Pele encarquilhada carapinha branca
Gandôla de renda caindo na anca
Embalando o berço do filho do sinhô
Que há pouco tempo a sinhá ganhou
Era assim que mãe preta fazia
criava todo o branco com muita alegria
Porém lá na sanzala o seu pretinho apanhava
Mãe preta mais uma lágrima enxugava
Mãe preta, mãe preta
Enquanto a chibata batia no seu amor
Mãe preta embalava o filho branco do sinhô
Caco Velho / Piratini
14 de agosto de 2009
Recuperados para digital 12 temas de Maria da Conceição, "criadora" de "Mãe preta"
A Fundação Manuel Simões, através da Estoril Discos, edita pela primeira vez em CD um conjunto de fados interpretados por Maria da Conceição, considerada a criadora em Portugal do tema "Mãe preta".
"Mãe preta", de Caco Velho e Piratini, tornar-se-ia mundialmente célebre pela voz de Amália com um poema novo de David Mourão-Ferreira, "Barco negro".
"Este não foi aliás o único êxito de Maria da Conceição que a grande Amália recriou e tornou seu pelo mundo inteiro. Também a célebre `Casa portuguesa` é uma criação sua", recordou à Lusa a fadista Julieta Estrela, membro do conselho consultivo do Museu do Fado.
"Mãe preta", de Caco Velho e Piratini, tornar-se-ia mundialmente célebre pela voz de Amália com um poema novo de David Mourão-Ferreira, "Barco negro".
"Este não foi aliás o único êxito de Maria da Conceição que a grande Amália recriou e tornou seu pelo mundo inteiro. Também a célebre `Casa portuguesa` é uma criação sua", recordou à Lusa a fadista Julieta Estrela, membro do conselho consultivo do Museu do Fado.
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Notícias
13 de agosto de 2009
Espólio do fado comprado por 910 mil euros pelo Estado e Câmara de Lisboa
Cinco ministros da Cultura e cerca de oito anos depois de ter vindo a público a existência deste espólio, a transacção da última tranche da colecção conclui-se no dia 21, com a celebração final do acordo entre o coleccionador, o Ministério da Cultura e a EGEAC/Câmara de Lisboa. Nessa altura, de acordo com Lucinda Lopes, vogal da administração da EGEAC, serão entregues os três mil registos em falta (que incluem discos portugueses adquiridos por Bastin no Brasil), tendo os primeiros cinco mil discos de 78 rotações sido entregues ao Museu do Fado no final de Janeiro de 2008.
Mas em Maio de 2008, a comissão designada pelo Estado para avaliar o acervo considerou que este tinha sido sobreavaliado, o que levou a uma renegociação. Em Dezembro, o ministro da Cultura ainda tinha dúvidas sobre “a quantidade e a qualidade” do acervo - se seriam apenas discos ou também gravações secundárias, sem os originais.
Agora, Manuel Bairrão Oleiro, director do Instituto de Museus e Conservação (ao qual a colecção ficará afecta), explicou ao PÚBLICO que os registos que agora chegarão “ficarão no Museu do Fado para inventariação e catalogação”, cabendo à tutela e à EGEAC decidir o seu destino final. Lucinda Lopes revelou ao PÚBLICO que a EGEAC e o Ministério da Cultura vão constituir um Arquivo Sonoro - que o Governo chegou a indicar como destino para o espólio do fado - para receber registos de privados e de organismos públicos. O musicólogo Rui Vieira Nery sublinha que o Estado deve ser o gestor e o garante inequívoco da “preservação de um património imaterial da cultura portuguesa”, assumindo “essa responsabilidade no essencial”,
O coleccionador chegou a pedir 1,249 milhões pelo acervo, que inclui registos até então desconhecidos ou dados como perdidos que remontam a 1904. Vieira Nery, que analisou a listagem deste “fundo muito importante” que urge “reintegrar no património português”, congratulou-se por saber que o acordo está ultimado. Quanto ao preço, “quanto mais vantajoso para o Estado português, melhor para todos nós”, disse. Os custos serão divididos pela autarquia e pela tutela - há ainda um mecenas não identificado.
