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21 de novembro de 2009
Musifesto: convite a todos os músicos
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20 de novembro de 2009
Era uma vez na Galiza [José Afonso, Agosto 1979]
Era uma vez na Galiza, anos oitenta.Um concerto de José Afonso em Cangas de Morrazo (perto de Vigo) num velho teatro municipal. Acompanhava-o eu, Henri Tabot e Guilherme Inês.
Chegados à hora do espectáculo, deparámo-nos com um público, a meio da plateia, de seis pessoas! A minha reacção (suponho que a dos meus colegas) foi a de não tocar. E o Zeca disse não!
Tocados os 17 ou 18 temas ensaiados pelo grupo, José Afonso pegou na viola e sozinho, tocou cantando mais oito temas entre os quais "Catarina" - a primeira vez que o ouvi cantar assim. Estranho. As seis pessoas de pé aplaudiram incansavelmente José Afonso e durante muito tempo. Como se a sala estivesse cheia. Só mais tarde percebi que o Zeca, nesse dia, tinha deixado seis amigos na Galiza.
Karrossel
Partindo da pesquisa e recolha, Karrossel propõe uma viagem global pela música e dança tradicional europeia, essencialmente portuguesa, que gradualmente vai ganhando mais projecção no "movimento tradball" nacional.
17 de novembro de 2009
16 de novembro de 2009
José Afonso: As voltas de um andarilho
Uma "reportagem biográfica" é como o ex-jornalista Viriato Teles classifica o seu livro "As voltas de um andarilho - Fragmentos da vida e obra de José Afonso", com lançamento terça-feira na Biblioteca-Museu República e Resistência, Lisboa."Este livro, tal como um primeiro esboço realizado em 1983 e a edição de 1999, não é, nem pretende ser, uma biografia de Zeca Afonso", disse Viriato Teles à agência Lusa, qualificando-o antes como uma "reportagem biográfica" que reúne "fragmentos da vida e obra" do cantautor, como indica o subtítulo, acrescentando tratar-se de uma edição revista e actualizada da publicada em 1999.
Para Viriato Teles, a edição que vai agora para as bancas é "apenas um pequeno contributo para que a memória de José Afonso não se apague", embora lhe pareça que o o músico "está hoje mais vivo do que nunca, incluindo junto dos mais jovens, que se identificam cada vez mais com a obra" do autor de "Baladas de Coimbra", "Coro dos Caídos" ou de "Cantares de Andarilho".
Prova disso é a quantidade de versões de canções do autor que têm sido publicadas depois da morte de José Afonso,e que atingiram um pico bastante elevado em 2007, ano do 20.º aniversário da sua morte, quando saíram "sete ou oito discos" dedicados à obra do compositor, sustenta.
"A obra do Zeca mantém-se viva, não apenas pela universalidade da música, como pela modernidade e actualidade das letras. Afinal de contas o "Menino do Bairro Negro" e "Os vampiros" continuam actuais e andam por aí, assim como continuam actuais todos os pressupostos cantados pelo Zeca", justifica.
Viriato Teles fundamenta a obra agora editada com o facto de este ano se assinalar o 80.º aniversário do nascimento de José Afonso, razão por que considerou oportuno actualizar a edição de 1999, há muito esgotada, "corrigindo e actualizando o que era necessário", incluindo a publicação de uma "listagem tão exaustiva quanto possível de toda a discografia do Zeca, e novas fotografias, algumas das quais inéditas".
Entre os dados que se mantêm da edição de 1999 conta-se o prefácio de Sérgio Gódinho, em que o músico considera José Afonso "um génio".
Uma listagem da discografia que contabiliza temas de José Afonso em mais de 200 discos (à data da escrita do livro, que só inclui discos dos quais houvesse no mínimo duas referências e que já está desactualizada, já que desde que a obra foi para a tipografia mais temas de José Afonso surgiram noutros trabalhos discográficos, observa.
José Afonso nasceu em Aveiro a 02 de Agosto de 1929 e morreu em Setúbal na madrugada de 23 de Fevereiro de 1987.
fonte ~ dn
João Afonso e João Lucas : A Presença das Formigas [Um Redondo Vocábulo, 2009]
Nesta oficina caseira
A regra de três composta
Às tantas da madrugada
Maria que eu tanto prezo
E por modéstia me ama
A longa noite de insónia
Às voltas na mesma cama
Liberdade liberdade
Quem disse que era mentira
Quero-te mais do que à morte
Quero-te mais do que à vida
José Afonso
Duarte apresenta novo álbum
O fadista afirmou que o álbum, constituído por 13 temas, "é para se ir ouvindo e ir percebendo, pois está carregado de simbolismos". Os poemas escolhidos, maioritariamente assinados pelo fadista, são os que lhe "apetecia cantar".O fadista que foi um dos convidados da noite celebrativa dos 50 anos de carreira de Maria da Fé subiu ao palco do Coliseu com uma nova imagem, mais solta e liberta, mas sempre cantar muito bem e é seguramente um dos mais seguros valores fadistas no futuro.
À Lusa Duarte afirmou: "O disco começou a ser pensado como quem pensa uma exposição de quadros, quadros muito vivenciais e intimistas que falam de coisas que toda a gente pode viver ou já viveu, daí o título: 'Aquelas coisas da gente'".
As seis letras de Duarte são para melodias tradicionais fadistas como o fado menor ("Fado Novembro"), fado Franklin de sextilhas ("Fim da Primavera"), fado Alberto ("Eu sei que foste eterna numa hora"), fado Carriche ("Aquelas coisas da gente"), fado das horas ("Cá dentro") e fado cigano ("És luto e melancolia").
