25 de dezembro de 2009

Guitolão: uma ideia de Carlos Paredes

O cérebro do ser humano é uma máquina perfeita. Tudo o que nos rodeia, como é lógico, construído pelo homem, começou por ser uma ideia no consciente de um ser humano.

O Guitolão começou por ser, um som ou talvez um timbre no consciente irrequieto do mestre Carlos Paredes. Quem conviveu de perto, com Carlos Paredes, teve o privilégio de conhecer o seu lado misterioso com tudo o que é transcendente na vida. No entanto no final de uma actuação, as palmas do público não lhe davam a tranquilidade do dever cumprido. Era preciso treinar mais, porque determinada nota, não tinha sido bem dada, o cavalete não estava bem posicionado, as cordas não estavam a soar como ele gostava, enfim... o som e a actuação perfeitos.

Se a Guitarra de Coimbra, já resultou da procura de uma nova sonoridade para a Guitarra de Lisboa, que é estudada entre seu pai, Artur Paredes e a Família Grácio, guitarreiros de fama reconhecida, Carlos Paredes quis dar continuidade a esta mutação, de parceria com Gilberto Grácio, que representa a terceira geração de guitarreiros da respectiva família.

Carlos Paredes em 1970, numa conversa tida com Gilberto Grácio, mostrou-lhe o desejo de ter uma Guitarra Barítono, com um corpo de certo modo idêntico ao da Guitarra de Coimbra, mas com uma escala maior, que lhe iria permitir procurar outras sonoridades e inclusive outras afinações. Gilberto Grácio, dá corpo à imaginação de Carlos Paredes, fazendo uma Guitarra Barítono, que o guitarrista experimentou, mas continuou a tocar na sua guitarra, abandonando o projecto talvez porque não fosse esse o timbre que pretendia.

Mas Gilberto Grácio, não desiste da ideia e apesar de Carlos Paredes ter ficado doente e acamado durante vários anos, o construtor Grácio completa a ideia de Paredes e inventa um novo instrumento ao qual lhe dá o nome de Guitolão. Este novo instrumento, foi apresentado, pela primeira vez ao público, num concerto nas ruínas da cidade romana da Ammaia, em Marvão, incluído no festival de música desta vila. Foi o compositor e instrumentista de Portalegre, António Eustáquio que o estreou, num concerto que contou com a presença do Quarteto Ibero-Americano, demonstrando que o seu timbre, se integra muito bem em quartetos de cordas.

Na opinião de António Eustáquio, o Guitolão, não é um instrumento construído para o acompanhamento do fado. Apresenta como principal característica o facto de ter uma grande extensão tímbrica, no qual se podem obter notas muito graves mas também agudas dando-lhe possibilidade para o surgimento de um repertório novo e porque não um repertório clássico, com transcrições de música erudita.

Esta nova característica, deve-se ao facto de Gilberto Grácio lhe ter aumenttado a escala tradicional da Guitarra de Coimbra em mais de 6 polegadas ( 15,24 cm) e encordou o instrumento com calibres de maior espessura, respeitando a afinação da guitarra Portuguesa, para utilizar o sistema de transposição para notas mais graves, como é lógico com calibres de cordas também mais espessas. Mas os construtores não gostam de revelar todos os seus truques de construção. Um instrumento musical não é só aquilo que se vê. O seu interior e as medidas utilizadas não foram reveladas.

24 de dezembro de 2009

[1 em 2] Ó meu Menino Jesus

Ó meu Menino Jesus,
Ó meu menino tão belo,
Onde foste a nascer
Ó rigor do caramelo.

Ó meu meu Menino Jesus,
Não queiras menino ser,
No rigor do caramelo
A neve te faz gemer.

O menino da Senhora
Chama pai a S. José,
Que lhe trouxe uns sapatinhos
Da feira de s. André.

O menino chora, chora,
Chora pelos sapatinhos;
Haja quem lhe dê as solas
Que eu lhe darei os saltinhos.

Dá-me o Deus menino,
Não dou, não dou, não dou
Dá-me o Deus menino,
Vai à missa que eu já vou.

Tradicional de Campo Maior (Alentejo), recolhido por Michel Giacometti.

Povo que canta - Michel Giacometti


Brigada Victor Jara [Quem sai aos seus, 1981]


Roda Pé [Escarpados caminhos, 2004]


Navegante [Cantigas tradicionais portuguesas de Natal e Janeiras, 2009]

Centenas de Roncas são feitas para serem tocadas na noite de Natal | Elvas

Manda a tradição que na noite de Natal se toque a Ronca e se cante ao Menino em casa de todos os habitantes da cidade raiana de Elvas, no Alentejo.

Centenas de Roncas são feitas e vendidas, nesta época natalícia, pelo ceramista elvense Luís Pedras.

Trata-se de um instrumento musical ancestral com origem em África e que foi introduzido nas zonas raianas da Península Ibérica no século XVI.

“Em África, o instrumento estava associado a rituais tribais de iniciação sexual, enquanto que em Elvas está associado à quadra natalícia, à fertilidade e ao nascimento”, explicou Luís Pedras à agência Lusa.