O disco mais antigo da colecção de Bruce Bastin remonta a 1904, embora se teorize que as primeiras gravações de fado em Portugal remontam a 1900. A valiosa colecção de fado de Bastin nasce entre as décadas de 1970 e 80, quando o coleccionador se interessa por este género musical português e, depois, quando um investigador seu amigo visitou os arquivos da Valentim de Carvalho. Daí começa a procura de mais de mais discos. Do Porto ao Brasil, reuniu um acervo hoje considerado essencial para melhor perceber a história da gravação género musical através de registos da Grammophone, da HMV, Columbia, Homokord e Victor – a meio das negociações com Bastin foi revelado que a então Casa do Fado (actual Museu do Fado) possuía apenas 50 discos no seu arquivo.
Entra em cena o musicólogo e editor José Moças, que conheceu Bastin (que possui milhares de registos de vários géneros musicais, dos blues ao ragtime) em 1992 em Londres e encetou as negociações para que os registos fonográficos de fado que possui ficassem em Portugal. Em 2002 vem a público a existência da colecção e os sucessivos governos portugueses foram negociando a sua vinda para Portugal.
Da colecção fazem parte títulos como "Fado Robles" (1904), de Luís Petroline, "Fado do Porto" (1904) de Manassés de Lacerda ou "Fado Rey Colaço" (1908) de Tomaz Ribeiro, entre muitos outros nomes populares mas cujos registos fonográficos não se sabia sequer se existiam. Até ao surgimento da colecção Bastin. J.A.C.
Entra em cena o musicólogo e editor José Moças, que conheceu Bastin (que possui milhares de registos de vários géneros musicais, dos blues ao ragtime) em 1992 em Londres e encetou as negociações para que os registos fonográficos de fado que possui ficassem em Portugal. Em 2002 vem a público a existência da colecção e os sucessivos governos portugueses foram negociando a sua vinda para Portugal.
Da colecção fazem parte títulos como "Fado Robles" (1904), de Luís Petroline, "Fado do Porto" (1904) de Manassés de Lacerda ou "Fado Rey Colaço" (1908) de Tomaz Ribeiro, entre muitos outros nomes populares mas cujos registos fonográficos não se sabia sequer se existiam. Até ao surgimento da colecção Bastin. J.A.C.
fonte ~ público
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11 de agosto de 2009
Toques do Caramulo : Olha para a água
Olha para a água
Ri-te para mim
Põe o pé na areia
Faz assim, assim
Meu amor não anda
Nada satisfeito
Põe o pé na areia
Faz assim a eito
Ri-te para mim
Põe o pé na areia
Faz assim, assim
Meu amor não anda
Nada satisfeito
Põe o pé na areia
Faz assim a eito
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Candidatura do Fado apresentada à UNESCO em 2010
A candidatura do fado à convenção da UNESCO para a salvaguarda do Património Cultural Imaterial "deverá ser apresentada durante o primeiro semestre de 2010".
A afirmação foi apresentada hoje à Lusa pela gestora do Museu do Fado, Dr.ª Sara Pereira.
"Desde 2005 que estamos a trabalhar na preparação da candidatura, aguardando agora a publicação pelo Governo da portaria que regulamenta a apresentação e formalização do processo.
Saída esta portaria apresentaremos a candidatura à UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura)", explicou.
Em declarações à Lusa, a gestora do Museu do Fado afirmou que a partir de Outubro inicia-se um plano editorial que inclui a reedição "de algumas das fontes fundamentais para a história do fado".
A afirmação foi apresentada hoje à Lusa pela gestora do Museu do Fado, Dr.ª Sara Pereira.
"Desde 2005 que estamos a trabalhar na preparação da candidatura, aguardando agora a publicação pelo Governo da portaria que regulamenta a apresentação e formalização do processo.
