12 de novembro de 2009

Monte Lunai : Hassapiko Nostálgico [In Temporal, 2009]

Joana Amendoeira prepara novo álbum


A entrega do Prémio Amália Rodrigues para o Melhor Álbum, o ano passado, o mesmo ano em que saiu o “Sempre de mim” de Canané, demonstra o vigor desta fadista que se aventurou a cantar com um ensemble. O Hardmusica conversou com ela, em vésperas de editar um álbum, a sair já no próximo ano.

Hardmusica: O que representou ter recebido o Prémio Amália?
JOANA AMENDOEIRA: Foi muito especial, muito gratificante para todos os que se entregaram à produção deste disco «Joana Amendoeira & Mar Ensemble», desde a todos os músicos participantes, à parte da produção áudio e vídeo e ao investimento da agência/editora HM Música! Fico feliz com o reconhecimento do trabalho em que todos investimos de corpo e alma, sendo ainda mais especial quando esse prémio provém da Fundação da minha maior referência no Fado!

H: No último álbum recupera temas como "Canção grata" ou "Trago fados no sentidos", é importante para si ir a repertórios anteriores,"refrescá-los" e interpretar um ou outro fado?
JOANA AMENDOEIRA: A minha atitude quando canto um desses fados é a de fazer homenagens, seja aos criadores dessas músicas, assim como aos poetas ou compositores. Uma das minhas fadistas preferidas é a Teresa Silva Carvalho, que é também uma enorme compositora, do «Amar» ou da «Canção Grata», entre muitos outros, e penso que está muito esquecida ou mesmo por descobrir na nova geração de público! Na casa de fados ou nos concertos, canto muitas vezes músicas não originais, que fazem parte do meu crescimento enquanto fadista, mas tento fazê-lo dando o meu cunho próprio! Faço-o em homenagem aqueles que tanto contribuíram ou contribuem para o Fado e tanto nos inspiram!

H: Prefere trabalhar com poetas vivos casos dos consagrados Raínho e José Luís Gordo, Torres da Silva e Hélder ou ir à procura de poetas já antologiados casos de Almeida Garrett, Augusto Gil ou Pessoa?
JOANA AMENDOEIRA: É um privilégio poder trabalhar com tantos talentos da poesia do fado, como o Mário, o Zé Luís, o Hélder e o Tiago! E até mesmo o José Luís Peixoto, que não é de dentro do Fado! É claro que é muito especial sabermos que alguém escreveu um poema a pensar em nós, mas por vezes como adoro poesia e leio muito, encontro alguns poemas com que me identifico muito, de poetas eruditos, de Pessoa, a Natália Correia ou a um qualquer autor desconhecido! Portanto, gosto dos dois desafios!

H: Como chegou à poetisa Alda Lara que incluiu no seu álbum "Saudades do futuro"?
JOANA AMENDOEIRA: A descoberta da poetisa Alda Lara, foi por influência de uma grande fadista, Teresa Tarouca, que gravou o mesmo poema «Testamento», mas na música do fado menor, enquanto eu escolhi gravar no fado menor do Porto.

H: Nas digressões que faz como sente que é acolhida?
JOANA AMENDOEIRA: Há sempre um enorme respeito pela nossa música e pela nossa cultura! Temos tido recepções muito calorosas, desde os Países nórdicos, aos asiáticos e aos mais latinos, com muita emoção, apesar de muitas vezes não entenderem uma palavra do que canto! Mas mesmo não entendendo Português, as pessoas adoram o som da nossa Língua, adoram o som da Guitarra Portuguesa e de toda a intensidade de sentimentos que acontece num concerto de Fado!

H: Tenta sempre regressar a palcos ou cidades onde já actuou?
JOANA AMENDOEIRA: Por exemplo, estivemos o ano passado na Lituânia, onde fizemos alguns concertos em festivais de Verão, e este ano voltaram a convidar-me e nomearam-me a VIP Star do Festival, em Vilnius! Se formos realmente verdadeiros e dermos o máximo de nós, poderemos deixar boas marcas por onde vamos passando! Felizmente tenho repetido muitas vezes cidades e países em que já actuei, nomeadamente, em Budapeste, em Londres, em Amesterdão, entre outros locais!

H: A experiência inglesa (Royal Opera House) e no Strickly Mundial "abriu-lhe as portas" que desejava?
JOANA AMENDOEIRA: Com certeza cantar nesses locais, contribui muito para a consolidação de um percurso nesses países, mas penso que todos os palcos abrem portas! Temos que ter sempre em mente a responsabilidade perante qualquer pessoa que nos vá ver! E por vezes até surgem outras oportunidades quando menos se espera!

