3 de dezembro de 2009
Músicas do mundo em livro
"Músicas do Mundo" "é uma (quase) tradução da expressão 'World Music' que, desde há uns 20 anos, tem designado, para um universo anglo-saxónico, tudo o que não é música desse universo", escreve, na introdução, o autor, que se estreou na actividade radiofónica em 1982.
A obra "é uma introdução à temática da 'World Music'", fornecendo anda uma lista de 'links' para sítios na Internet nos quais se podem aprofundar os assuntos, disse hoje José Eduardo Braga à agência Lusa.
Licenciado em Direito e Literaturas Clássicas pela Universidade de Coimbra, o autor da obra colaborou em vários programas de divulgação de músicas do mundo, em especial de música jamaicana. Colabora ainda com a revista MACA - Magazine de Arte de Coimbra & Afins, na qualidade de crítico de discos e de concertos.
A publicação insere-se na colecção Estado da Arte, da Imprensa da UC, que apresenta obras em formato de livro de bolso e está "vocacionada para a abordagem didáctica de grandes temas da actualidade por especialistas de reconhecido mérito".
30 de novembro de 2009
Contexto e Significado: 15 anos d'Orfeu
Porque serão 15 anos de constante e intensa actividade cultural, tendo Águeda por epicentro, para todo o país e estrangeiro.
Até lá, fica uma pequenina espreitadela ao vídeo documental que Tiago Pereira está a realizar sobre o "Contexto e Significado" da d'Orfeu Associação Cultural.
29 de novembro de 2009
[1 em 2] Cavalo à solta
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.
Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.
Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.
Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.
Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.
Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.
José Carlos Ary dos Santos / Fernando Tordo
Fernando Tordo [Cavalo À Solta/Aconteceu na Primavera (Single), 1971]
Viviane [Rua da Saudade, 2009]
Mafalda Arnauth | Flor de Fado
Flor de Fado Mafalda Arnauth
Magic Music, 2008
Falar sobre a renovação do Fado passa, obrigatoriamente, pelo percurso musical que Mafalda Arnauth tem traçado ao longo da sua discografia, caracterizada por uma sonoridade muito própria e distintiva, sem receios de fugir ao purismo e de se encontrar com outras estéticas musicais. Por isso, e seguindo uma linha de continuidade, "Flor de Fado" não soa a contraste e é a confirmação da universalidade da fadista, ao revelar-se neste disco em diversos estilos. Desde a canção ligeira, em "Flor de verde pinho", atè à música popular brasileira, no dueto "Entre a voz e o oceano" com Olivia Byington, passando por um folclorismo mais tradicional de "Quem me desata" (fado alfacinha) ou até mesmo "Tinta verde", um dos temas mais populares de Vitorino.
Paralelamente, outro sinal de renovação é o realçar de novos instrumentos solistas, nomeadamente o piano e a guitarra acústica, em detrimento do habitual papel de destaque da guitarra portuguesa, como é o caso de "Amor abre a janela" e "O mar fala de ti", ambos poemas de Tiago Torres da Silva e dois dos momentos mais belos do disco.
Certamente que este é o trabalho mais pessoal de Arnauth, que assina grande parte dos poemas e composições, confessando-nos o seu lado mais intimo, despido de pudores, entre desabafos de amor, anseios, quereres e desalentos, que fluem através duma interpretação intensa e envolta de muita beleza, à qual não é possível ficar indiferente. Mafalda Arnauth transmite, assim, a essência de ser fadista: sentir e fazer sentir.
Alinhamento:
- Amor abre a janela
- Porque é feito de alegria
- Entre a voz e o oceano
- O mar fala de ti
- Povo que lavas no rio
- Quanto mais amor
- De tanto querer (fado vitória)
- Flor de verde pinho
- Porque eu não sei mentir
- Ir contigo
- Tinta verde
- Agarrada ao chão
- Quem me desata
- Por querer bem
- Na cor do nosso sorriso
Gravado e misturado por Fernando Nunes nos estúdios "O pé de vento" em Janeiro e Março de 2008.
Edição e masterização por Fernando Nunes e Luís Pontes nos estúdios "O pé de vento".
