8 de setembro de 2010

A Barca dos Castiços em CD

A pluralidade cromática da Música de um Povo.
Uma mancha sonora sobre uma pintura ancestral.

A Barca dos Castiços, numa parceria com o Teatro da Cerca de São Bernardo, vai apresentar em Coimbra o seu primeiro trabalho discográfico, Mancha em Terras de Cor, registo em que as fusões da música Tradicional Portuguesa, com outras sonoridades mais universais, tentam reflectir a pluralidade cromática de um pequeno, mas culturalmente diverso país como é Portugal.
A tradição marca o porto de saída, a criatividade é a rota a percorrer…

Dia 13 de Setembro, pelas 21h30.
Entradas Gratuitas, mediante levantamento de ingresso na bilheteira do TCSB.

Uma Produção 7 Sons, Casa do Povo de Souselas, com o apoio da Escola da Noite, Teatro da Cerca de São Bernardo e Rádio Universidade de Coimbra.

+351 239 718 238

5 de setembro de 2010

Três Vozes no Fado

“O projecto procura apresentar três diferentes gerações de fado, através de intérpretes que são muito diferentes no estilo e no repertório”, disse à Lusa o produtor do grupo, Carlos Cruz.
Os fadistas são acompanhados à guitarra portuguesa por Rodolfo Godinho, à viola por José Carvalhinho, e Jorge Carreiro na viola baixo.
“Cada um de nós interpreta fados do seu repertório, e depois cantamos dois ou três temas juntos, o que resulta muito bem, pois mostra claramente que não se está no fado sempre da mesma maneira, cada um dá-lhe a sua interpretação e imprime a sua marca”, disse Ana Marta à Lusa.
A fadista apresenta neste projecto vários fados novos de autoria de António Rocha, nas músicas dos fados tradicionais Zé Negro, Margaridas e Magala.
Francisco Sobral estreou-se como actor no musical “Amália” de Filipe La Feria, encarnando Alfredo Marceneiro, participou ainda em “Canção de Lisboa”, integrou posteriormente o elenco do musical “Fado... Esse malandro vadio!”. Além fronteiras Sobral actuou já em Angola.
Anita Guerreiro tem uma carreira com mais de 50 anos, e entre os seus êxitos, muitos deles ligados ao teatro de revista, refira-se, "Cheira bem, cheira a Lisboa", "Sinos", "Calçadinha à portuguesa", “Ai, ai Lisboa”, “Boneca de trapos”, “Santo António veio a Alfama” e “ O fumo do meu cigarro”.
A fadista estreou-se em Fevereiro de 1954 no palco do Teatro Variedades, no Parque Mayer, em Lisboa, depois de um entrada no meio do espectáculo pelo concurso “Tribunal da canção”, do programa radiofónico “Comboio das seis e meia”.
“Assim que me ouviram levaram-me ao Marques Vidal e nem concorri, cantei logo. Eu ainda era menor e tive uma autorização especial do coronel Óscar de Freitas para actuar", recordou a fadista à Lusa.
Anita Guerreiro é o nome artístico de Bebiana Guerreiro, encontrado pelos produtores de "Comboio das seis e meia".
Vencedora do Prémio Estêvão Amarante (1969/70) e de uma Guitarra de Ouro, em Angola, onde chegou a residir, Anita Guerreiro tem-se tornado mais conhecida das novas gerações através dos papéis que desempenha em várias telenovelas.
Anita Guerreiro afirmou que deve à televisão a popularidade que hoje tem junto "de uma faixa etária mais nova", depois do interregno que fez na década de 1970, quando foi para os Estados Unidos.
fonte ~ hardmusica

Fados a Preto e Branco : Trago fado nos sentidos

Duarte: Fado sério, mas descontraído

O álbum é magnífico e a sua presença estonteante. Um trabalho sólido, em que "Fado Novembro" é absoluto. Toda a sua composição revela maturidade e reflexão.

O Hardmusica conversou com Duarte, e esclarecemos que as fotos foram gentilmente cedidas pelo seu agente.

Hardmusica: Lançado o CD, qual o balanço que faz nesta altura?