H: Quais são os seus próximos projectos?
JOANA AMENDOEIRA: Entre partidas e chegadas, estou a preparar o novo disco que iremos gravar a partir de Outubro e que só sairá em 2010! É um trabalho que me fascina, a descoberta de novos poemas, a chegada de novas composições…Contará com a formação de Trio de Fado, complementado com sonoridades de piano e acordeão e de violoncelo, em alguns temas!

fonte ~ hardmusica

11 de novembro de 2009

Omiri procura VJ


Omiri é um projecto que vive da dualidade antigo vs moderno.
Um músico e um vj partem das danças tradicionais e de instrumentos antigos e transformam-nos numa viagem audio-visual em que o moderno se funde com a tradição e esta se rejuvenesce, tornado-se viva e apta a ser vivida nos tempos de hoje.

O espectáculo OMIRI, explora simultâneamente duas vertentes: a criação de ambientes complexos dada pela sopreposição de camadas sonoras e visuais gravadas em tempo real e a improvisação em torno das mesmas.

A partir de Janeiro, este dueto de Vasco Casais e Tiago Pereira oferece formação em VJ, especialmente para substituir o Tiago quando ele não puder. Essa pessoa terá a responsabilidade de tratar do vídeo, fazer as ligações, montar o projector, etc... e fazer a parte criativa de vídeo em tempo real. Será remunerado mediante uma percentagem a combinar dos valores dos cachets. A maior vantagem é que participa activamente, aprende vídeo em tempo real e é criativo. O material que utilizar será do Tiago Pereira e responderá ao Tiago pelo seu trabalho!

Interessados enviar email para tiagopereira23@gmail.com

Mais sobre Omiri
http://www.vimeo.com/1124212
http://www.myspace.com/omirisound

2 de novembro de 2009

"Alma portuguesa" recupera gravações históricas da música portuguesa

"Alma portuguesa" é o título de uma colectânea que recupera algumas gravações históricas de 1952, entre as quais "Uma Casa Portuguesa" por Amália Rodrigues.

Esta colectânea inclui 3 CD's, sendo o preimiro dedicado à música popular, o segundo às canções e o terceiro ao Fado.

O CD "Fados" inclui o guitarrista Custódio Castelo, Alfredo Marceneiro, Lenita Gentil, Fernando Maurício, Maria da Fé, Rodrigo, Vicente da Câmara e Cidália Moreira.

Custódio Castelo toca o tema "Quase morna", de que é autor, a única guitarrada do CD.

Alfredo Marceneiro interpreta "Sonho dourado", um tema de Fernando Teles, cantado na melodia do fado Mouraria.

Fernando Maurício canta um tema de Júlio Vieitas "Eu quero".

De Maria da Fé é recuperado o tema "Portugal meu amor" de José Luís Gordo e José Fontes Rochas, gravado em 1976.

Nuno da Câmara Pereira surge com "Beijo alentejano" (Tiago Torres da Silva/Carlos Gonçalves), e é o único nome que se repete nesta primeira série de três discos, pois integra também o CD "Canções" com "Fragilidade" (uma adaptação de um original de Sting).

A mesma fonte salientou à Lusa que os 29 artistas escolhidos "espelham a diversidade e o potencial do catálogo" da discográfica. No próximo ano serão edtados novos volumes da colectânea "Alma Portuguesa".

fonte ~ lusa

22 de outubro de 2009

Adriano Correia de Oliveira : Menina dos olhos tristes [Menina dos olhos tristes EP, 1964]

Menina dos olhos tristes
o que tanto a faz chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

Vamos senhor pensativo
olhe o cachimbo a apagar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

Senhora de olhos cansados
porque a fatiga o tear
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

Anda bem triste um amigo
uma carta o fez chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

A lua que é viajante
é que nos pode informar
o soldadinho já volta
está mesmo quase a chegar

Vem numa caixa de pinho
do outro lado do mar
desta vez o soldadinho
nunca mais se faz ao mar

Reinaldo Ferreira / José Afonso

Morreu o guitarrista Manuel Mendes

O guitarrista e compositor de fado Manuel Mendes, 66 anos, faleceu quarta-feira à noite no Hospital de Santa Maria, Lisboa, vítima de um linfoma, disse à Lusa fonte próxima da família.

À guitarra, Manuel Mendes acompanhou vários fadistas, entre os quais Maria Amélia Proença, Fernando Farinha, António Rocha, Ricardo Ribeiro, Fernanda Maria, Lenita Gentil, Anita Guerreiro, Alexandra, e a brasileira Roberta Miranda.

