19 de setembro de 2009
Ana Sofia Varela apresenta "Fados de amor e pecado"
Ana Sofia Varela está de volta com um novo trabalho "Fados de amor e pecado", cuja apresentação ao vivo está agendada para 10 de Outubro no CCB.Ana Sofia Varela dispensa apresentações. Desde as suas primeiras actuações em público em que cantava à sua maneira temas de Amália Rodrigues, passando pelo seu disco de estreia com título homónimo editado em 2001, até ao convite do realizador Carlos Saura para integrar o elenco do filme "Fados", muitas foram as etapas que lhe granjearam o reconhecimento do público.
Na sua nova aventura discográfica, Ana Sofia Varela faz-se acompanhar de José Manuel Neto na guitarra portuguesa, Rogério Ferreira, Marco Oliveira e Diogo Clemente na viola, Zé Nabo e Ricardo Cruz no baixo, os cúmplices desta paixão cujo resultado só poderia ser um disco feito com muito amor.
"Fados de amor e pecado" é composto de 12 temas especialmente concebidos e pensados para a voz singular de Ana Sofia Varela. O projecto é arquitectado por uma das mais importantes duplas criativas da música portuguesa: João Gil e João Monge, música e letra respectivamente.
Tanto um como outro dispensam apresentações, sendo sobejamente reconhecido o seu trabalho em variadíssimos projectos musicais, sendo igualmente inesquecíveis os êxitos que ostentam a sua assinatura, emprestados a bandas como os Trovante, Ala dos Namorados, Cabeças no Ar ou Aldina Duarte.
Este CD com edição prevista para o próximo dia 6 de Outubro, terá a sua primeira apresentação ao vivo no dia 10 de Outubro no Centro Cultural de Belém.
17 de setembro de 2009
A guitarra portuguesa e o museu em falta
Razão ou razões para que o espaço esteja ainda por criar alguma(s) haverá. Para o músico e estudioso da guitarra portuguesa Caldeira Cabral, é tudo "muito simples".
"Fizeram uma grande confusão" - disse à agência Lusa. "Fez-se a Casa do fado e da guitarra portuguesa em Alfama. A museologia tradicional é uma museologia objectual e o fado não tem outra expressão objectual que não seja a da guitarra e pouco mais - fotografias, discos. Portanto, houve necessidade de pegar na guitarra como símbolo do fado".
Evoca, a este propósito, a figura de Carmo Dias, "um grande concertista de guitarra" que, em 1923, numa entrevista ao "Guitarra de Portugal", um jornal da época, disse:"Os estúpidos pensam que a guitarra nasceu para o fado e foi o contrário que aconteceu, o fado é que nasceu da guitarra".
Perdeu-se deste modo, em seu entender, "a oportunidade de se fazer um grande museu da guitarra portuguesa"
"Aliás - pondera - , aquilo está ligado a uma estratégia ligada a uma fase da indústria discográfica, de promoção do fado por um certo tipo de indústria discográfica que representa de uma certa maneira um retorno a uma certa ideia de identidade, de identidade lisboeta, etc., que passa pela revalorização do fado, do fado, evidentemente, através das vedetas, dos intérpretes do fado, não de uma certa construção e não de uma outra ideia que a mim me parece muito mais justa: fazer a musealização da própria zona das casas de fado que existem".
Dá um exemplo, A Parreirinha, fundada nos anos 50 e na qual vê "um museu vivo" que "daria certamente material para inúmeros trabalhos de investigação, de como aquilo se construiu, evoluiu, etc.".
Mas, mais do que A Parreirinha, insiste, "a própria Alfama. Isso é que deveria ser um Museu do Fado".
Carminho : Meu amor marinheiro [Fado, 2009]
Das verdes ondas do mar
Que teimam em querer beijar
teu corpo erguido às marés.
Tenho ciúmes
Do vento que me atraiçoa
Que vem beijar-te na proa
E foge pelo convés.
Tenho ciúmes
Do luar da lua cheia
Que no teu corpo se enleia
Para contigo ir bailar
Tenho ciúmes
Das ondas que se levantam
E das sereias que cantam
Que cantam p'ra te encantar.
Ó meu "amor marinheiro"
Amor dos meus anelos
Não deixes que à noite a lua
Roube a côr aos teus cabelos
Não olhes para as estrelas
Porque elas podem roubar
O verde que há nos teus olhos
Teus olhos, da côr do mar.
Novas propostas para a Rádio Zero | Lisboa
A Rádio Zero é uma rádio baseada em Lisboa, com emissão via web e é uma das fundadoras da rede internacional de rádios RADIA.