DUARTE: Sendo que “Aquelas Coisas da Gente” foi apresentado em finais de 2009, os meses que entretanto foram correndo, deram-me a possibilidade de poder pensar os resultados deste trabalho mediante três dimensões de análise distintas.
Numa primeira perspectiva de análise, referente a uma abordagem do objecto segundo características que se prendem com a sua natureza artística (contemporaneidade, qualidade musical, composição, letras, características contextuais mediante o estado da arte) julgo poder afirmar que este trabalho foi de encontro às minhas expectativas. Sinto que a procura da minha autenticidade artística foi significativamente conseguida neste trabalho de equipa, tendo em conta o universo musical, relacional e vivencial que lhe está adjacente.
A segunda lente de análise, focada em questões relativas ao “produto” que se pretende dar a conhecer e dar a “consumir”, será pois onde falamos do objecto enquanto objecto de consumo, do seu criador e do trabalho de promoção destes e parece ser aquela dimensão onde penso que mais coisas poderiam ter acontecido. Não que o objectivo primeiro deste trabalho tenha sido o de alcançar um produto de consumo imediato, mas não posso deixar de manifestar alguma da minha insatisfação, na medida em que terá sido difícil dar a conhecer aos outros o produto do meu trabalho.
É complicado encontrar formas de entrar nos poucos e muitas vezes diminutos espaços de apresentação e promoção para os trabalhos, quando não estamos directa ou indirectamente ligados às pessoas influentes que se movimentam nesses mesmos espaços. Vejamos por exemplo o caso de programas na televisão pública tidos como de carácter cultural (e sim, só posso mesmo falar de serviço público, uma vez que no caso de particulares, estes podem fazer as suas escolhas sem ter que prestar satisfações aos contribuintes) ou mesmo situações relativas à imprensa escrita, que recebem centenas de trabalhos discográficos todas as semanas e cujas pessoas responsáveis pela sua divulgação terão que realizar uma filtragem dos mesmos, mediante critérios, padrões e indicadores que muitas vezes não percebemos bem quais são. Acontece que muito provavelmente, ainda estou do lado daqueles que ficam sujeitos aos tão “mal fadados” critérios de exclusão!
Por fim, e numa terceira conjuntura de análise, tenho que referir as críticas e as opiniões daqueles que escolheram ouvir e/ou reflectir sobre o meu trabalho e que depois, de alguma forma, me fizeram chegar o seu sentir sobre o mesmo.
Lembro-me do José Fonseca e Costa e do seu tão assertivo texto de apresentação do CD, lembro-me da crítica da revista Blitz onde surge a ideia de um mais contemporâneo fadista, lembro-me da crítica que saiu na Grécia relativamente à minha interpretação da canção “To Tsigaro”, lembro-me das muitas pessoas que no final dos concertos vêm ter comigo e me perguntam porque é que nunca tinham ouvido falar do meu trabalho…

H: Recebeu o Prémio Amália Revelação 2006, como se sentiu e qual o significado que ainda hoje tem esse prémio?

DUARTE: Quando soube que iria receber o Prémio, o sentimento foi assim como o de ouvir alguém dizer: “Puto, para princípio de conversa não está mal… Agora vê se trabalhas, porque esta coisa de construir caminhos na arte em Portugal não é fácil!”.
Gosto de pensar que este prémio foi como que um marco inicial no meu caminho enquanto artista, quase uma cerimónia de iniciação se assim se quiser entender. Mas é claro que fiquei agradado e que de alguma forma foi gratificante para mim, não por objectivamente ter recebido o prémio, mas antes pelo reconhecimento subjectivo de outros relativamente à minha “entrada” num meio que até então me estava longe.

H: O facto do José Luís Gordo integrar o júri terá "ajudado" a ser distinguido, recordo que nesse ano do elenco do Senhor Vinho arrebataram os dois "grandes" prémios Maria da Fé e António Zambujo.

