Se me deixares eu digo
o contrário a toda a gente
que neste mundo de enganos
fala verdade quem mente
tu dizes que a minha boca
já não acorda desejos
já não aquece outra boca
já não merece os teus beijos
mas tem cuidado comigo
não procures ser ausente
se me deixares eu digo
o contrário a toda a gente
Letra: António Botto
Música: Carla Carvalho, Hélder Costa, Rui Ferreira (Caps)
Arranjo: Carla Carvalho, Hélder Costa, Rui Ferreira (Caps) e Xícara
25 de agosto de 2010
Fado vadio pelas "Vielas de Lisboa"
O fado "Maria Lisboa", interpretado por António Calvário, é um dos 21 que integram a colectânea "Vielas de Lisboa", que reúne gravações de 1956 a 1979."Maria Lisboa" (David Mourão-Ferreira/Alain Oulman), fado criado por Amália Rodrigues, foi gravado em 1966 por Calvário, dois anos depois de ter ganhado o Festival RTP da Canção.
A gravação mais antiga, de 1956, é de Celeste Rodrigues, "Pode ser mentira" (Frederico de Brito). Ainda desta década, o CD integra três gravações: "Adeus Mouraria" (Artur Ribeiro), por Carlos Ramos, de 1957, e de 1959 os fados "Um resto da Mouraria" (Carlos Conde/Martinho d'Assunção), por Alfredo Duarte Jr., e "Lisboa Bairrista" (Lopes Victor/M. d'Assunção), por Alice Maria.
"Estas colectâneas são essenciais, para hoje termos uma perspectiva do fado, com diferentes intérpretes, cada um com o seu próprio estilo", disse à Lusa o estudioso de fado Luís de Castro.
"Os fadistas nesta época tinham o brio de tornarem a interpretação original, criando o seu estilo, não imitando ninguém, e defendendo um repertório exclusivo", acrescentou o consultor do Museu do Fado.
Em declarações à Lusa, Luís de Castro afirmou que este "será dos períodos mais ricos e criativos do fado, desde a confirmação absoluta de Amália, que já tinha ultrapassado fronteiras, até ao surgimento de nomes e de uma produção criativa fortíssima".
Referindo-se à escolha de nomes, Luís de Castro afirmou que "estão alguns de referência, como Amália, Alfredo Marceneiro, Fernando Farinha ou Fernanda Maria".
Fernanda Maria surge em dois duetos, respectivamente com Alfredo Marceneiro, "Bairros de Lisboa" (1960), e com o filho deste, Alfredo Duarte Jr., "A Lucinda Camareira" (1960).
"A Fernanda [Maria] é um dos casos mais sérios do fado, ombreando com os nomes de sempre, como Amália, Maria Teresa de Noronha ou Hermínia Silva. Senhora de uma dicção limpa e uma voz clara de grande extensão, dando a devida intencionalidade a cada uma das palavras da letra", disse.
De Amália Rodrigues foi escolhido o tema "Júlia Florista" (Joaquim Pimentel/Leonel Vilar), gravado em 1967, e de Hermínia a escolha foi um tema gravado em 1971, "As Ginjas com Ela" (Carlos Alberto França).
Entre os nomes masculinos sobressai, além de Marceneiro, Fernando Farinha, que foi "um dos mais populares artistas portugueses, e o primeiro fadista eleito, por votação popular, rei da rádio". De Fernando Farinha foi escolhido o fado "S. João de Alfama" (Francisco Radamanto), gravado em 1972.
Os acompanhantes são Raul Nery, Joel Pina, Júlio Gomes e Domingos Camarinha, "nomes incontornáveis da cena fadista". Em alguns casos, a ficha técnica do CD inclui os acompanhantes, "uma informação essencial, pois uma boa interpretação não depende em exclusivo do intérprete, tanto mais numa canção como o fado, que envolve tão poucos intervenientes".
O CD inclui ainda Ada de Castro, António dos Santos, António Mello Corrêa, Fernanda Baptista, Helena Tavares, António Mourão, Beatriz da Conceição, Filipe Pinto, "conhecido como o 'marialva do fado'", Frei Hermano da Câmara, que interpreta um poema de Fernanda de Castro, Maria da Nazaré e João Ferreira Rosa.
Dos 21 temas escolhidos 11 são da década de 1960, que é a mais representada. A mais recente gravação data de 1979, "Fado do 31", um êxito de revista recriado por António Mello Corrêa.
fonte ~ lusa
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15 de agosto de 2010
Povo que lavas no Rio Águeda
Águeda cultural reviu-se, uma vez mais, nas águas do rio. Com a edição deste ano de "Povo Que Lavas no Rio Águeda" fechou-se o ciclo, iniciado em 2007 com "Rio Povo", de grandes produções na antiga piscina fluvial.
Uma noite única para o público, um ano de trabalho para os participantes, um futuro inteiro para a cidade.
Por mais que meta água, em Águeda a Cultura flutua.
