarra clássica, direção musical e produção, Carlos Maria Trindade continuava nos sintetizadores, juntando-se a Banda Cósmica com as cantoras Mariana Abrunheiro e Rita Damásio e os músicos Ana Isabel Dias (harpa), Sérgio Zurawski (guitarra elétrica), Gustavo Roriz (guitarra baixo), Ruca Rebordão (percussão), Babi Bergamini (bateria) e Jorge Varrecoso (violino).
O comunicado dá conta que a Banda Cósmica terminou em Dezembro por causa da falta de meios.

"Os concertos não abundam, a rádio e televisão pouco arriscam na divulgação deste tipo de música e a venda de CD é completamente irrisória", lê-se.

"Castelos na Areia", que fecha o ciclo dos Madredeus, foi gravado no ano passado nos estúdios de Carlos Maria Trindade, no Alentejo, e reúne 11 temas originais, destinados a serem divulgados "por uma rádio progressista".

Os Madredeus foram um dos mais singulares nomes da música portuguesa, desde que se formaram em 1986 em Lisboa, com uma sonoridade que destoava do pop-rock de então.

O projecto, que procurava a inspiração na tradição popular portuguesa com uma sofisticação que não existia na altura no panorama português, deveu muito do sucesso às melodias de Pedro Ayres Magalhães e à voz de Teresa Salgueiro.

Venderam cerca de três milhões de discos em todo o mundo, por conta de registos como "Existir", "Os dias da Madredeus", "O espírito da paz" ou "Um amor infinito".
Nas duas décadas de existência os Madredeus já tiveram vários momentos de renovação. Rodrigo Leão, Gabriel Gomes e Francisco Ribeiro, que estava na formação inicial, saíram nos anos 1990, tendo entrado depois Carlos Maria Trindade, José Peixoto e Fernando Júdice.

O último fôlego da banda, já muito diferente dos primeiros tempos, deu-se em 2008, quando surgiu então Madredeus & Banda Cósmica, que agora termina com "Castelo na Areia".
fonte ~ hardmusica

Xícara : Cantiga Bailada

Tenho à minha janela
Eras tão bonita
E eu já te não quero
O que tu não tens à tua
Um vaso de manjerico
Eras tão bonita
E eu já te não quero
Que dá cheiro a toda a rua

Adeus ó rua da ponte
Eras tão bonita
E eu já te não quero
Calçadinha mal segura
E quando o meu amor passa
Eras tão bonita
E eu já te não quero
Não há pedra que não bula

As pedras do meu balcão
Eras tão bonita
E eu já te não quero
Estão todas a três a três
Os meus amores de algum dia
Eras tão bonita
E eu já te não quero
Já os cá tenho outra vez

Pelos trilhos do Andarilho

O documentário produzido pelo GEFAC "Pelos trilhos do Andarilho", que aborda a vida e obra de Ernesto Veiga de Oliveira, foi o vencedor do prémio etnografia no Cine-eco 2010.

25 de outubro de 2010

Womex também em português

É já nesta semana que se realiza mais uma edição da WOMEX, o ponto de encontro anual por excelência da indústria das músicas do mundo.
De 27 a 31 de Outubro, Copenhaga acolhe as mais diversas propostas musicais oriundas dos cinco continentes, sendo de destacar este ano a forte presença portuguesa.
Entre as quatro dezenas de artistas seleccionados para os showcases, conta-se a apresentação em palco do fadista António Zambujo, do quarteto luso-sueco Stockholm Lisboa Project e das concertinas de Danças Ocultas, que para além do convite para encerrar a edição deste ano na prestigiada sala Koncerthuset, também podem ser ouvidos no CD oficial WOMEX 2010, (disponível na íntegra aqui), com o tema "Héptimo", do último disco "Tarab" (Outubro 2009).

showcase trailer

Luísa Rocha lança CD de estreia

O álbum de estreia da fadista Luísa Rocha, ‘Por uma noite de Amor’, será editado na primeira quinzena de Novembro, com a chancela da David Ferreira Investidas Editoriais e conta, a título de participações especiais, com convidados como o guitarrista Ricardo Rocha e os cantores Tó Cruz e Paulo Ramos, entre outros.

No álbum, a fadista - que já tem uma carreira de dez anos e que actualmente canta no Clube do Fado - é acompanhada por José Manuel Neto (guitarra portuguesa), Carlos Manuel Proença (viola) e Daniel Pinto (viola baixo).