DUARTE: Agora que fala nisso, estava aqui a lembrar-me que por exemplo a Mariza, o Camané, a Ana Moura, o Jorge Fernando, o Dr. Machado Soares, a Aldina Duarte já foram (e alguns destes ainda são) fadistas residentes do Senhor Vinho e se não estou em erro, já terão sido também distinguidos com prémios Amália. Talvez um destes dias possamos vir a ter oficialmente instituídos os prémios Senhor Vinho, mas não me parece que tenha sido nesta situação!!! Já tenho ouvido falar em “lobbies” no fado, mas sinceramente, não me quer parecer que estes andem pelo Sr. Vinho!!! [Risos]
Por outro lado, se bem me lembro, fizeram parte do júri cinco elementos, sendo que um desses cinco era realmente o José Luís Gordo. É-me difícil conceber ou acreditar (e aqui estamos a falar das minhas crenças) que um elemento de entre cinco possa ter anulado, condicionado ou influenciado decisões e opiniões dos restantes elementos do júri relativamente ao mérito do meu trabalho, no sentido de me ter sido atribuído o prémio revelação.
Brincadeiras à parte, talvez possa ser interessante, a partir dos vários artistas que já passaram pelo espaço Senhor Vinho, pensar nos contributos desse mesmo espaço para a consolidação do trabalho desses artistas. Falamos sem dúvidas de um lugar por excelência da formação artística, relativamente à qualidade das interpretações, à escolha do reportório, das composições, das letras… Nesta “escola” os artistas/alunos parecem trabalhar no sentido de obter uma consolidação dos conhecimentos face às suas potencialidades e limitações, para que com esses mesmos conhecimentos possam definir o mais autenticamente possível os seus caminhos.
H: Numa altura em que o fado é planetário e fez um CD tão contemporâneo o que ainda não aconteceu para ser reconhecido como um valor a contar para o futuro do fado?
DUARTE: Desde já o meu obrigado pela caracterização do meu trabalho enquanto contemporâneo. Quanto à sua questão do que ainda não aconteceu… Está sempre tanta coisa a acontecer e há sempre tanta coisa por acontecer, que relativamente aos porquês de um não reconhecimento enquanto valor de futuro, o que posso dizer é que não me parece fazer muito sentido neste momento ter que estar preocupado com esse reconhecimento. Acredito que se o meu trabalho continuar pelo caminho da entrega genuína e autentica no meu canto, vou conseguir que cada vez mais pessoas possam conhecê-lo, manifestando-se consequentemente as suas formas de o sentirem, sejam estas boas ou menos boas.
Vendo bem, isto começou tudo há tão pouco tempo… Quem sou eu para ter que estar preocupado em assegurar o futuro de uma coisa que é muito maior que qualquer uma das suas partes (falo neste contexto do Fado)? E não podemos esquecer que este é um caminho possível… O meu caminho, a minha construção… Uma construção como qualquer outra… Que se vai fazendo com tempo e com escolhas o mais assertivas quanto possível. Por outro lado, o reconhecimento só pode acontecer depois de um conhecimento. E depois surgem-me aqui algumas questões que se prendem com as instâncias ou as pessoas que poderão fazer esse trabalho de reconhecimento e atribuição de valor: Quais serão as mais válidas? Quais serão aquelas que devemos filtrar ou até mesmo esquecer? Quem cria essas instâncias? Quem é mais ou menos capaz de avaliar ou atribuir um valor? Porque faz alguém tal trabalho? Ao reconhecimento prefiro sem dúvida o conhecimento.
H: A "raebetika" e o fado têm pontos de aproximação? E quais?
DUARTE: De um modo geral, toda a música parece ter pontos que se podem definir como de aproximação. Assim como duas pessoas que dançam, sem que nenhuma delas tenha que perder a sua identidade, dois universos musicais distintos também podem dançar. Não sou um entendido da música grega mas senti que, no breve contacto que tive com esta, a força da palavra, a importância do ritual, a carga simbólica e a entrega nas interpretações poderiam ser pontos de aproximação entre a “raebetika” e o fado.

H: Como foi o trabalho com a compositora grega e como se deu por terras helénicas; vai voltar?

