24 de setembro de 2009

"Vida" de Jorge Fernando

O fado atravessa dias dourados, já o sabemos: novas vozes, novos poetas, novos compositores e até novas maneiras de o entender. Mas o que fica do tempo - o que mais importa - é o milagre desta música e destas palavras se poderem colar a isso que chamamos de alma, de forma linda e irreversível.

É isso que o trio de Jorge Fernando traz. A começar pelos nomes. Primeiro, Jorge Fernando, músico, compositor, poeta, cantor. Um dos homens mais cantados na actual música portuguesa. Seja através da nova geração de estrelas - Mariza, Ana Moura, Filipa Cardoso - seja no testemunho que as lendas do fado nos deixaram: Fernando Maurício, o rei do fado, foi o seu mentor e intéprete de grandes temas. Amália teve-o como viola de fado durante 20 anos e como autor de alguns fados que a diva cantou.

Mas agora é a altura de Jorge Fernando falar em nome próprio. E a acompanhá-lo estão dois amigos e cúmplices, que representam bem a herança e a mudança que faz o fado viver. Custódio Castelo é um dos melhores executantes de guitarra portuguesa da actualidade. A isso alia um talento enorme como compositor. A sua forma de tocar e os seus arranjos - que por vezes evocam a música erudita - é original e já começa a fazer escola. Além de vários projectos próprios (como o recente Encore Fado, com Margarida Guerreiro), Custódio Castelo foi o responsável musical pela afirmação de Cristina Branco, com quem trabalhou muito tempo. É dos instrumentistas e compositores mais solicitados internacionalmente.

Fábia Rebordão é o novo que vem de trás. A sua extraordinária voz deu-se a conhecer no programa televisivo Operação Triunfo, onde chegou a finalista. Palmilhou territórios musicais aparentemente distantes, como os blues ou o gospel. Mas foi no fado que se encontrou, desde há dois anos para cá. Quem a ouvir, no entanto, perceberá que o fado nasceu com ela.

É este trio que vai oferecer a riqueza da música e palavras, fados de raiva e de amor que inquietam a alma e nos fazem agradecer.

Apresentação do disco
Parque Mayer | Lisboa
25 de Setembro
21h30

22 de setembro de 2009

Velha Gaiteira : Lá Nuoba

"Amália nossa" recupera os primeiros anos de gravações da fadista

"Amália nossa" é um "mega projecto" que revisita os primeiros 15 anos de gravações da fadista com a edição de 12 CD/Livros e uma biografia em banda desenhada de Nuno Saraiva.

"Amália nossa" pretende "trazer ao público, de uma forma inovadora, o legado extraordinário" da fadista, explicou João Pinto de Sousa, da Tugaland, que chancela o projecto.

Pinto de Sousa sublinhou à Lusa que se trata de uma "aposta forte e ousada", quando passam dez anos sobre a morte da "maior referência do Fado de sempre e para sempre".

O projecto que inclui a edição de 12 CD/Livros "a preços democráticos", com textos de Rui Vieira Nery e Vasco Graça Moura, uma antologia poética, uma exposição, uma edição limitada em vinil, e a biografia em três álbuns de Banda Desenhada, é apresentado quarta-feira no Museu do Fado, um dos parceiros do projecto, tal como o Museu Berardo, a Fundação Amália, a Rádio Amália e a RTP.

O projecto discográfico de 12 CD/Livros refere-se aos primeiros 15 anos de gravações de Amália, que o musicólogo Rui Vieira Nery intitulou "a primeira era de ouro".

"Na prática é a Amália pré [Alain] Oulman", sintetizou Pinto de Sousa.

Os textos de Rui Vieira Nery "fazem o guia de audição, e análise musicológica, e de carreira da artista", e os de Vasco Graça Moura "uma análise poética".

Os 12 CD/Livro correspondem a outros tantos temas, entre eles, "Paixão", "Ciúme", "Abandono", "Sina", "Ao vivo", "Salero", "Mundo", "Lisboa". Cada capa é ilustrada por um artista que a partir dos textos do poeta e do musicólogo e da audição dos temas, "criaram dando um cunho contemporâneo".

