2 de novembro de 2010

Pelos trilhos do Andarilho

O documentário produzido pelo GEFAC "Pelos trilhos do Andarilho", que aborda a vida e obra de Ernesto Veiga de Oliveira, foi o vencedor do prémio etnografia no Cine-eco 2010.

25 de outubro de 2010

Womex também em português

É já nesta semana que se realiza mais uma edição da WOMEX, o ponto de encontro anual por excelência da indústria das músicas do mundo.
De 27 a 31 de Outubro, Copenhaga acolhe as mais diversas propostas musicais oriundas dos cinco continentes, sendo de destacar este ano a forte presença portuguesa.
Entre as quatro dezenas de artistas seleccionados para os showcases, conta-se a apresentação em palco do fadista António Zambujo, do quarteto luso-sueco Stockholm Lisboa Project e das concertinas de Danças Ocultas, que para além do convite para encerrar a edição deste ano na prestigiada sala Koncerthuset, também podem ser ouvidos no CD oficial WOMEX 2010, (disponível na íntegra aqui), com o tema "Héptimo", do último disco "Tarab" (Outubro 2009).

showcase trailer

Luísa Rocha lança CD de estreia

O álbum de estreia da fadista Luísa Rocha, ‘Por uma noite de Amor’, será editado na primeira quinzena de Novembro, com a chancela da David Ferreira Investidas Editoriais e conta, a título de participações especiais, com convidados como o guitarrista Ricardo Rocha e os cantores Tó Cruz e Paulo Ramos, entre outros.

No álbum, a fadista - que já tem uma carreira de dez anos e que actualmente canta no Clube do Fado - é acompanhada por José Manuel Neto (guitarra portuguesa), Carlos Manuel Proença (viola) e Daniel Pinto (viola baixo).

O disco é maioritariamente composto por temas inéditos, entre os quais ‘Dou-te um Beijo', de Paulo Carvalho.

24 de outubro de 2010

Reflexo, álbum de estreia de Teresa Lopes

‘Reflexo’, o álbum de estreia de Teresa Lopes Alves, que inclui 12 temas dos quais 6 são inéditos e 6 recriados, pode ser encontrado a partir do dia 25 de Outubro nas lojas de todo o país.

Possuidora de uma voz de amplitude singular, Teresa percorre as suas canções com notável mestria, ora empregando a profundidade própria de um timbre maduro, ora revelando a doçura da sua juventude, numa forma de interpretar refrescante e arrebatadora. Neste seu primeiro trabalho, a diversidade das suas origens musicais confunde-se com a intensidade dos sentimentos revelados em cada tema.

As suas referências musicais vão do fado ao jazz vocal clássico, passando pela música ligeira portuguesa e pela música popular brasileira. ‘Reflexo’ destas influências este primeiro trabalho convida-nos para uma viagem por diferentes estilos musicais, um trajecto com múltiplas sensações e estados de espírito incertos, capturados em composições de incontestável qualidade musical. E com ele surge Teresa Lopes Alves, um sólido e muito promissor talento no panorama musical português que seleccionou para esta obra um repertório rico e cuidado, privilegiando a poesia de autores como: João Monge, Tiago Torres a Silva, Chico Buarque, Amália Rodrigues, Ary dos Santos e Vinícius de Moraes entre outros.

Gravado nos estúdios Pé de Vento e Vale de Lobos, ‘Reflexo’ foi produzido por Ricardo Cruz, que também participa como músico (contrabaixo) e conta com a colaboração de músicos como: Bernardo Coutto (guitarra portuguesa), Ricardo Rocha (guitarra portuguesa), Pedro Santos (acordeão), Luis Cunha (trombone), Pedro Pinhal (guitarra clássica), Miguel Noronha Andrade (guitarra clássica), João Ferreira (percussão), André Fernandes (guitarra eléctrica), Daniel Schvetz (piano), Felipe Melo (piano) e Bruno Pedroso (bateria) para além da participação especial de Rui Veloso no tema ‘Porto Covo’.

Os temas ‘Saudades do Brasil em Portugal’ e ‘A minha vontade’ e ‘Porto Covo’ já tocam na rádio. A apresentação ao público acontece no dia 26 de Outubro, no Teatro Villaret, em Lisboa. O acesso ao concerto será gratuito para todos aqueles que comprarem o CD em pré-venda na FNAC, por 11,99 euros, até ao dia 26 de Outubro.

Mísia: "Não tenho nada a provar a ninguém".

Em Portugal nunca foi reconhecida como no estrangeiro, mas depois de uma temporada por Paris decidiu voltar a Lisboa, onde já tem concerto marcado. Para o ano há novo álbum.