DUARTE: Quanto ao trabalho com a compositora Evanthia Reboutsika e a cantora Elly Paspala, este começou num convite que em muito me honrou, por parte desta tão brilhante compositora que, depois de descobrir o meu trabalho via internet, decidiu convidar-me para, com o seu ensemble e a cantora Elly Paspala, prepararmos uma temporada de 12 espectáculos no Polis Theatre em Atenas durante os meses de Novembro e Dezembro de 2007. Foram espectáculos onde as músicas e os músicos se cruzaram naturalmente, sem que a raiz musical de cada um fosse posta em causa ou se anulasse. Por entre algumas traduções, adaptações e recriações de músicas gregas, também tive comigo nos meus fados, outros músicos e cantores gregos que se deliciaram com a nossa música portuguesa.
Foi sem dúvida uma das experiências mais enriquecedoras que tive até então para a minha música. O viver de Atenas, o descobrir da música grega, o valor que os gregos dão à sua cultura, os amigos com quem ainda hoje vou falando e que ficaram por lá, foram coisas que me marcaram e me fizeram crescer.
Posso confidenciar que senti algumas vezes mais apoio e valor face ao meu trabalho na Grécia do que em Portugal. As pessoas que não conheciam o meu trabalho de lado algum, passados alguns dias de concertos, entrevistas várias, programas de televisão e rádio já comentavam e criticavam a minha música.
Quanto à questão que me faz sobre a possibilidade de voltar, eu já voltei. Depois da temporada de concertos em Atenas durante o Inverno de 2007, no Verão de 2008 fui convidado para participar com a Evanthia e a Elly num Festival de Música na ilha de Kios.
Gostaria muito de poder retribuir o convite, bem como a hospitalidade que tive por lá, sendo que agora em Portugal, mas não me parece que seja fácil entrar no circuito dos festivais em Portugal…

H: Vai repetir a experiência com esta compositora ou com outro músico?

DUARTE: Neste momento não tenho nada projectado ou idealizado, mas estou receptivo para esta ou outras partilhas que me façam sentido. Fazer só por fazer não me iria saber bem com certeza, se tiver que ser, como em qualquer relação, terá que ser construído e terá que fazer sentido.

H: Para si, o fado é um caminho musical de futuro, ou um caminho para uma outra música?

DUARTE: Para mim o fado é muito mais que só um caminho de futuro. O (s) fado (s) são muitos caminhos. Gosto de pensar no fado como um universo do qual eu participo e para o qual tento contribuir com a minha modesta e pequena parcela. Sinceramente, não estou muito preocupado para onde vamos, desde que respeitemos o tão valioso legado que nos foi deixado por tantos e tão bons fadistas e músicos que já tivemos e continuamos a ter.

H: Choramos ainda o fado porque afinal os sentimentos são os mesmos (eu aqui devo dizer que reconheço modernidade no que escreve)?

DUARTE: Nós choramos porque somos pessoas e porque sempre chorámos… Choramos e crescemos também porque temos medo. O nosso espaço emocional é infinito e como tal vai estar sempre presente, sendo que por outro lado, o nosso tempo, sendo narrativo é que pode ir mudando. A questão não está no que sentimos, mas antes na forma que encontramos para contar isso. Defendo que o destino ou os destinos sempre foram e continuarão a ser contados e cantados, num tempo e por uma narrativa contextualizadora dos mesmos.

H: Quais os próximos espectáculos e projectos?

DUARTE: Vamos ver se um destes dias temos uma grande sala em Lisboa… Entretanto vou trabalhando para um novo disco. Ler, escrever, compor, vou também fazendo alguns concertos… Continuar “devagarinho e em passo certo” como dizem os velhos da minha terra.

H: Fado ou psicologia? Acha que vai conseguir o equilíbrio, alcançando o sucesso no meio fadista que se mostra tão competitivo?

DUARTE: A minha procura não é uma procura do sucesso enquanto conceito ligado à mediatização ou popularidade, mas antes uma procura do prazer pela criação. Interessa-me contar e cantar a vida, bem como aquilo que nela vamos fazendo todos os dias… É claro que se tiver sucesso (e não vou ser hipócrita ao ponto de afirmar que não penso neste como sendo algo que surge pelo bom desempenho nas coisas que nos propomos a fazer) este vai ser uma consequência e não uma finalidade no meu caminho. Não sinto portanto neste momento que tenha de escolher entre o fado e a psicologia, uma vez que escolhidos estão os dois. Tenho antes que continuar a trabalhar no sentido de ter prazer nestas duas áreas, que em muitas situações se podem mesmo complementar.
Quer-me parecer por outro lado, que o meio fadista de que falou não é mais nem menos competitivo que qualquer outro meio artístico ou profissional. É o que é! Não estou aqui numa corrida com ninguém… Não estou aqui numa batalha contra alguém… Eu só quero continuar a ter a possibilidade de fazer as minhas coisas, de cantar as minhas coisas, aproveitando ao máximo as partes boas que vou encontrando no caminho.