O disco é maioritariamente composto por temas inéditos, entre os quais ‘Dou-te um Beijo', de Paulo Carvalho.

24 de outubro de 2010

Reflexo, álbum de estreia de Teresa Lopes

‘Reflexo’, o álbum de estreia de Teresa Lopes Alves, que inclui 12 temas dos quais 6 são inéditos e 6 recriados, pode ser encontrado a partir do dia 25 de Outubro nas lojas de todo o país.

Possuidora de uma voz de amplitude singular, Teresa percorre as suas canções com notável mestria, ora empregando a profundidade própria de um timbre maduro, ora revelando a doçura da sua juventude, numa forma de interpretar refrescante e arrebatadora. Neste seu primeiro trabalho, a diversidade das suas origens musicais confunde-se com a intensidade dos sentimentos revelados em cada tema.

As suas referências musicais vão do fado ao jazz vocal clássico, passando pela música ligeira portuguesa e pela música popular brasileira. ‘Reflexo’ destas influências este primeiro trabalho convida-nos para uma viagem por diferentes estilos musicais, um trajecto com múltiplas sensações e estados de espírito incertos, capturados em composições de incontestável qualidade musical. E com ele surge Teresa Lopes Alves, um sólido e muito promissor talento no panorama musical português que seleccionou para esta obra um repertório rico e cuidado, privilegiando a poesia de autores como: João Monge, Tiago Torres a Silva, Chico Buarque, Amália Rodrigues, Ary dos Santos e Vinícius de Moraes entre outros.

Gravado nos estúdios Pé de Vento e Vale de Lobos, ‘Reflexo’ foi produzido por Ricardo Cruz, que também participa como músico (contrabaixo) e conta com a colaboração de músicos como: Bernardo Coutto (guitarra portuguesa), Ricardo Rocha (guitarra portuguesa), Pedro Santos (acordeão), Luis Cunha (trombone), Pedro Pinhal (guitarra clássica), Miguel Noronha Andrade (guitarra clássica), João Ferreira (percussão), André Fernandes (guitarra eléctrica), Daniel Schvetz (piano), Felipe Melo (piano) e Bruno Pedroso (bateria) para além da participação especial de Rui Veloso no tema ‘Porto Covo’.

Os temas ‘Saudades do Brasil em Portugal’ e ‘A minha vontade’ e ‘Porto Covo’ já tocam na rádio. A apresentação ao público acontece no dia 26 de Outubro, no Teatro Villaret, em Lisboa. O acesso ao concerto será gratuito para todos aqueles que comprarem o CD em pré-venda na FNAC, por 11,99 euros, até ao dia 26 de Outubro.

Mísia: "Não tenho nada a provar a ninguém".

Em Portugal nunca foi reconhecida como no estrangeiro, mas depois de uma temporada por Paris decidiu voltar a Lisboa, onde já tem concerto marcado. Para o ano há novo álbum.

Estou sempre onde não se espera, tenho o meu próprio timing e o meu timing disse-me que esta era a altura de voltar e gravar um disco de fado tradicional". Assim nos revela Mísia, que chegou recentemente a Lisboa, depois de cinco anos a viver em Paris. Já gravou um novo álbum, intitulado Senhora da Noite, a ser editado no próximo ano. Entretanto vai actuar na Discoteca Lux, a 5 de Novembro.

"Durante muitos anos, as pessoas pensavam que eu morava em Paris e eu própria procurei perceber o porquê disso, talvez porque o que eu estava a fazer no fado era tão diferente ou tão prescritivo do que iria acontecer mais tarde que por isso não poderia ser feito aqui", refere quanto à partida para Paris.

No entanto, abandonou o País precisamente numa altura em que o fado começava a ganhar uma maior visibilidade: "Num momento de inflação de novas vozes, com o fado na moda, precisava de alguma distância. Aliás, comecei a gravar discos que não eram só de fado precisamente quando começou a ficar na moda", confessa.

Se fora de Portugal sempre foi bastante aclamada, o mesmo não aconteceu no seu próprio país, onde causou bastante controvérsia enquanto estava a dar os primeiros passos no fado, há 20 anos. E por causa de algumas opções estéticas e artísticas que se distanciavam do que era então a imagem convencional desta música: "A tradição já não é o que era, porque também há photoshop para a tradição. Mas tanto no fado como no tango a tradição sempre foi a mudança, nunca a imobilidade, porque são músicas urbanas, que receberam várias influências", afirma.