Tem como objectivos divulgar e promover a exploração do suporte rádio enquanto conteúdo, forma e/ou tecnologia, privilegiando abordagens não ortodoxas e de autor.
Valorizamos o experimentalismo, a originalidade e, acima de tudo, o livre pensamento!
Se tens ideias para montar um programa de rádio, faz da Zero a tua oficina!
Envia a(s) tua(s) proposta(s) para:
programacao@radiozero.pt
www.radiozero.pt
16 de setembro de 2009
Músicas que contam a história dos ouvintes | Antena 1
“As pessoas têm vontade de falar de si próprias”, explicou José Nuno Martins, justificando este facto com o desenvolvimento das comunicações electrónicas, que, através de blogues ou redes sociais, por exemplo, permitem que cada um dê a conhecer sentimentos ou factos da vida privada.
Semanalmente um ouvinte é convidado a ir ao estúdio (a estação paga as deslocações a quem vier de fora de Lisboa), revelar dez músicas que ilustrem outras tantas situações. O primeiro, de 13 programas, pode ser ouvido esta quarta-feira, às 23 horas.
Afastado da antena, José Nuno Martins contou que depois de ter abandonado o cargo de provedor, em Junho de 2008, do Ouvinte optou por cumprir um período de nojo . “Conversei sobre isso com o actual provedor – Adelino Gomes – e ele teve o mesmo entendimento que eu”.
fonte ~ jn
15 de setembro de 2009
[1 em 2] Povo que lavas no rio
Que talhas com teu machado
As tábuas do meu caixão
Há-de haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não
Fui ter à mesa redonda
Beber em malga que esconda
Um beijo de mão em mão
Era o vinho que me deste
Água pura em fruto agreste
Mas a tua vida não
Aromas de urze e de lama
Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição
Povo, povo eu te pertenço
Deste-me alturas de incenso
Mas a tua vida não
Fado Victoria / Pedro Homem de Mello
Amália Rodrigues [Busto, 1962]
Mafalda Arnauth [Flor de Fado, 2008]
Amália sings fados & flamencos
A CNM à edição do álbum original acrescentou quatro faixas bónus gravadas no ano seguinte nos mesmos estúdios norte-americanos, os Angel. Neste conjunto de faixas surge o Fado Modesto ("Antigamente") com letra de Frederico de Brito, a nova letra de "Canção do mar" de Ferrer Trindade de autoria de David Mourão-Ferreira e dois temas mexicanos: "Falaste corzón" e "Por un amor".A interpretação de Amália é primorosa plena de sentimento e sem qualquer esforço, em voz plena e sem gritar, todas as notas no seu tempo, revelando um extraordinário compasso. O acompanhamento na primeira gravação de 1954 é de Jaime Santos (guitarra portuguesa) e Santos Moreira (viola). No ano seguinte Amália volta aos Angel Studios acompanhada por Domingos Camarinha (guitarra) e, novamente, Santos Moreira.
A primeira gravação resultou no LP "Amália sings Fados from Portugal, Flamenco from Spain", e Amália canta já uma versão bilingue (inglês e português) de "Coimbra", o "Fado da Saudade", "Uma casa portuguesa", "Lisboa não sejas francesa", e os flamencos, sem traição do sotaque, "Tani", "No me tires indiré", "Dice cascabeles" e a Zambra do Sacro-Monte, "Lé ré lé".
O final de "Coimbra" é fabuloso sem hesitações nem excessos, a pasagem do português para o inglês é feita sem soberssaltos ou hesitações; grande à vontade no "Lisboa não sejas francesa" e "Uma casa portuguesa", nenhum deles de sua criação, mas que se tornariam para todo o sempre seus.
É porém um deleite para os ouvidos do século XXI esta impecável edição em CD da Amália na força plena de voz e capacidade interpretiva, com todas as sílabas ditas e as "voltinhas" que só ela sabia dar e fazernos impressionar (oiça-se o Fado Modesto), não há mais fadista (!). E, extraordinariamente arrepiamo-nos igualmente ao escutar os temas mexicanos que julgamos de uma mexicana tratar-se, mas a criatividade é tão única que imediatamente percepcionamos que se trata da grande Amália. Só ela era capaz de dar aquele acento grave em "Falalste C..." ou o desalento sentido em "Por un amor".
O "arrozoado" de "Lé Ré Lé" é absolutamente granadino e segue num perfeito ziguezague "gitano" noutros temas espanhóis, sem arabismos desnecessários, ou falsetes, toda melodia e entrega absoluta de voz e emoção. Bem vindo este CD que nos permite ouvir a Amália em perfeitas condições, na idade das "meninas" de agora, e perceber a diferença: o que é entrega e autenticidade e o que não passa de "pastiche". Parabéns à CNM e viva Amália.