H: Quais as suas referências fadistas, em termos de intérpretes? Ou outras?

DUARTE: Não me sabe nada bem ter que fazer a distinção entre referências fadistas e outras. Sem pensar muito nisso… Jorge Palma, Fausto, José Mário Branco, Jim Morrison, Chico Buarque, Sérgio Godinho, Vitorino e Janita Salomé, Amália, Carlos do Carmo, Carlos Paredes, João Ferreira Rosa, Maria da Fé, Alfredo Marceneiro, Carlos Zel… Vão ficar uns tantos por referir!

H: Trabalhar com a Maria da Fé torna-o mais exigente de si próprio, qual a influência da grande fadista no seu trabalho?

DUARTE: Mais que poder trabalhar com a Maria da Fé, importa o poder estar, o poder crescer, o poder aprender e o poder ouvir. Sem dúvida que com a Maria da Fé me tornei mais exigente relativamente ao meu trabalho, sem dúvida que com a Maria da Fé me tornei mais capaz no domínio e na prática do meu trabalho.
Foi a Maria da Fé quem me recebeu e me foi tentando perceber em Lisboa, foi no Senhor Vinho que fui crescendo… Tenho hoje na Maria da Fé bem mais que uma grande referência, bem mais que uma “tutora” do meu trabalho. Tenho hoje com a Maria da Fé a certeza de uma amizade que foi crescendo na partilha de conversas e experiências que guardo como se de uma obra de arte única se tratasse.

H: Quando canta, quais as suas preocupações?

DUARTE: As minhas preocupações não o são quando canto… Provavelmente estão no que canto e espero sinceramente que continuem por lá. Cantar para mim nunca foi estar preocupado, embora haja muitas preocupações nas coisas que vou cantando… Seria bom se todos nós pudéssemos cada vez mais pro activamente relançar as preocupações destes nossos dias!

H: Como escolhe um fado, uma letra?

DUARTE: Comigo nunca foi uma escolha imediata, forçosamente consciente ou completamente racional, mas antes um processo construtivo e progressivo no meu tempo e no meu espaço. Já me aconteceu surgirem primeiro as letras, já me aconteceu chegarem primeiro as melodias, já me aconteceu também dispararem as duas em simultâneo. Contudo, a coisa parece ter o seu princípio na vontade de se pintar um quadro, sendo que depois vamos traçando as primeiras linhas (musicais e/ou de escrita) que nos permitem sustentar a história que queremos contar. A seguir vamos cantando para dar cor, até sentirmos que já se aprendeu… E voltamos a tentar… E voltamos a aprender… E riscamos… E arriscamos… E voltamos a escrever… Portanto, muitas vezes o quadro já é outro… E outras tantas vezes desistimos, ganhando balanço para tentar de novo. É um bocadinho como arrumar a casa!!!

H: Quando o ouviremos em Lisboa, num grande espectáculo? Por exemplo no Jardim do S. Luiz...

DUARTE: Por mim e caso assim fosse possível, era já hoje!!! Muito embora também sinta que os grandes espectáculos não o são pelas salas, mas antes pela qualidade das construções artísticas, que podem ter lugar tanto em salas de pequena como de grande dimensão.
Contudo, já foram realizadas algumas tentativas nesse sentido e ficou na maioria das vezes aquela sensação de que os senhores que programam os eventos ou que produzem os espectáculos desses espaços não parecem ainda conceber essa possibilidade.
fonte ~ hardmusica

26 de agosto de 2010

"Um cantar velado e lento" de Patrícia Costa

Disco de estreia da fadista Patrícia Costa, "Um cantar velado e lento", surge como um mistério embalado por poemas feitos fado.

Fernando Pessoa deu nome a esta viagem sem destino onde o fado e a poesia se fundem entre os caminhos da tradição e da modernidade. Há cidades com nomes escritos no cais. Recados ao Porto, manjericos no Tejo, uma praça a Camões. Há uma ode, um sorridente cravo de papel. Um sorriso de criança, uma lágrima de adulto. Um esgar de Penélope e as cores da vida pelo meio. É um cantar velado na forma e lento na essência...