Voz: Mafalda Arnauth; Guitarra acústica: Luís Pontes, Ramón Maschio; Guitarra portuguesa: Ângelo Freire; Baixo acústico: Fernando Júdice; Contrabaixo: Luís Pontes; Piano: Ernesto Leite; Violoncelo: Davide Zaccaria; Shaker: Ramón Maschio
Fotografia: Kenton Thatcher; Design: Luís Carlos Amaro
27 de novembro de 2009
"Vira dos Malmequeres" em exclusivo
Até lá, e para reforçar a ânsia da espera e o momento da descoberta, no blog oficial da fadista já se pode ouvir "Vira dos Malmequeres", o primeiro tema deste seu novo trabalho.
Curso de Guitarra Portuguesa | Funchal
Esta iniciativa que pretende não só valorizar este cordofone português, como também permitir aos interessados um contacto com este sui generis instrumento e tem decorrido ao longo deste dois anos sob a orientação do guitarrista César Abrantes.
Para os interessados, as inscrições continuam abertas e poderão ser feitas por:
telefone - 291 611 564
fax - 2912 611 563
e-mail - eira@mail.pt
26 de novembro de 2009
'The Times' elege 'Fado Curvo' como um dos discos da década

Segundo álbum da cantora portuguesa foi considerado o sexto melhor disco de 'world music' dos anos zero pelo jornal britânico. Em primeiro lugar ficou 'The Radio Tisdas Sessions' dos Tinariwen. Distinção vem confirmar a boa aceitação da mais importante fadista portuguesa da última década no mercado internacional
Em época de balanços de fim de década, é difícil ignorar um nome: Mariza. Sabia-se que os discos da voz que ajudou a definir o som dos anos zero portugueses iam figurar nas listagens nacionais dos melhores da década, mas o reconhecimento internacional pode surpreender alguns. Ontem, o jornal britânico The Times elegeu Fado Curvo como o sexto melhor álbum de world music dos últimos dez anos, em lista liderada por The Radio Tisdas Sessions dos Tinariwen. No jazz vencem os EST, com Live in Hamburg, na pop, Kid A, dos Radiohead, e na clássica, Doctor Atomic Symphony, de John Adams.
A distinção apanhou Mariza de surpresa. Ao telefone com o DN, que lhe deu a notícia em primeira mão pelas 16.00 de ontem, antes de entrar no Programa do Jô, da Globo, a fadista revelou ter ficado "surpresa e muito feliz" com esta distinção. "É um dos meus discos mais sérios, mesmo em termos poéticos. Gravei-o a seguir ao Fado em Mim, e acho que é mais duro e menos aberto", diz. "E é bom ver a música portuguesa reconhecida no estrangeiro".
No entanto, este reconhecimento não é nada de novo, principalmente em Inglaterra. Assim que se estreou em disco, no princípio da década, a fadista recolheu uma série de louvores, nacionais e internacionais, foi comparada a Amália, deu a volta ao mundo em digressão, recebeu um prémio de world music promovido pela BBC Radio 3. De então para cá, não tem parado de somar prémios e elogios.
Como se explica então este sucesso? De acordo com o The Times, a cantora é incontornável porque "pegou numa sonoridade antiga e desacreditada - neste caso o fado, os blues de Portugal - e tornou-a contemporânea e sexy, vendendo-a a um público que até então a tinha ignorado". O jornal declara ainda que "uma participação no [programa de televisão] Later With Jools Holland foi o suficiente para se tornar uma estrela".
A justificação pode ser discutível, mas é impossível negar a importância de Mariza no actual panorama musical português. Até porque, cinco discos, incluindo um registo ao vivo, e múltiplas platinas depois de se ter estreado com Fado em Mim, a cantora é hoje uma referência internacional.
fonte ~ dn
[1 em 2] Fado loucura
Como sei
Vivo um poema cantado
De um fado que eu inventei
A falar
Não posso dar-me
Mas ponho a alma a cantar
E as almas sabem escutar-me
Chorai, chorai
Poetas do meu país
Troncos da mesma raíz
Da vida que nos juntou
E se vocês não estivessem a meu lado
Então não havia fado
Nem fadistas como eu sou
Nesta voz tão dolorida
É culpa de todos vós
Poetas da minha vida
A loucura, ouço dizer
Mas bendita esta loucura de cantar e sofrer
Chorai, chorai
Poetas do meu país
Troncos da mesma raíz
Da vida que nos juntou
E se vocês não estivessem a meu lado
Então não havia fado
Nem fadistas como eu sou
Júlio de Sousa
Carlos Zel
Mariza