Natural de Lisboa, Manuel Mendes começou a tocar aos 12 anos e aos 17 construiu a sua própria guitarra portuguesa.

O músico tocou em várias casas de fado, entre as quais Arcadas do Faia e mais recentemente no Marquês da Sé.

Como instrumentista deslocou-se várias vezes ao estrangeiro acompanhando cantores portugueses, entre eles Dulce Pontes.

Manuel Mendes participou também nas comemorações dos 200 anos da guitarra portuguesa e em outras iniciativas da Associação Portuguesa Amigos do Fado.

Em 1998 editou pela Movieplay Portuguesa um disco a solo, «Guitarra casca de nós», constituído por composições suas inspiradas nos Descobrimentos portugueses e integrou colectâneas de fado.

21 de outubro de 2009

Pedro Moutinho : Palavras Minhas [Um copo de sol, 2009]

Palavras que disseste e já não dizes,
palavras como um sol que me queimava,
olhos loucos de um vento que soprava
em olhos que eram meus, e mais felizes.

Palavras que disseste e que diziam
segredos que eram lentas madrugadas,
promessas imperfeitas, murmuradas
enquanto os nossos beijos permitiam.

Palavras que dizias, sem sentido,
sem as quereres, mas só porque eram elas
que traziam a calma das estrelas
à noite que assomava ao meu ouvido...

Palavras que não dizes, nem são tuas,
que morreram, que em ti já não existem
- que são minhas, só minhas, pois persistem
na memória que arrasto pelas ruas.

Pedro Tamen / Carlos Manuel Proença

Petição pública: por uma ANTENA 1 mais divulgadora da música portuguesa

A iniciativa parte do editor discográfico Emiliano Toste, mas a causa é de todos nós: uma petição pela defesa da divulgação da música portuguesa no serviço público.

«Decerto já se aperceberam que a nossa ANTENA 1 não está a fazer um verdadeiro serviço público, no que concerne à divulgação da nossa música portuguesa, nomeadamente, de uma forma desinteressada, com a difusão de grupos e/ou intérpretes individuais de todo o país. Como Editor Fonográfico há treze anos (http://www.emilianotoste.pt) e, actualmente, com um catálogo considerável na área da música portuguesa, com alguns intérpretes nomeados para os principais prémios deste país, tenho verificado que os meus editados não têm sido contemplados com uma divulgação efectiva, tendo-o sido, apenas, de uma forma pontual (por exemplo, através de ARMANDO CARVALHÊDA e ANA SOFIA CARVALHÊDA, a nível nacional e MÁRIO JORGE PACHECO e SIDÓNIO BETTENCOURT, a nível regional). O mesmo sentem outros editores que, também, têm prestado um serviço sério e contributivo para a dignificação da arte musical portuguesa.
É de salientar que esta posição não é isolada, porque reflecte o sentir de muitos cidadãos, com os quais tenho dialogado sobre este assunto.
Para não irmos mais longe, basta-nos percorrer a nossa vizinha Espanha e verificarmos a sorte que têm os seus cidadãos músicos. São muito bem divulgados!
É por este motivo que me dirijo a vós, no sentido de contar com o vosso contributo, através da vossa assinatura (no caso da vossa concordância), a qual chegará às Entidades responsáveis por este serviço público, alertando-as para esta pobre realidade que, em nada dignifica a nossa cultura, a nível nacional e internacional.
Desde já, muito obrigado pelo vosso contributo.

Subscreve,
Emiliano Toste - Editor Fonográfico e Professor - BI: 5012748»
(in http://www.peticaopublica.com/?pi=P2009N490)

18 de outubro de 2009

inquérito online sobre a d'Orfeu

Junta a tua opinião à de centenas de inquiridos!
INQUÉRITO ON-LINE CONTINUA DISPONÍVEL

A d’Orfeu Associação Cultural lançou um inquérito on-line com o intuito de avaliar o percurso e impacto das suas actividades junto dos seus públicos e parceiros. Porque nenhuma entidade pode evoluir sem dar ouvidos às comunidades que a rodeiam - também as virtuais -, nada melhor do que perguntar a quem assiste, a quem participa e até mesmo a quem só ouve falar, qual a relação que mantém com a d’Orfeu. Este inquérito pretende ir além da mera caracterização do público: também os fornecedores, os organismos oficiais, os Mecenas, os parceiros, os programadores culturais, entre outros, são convidados a facultar-nos as suas impressões.

Basta aceder a http://www.dorfeu.pt, na secção “Inquérito On-line” e, em alguns minutos é possível submeter opinião sobre o serviço cultural da d’Orfeu.

A tua participação tem enorme importância.
Obrigado!