Nascida em Guimarães, Patrícia Costa cresceu a ouvir música tradicional portuguesa. O Fado, desde muito cedo tomou conta da sua voz. Cantou pela primeira vez em público aos oito anos no já extinto Teatro Jordão, na sua terra natal. Passou pelo Conservatório Regional de Vila Nova de Famalicão onde estudou canto, mas é como fadista que a sua voz se faz ouvir desde então. Amália Rodrigues é a sua maior referência.

Composto por treze temas, "Um cantar velado e lento" apresenta vários inéditos, cinco dos quais compostos especialmente para Patrícia Costa: "Balada de Lisboa" de Fontes Rocha com letra de Manuel Alegre ; "Fado das Ondas" de André Teixeira com as palavras de José Carlos Vasconcelos; "Guitarras do Meu País" e "Em Todos os Jardins" compostos por Miguel Amaral para os poemas de Manuel Alegre e Sophia de Mello Breyner Andresen, respectivamente.

Caminhando por entre as raízes da tradição fadista, podemos ainda encontrar os clássicos "Fado das Horas", "Fado Fé", "Fado Vianinha" e "Fado Alberto" que dão música aos poemas de Fernando Pessoa ("No Fundo do Pensamento"), Florbela Espanca ("Rústica"), Natália Correia ("Passageira da Noite") e Vasco Graça Moura ("Recado"), ao lado do "Fado Penélope" composto por José Mário Branco, na melodia do qual se pode ouvir o "Soneto à maneira de Camões" de Sophia de Mello Breyner Andresen.
Destaca-se ainda o clássico "Fado Pedro Rodrigues", que entoa o poema Cristal da autoria de Patrícia Costa.

Para além dos inéditos, são revisitados os temas "Lisboa dos Manjericos", gravado pela primeira vez "à guitarra e à viola", "Cravos de Papel" de Amália Rodrigues, com arranjo de João Ricardo Fráguas, cantado à capela com a participação das Vozes da
Rádio e "Recado ao Porto" escrito por José Mário Branco para a peça "Porto a 8 vozes", que surge aqui na leitura de Miguel Amaral.

Gravado no Porto por Francisco Maldonado, este disco conta com a participação dos músicos Miguel Amaral (Guitarra Portuguesa), André Teixeira (Viola de Fado), João Penedo e Sérgio Marques (Contrabaixo).

Pré-compra de novo álbum de Camané garante EP

A pré-compra do novo álbum de Camané, «Do Amor e Dos Dias», garante a oferta imediata de um EP com quatro temas.
Este EP, com o título homónimo do primeiro single retirado do álbum – «A Guerra das Rosas» – inclui ainda três canções exclusivas gravadas nas sessões do novo disco e que apenas estarão disponíveis neste EP. De acordo com as palavras de Camané «são temas que sempre me acompanharam na minha relação com o fado e que, de alguma forma, ganharam protagonismo na preparação do novo disco».

«São ainda uma evocação a alguns dos nomes que mais respeito e admiro, de Marceneiro a Amália passando por Linhares Barbosa e Carlos do Carmo», assume ainda o fadista. «Do Amor e dos Dias», o sexto registo de estúdio de Camané, é editado a 27 de Setembro.

A apresentação está marcada para 7 de Outubro no Centro Cultural de Belém.

25 de agosto de 2010

Xícara : Se me deixares eu digo

Se me deixares eu digo
o contrário a toda a gente
que neste mundo de enganos
fala verdade quem mente

tu dizes que a minha boca
já não acorda desejos
já não aquece outra boca
já não merece os teus beijos

mas tem cuidado comigo
não procures ser ausente
se me deixares eu digo
o contrário a toda a gente

Letra: António Botto
Música: Carla Carvalho, Hélder Costa, Rui Ferreira (Caps)
Arranjo: Carla Carvalho, Hélder Costa, Rui Ferreira (Caps) e Xícara

Fado vadio pelas "Vielas de Lisboa"