Uma noite única para o público, um ano de trabalho para os participantes, um futuro inteiro para a cidade.
Por mais que meta água, em Águeda a Cultura flutua.
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26 de julho de 2010
[1 em 2] Trigueirinha
Orquestra Típica de Águeda [Na rota dos ventos, 2004]
Toques do Caramulo [2010]
Toques do Caramulo [2010]
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[1 em 2]
22 de julho de 2010
Novo álbum de Camané sai a 27 de Setembro
O álbum, que será apresentado ao vivo no dia 07 de Outubro no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, é produzido por José Mário Branco, que assina também os arranjos e direção musical. O músico é o seu produtor desde "Uma noite de fados", editado em 1995."Somos já velhos cúmplices e amigos. Ele sabe onde eu posso surpreender e vice-versa. Somos uma equipa", afirmou o fadista à Lusa.
Camané será acompanhado pelo grupo, também habitual, de músicos: José Manuel Neto (guitarra portuguesa), Carlos Manuel Proença (viola) e Carlos Bica (contrabaixo).
Sem adiantar pormenores, Camané afirmou à Lusa: "Procuro fazer aquilo que é o meu trabalho, sem outras distrações, nem me preocupar com os críticos, e fazê-lo da forma mais honesta possível".
O anterior álbum, “Sempre de mim”, em que incluiu inéditos de Alain Oulman, foi editado a 21 de Abril de 2008.
"Do amor e dos dias" é o sexto álbum de estúdio de Camané, sendo constituído por 18 temas, e terá diferentes edições: uma "Edição Especial Limitada" (CD/DVD com gravação vídeo ao vivo de temas do novo álbum), uma “Edição Standard" em CD, uma “Edição Vinil” (duplo vinil/CD), e ainda "Edição Digital".
Camané, distinguido em 2006 com o Prémio Amália Rodrigues para o Melhor Fadista, começou a cantar fado ainda criança, tendo ganhado por duas vezes a Grande Noite do Fado, no Coliseu de Lisboa, nas modalidades Júnior e Sénior.
O fadista tem actuado com regularidade em Portugal e no estrangeiro. Quando começou a cantar, Camané afirmou que era “diferente o panorama do fado” em Portugal.
“Muita coisa mudou desde que gravei o primeiro disco da fase adulta há cerca de 17 anos", disse.
"Lutei muito para impor uma produção para fado, com os meus músicos. Quando comecei a cantar, na altura do primeiro álbum da fase adulta, ninguém comprava espetáculos de fado, nem as câmaras, nem havia circuitos", disse.
Em 2008 Camané foi um dos nomes da selecção oficial da Womex (2008 (World Music Expo), que se realizou em Sevilha (sul de Espanha).
O fadista integrou o elenco do filme "Fados", de Carlos Saura, e participa na série documental "Trovas antigas, saudade louca", com guião de Rui Vieira Nery, que Carlos do Carmo apresentará em setembro na RTP1.
fonte ~ lusa
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19 de julho de 2010
Novas músicas no Andanças
Eddy Slap, Uxukalhus, Nação Vira Lata e Monte Lunai escolheram o festival Andanças como palco privilegiado para o lançamento dos seus novos trabalhos. De 2 a 8 de Agosto, em Carvalhais, São Pedro do Sul, o público poderá assistir ao vivo aos concertos destes e de outros nomes.5 de Agosto, 23:00 horas, Palco Alto – EDDY SLAP: “Bassab”
O baixista Eddy Slap lança o seu CD, “Bassab”, num concerto que promete cruzar o som poderoso do baixo eléctrico de Eddy - fruto de uma mistura de estilos únicos, juntando e evidenciando a música folk da Europa Ocidental, com um pouco de Jazz à mistura, acompanhado somente com uma bateria. É possível? É, e Eddy Slap fá-lo como poucos.
6 de Agosto, 23:00 horas, Palco Alto – UXUKALHUS: DVD “Transumâncias Groove Mix”
Na noite de 6 de Agosto é a vez dos Uxukalhus (aliás, Os Chocalhos), com o lançamento do seu segundo álbum “Transumâncias Groove Mix”, que será gravado ao vivo no festival, em formato DVD – aproveitando a ocasião para agradecer à legião de fãs que têm seguido o grupo desde o início, quando revolucionaram os repertórios “folk” com o sacrilégio das guitarras eléctricas, percussões e instrumentos “exóticos” (Rauschpfeife, Acordeão, Flautas variadas, percussões africanas, indianas e até bateria ou Cravo).
O seu estilo inconfundível deita por terra as convenções todas que possam existir sobre a música dita “tradicional”, “popular” ou “contemporânea”. Esvaziadores de rótulos por excelência (e com orgulho nisso) desde há 10 anos.