Estou sempre onde não se espera, tenho o meu próprio timing e o meu timing disse-me que esta era a altura de voltar e gravar um disco de fado tradicional". Assim nos revela Mísia, que chegou recentemente a Lisboa, depois de cinco anos a viver em Paris. Já gravou um novo álbum, intitulado Senhora da Noite, a ser editado no próximo ano. Entretanto vai actuar na Discoteca Lux, a 5 de Novembro.

"Durante muitos anos, as pessoas pensavam que eu morava em Paris e eu própria procurei perceber o porquê disso, talvez porque o que eu estava a fazer no fado era tão diferente ou tão prescritivo do que iria acontecer mais tarde que por isso não poderia ser feito aqui", refere quanto à partida para Paris.

No entanto, abandonou o País precisamente numa altura em que o fado começava a ganhar uma maior visibilidade: "Num momento de inflação de novas vozes, com o fado na moda, precisava de alguma distância. Aliás, comecei a gravar discos que não eram só de fado precisamente quando começou a ficar na moda", confessa.

Se fora de Portugal sempre foi bastante aclamada, o mesmo não aconteceu no seu próprio país, onde causou bastante controvérsia enquanto estava a dar os primeiros passos no fado, há 20 anos. E por causa de algumas opções estéticas e artísticas que se distanciavam do que era então a imagem convencional desta música: "A tradição já não é o que era, porque também há photoshop para a tradição. Mas tanto no fado como no tango a tradição sempre foi a mudança, nunca a imobilidade, porque são músicas urbanas, que receberam várias influências", afirma.

Quando partiu para Paris "nem sabia se voltava ou não". "Desins-crevi-me dos jornais online, nem me passava pela cabeça ir comer um caldo-verde a Paris, levei tudo comigo. Mas é curioso que também nunca consegui fazer o corte definitivo, nunca me decidi a vender esta casa (de Lisboa)", conta. A decisão de regressar a Portugal "foi complicada": "Cheguei a um momento em que tinha uma despesa tão alta com as duas casas, com a minha mãe, que entretanto faleceu, que tinha de escolher entre vender esta casa ou voltar", lembrou.

Passados cinco anos, sente que Lisboa se tornou "muito mais cosmopolita": "A cabeça das pessoas mudou muito, dantes havia uma imensa falta de curiosidade pelo outro, era tudo muito paroquial, muito foral".

No entanto, apesar de as feridas com Portugal estarem já saradas, não esquece alguns dissabores por que passou: "Quando vim para cá, em 1990, vinha com uma grande necessidade de pertença, vim para pegarem em mim ao colo e aconteceu precisamente o contrário. Na altura tinha um grande companheiro de viagem, o Paulo Bragança, e nós estávamos entre a Amália Rodrigues e a nova geração, ou seja, em nenhures. Chamaram-nos de tudo, diziam que eu desafinava. Para muitas pessoas éramos para abater."

Apesar das críticas negativas que ouviu, não parou de cantar e de gravar novos discos: "Há algo que explica a minha luta, porque tinha de mandar dinheiro para a minha mãe, alimentar os meus gatos, manter a minha casa, porque eu não tinha um património." Trabalhar intensivamente no estrangeiro não foi uma opção: "Fui sempre para onde me chamavam, não decidi trabalhar muito no estrangeiro", conta.

A própria fadista hoje sabe que houve vários factores que causaram estranheza quando apareceu: "Não tinha um homem ao meu lado, não tinha um guitarrista, era divorciada. Além disso, não tinha o carimbo do Carlos do Carmo ou do João Braga. Não fui pagar portagem a ninguém, e não o fiz por falta de respeito, mas por falta de tempo, porque ter de pagar o aluguer da casa naquele mês era muito mais importante do que ficar à espera que alguém me aprovasse", recorda.

Actualmente já não sente uma necessidade de pertença como quando começou a cantar o fado: "Hoje estou em paz comigo mesma. As pessoas que não gostam, nunca vão gostar, mesmo que eu me matasse toda à frente deles. E se há 10 anos estava muito preocupada com qualquer gesto que fizesse poder provar que não era fadista, hoje não tenho nada a provar a ninguém".

De futuro espera continuar a ser "subversiva" como foi no início da sua carreira. Já a nova geração é para Mísia "muito consensual": "Ainda bem que há novas vozes e que são boas. Mas, como em todos os tipos de arte, não sou muito atraída por pessoas que cantam aquilo que lhes dizem, respeito a essencialidade artística de cada um. Sendo tão novos inspiram mais carinho e simpatia, mas há muito boas vozes", afirma.
fonte ~ dn

18 de outubro de 2010

Grupo Acção Cultural (GAC) - Vozes na Luta : A Cantiga é uma Arma [A Cantiga é uma Arma, 1974]

a cantiga é uma arma
eu não sabia
tudo depende da bala
e da pontaria
tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
de pontaria

há quem cante por interesse
há quem cante por cantar
há quem faça profissão
de combater a cantar
e há quem cante de pantufas
para não perder o lugar

a cantiga é uma arma
eu não sabia
tudo depende da bala
e da pontaria
tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
de pontaria

