7 de janeiro de 2010

[Partituras] Esta noite é de Natal

d'Orfeu: primeiros manifestos de uma escola de artes?

O ano 2010, décimo quinto da d’Orfeu, marcará a renovação de conceito de toda a sua oferta formativa. Às portas de um novo ciclo, a associação lança as sementes de uma plataforma integrada de formação artística e criatividade, uma verdadeira escola de artes, de educação para a cultura, de cidadania activa e maturidade crítica. Mas uma escola, como terá sempre que se entender a d’Orfeu Associação Cultural.

A EMtrad’ - Escola de Música Tradicional, até aqui aglutinadora da oferta formativa da d’Orfeu, vai agora integrar-se num novo paradigma formativo mais abrangente, numa viragem essencial para a pluralidade artística. Os objectivos locais da d’Orfeu não dispensam o resgate, para a Formação, das reconhecidas práticas transversais na programação de eventos. Além disso, uma dinâmica solidária e indissociável existirá entre a pedagogia e a Criação, entre formadores e criadores, desejavelmente os mesmos soldados, um musculado pelotão único à conquista do envolvimento da comunidade na cultura e nas artes. E, qual desígnio d’Orfeu, sempre a música como pivot da transdisciplinaridade.

Ao longo deste novo ano de 2010, mesmo antes das definitivas paredes para esta autêntica Incubadora, a actividade formativa da d’Orfeu começará já a debitar as primeiras oportunidades, fazendo conviver actividades regulares e pontuais, a saber:

* de Fevereiro a Abril, o Workshop de Teatro para adultos, por Ana Lúcia Xavier (inscrições já a abertas);
* em Fevereiro, o III Seminário para o Associativismo, em co-produção com a autarquia;
* em estruturação, o Núcleo de Vídeo d’Orfeu reúne já aficionados na exploração e divulgação das técnicas ligadas ao vídeo e ao cinema;
* no mês de Março, novo Curso de Som e Produção, em 4ª edição, que formará mais uma leva de técnicos de som/sonoplastia;
* no início de Abril, terá lugar o 7º Ciclo Experimental “Hepta”, este ano dedicado às tecnologias ao serviço das artes;
* em actividade contínua, a EMtrad’ prossegue com a habitual oferta de aulas semanais em instrumentos tradicionais – com especial incentivo aos membros dos grupos folclóricos do concelho -, bem como o Coro Infantil (aos sábados de manhã) e a Aula Grátis Semanal (às quartas-feiras às 19h00).

Até ao Verão, várias outras acções garantirão este registo multiplicador de oportunidades formativas. Em Setembro de 2010 arrancará na plenitude um novo tempo para o papel pedagógico da d’Orfeu em Águeda, a 3ª geração da sua área de Formação. Uma escola de artes / incubadora, no desejado estímulo criativo a uma cidade tocada pela Cultura. Para uma d’Orfeu no coração e na cabeça de Águeda quando se atingirem 15 anos de actividade, ao fechar 2010. E depois, então, no pulmão.

6 de janeiro de 2010

"Tanto beilei cula gaita galhega"


Artigo sobre a música mirandesa, de Xosé Luís Méndez Ferrín.
Faro de Vigo, 26 Dezembro 2009.

Júlio Pereira: Graffitti

Júlio Pereira, com uma carreira musical marcadamente instrumental, decidiu fazer um disco de canções. Convidou Tiago Torres da Silva para fazer as letras e Tiago Taron para pintar o universo das canções.

Este projecto será apresentado em três fases:
Um Single (dois temas), Um EP (quatro temas) e finalmente o CD!

Este single inclui dois temas cantados por Maria João ("Magia Imaginação") e Luanda Cozetti ("É um dia sim, é um dia não")

As datas mais importantes do Graffiti single:
01 de Janeiro – Neste site Download gratuito dos temas
04 de Janeiro - Rádio! O Graffiti single é entregue na RFM
14 de Janeiro – É colocado à venda, na FNAC
15 de Janeiro – Lançamento do projecto na Ler Devagar e exposição de Tiago Taron
Galeria Arthobler - LX Factory (Alcântara) - R. Rodrigues de Faria, Lisboa.

Eis as canções! Podem ouvi-las aqui no site do autor
no Facebook - Julio Pereira1 | Julio Pereira2 | Projecto Graffiti | Julio Pereira Fan Page
no Myspace - Júlio Pereira e Graffiti, e ainda Reverbnation!

Boa audição! Desfrutem!

1 de janeiro de 2010

Sérgio Godinho : Primeiro dia [Pano cru, 1978]

A princípio é simples anda-se sozinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se no silêncio e no burburinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que leva a peito
bebe-se come-se e alguém nos diz bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Depois vem cansaços e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso por curto que seja
apagam-se dúvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E entretanto o tempo fez cinza da brasa
e outra maré cheia virá da maré vaza
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Sérgio Godinho

[Partituras] O Deus Menino nasceu

31 de dezembro de 2009

Dulce Pontes : Júlia Galdéria [Momentos, 2009]

A Júlia Galdéria
Viveu na miséria
Foi ela a culpada,
Marido não tinha
Vivia sozinha
Ali na lançada.

Vivia contente
Olhava para a gente
Com ar de chalaça,
E tudo o que tinha
Uma garrafinha
Da velha cachaça!

A Júlia Galdéria,
Um dia morreu,
Foi a Taberna do Cinco
A que mais sofreu...

Oh Júlia Galderia,
Tua triste história!
Mas eu não estou esquecido
E tenho bebido
Em tua memoria!

Caías aqui
Caías ali
E punhas-te em pé,
Pelo S. Martinho
Bebias bom vinho
E bom agua pé!

Júlia malcriada,
Estás alcoolizada,
É esse o mistério!
Vazaste o baril,
Esticaste o pernil,
Foste parar ao cemitério...

Carlos Pontes / Joaquim Tavares

27 de dezembro de 2009

[Partituras] Venham ver o Deus Menino

Venham ver o Deus Menino
no seu bercinho de luz.
É tão lindo pequenino,
santa paz nos traz Jesus. (refrão)

De Belém a Jerusalém
há uma cabana escura,
onde nasceu o Menino
entre o boi e mula.

O boi, como era bento,
comia e bafejava:
A mula, maliciosa,
comia e resmungava.

-Maldição te ponho, mula,
que não tenhas cria alguma.
Se alguma cria tiveres,
dela não terás ventura.

- Deus te abençoe, ó boi,
Deus te dê a sua bênção.
As terras que tu lavrares
todas elas dêem pão.

Sejam altas, sejam baixas,
Sejam terras de ração,
Cada bago dê um moio,
cada moio dê um milhão.

- Ó meu Menino Jesus,
minha boquinha de riso,
Dai-me um pouquinho de luz,
que é disso que eu preciso.

- Ó meu Menino Jesus,
boquinha de marmelada,
dai-me alguma coisinha,
que a minha mãe não tem nada.
Local: Paderne - Albufeira (Algarve)
Recolha: J. Ruivinho Brazão
Informantes: Almerinda Coelho e Feliciana Coelho
Transcrição: Nelson Conceição
BRAZÃO, José Ruivinho; CONCEIÇÃO, Nelson; Cancioneiro Tradicional Português: Recolha de Cantigas e Romances; Casa das Letras; Fevereiro de 2008