5 de Agosto, 23:00 horas – NAÇÃO VIRA-LATA: lançamento de CD
Os Nação Vira Lata, liderados por Winga Kan (conhecido como o percussionista das mil percussões exóticas de Blasted Mechanism) vão trazer muitos convidados e prometem rebentar o festival com os seus ritmos africanos, portugueses e brasileiros; no concerto actuarão como convidados os alunos das oficinas de percussão realizadas no Andanças – uma das vertentes mais participadas do festival. Incluindo um convidado especial não-humano: Macintosh, responsável por loops e música electrónica combinadas com os instrumentos tribais e vários amigos de percurso. Este é o primeiro álbum dos Nação Vira Lata, um grupo muito recente, constituído pelos pupilos de Winga (Nuno Patrício), que já não é estranho nestas Andanças (a sua carreira conta com participações nos TocáRufar, Projecto Adufe, Uxukalhus, Blasted Mechanism) e já é um veterano no festival. O concerto na Quinta-feira, dia 5 de Agosto, incluirá uma “Queima do Judas”, uma efígie que será construída durante o Andanças, para ser queimada nessa noite e que se inspira nos rituais das culturas pré-cristãs mais antigas da Europa.
5 de Agosto, 23:00 horas – MONTE LUNAI: “In Temporal”.
Os Monte Lunai apresentam ao público a sua edição: “In temporal”.
A sonoridade deste grupo é ímpar, combinando o violino, contrabaixo, e guitarra com percussões várias e curiosos instrumentos de sopro (clarinete popular, gaita de foles ou didgeridoo), juntando instrumentos ocidentais e orientais, antigos e modernos, populares e eruditos, de forma harmoniosa.
O seu concerto é uma viagem por todo o Mundo, passando por temas de baile de hoje e de outros tempos, a Muinheira da Galiza, o Anter’dro da Bretanha, a Contradança, a Valsa, a Mazurca. São as danças da Grécia, da Ucrânia, de Itália e Portugal, numa roda viva de culturas e musicalidades.
Outros grupos já confirmados no cartaz do ANDANÇAS:
Accordzéam (FR)
http://www.myspace.com/accordzeam
Acordeão em Espectáculo (PT)
http://www.acordeaoemespectaculo.com
Adufeiras e Bombos - Zambumbas da Casa do Povo do Pául (PT)
http://www.casapovopaul.pt
Aedo (BE)
http://www.myspace.com/aedomusic
Alafum (PT)
http://www.myspace.com/alafum
Andarilhos (PT)
http://www.myspace.com/andarilhos
Banda Filarmónica de Castro Verde (PT)
http://www.youtube.com/watch?v=tsQtE2JhMOc&feature=related
Calum Pasqua & James Gray (UK)
http://www.myspace.com/calumpasqua
Charanga (PT)
http://www.myspace.com/charangapt
Duo Skeller (UK)
http://www.myspace.com/duoskeller
Eddy Slap (PT)
http://www.myspace.com/eddyslap
Fol & Ar (PT)
http://www.myspace.com/folear
Grupo Fuá (PT)
http://www.myspace.com/grupofua
Inshallaballa (IT)
http://www.diamantini.org/
Janusz Prusinowki Trio (PL)
http://www.myspace.com/januszprusinowskitrio
Karrossel (PT)
http://www.myspace.com/karrossel
Kazachok (RU)
http://www.youtube.com/watch?v=sk_SRS7828w
Klapp (EE)
http://www.myspace.com/valkvabarnapriks
Monte Lunai (PT)
http://www.myspace.com/montelunai
Mosca Tosca (PT)
http://www.myspace.com/moscatosca
Mú (PT)
http://www.myspace.com/muuuuuu
Nação Vira Lata (PT)
http://www.myspace.com/nacaoviralata
Orquestina de Baile da Associación Cultural de Follas Novas (ES)
http://www.nsaio.org/charangafollasnovas
Osmovati (PT)
http://www.myspace.com/osmavati
Pé Na Terra (PT)
http://www.myspace.com/penaterra
Projecto Bug (PT)
http://www.myspace.com/projecto_bug
Raksedonia (ES)
http://raksedonia.ning.com/
Spakkabrianza (IT)
http://www.myspace.com/spakkabrianza
Tangomanso Orquestra Inestable (PT)
http://www.myspace.com/tangomanso
The Original Swedish Arvika Blues Breakers (SW)
http://www.myspace.com/theoriginalswedisharvikabluesbreakers
Toques de Caramulo (PT)
http://www.myspace.com/toquesdocaramulo
Tribal Jaze (FR)
http://www.myspace.com/tribaljaz
Triple-X (BE)
http://www.myspace.com/triplexbal
Uxukalhus (PT)
http://www.myspace.com/uxukalhus
Valsas Mandadas (PT)
http://www.youtube.com/watch?v=ZhOpGzGTDrg&feature=related
Organização: Associação Pédexumbo.
Parceiros: Câmara Municipal de São Pedro do Sul, Junta de Freguesia de Carvalhais e Centro de Promoção Social de Carvalhais.
A PédeXumbo é uma estrutura apoiada pelo Ministério da Cultura / Direcção Geral das Artes.
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Cheia cultural no rio Águeda!