Quando partiu para Paris "nem sabia se voltava ou não". "Desins-crevi-me dos jornais online, nem me passava pela cabeça ir comer um caldo-verde a Paris, levei tudo comigo. Mas é curioso que também nunca consegui fazer o corte definitivo, nunca me decidi a vender esta casa (de Lisboa)", conta. A decisão de regressar a Portugal "foi complicada": "Cheguei a um momento em que tinha uma despesa tão alta com as duas casas, com a minha mãe, que entretanto faleceu, que tinha de escolher entre vender esta casa ou voltar", lembrou.

Passados cinco anos, sente que Lisboa se tornou "muito mais cosmopolita": "A cabeça das pessoas mudou muito, dantes havia uma imensa falta de curiosidade pelo outro, era tudo muito paroquial, muito foral".

No entanto, apesar de as feridas com Portugal estarem já saradas, não esquece alguns dissabores por que passou: "Quando vim para cá, em 1990, vinha com uma grande necessidade de pertença, vim para pegarem em mim ao colo e aconteceu precisamente o contrário. Na altura tinha um grande companheiro de viagem, o Paulo Bragança, e nós estávamos entre a Amália Rodrigues e a nova geração, ou seja, em nenhures. Chamaram-nos de tudo, diziam que eu desafinava. Para muitas pessoas éramos para abater."

Apesar das críticas negativas que ouviu, não parou de cantar e de gravar novos discos: "Há algo que explica a minha luta, porque tinha de mandar dinheiro para a minha mãe, alimentar os meus gatos, manter a minha casa, porque eu não tinha um património." Trabalhar intensivamente no estrangeiro não foi uma opção: "Fui sempre para onde me chamavam, não decidi trabalhar muito no estrangeiro", conta.

A própria fadista hoje sabe que houve vários factores que causaram estranheza quando apareceu: "Não tinha um homem ao meu lado, não tinha um guitarrista, era divorciada. Além disso, não tinha o carimbo do Carlos do Carmo ou do João Braga. Não fui pagar portagem a ninguém, e não o fiz por falta de respeito, mas por falta de tempo, porque ter de pagar o aluguer da casa naquele mês era muito mais importante do que ficar à espera que alguém me aprovasse", recorda.

Actualmente já não sente uma necessidade de pertença como quando começou a cantar o fado: "Hoje estou em paz comigo mesma. As pessoas que não gostam, nunca vão gostar, mesmo que eu me matasse toda à frente deles. E se há 10 anos estava muito preocupada com qualquer gesto que fizesse poder provar que não era fadista, hoje não tenho nada a provar a ninguém".

De futuro espera continuar a ser "subversiva" como foi no início da sua carreira. Já a nova geração é para Mísia "muito consensual": "Ainda bem que há novas vozes e que são boas. Mas, como em todos os tipos de arte, não sou muito atraída por pessoas que cantam aquilo que lhes dizem, respeito a essencialidade artística de cada um. Sendo tão novos inspiram mais carinho e simpatia, mas há muito boas vozes", afirma.
fonte ~ dn

18 de outubro de 2010

Grupo Acção Cultural (GAC) - Vozes na Luta : A Cantiga é uma Arma [A Cantiga é uma Arma, 1974]

a cantiga é uma arma
eu não sabia
tudo depende da bala
e da pontaria
tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
de pontaria

há quem cante por interesse
há quem cante por cantar
há quem faça profissão
de combater a cantar
e há quem cante de pantufas
para não perder o lugar

a cantiga é uma arma
eu não sabia
tudo depende da bala
e da pontaria
tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
de pontaria

O faduncho choradinho
de tabernas e salões
semeia só desalento
misticismo e ilusões
canto mole em letra dura
nunca fez revoluções

a cantiga é uma arma
(contra quem?)
Contra a burguesia
tudo depende da bala
e da pontaria
tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
de pontaria

Se tu cantas a reboque
não vale a pena cantar
se vais à frente demais
bem te podes engasgar
a cantiga só é arma
quando a luta acompanhar

a cantiga é uma arma
contra a burguesia
tudo depende da bala
e da pontaria
tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
de pontaria

Uma arma eficiente
fabricada com cuidado
deve ter um mecanismo
bem perfeito e oleado
e o canto com uma arma
deve ser bem fabricado

a cantiga é uma arma
(Contra quem camaradas?)
Contra a burguesia
tudo depende da bala
e da pontaria
tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
de pontaria

a cantiga é uma arma
contra a burguesia
tudo depende da bala
e da pontaria
tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
contra a burguesia