O fado "Maria Lisboa", interpretado por António Calvário, é um dos 21 que integram a colectânea "Vielas de Lisboa", que reúne gravações de 1956 a 1979.
"Maria Lisboa" (David Mourão-Ferreira/Alain Oulman), fado criado por Amália Rodrigues, foi gravado em 1966 por Calvário, dois anos depois de ter ganhado o Festival RTP da Canção.
A gravação mais antiga, de 1956, é de Celeste Rodrigues, "Pode ser mentira" (Frederico de Brito). Ainda desta década, o CD integra três gravações: "Adeus Mouraria" (Artur Ribeiro), por Carlos Ramos, de 1957, e de 1959 os fados "Um resto da Mouraria" (Carlos Conde/Martinho d'Assunção), por Alfredo Duarte Jr., e "Lisboa Bairrista" (Lopes Victor/M. d'Assunção), por Alice Maria.
"Estas colectâneas são essenciais, para hoje termos uma perspectiva do fado, com diferentes intérpretes, cada um com o seu próprio estilo", disse à Lusa o estudioso de fado Luís de Castro.
"Os fadistas nesta época tinham o brio de tornarem a interpretação original, criando o seu estilo, não imitando ninguém, e defendendo um repertório exclusivo", acrescentou o consultor do Museu do Fado.
Em declarações à Lusa, Luís de Castro afirmou que este "será dos períodos mais ricos e criativos do fado, desde a confirmação absoluta de Amália, que já tinha ultrapassado fronteiras, até ao surgimento de nomes e de uma produção criativa fortíssima".
Referindo-se à escolha de nomes, Luís de Castro afirmou que "estão alguns de referência, como Amália, Alfredo Marceneiro, Fernando Farinha ou Fernanda Maria".
Fernanda Maria surge em dois duetos, respectivamente com Alfredo Marceneiro, "Bairros de Lisboa" (1960), e com o filho deste, Alfredo Duarte Jr., "A Lucinda Camareira" (1960).
"A Fernanda [Maria] é um dos casos mais sérios do fado, ombreando com os nomes de sempre, como Amália, Maria Teresa de Noronha ou Hermínia Silva. Senhora de uma dicção limpa e uma voz clara de grande extensão, dando a devida intencionalidade a cada uma das palavras da letra", disse.
De Amália Rodrigues foi escolhido o tema "Júlia Florista" (Joaquim Pimentel/Leonel Vilar), gravado em 1967, e de Hermínia a escolha foi um tema gravado em 1971, "As Ginjas com Ela" (Carlos Alberto França).
Entre os nomes masculinos sobressai, além de Marceneiro, Fernando Farinha, que foi "um dos mais populares artistas portugueses, e o primeiro fadista eleito, por votação popular, rei da rádio". De Fernando Farinha foi escolhido o fado "S. João de Alfama" (Francisco Radamanto), gravado em 1972.
Os acompanhantes são Raul Nery, Joel Pina, Júlio Gomes e Domingos Camarinha, "nomes incontornáveis da cena fadista". Em alguns casos, a ficha técnica do CD inclui os acompanhantes, "uma informação essencial, pois uma boa interpretação não depende em exclusivo do intérprete, tanto mais numa canção como o fado, que envolve tão poucos intervenientes".
O CD inclui ainda Ada de Castro, António dos Santos, António Mello Corrêa, Fernanda Baptista, Helena Tavares, António Mourão, Beatriz da Conceição, Filipe Pinto, "conhecido como o 'marialva do fado'", Frei Hermano da Câmara, que interpreta um poema de Fernanda de Castro, Maria da Nazaré e João Ferreira Rosa.
Dos 21 temas escolhidos 11 são da década de 1960, que é a mais representada. A mais recente gravação data de 1979, "Fado do 31", um êxito de revista recriado por António Mello Corrêa.
fonte ~ lusa

15 de agosto de 2010

Povo que lavas no Rio Águeda

Águeda cultural reviu-se, uma vez mais, nas águas do rio. Com a edição deste ano de "Povo Que Lavas no Rio Águeda" fechou-se o ciclo, iniciado em 2007 com "Rio Povo", de grandes produções na antiga piscina fluvial.
Uma noite única para o público, um ano de trabalho para os participantes, um futuro inteiro para a cidade.
Por mais que meta água, em Águeda a Cultura flutua.