A saga inter-associativa continua. Águeda cultural reviu-se, uma vez mais, nas águas do rio. Com esta edição de “Povo Que Lavas no Rio Águeda” fechou-se o ciclo, iniciado em 2007 com “Rio Povo”, de grandes produções na antiga piscina fluvial. Uma noite única para o público, um ano de trabalho para os participantes, um futuro inteiro para a cidade.
Programa especial "Heróis como Nós", de Madalena Balça. Antena 1.
RTP - HERÓIS COMO NÓS
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6 de julho de 2010
O fado de Deus em Quissamã
Quissamã é a localidade na Baixada Fluminense onde o fado é cantado à viola e ao adufe ou pandeireta, e com palmas, e também dançado em cruz, outrora dançava-se com tamancos, hoje dos tamancos só a memória.
“Os tamancos – claramente de origem europeia – serviam também para o batimentos de palmas”, explicou o sociólogo.
Machado Pais registou em quatro dias depoimentos e actuações tendo realizado um documentário de 33 minutos intitulado “O fado é bom demais…” que é apresentado dia 06 de Julho às 18:30 no Museu do Fado em Lisboa.
Investigador Coordenador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Machado Pais afirmou à Lusa que este “fado tem claramente marcas que foi levado daqui [de Portugal] para lá, e depois tem algumas incorporações de outras tradições”.
A Baixada Fulminense é uma região de forte presença colonial portuguesa, onde os Jesuítas tiveram grande influência e “este fado vem do tempo da escravidão, das casas grandes e senzalas”.
“Não é o fado que estamos habituados a ouvir mas também nada nos garante que o que hoje ouvimos tenha semelhanças com o que se fazia em 1830 e 1840”, acrescentou.
“Este fado que surge no Brasil, dançado e cantado, tem marcas lusas”, reforçou o sociólogo.
“Um traço comum que passa por este fado é o sentido do improviso, o repente”, disse Machado Pais acrescentando que “as melodias passam de geração para geração, não há pautas, e os temas cantados estão cheios de ais, ais, muitos ais, ais, falam do quotidiano e também de saudade”.
A nostalgia do fado é, segundo o investigador, recusada pelos seus cultores de Quissamã que afirmam que “o fado é de Deus, e daí ser dançado em cruz”.
Em Quissamã - cuja especialidade em doçaria é o pastel de nata - há até "a lenda de que Jesus Cristo chegou lá certo dia com um pandeiro e uma viola debaixo de cada braço e assim ensinou o fado”, contou José Machado Pais.
O investigador afirmou que o fado que ainda se dança em Quissamã, pois corre risco de extinção, “tem semelhanças com o vira português e o fandango”.
“Há um filão de explicação analógica com o fandango e até com as quadrilhas, dança levada para o Brasil por D. João VI” em 1808.
Poderá espreitar o documentário em http://www.youtube.com/watch?v=sw6m1YPk6eQ.
“Os tamancos – claramente de origem europeia – serviam também para o batimentos de palmas”, explicou o sociólogo.
Machado Pais registou em quatro dias depoimentos e actuações tendo realizado um documentário de 33 minutos intitulado “O fado é bom demais…” que é apresentado dia 06 de Julho às 18:30 no Museu do Fado em Lisboa.
Investigador Coordenador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Machado Pais afirmou à Lusa que este “fado tem claramente marcas que foi levado daqui [de Portugal] para lá, e depois tem algumas incorporações de outras tradições”.
A Baixada Fulminense é uma região de forte presença colonial portuguesa, onde os Jesuítas tiveram grande influência e “este fado vem do tempo da escravidão, das casas grandes e senzalas”.
“Não é o fado que estamos habituados a ouvir mas também nada nos garante que o que hoje ouvimos tenha semelhanças com o que se fazia em 1830 e 1840”, acrescentou.
“Este fado que surge no Brasil, dançado e cantado, tem marcas lusas”, reforçou o sociólogo.
“Um traço comum que passa por este fado é o sentido do improviso, o repente”, disse Machado Pais acrescentando que “as melodias passam de geração para geração, não há pautas, e os temas cantados estão cheios de ais, ais, muitos ais, ais, falam do quotidiano e também de saudade”.
A nostalgia do fado é, segundo o investigador, recusada pelos seus cultores de Quissamã que afirmam que “o fado é de Deus, e daí ser dançado em cruz”.
Em Quissamã - cuja especialidade em doçaria é o pastel de nata - há até "a lenda de que Jesus Cristo chegou lá certo dia com um pandeiro e uma viola debaixo de cada braço e assim ensinou o fado”, contou José Machado Pais.
O investigador afirmou que o fado que ainda se dança em Quissamã, pois corre risco de extinção, “tem semelhanças com o vira português e o fandango”.
“Há um filão de explicação analógica com o fandango e até com as quadrilhas, dança levada para o Brasil por D. João VI” em 1808.