Na noite de Natal, naquela zona raiana do Alentejo, grupos de homens percorrem as ruas da cidade, cantando em altas vozes, em coro, trovas ao Menino Jesus, acompanhadas pelo som áspero da Ronca. Somente pelo Natal é que este instrumento é ouvido.

Luís Pedras há 14 anos que desenvolveu o projecto “Fénix – O renascer da Ronca”, que consiste em “reavivar a tradição da presença do som da Ronca nas noites de Natal”.

Desde então, o ceramista estima já ter feito na sua olaria mais de 10 mil Roncas. “Estão espalhadas um pouco por todo o mundo”, diz, com orgulho.

Luís Pedras reconhece que o instrumento provoca “estranheza” nas pessoas que o desconhecem, mas admite “que é fácil aprender a tocá-lo”.

A Ronca é feita com barro em cujo bocal se adapta uma membrana atravessada por uma cana. Para tocar a Ronca basta ter a cana encerada (com água) através da qual se corre a mão com força para produzir um som rouco.

Fernando Sequeira, natural de Elvas, comprou várias Roncas na olaria de Luís Pedras para oferecer neste Natal, considerando que é “um presente personalizado e é um objecto de artesanato que é importante reavivar”.

“Lá em casa, na noite de Natal, toca-se a Ronca e cumpre-se a tradição. Os meus filhos já sabem tocar”, diz.

Na vizinha cidade espanhola de Badajoz, o mesmo instrumento é designado por Zabomba, mas não há fabricantes espanhóis. Luís Pedras é o único artesão nesta zona raiana.

Marilón, de Badajoz, descobriu a olaria elvense “por casualidade”, mas considera importante transmitir a tradição “às crianças”.

Luís Pedras defende que a Ronca devia ser um produto de artesanato “certificado”, porque “permitiria preservar a nossa cultura e identidade”.

fonte ~ portal alentejano



23 de dezembro de 2009

Amélia Muge : Taco A Taco (Cata Aqui O Canto) [Taco a Taco, 1998]

Leva-me ao disco de Platina

"Leva-me aos Fados", o quarto álbum de Ana Moura atingiu o galardão de Platina por mais de 20 mil unidades vendidas no nosso país. O disco, editado em Outubro deste ano, segue assim as pisadas do seu antecessor, o multi-galardoado ‘Para Além da Saudade’ (2007).

Recorde-se que "Leva-me aos Fados" conta com uma lista de participações de luxo de onde se destacam José Mário Branco, Gaiteiros de Lisboa, Manuela de Freitas, Amélia Muge e Tózé Brito. Tal como os anteriores, tem a produção de Jorge Fernando, e editado em Outubro deste ano, segue assim as pisadas do seu antecessor, o multi-galardoado ‘Para Além da Saudade’ (2007).

Ana Moura está, nesta altura, em digressão, com concertos em Portugal e na Europa.

fonte ~ portal do fado

21 de dezembro de 2009

[1 em 2] Oh Bento Airoso

Brigada Victor Jara


Navegante [Cantigas tradicionais portuguesas de Natal e Janeiras, 2009]

[Partituras] Oh Bento Airoso


Oh Bento airoso
Mistério Divino
Encontrei a Maria
À beira do rio
e lavando os cueiros
do bendito filho

Oh Bento airoso
Mistério Divino
Maria lavava
S. José estendia
e o Menino chorava
com o frio que fazia

Oh Bento airoso
Mistério Divino
Calai meu Menino
calai meu amor
É que as vossas verdades
me matam com dor
Local: Paradela, Miranda do Douro (Trás-os-Montes)
1960
Recolha: Michel Giacometti
Transcrição: F. Lopes-Graça
http://www.scribd.com/doc/15500064/Michel-Giacometti1981-Cancioneiro-Popular-Portugues

18 de dezembro de 2009

Amélia Muge: uma autora, 202 canções

Ficará à venda esta semana o livro/CD da Amélia Muge. Um livro muito bonito com ilustrações e algumas fotos da própria Amélia, poemas em edição bilingue e um CD áudio com 14 temas cujo conceito é o mesmo que presidiu ao espectáculo "1 Autora, 202 Canções" apresentado no ano passado, por esta altura, no CCB.
Canções escritas por Amélia Muge para uma série de cantores - entre eles Ana Moura, Camané, Pedro Moutinho, Mísia, Mafalda Arnauth - interpretadas, desta vez, pela própria autora.
Esta é uma edição da Carácter que representa, entre outras marcas, a editora Taschen em Portugal.

15 de dezembro de 2009

[Partituras] Natal de Elvas


Eu hei-de m'ir ao presépio
a assentar-me num banquinho
a ver como o Deus menino
nasceu lá tão pobrezinho

Ó meu Menino Jesus
que tendes, porque chorais
Deu-me minha mãe um beijo
choro porque me dês mais

O Menino chora, chora
chora com muita razão
fizeram-lhe a cama curta
tem os pezinhos no chão
Local: Elvas (Alentejo)
Recolha: J.M. David; Domingos Morais
Dezembro 2001
http://www.scribd.com/doc/23953403/Natal-de-Elvas