Os ilustradores escolhidos são Pedro Brito, Inês Casais, Jimi, João Moreno, Daniel Lima, Fernando Martins, João Fazenda, André Carrilho, Maria João Worm, Nuno Saraiva, Vasco Gargalo, e Patricia Romão.

"Seduzir as novas gerações e novos públicos" é uma das apostas da Tugaland, que irá explorar "novas redes de distribuição" ao colocar os CD/Livro à venda através de um jornal diário, a partir de 29 de Setembro, e também em lojas dos CTT e em alguns postos de combustíveis.

Doze outros artistas plásticos criaram peças a partir dos 12 temas que titulam os CD, e a partir das quais a designer Maria João Ribeiro, também da Tugaland, fez a ilustração das capas para uma colecção limitada dos 12 títulos em vinil, que estará disponível apenas na FNAC.

"Os doze olhares contemporâneos sobre Amália" integrarão a exposição patente no Museu Berardo, "Coração independente". "Teremos um núcleo dentro dessa exposição que se intitulará, precisamente, 'Amália nossa'", explicou Pinto de Sousa.

Os artistas convidados são João Pedro Vale, Ana Rito, Catarina Saraiva, Adriana dos Molder, Bruno Pacheco, Sofia Leitão, Pedro Barateiro, João Onofre, Gabriel Abrantes, Rita GT, Pedro Gomes e Isabel Simões, abrindo a exposição ao público dia 06 de Outubro.

Também com saída prevista em Outubro estão três álbuns em Banda Desenhada de Nuno Saraiva que "se apaixonou pelo fado" e faz uma biografia da fadista "com uma introdução ficcionada, mas com a consultadoria histórica da directora do Museu do Fado, Sara Pereira, e de Rui Vieira Nery".

"Há no Nuno Saraiva aquele cunho interessante de ficção e de humor, mas seguindo um trajecto sociológico e político, além do toque sensualidade/erotismo habitual no seu traço", explicou Pinto de Sousa.

Também para Outubro está prevista "a antologia completa com todos os poemas que Amália cantou", organizada por Américo Lourenço, administrador da Fundação Amália, e pela antiga secretária da fadista Estrela Carvas, que recentemente editou as suas memórias de convivência com a criadora de "Ai, Mouraria".

fonte ~ lusa

21 de setembro de 2009

Stockholm Lisboa Project : Mentiras [Sol, 2007]

Nunca andes com mentiras
que é um caso perigoso
que eu já tive um namorado
deixei-o por mentiroso

Vais dizendo pelas ruas
que tu já me tens deixado
bem sabe já toda a gente
que tu andas enganado

Vais dizendo pelas ruas
que tu me tens esquecido
bem sabe já toda a gente
que eu nunca te tenho querido

Tenho-te dito mil vezes
não venhas aonde estou
se é para estares a rir para mim
aonde tu estás não vou


Amália FM arranca em Outubro

É uma rádio temática dedicada ao fado que emitirá na zona da grande Lisboa em 92.0, a antiga frequência da RNA (Rádio Nova Antena). O início das emissões está marcado para as 12h00 de 6 de Outubro, a data em que se assinalam os dez anos sobre o desaparecimento de Amália Rodrigues.

Luís Montez, proprietário de rádios como a Radar e Oxigénio e da promotora de espectáculos Música no Coração, é um dos administradores deste novo projecto, que conta com Augusto Madaleno como director de programas.

"A nova rádio tem raça. É lisboeta, boémia, bairrista, atrevida e namoradeira, faz do fado a sua alma", anuncia o texto de apresentação, que refere que a rádio surgirá como "a justa homenagem" a Amália. De onde não será de estranhar que a denominação da nova estação radiofónica tenha por base o nome da grande voz do fado.

fonte ~ expresso

19 de setembro de 2009

SAL : Coisas do Mar [SAL, 2007]

Ana Sofia Varela apresenta "Fados de amor e pecado"

Ana Sofia Varela está de volta com um novo trabalho "Fados de amor e pecado", cuja apresentação ao vivo está agendada para 10 de Outubro no CCB.

Ana Sofia Varela dispensa apresentações. Desde as suas primeiras actuações em público em que cantava à sua maneira temas de Amália Rodrigues, passando pelo seu disco de estreia com título homónimo editado em 2001, até ao convite do realizador Carlos Saura para integrar o elenco do filme "Fados", muitas foram as etapas que lhe granjearam o reconhecimento do público.