Poderá espreitar o documentário em http://www.youtube.com/watch?v=sw6m1YPk6eQ.
fonte ~ hardmusica
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30 de junho de 2010
Argentina Santos: "Não quero que toda a gente sinta o fado como eu, seria uma tristeza"
Marcou a entrevista para a hora do chá e, à chegada do gravador e da máquina fotográfica, tinha bule e torradas prontas. "Os senhores vêm do jornal? Sentem-se, por favor, que já sei que isto não vai demorar cinco minutos." Argentina Santos, 86 anos, 62 de carreira, gere a casa de fados Parreirinha de Alfama e faz de cada resposta uma história curiosa de outros tempos. Não vale a pena falar do AVC que sofreu no ano passado nem de "gente que não interessa". O seu é um dos grandes nomes da história do fado e basta-lhe recordar poemas e desamores para se desfazer em lágrimas.
Vai ser homenageada esta semana, a segunda vez este ano.
Sim, mas a primeira foi muito ao de leve, passou despercebida. Sei que muita gente só me vai conhecer agora, mas eu já estou aqui [na casa de fados] há 62 anos. Mas não tenho vaidade. Nem nunca fui às rádios pedir para pôr um disco meu. Nada disso. Mas estou cá. Entrei aqui ainda não tinha 24 anos. E vou fazer 87.
Quando?
A 6 de Fevereiro.
Não tem vaidade. Mas tem orgulho?
Sim, isso sim. E fico em polvorosa quando ouço falar em mim. Numa destas noites estava a chegar a casa, ainda não eram duas da manhã, e ouvi o meu nome na rádio. Estavam a falar da festa. Fiquei... As lágrimas vieram-me logo aos olhos.
Quer isso dizer que olha para trás e fica satisfeita, conseguiu fazer o queria.
Isso nem eu nem ninguém. O mundo ainda estaria pior se toda a gente fizesse aquilo que quer. A gente só faz aquilo que pode, aquilo que nos deixam, e isso já é bom.
Deixaram-na fazer muita coisa?
Foi complicado... mas isso já passou.
Mas não desaparece.
Sim, é como o vinho, quando está bom ganha aquele resíduo. Essa parte não se bebe, o resto é que conta.
Ainda canta todos os dias?
Canto quando é preciso cantar, quando tenho público que gosta de fado. Agora se é público que gosta de marchas e palminhas, eu não sei fazer isso.
Quem vem à Parreirinha são os turistas ou são sobretudo portugueses?
Tenho de tudo um pouco. E os estrangeiros, a maioria, já sabe o que é fado e o que é bater palmas.
As palmas aborrecem-na?
Não, isso não me aborrece nada. As pessoas quando vêm de férias vêm para se divertir, não para um velório. Mas já tive de tomar atitudes. Em tempos fui cantar a uma igreja, a uma festa que costumam fazer para arranjar uns tostões. Estava a cantar e pediram-me a "Lágrima". Pois toda a gente sabe que a "Lágrima" é uma coisa com sentimento. E estavam duas senhoras a dançar. Eu disse "estou a gostar muito de ver aquelas pessoas dançar, quando elas acabarem eu canto".
O fado é, portanto, uma canção que requer disciplina.
O problema é que as pessoas vêm ouvir fado, mas não sabem o que é fado. No fado tem de se tomar conta no que se canta. E um poeta faz coisas muito bonitas de uma só palavra. É como uma reza.
A religião é importante para si?
Sou muito religiosa, mas não espero que cantem por mim, peço é ajuda aos meus santinhos.
Não canta se o fado não lhe disser nada?
Não, tem de falar de mim, da minha vida, de alguma coisa que me esteja a acontecer. Mas não quero que toda a gente sinta assim o fado.
Porquê, se diz que é assim que tem de ser?
Porque seria uma tristeza. Para isso mais valia ficar em casa. Mas quem não gosta não estraga.
Qual é o seu fado favorito?
Um poema à minha mãe, do Augusto Martins. Foi ele que fez e que me ofereceu. Chama-se "Duas Santas".
Mas também há fados alegres.
Sim, mas é preciso ver a letra e saber se podemos cantá-la ou não. Eu não posso cantar uma coisa à minha mãe, que já morreu há tantos anos, e rir-me à gargalhada. Se o fizer sou parva. A minha mãe, tenho que a cantar com sentimento. Porque é quando os nossos não existem que a gente se lembra mais deles. Claro que depois há gente que bate palmas a tudo. Essas pessoas vêm ao fado por vaidade, não é porque gostam. Não estão a sentir nada. Mas esta é uma conversa que não tem nada a ver com a minha homenagem.
E na sua opinião o que a destaca de outros fadistas para ser homenageada?
Isso eles é que sabem. Eu não pedi nada a ninguém. Se o fazem é porque tenho sido uma pessoa honesta, fiel aos meus pertences. Quem está ligada a uma casa e aos seus empregados há 62 anos merece qualquer coisa.
Antes de trabalhar na Parreirinha o que é que fazia?