O faduncho choradinho
de tabernas e salões
semeia só desalento
misticismo e ilusões
canto mole em letra dura
nunca fez revoluções

a cantiga é uma arma
(contra quem?)
Contra a burguesia
tudo depende da bala
e da pontaria
tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
de pontaria

Se tu cantas a reboque
não vale a pena cantar
se vais à frente demais
bem te podes engasgar
a cantiga só é arma
quando a luta acompanhar

a cantiga é uma arma
contra a burguesia
tudo depende da bala
e da pontaria
tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
de pontaria

Uma arma eficiente
fabricada com cuidado
deve ter um mecanismo
bem perfeito e oleado
e o canto com uma arma
deve ser bem fabricado

a cantiga é uma arma
(Contra quem camaradas?)
Contra a burguesia
tudo depende da bala
e da pontaria
tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
de pontaria

a cantiga é uma arma
contra a burguesia
tudo depende da bala
e da pontaria
tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
contra a burguesia

A Cantiga é uma Arma

«Pertenço a uma geração anterior ao pós-modernismo, em que nós aprendemos que ligada a qualquer estética há sempre uma ética. Quando me perguntaram, no princípio dos anos 80, 'você é um cantor de intervenção?', eu disse: 'Somos todos cantores de intervenção'. Marco Paulo é um cantor de intervenção. Intervém à sua maneira e eu intervenho à minha. Agora, não me venham dizer que aquilo é neutro. Não há neutralidade possível quando se está a falar para milhares de pessoas. Está ali um tipo a dizer umas palavras, a tomar umas atitudes e, portanto, a transmitir modelos que levam à reprodução do sistema social tal como ele está, ou a colocar em causa esse sistema social e a sugerir pistas, eventualmente erradas. Nunca se vai impunemente para cima de um palco.»

José Mário Branco ao jornal Público
27 de Fevereiro de 2004

Galandum Galundaina : Fraile Cornudo [Senhor Galandum, 2009]

Fraile cornudo
Hecha-te al baile
Que te quiero ber beilar
Saltar i brincar
I andar por l aire

Esta ye la tonadica de l fraile

Busca cumpanha
Que te quiero ber beilar
Saltar i brincar
I andar por l aire

Deixa-la sola
Que la quiero ber beilar
Saltar i brincar
I andar por l Aire

Prémios Megafone distinguem Galandum Galundaina e Tiago Pereira

A banda Galandum Galundaina e o cineasta Tiago Pereira venceram (...) a primeira edição dos prémios Megafone, que distinguem projectos nacionais que estimulem a renovação da música de raiz tradicional.

Os prémios Megafone, criados pela associação cultural Megafone 5 em homenagem ao músico João Aguardela, que morreu em 2009, e que pretendem estimular a renovação da música portuguesa de inspiração tradicional, decorreram no domingo à noite no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Os Galandum Galundaina venceram a categoria Prémio Megafone Música, por criarem música nova tendo como matriz a música popular e tradicional portuguesa, à imagem de João Aguardela, enquanto Tiago Pereira venceu o Prémio Missão, de reconhecimento por um trabalho fora do âmbito musical que contribui para o espírito de renovação da música de inspiração tradicional.
fonte ~ lusa

17 de outubro de 2010

Um Festim na Antena 2

Antena 2 vai transmitir concertos gravados ao vivo no Festim!

Quem se lembra dos magníficos concertos da Serenata Guayanesa ou dos Terem Quartet? Quem ainda guarda na memória os sons da Mahala Raï Banda, Kilema ou Rare Folk? Quem não consegue esquecer a presença de Renato Borghetti ou Minyeshu?

A partir de 19 de Outubro, a Antena 2 transmite os concertos gravados ao vivo na 2ª edição do Festim - festival intermunicipal de músicas do mundo, evento d’Orfeu que percorreu cinco municípios nos passados meses de Junho e Julho, em parceria com as Câmaras Municipais de Águeda, Sever do Vouga, Estarreja, Ovar e Albergaria-a-Velha.

O programa "Raízes" da Antena 2, da autoria de Inês Almeida, fará a mesma viagem que o público, recordando os concertos de Terem Quartet (Rússia), Rare Folk (Espanha), Renato Borghetti (Brasil), Kilema (Madagáscar), Mahala Raï Banda (Roménia), Minyeshu (Etiópia) e Serenata Guayanesa (Venezuela), gravados pela estação pública durante o festival intermunicipal.

A primeira transmissão terá lugar a 19 de Outubro, pelas 0h00 (ou seja, de segunda para terça-feira, à meia-noite), prosseguindo semanalmente sempre no mesmo horário. Além da frequência de rádio, as emissões podem ser ouvidas em directo na internet ou, após a transmissão, no arquivo de programas.