Na sua nova aventura discográfica, Ana Sofia Varela faz-se acompanhar de José Manuel Neto na guitarra portuguesa, Rogério Ferreira, Marco Oliveira e Diogo Clemente na viola, Zé Nabo e Ricardo Cruz no baixo, os cúmplices desta paixão cujo resultado só poderia ser um disco feito com muito amor.

"Fados de amor e pecado" é composto de 12 temas especialmente concebidos e pensados para a voz singular de Ana Sofia Varela. O projecto é arquitectado por uma das mais importantes duplas criativas da música portuguesa: João Gil e João Monge, música e letra respectivamente.

Tanto um como outro dispensam apresentações, sendo sobejamente reconhecido o seu trabalho em variadíssimos projectos musicais, sendo igualmente inesquecíveis os êxitos que ostentam a sua assinatura, emprestados a bandas como os Trovante, Ala dos Namorados, Cabeças no Ar ou Aldina Duarte.

Este CD com edição prevista para o próximo dia 6 de Outubro, terá a sua primeira apresentação ao vivo no dia 10 de Outubro no Centro Cultural de Belém.

17 de setembro de 2009

Pedro Caldeira Cabral : Momentos [Memórias da Guitarra Portuguesa, 2003]

A guitarra portuguesa e o museu em falta

A guitarra portuguesa não tem ainda um Museu, um espaço que lhe seja inteira e exclusivamente consagrado, "omissão" que aos olhos de muitos é inexplicável, quase um delito de lesa-cultura.

Razão ou razões para que o espaço esteja ainda por criar alguma(s) haverá. Para o músico e estudioso da guitarra portuguesa Caldeira Cabral, é tudo "muito simples".

"Fizeram uma grande confusão" - disse à agência Lusa. "Fez-se a Casa do fado e da guitarra portuguesa em Alfama. A museologia tradicional é uma museologia objectual e o fado não tem outra expressão objectual que não seja a da guitarra e pouco mais - fotografias, discos. Portanto, houve necessidade de pegar na guitarra como símbolo do fado".

Evoca, a este propósito, a figura de Carmo Dias, "um grande concertista de guitarra" que, em 1923, numa entrevista ao "Guitarra de Portugal", um jornal da época, disse:"Os estúpidos pensam que a guitarra nasceu para o fado e foi o contrário que aconteceu, o fado é que nasceu da guitarra".

Perdeu-se deste modo, em seu entender, "a oportunidade de se fazer um grande museu da guitarra portuguesa"

"Aliás - pondera - , aquilo está ligado a uma estratégia ligada a uma fase da indústria discográfica, de promoção do fado por um certo tipo de indústria discográfica que representa de uma certa maneira um retorno a uma certa ideia de identidade, de identidade lisboeta, etc., que passa pela revalorização do fado, do fado, evidentemente, através das vedetas, dos intérpretes do fado, não de uma certa construção e não de uma outra ideia que a mim me parece muito mais justa: fazer a musealização da própria zona das casas de fado que existem".

Dá um exemplo, A Parreirinha, fundada nos anos 50 e na qual vê "um museu vivo" que "daria certamente material para inúmeros trabalhos de investigação, de como aquilo se construiu, evoluiu, etc.".

Mas, mais do que A Parreirinha, insiste, "a própria Alfama. Isso é que deveria ser um Museu do Fado".
fonte ~ dn

Carminho : Meu amor marinheiro [Fado, 2009]

Tenho ciúmes,
Das verdes ondas do mar
Que teimam em querer beijar
teu corpo erguido às marés.

Tenho ciúmes
Do vento que me atraiçoa
Que vem beijar-te na proa
E foge pelo convés.

Tenho ciúmes
Do luar da lua cheia
Que no teu corpo se enleia
Para contigo ir bailar

Tenho ciúmes
Das ondas que se levantam
E das sereias que cantam
Que cantam p'ra te encantar.

Ó meu "amor marinheiro"
Amor dos meus anelos
Não deixes que à noite a lua
Roube a côr aos teus cabelos

Não olhes para as estrelas
Porque elas podem roubar
O verde que há nos teus olhos
Teus olhos, da côr do mar.