O que calhava. Levantava-me às quatro da manhã, ia descarregar barcos de peixe. Ou ia vender, fruta, hortaliça, peixe, o que havia. Até podia ter vendido chumbo, mas não calhou. Um dia não tinha que comer fui carregar umas sacas e deram-me sete tostões.
Isso representava o quê?
Olhe, ia-se a uma casa de pasto e comia-se uma sopinha. Quando me vi com aquele dinheiro nem acreditei.
A sua família vivia com dificuldades.
Vivíamos muito mal. O meu pai não morreu, matou-se, tinha eu dois anos. A minha mãe ficou com quatro filhos. Eu fiquei entregue à minha madrinha. Mas não queria que ninguém passasse fome. Ia para a Ribeira arranjar carapaus e sardinhas e levava para casa. À noite íamos para o Limoeiro. Conforme davam comida aos presos davam-nos a nós. Quando não chegava para todos, ia numa carroça para as Mónicas, para as presas.
Mas quando chegou ao restaurante já tinha uma vida diferente?
Sim, morava na minha casa nas escadinhas da Bica, onde estive dos 16 aos 37. Mas fazia sempre a vida em Alfama.
E foi em Alfama que começou no fado?
O fado apareceu porque tinha ligação com um senhor que foi quem tomou esta casa. Eu tinha jeito para cantar e comecei numa desgarrada. Nessa altura nem se cantava à viola, era só à guitarra e ao piano. E os clientes pediram-me para continuar a cantar. Quinze anos depois esse senhor morreu. Para ficar por aqui teve a casa de ser comprada. Ele não era meu marido, era casado com outra pessoa, não podia ser comigo. Era um companheiro.
Começou a tomar conta da cozinha.
É uma coisa que gosto muito de fazer. Não sei se gosto mais de cantar se de cozinhar. Mas gosto é de improvisar, não me mandem cozer batatas com bacalhau.
E hoje, continua pela cozinha?
Sim, e ensino muito bem. Eu é que tomo conta disto tudo. Escolho e compro, digo como se faz e não se faz... Ensino. Porque se vierem aqui e não comerem bem... Para gastar dinheiro é em qualquer lado.
Tudo isto aconteceu quando?
Em 1963, um ano antes de fazer asneira.
Asneira como?
Casei-me. Não correu muito bem. Ao fim de cinco anos o meu marido ficou numa cama, com uma trombose. E não era pêra doce, era uma pessoa complicada. São chatices que nós arranjamos.
E entre as chatices onde estava o fado?
Nos espectáculos. Fazia muitos, sobretudo lá fora. E agora não tenho feito mais porque não tenho vida para isso. Mas vêm aqui ao restaurante perguntar por mim.
Quem é que canta na Parreirinha? Chegam aqui fadistas e dizem-lhe "olhe, quero cantar aqui"?
Não, fado vadio não é aqui, é nas lojas dos 300, há muitas por aí. Aí canta quem calha. Não canta o almeida que anda a limpar às ruas porque não calha.
Os fadistas de hoje são diferentes dos que conheceu há 40, 50 anos?
Acho que hoje vão rezar muitos padre-nossos ao pé da senhora dona Amália. Porque foi ela que deixou cá a herança. Deixou cá coisas bonitas para elas estragarem. Mas há coisas que nunca mudam. Isto aqui é Lisboa, cada qual que se defenda. Só depois os outros. Raro é aquele que pensa "Deus queira que na tua vez te batam palmas assim".
Mas há quem cante muito bem.
Claro que há. E com uma coisa a favor: eles têm repertório, como as coisas da dona Amália, uma mestra, uma pérola que caiu do Céu. Pena é que muitas vezes não sintam nada do que estão a dizer. Mas como é bonito ainda levam palmas. Só que as palmas não são para elas, são para quem fez o fado, para os outros que o cantaram.
Era mais próxima de algum fadista em particular?
Conheci muitos, dei-me com toda a gente. Mas o que as pessoas eram a cantar podiam não ser em casa. A Amália era uma artista, mas eu não frequentava a casa dela. Mas como artista, para mim, é a maior. Hoje há gente a cantar bem, tão bem que se fossem do tempo dela ela não tinha ido tão longe. Além de cantar bem, não foi ela que se pôs lá em cima, puseram-na.
Carlos do Carmo diz que a Argentina é a última representante da geração de ouro do fado...
Isso depende do gosto. Mas sempre fiz as coisas à minha maneira, deve haver alguém que goste. E não é fácil gostar porque sempre fiz tudo à minha maneira. Se me dissessem que estava a cantar mal dizia logo "então cante você". Mas quando eu comecei a cantar ainda o Carlos do Carmo era um menino.
É um dos seus maiores fãs.
Sempre gostei muito daquele menino, era muito esperto. Vinha aqui ter com a mãe, de calçãozinho. Tinha ele 14 anos e ouvi-o a falar com o pai, até fiquei espantada. O pai queria comprar uma casa ao lado do Faia. E o miúdo dizia "não te metas nisso, já tens a outra casa para te dar dores de cabeça". Estava eu numa mesa perto da deles na Feira Popular. Fiquei com uma coisa por ele que não sei explicar, como se fosse meu filho.