O fadista afirmou que quando começou, em 2004, nos circuitos do fado em Lisboa, tinha já feito "uma investigação quer sobre algumas melodias tradicionais e como se relacionam com algumas letras e até sobre certas letras".
Duarte assina ainda a música e letra de dois temas, "Terra da melancolia" e "Évora doce", além de recriar uma canção de Jorge Palma, "Lado errado da noite", e cantar um tema em grego e português, "Cigarro_To tsigaro", de Eleni Zioga e Evanthia Rempoutsika.
O cantor é ainda o autor de uma composção para uma letra de Teresa Font, "Mistérios de Lisboa", que é a banda sonora do documentário homeónimo de José Fonseca e Costa.
"Estas são histórias que fazia sentido contar. Claro que há também uma relação intra-psíquica, de mim para mim mesmo", afirmou.
Referindo-se à sua faceta de letrista, Duarte afirmou: "Desde pequeno gosto desta coisa das palavras, que eu faço letras e não poemas".
Em termos musicais Duarte afirmou à Lusa que o seu caminho "passa por outras coisas além do fado tradicional", mas salientou que "é dele que deriva tudo".
"Há que respeitar o legado tradicional, e inovar só numa contextualização, além do mais mesmo nos temas menos fadistas, o ambiente musical é o mesmo", referiu.
Neste cuidado musical Duarte sublinhou "o empenho, talento e sabedoria" de Carlos Manuel Proença, que produziu o álbum editado pela JBJ.
Duarte é acompanhado neste álbum por José Manuel Neto e Bernardo Couto na guitarra portuguesa, Carlos Manuel Proença na viola, Daniel Pinto no baixo acústico, Quim Correia no baixo eléctrico e percussões e Luís Clode e Luís Cunha no violoncelo.
Editado finalmente, o CD que estava pronto desde Outubro do ano passado, Duarte quer saber "das coisas dos outros, se o disco faz sentido, para onde leva as pessoas".
"A minha entrega está feita, mas não quero ficar fechado em mim e quero saber em que é que este disco diz aos outros, os faz crescer".
"A nossa formação como pessoas é cada vez mais importante e seremos tão melhores artistas quanto melhores pessoas formos, e isso torna o nosso trabalho mais valioso", sentenciou.
14 de novembro de 2009
Madredeus : A vaca de fogo [Os dias da Madredeus, 1987]
daquela igreja
vai um grande corropio
À volta
duma coisa velha
reina grande confusão
Os putos
já fogem dela
deita o fogo a rebentar
soltaram
uma vaca em chamas
com um homem a guiar
São voltas
Ai amor são voltas
sete voltas
são as voltas da maralha
Ai são voltas
Ai amor são voltas
são as voltas
são as voltas da canalha
No largo
daquela igreja
vive o ser tradicional
à volta
duma coisa velha
e não muda a condição
Pedro Ayres de Magalhães
13 de novembro de 2009
fol&ar
Quando surgiu a primeira edição do Andanças em 1996, certamente que não se imaginava a dimensão nacional que o movimento "dançarilho" foi consolidando até aos dias de hoje, acompanhado por um impulsar de novas formações musicais, especializadas num repertório para cadenciar todos os passos de dança possíveis e imaginários.O grupo fol&ar é uma destas inspirações, que, desde 2006, se dedica à divulgação da música tradicional europeia, distinguindo-se por uma sonoridade muito própria, aliada à multiplicidade instrumental e acústica da harpa celta, contrabaixo, sanfona, banjo, violino e concertina.
Em 2008, e já com um público conquistado, este quarteto tradicional lançou o seu álbum de estreia, intitulado homonimamente, no qual é notória a sua capacidade criativa, ao apresentar exclusivamente temas de composição original, inspirados nas danças tradicionais europeias. Por isso, mais que um disco para ouvir, é uma provocação ao movimento intuitivo, que se deixa seduzir pela melodia cativante e pelo andamento da valsa, mazurca, bourrée, hanter dro, malhão e círculo circassiano. Por outro lado, esta preocupação de compôr temas inéditos revela-se como um necessário exercício de actualização da música tradicional, numa sociedade cada vez menos consciente da sua identidade própria.
O alinhamento rege-se pela diversidade e pela dinâmica instrumental, com a excepção de "Valsas e Mazurcas para quê?" e "Malhão da Graça", os únicos temas cantados que contam com a colaboração especial de Ana Lúcia Palminha. Para além de se agradecer a inclusão dum ritmo português - o malhão - algo ainda pouco usual nos bailes que se vão realizando, um destaque especial para a valsa "Carmo 3 da manhã", que é um exemplo do magnetismo musical que os instrumentos vão desprendendo, enquanto se alternam entre si, como que estabelecendo um diálogo entre avanços e recuos, fortes e pianos. No fundo, tal como uma dança, onde nos deixamos envolver pelo desejo dum encontro.
Alinhamento:
- tocandare (hanter dro)
- pólvora no olhar (círculo circassiano)
- valsas e mazurcas para quê? (mazurca)
- carmo 3 da manhã (valsa)
- malhão da graça (malhão)
- íntima insatisfação (valsa de 8 tempos)
- baú vermelho (bourrée)
- caracol da graça (mazurca)
- valsa do joão sem medo (valsa de 5 tempos)
- gatafunho (bourrée)
- 21 gramas (mazurca)
Produção: Nuno Gelpi e fol&ar
Misturas e Masterização: Nuno Gelpi
Ilustrações: Inês Amaro
Design: Filipa Teixeira e Inês Amaro