E ele não se cansa de a elogiar...
É. Canso-me mais eu, mas não é dele nem de cantar.
Cansa-se de quê?
Não me canso de cantar, mas canso-me disto, de tomar conta da casa. É até um dia.
Vai ser homenageada esta semana, a segunda vez este ano.
Sim, mas a primeira foi muito ao de leve, passou despercebida. Sei que muita gente só me vai conhecer agora, mas eu já estou aqui [na casa de fados] há 62 anos. Mas não tenho vaidade. Nem nunca fui às rádios pedir para pôr um disco meu. Nada disso. Mas estou cá. Entrei aqui ainda não tinha 24 anos. E vou fazer 87.
Quando?
A 6 de Fevereiro.
Não tem vaidade. Mas tem orgulho?
Sim, isso sim. E fico em polvorosa quando ouço falar em mim. Numa destas noites estava a chegar a casa, ainda não eram duas da manhã, e ouvi o meu nome na rádio. Estavam a falar da festa. Fiquei... As lágrimas vieram-me logo aos olhos.
Quer isso dizer que olha para trás e fica satisfeita, conseguiu fazer o queria.
Isso nem eu nem ninguém. O mundo ainda estaria pior se toda a gente fizesse aquilo que quer. A gente só faz aquilo que pode, aquilo que nos deixam, e isso já é bom.
Deixaram-na fazer muita coisa?
Foi complicado... mas isso já passou.
Mas não desaparece.
Sim, é como o vinho, quando está bom ganha aquele resíduo. Essa parte não se bebe, o resto é que conta.
Ainda canta todos os dias?
Canto quando é preciso cantar, quando tenho público que gosta de fado. Agora se é público que gosta de marchas e palminhas, eu não sei fazer isso.
Quem vem à Parreirinha são os turistas ou são sobretudo portugueses?
Tenho de tudo um pouco. E os estrangeiros, a maioria, já sabe o que é fado e o que é bater palmas.
As palmas aborrecem-na?
Não, isso não me aborrece nada. As pessoas quando vêm de férias vêm para se divertir, não para um velório. Mas já tive de tomar atitudes. Em tempos fui cantar a uma igreja, a uma festa que costumam fazer para arranjar uns tostões. Estava a cantar e pediram-me a "Lágrima". Pois toda a gente sabe que a "Lágrima" é uma coisa com sentimento. E estavam duas senhoras a dançar. Eu disse "estou a gostar muito de ver aquelas pessoas dançar, quando elas acabarem eu canto".
O fado é, portanto, uma canção que requer disciplina.
O problema é que as pessoas vêm ouvir fado, mas não sabem o que é fado. No fado tem de se tomar conta no que se canta. E um poeta faz coisas muito bonitas de uma só palavra. É como uma reza.
A religião é importante para si?
Sou muito religiosa, mas não espero que cantem por mim, peço é ajuda aos meus santinhos.
Não canta se o fado não lhe disser nada?
Não, tem de falar de mim, da minha vida, de alguma coisa que me esteja a acontecer. Mas não quero que toda a gente sinta assim o fado.
Porquê, se diz que é assim que tem de ser?
Porque seria uma tristeza. Para isso mais valia ficar em casa. Mas quem não gosta não estraga.
Qual é o seu fado favorito?
Um poema à minha mãe, do Augusto Martins. Foi ele que fez e que me ofereceu. Chama-se "Duas Santas".
Mas também há fados alegres.
Sim, mas é preciso ver a letra e saber se podemos cantá-la ou não. Eu não posso cantar uma coisa à minha mãe, que já morreu há tantos anos, e rir-me à gargalhada. Se o fizer sou parva. A minha mãe, tenho que a cantar com sentimento. Porque é quando os nossos não existem que a gente se lembra mais deles. Claro que depois há gente que bate palmas a tudo. Essas pessoas vêm ao fado por vaidade, não é porque gostam. Não estão a sentir nada. Mas esta é uma conversa que não tem nada a ver com a minha homenagem.
E na sua opinião o que a destaca de outros fadistas para ser homenageada?
Isso eles é que sabem. Eu não pedi nada a ninguém. Se o fazem é porque tenho sido uma pessoa honesta, fiel aos meus pertences. Quem está ligada a uma casa e aos seus empregados há 62 anos merece qualquer coisa.
Antes de trabalhar na Parreirinha o que é que fazia?
O que calhava. Levantava-me às quatro da manhã, ia descarregar barcos de peixe. Ou ia vender, fruta, hortaliça, peixe, o que havia. Até podia ter vendido chumbo, mas não calhou. Um dia não tinha que comer fui carregar umas sacas e deram-me sete tostões.
Isso representava o quê?
Olhe, ia-se a uma casa de pasto e comia-se uma sopinha. Quando me vi com aquele dinheiro nem acreditei.
A sua família vivia com dificuldades.
Vivíamos muito mal. O meu pai não morreu, matou-se, tinha eu dois anos. A minha mãe ficou com quatro filhos. Eu fiquei entregue à minha madrinha. Mas não queria que ninguém passasse fome. Ia para a Ribeira arranjar carapaus e sardinhas e levava para casa. À noite íamos para o Limoeiro. Conforme davam comida aos presos davam-nos a nós. Quando não chegava para todos, ia numa carroça para as Mónicas, para as presas.
Mas quando chegou ao restaurante já tinha uma vida diferente?
Sim, morava na minha casa nas escadinhas da Bica, onde estive dos 16 aos 37. Mas fazia sempre a vida em Alfama.
E foi em Alfama que começou no fado?
O fado apareceu porque tinha ligação com um senhor que foi quem tomou esta casa. Eu tinha jeito para cantar e comecei numa desgarrada. Nessa altura nem se cantava à viola, era só à guitarra e ao piano. E os clientes pediram-me para continuar a cantar. Quinze anos depois esse senhor morreu. Para ficar por aqui teve a casa de ser comprada. Ele não era meu marido, era casado com outra pessoa, não podia ser comigo. Era um companheiro.
Começou a tomar conta da cozinha.
É uma coisa que gosto muito de fazer. Não sei se gosto mais de cantar se de cozinhar. Mas gosto é de improvisar, não me mandem cozer batatas com bacalhau.
E hoje, continua pela cozinha?
Sim, e ensino muito bem. Eu é que tomo conta disto tudo. Escolho e compro, digo como se faz e não se faz... Ensino. Porque se vierem aqui e não comerem bem... Para gastar dinheiro é em qualquer lado.
Tudo isto aconteceu quando?
Em 1963, um ano antes de fazer asneira.
Asneira como?
Casei-me. Não correu muito bem. Ao fim de cinco anos o meu marido ficou numa cama, com uma trombose. E não era pêra doce, era uma pessoa complicada. São chatices que nós arranjamos.
E entre as chatices onde estava o fado?
Nos espectáculos. Fazia muitos, sobretudo lá fora. E agora não tenho feito mais porque não tenho vida para isso. Mas vêm aqui ao restaurante perguntar por mim.
Quem é que canta na Parreirinha? Chegam aqui fadistas e dizem-lhe "olhe, quero cantar aqui"?
Não, fado vadio não é aqui, é nas lojas dos 300, há muitas por aí. Aí canta quem calha. Não canta o almeida que anda a limpar às ruas porque não calha.
Os fadistas de hoje são diferentes dos que conheceu há 40, 50 anos?
Acho que hoje vão rezar muitos padre-nossos ao pé da senhora dona Amália. Porque foi ela que deixou cá a herança. Deixou cá coisas bonitas para elas estragarem. Mas há coisas que nunca mudam. Isto aqui é Lisboa, cada qual que se defenda. Só depois os outros. Raro é aquele que pensa "Deus queira que na tua vez te batam palmas assim".
Mas há quem cante muito bem.
Claro que há. E com uma coisa a favor: eles têm repertório, como as coisas da dona Amália, uma mestra, uma pérola que caiu do Céu. Pena é que muitas vezes não sintam nada do que estão a dizer. Mas como é bonito ainda levam palmas. Só que as palmas não são para elas, são para quem fez o fado, para os outros que o cantaram.
Era mais próxima de algum fadista em particular?
Conheci muitos, dei-me com toda a gente. Mas o que as pessoas eram a cantar podiam não ser em casa. A Amália era uma artista, mas eu não frequentava a casa dela. Mas como artista, para mim, é a maior. Hoje há gente a cantar bem, tão bem que se fossem do tempo dela ela não tinha ido tão longe. Além de cantar bem, não foi ela que se pôs lá em cima, puseram-na.
Carlos do Carmo diz que a Argentina é a última representante da geração de ouro do fado...
Isso depende do gosto. Mas sempre fiz as coisas à minha maneira, deve haver alguém que goste. E não é fácil gostar porque sempre fiz tudo à minha maneira. Se me dissessem que estava a cantar mal dizia logo "então cante você". Mas quando eu comecei a cantar ainda o Carlos do Carmo era um menino.
É um dos seus maiores fãs.
Sempre gostei muito daquele menino, era muito esperto. Vinha aqui ter com a mãe, de calçãozinho. Tinha ele 14 anos e ouvi-o a falar com o pai, até fiquei espantada. O pai queria comprar uma casa ao lado do Faia. E o miúdo dizia "não te metas nisso, já tens a outra casa para te dar dores de cabeça". Estava eu numa mesa perto da deles na Feira Popular. Fiquei com uma coisa por ele que não sei explicar, como se fosse meu filho.
E ele não se cansa de a elogiar...
É. Canso-me mais eu, mas não é dele nem de cantar.
Cansa-se de quê?
Não me canso de cantar, mas canso-me disto, de tomar conta da casa. É até um dia.
fonte ~ i
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