Saída esta portaria apresentaremos a candidatura à UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura)", explicou.
Em declarações à Lusa, a gestora do Museu do Fado afirmou que a partir de Outubro inicia-se um plano editorial que inclui a reedição "de algumas das fontes fundamentais para a história do fado".
fonte ~ Lusa
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Primeiro álbum de Amália reeditado em vinil e CD
O primeiro álbum de Amália Rodrigues, editado nos Estados Unidos em 1954, será reeditado em vinil, numa edição limitada de 500 exemplares, pela Companhia Nacional de Música (CNM).
O LP, gravado em 78 rotações, intitula-se "Amália Rodrigues sings fado from Portugal and flamenco from Spain", e é composto por quatro faixas cantadas em português e outras tantas em espanhol.
Nuno Rodrigues da CNM afirmou à Lusa que "a edição deste primeiro LP confirma em definitivo o estatuto de Amália, colocando-a ao nível das maiores vedetas internacionais da época".
O LP, gravado em 78 rotações, intitula-se "Amália Rodrigues sings fado from Portugal and flamenco from Spain", e é composto por quatro faixas cantadas em português e outras tantas em espanhol.
Nuno Rodrigues da CNM afirmou à Lusa que "a edição deste primeiro LP confirma em definitivo o estatuto de Amália, colocando-a ao nível das maiores vedetas internacionais da época".
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3 de agosto de 2009
Fado Nosso
Após nove anos sem gravar, João Braga regressou aos discos com "Fado nosso", em que canta Manuel Alegre e um "não-fado" - um poema de David Mourão Ferreira- e faz "uma síntese" de "Babel e Sião" de Camões. Em declarações à Lusa, o fadista afirmou que esta oportunidade de gravar lhe permite "prestar homenagem a um dos grandes vultos do fado, Alfredo Marceneiro, que nos últimos tempos tem sido muito maltratado", e também a João Ferro Velho de quem canta "Não terás salvação".O fadista conheceu João Ferro Velho nas tertúlias de Cascais, onde "cantava este fado como se fosse a última coisa que fazia, tal era o sentimento, mas nunca o gravou". "Quando o João cantava, lembro-me, aí por volta de 1963, tinha eu 18 anos, quem o ouvia, ficava tão compenetrado e em silêncio que parecia que se assistia a uma missa", recordou. O poema de "Não terás a salvação" é de João de Freitas que glosa uma quadra de Henrique Silva, com música de Georgino de Sousa. "É um fado que gosto muito, pois é na linha mais tradicional, é puro e duro, como dizemos, mas tem um toque de picardia", acrescentou.
"O último faia" é o fado de homenagem a Marceneiro da autoria de António Tavares-Teles, que João Braga canta na melodia do fado Versículo de autoria de Alfredo Marceneiro. "Para mim resolvo a situação. Não tenho dúvidas que a paternidade do fado é de Alfredo Marceneiro, e é um fado em tom menor, como tantos outros, mas não é o fado menor. Eu provo isso nesta interpretação", declarou.
João Braga referia-se à polémica levantada há dois anos quando Carlos do Carmo com "Fado da Saudade" (letra de Fernando Pinto do Amaral) recebeu o Prémio Goya para a Melhor Canção Original, e que o interpreta no fado menor em versículo. "O Fado Versículo é do Marceneiro e acabou-se a conversa", afirmou peremptório João Braga que conviveu com o criador de "Bêbedo pintor".
"O Fernando [Tavares-Teles] intitulou-o 'O mestre' mas eu pedi-lhe para lhe chamar 'O último faia' que é para mim o que foi o Marceneiro. Era um refilão de primeira, mas não o ignorante que muitos tristemente quiseram fazer passar quando houve essa polémica", argumentou Braga. O fado faz referência aos vários fados que celebrizaram Alfredo Marceneiro e à sua obra de marcenaria "A casa da Mariquinhas", actualmente exposta no Museu do Fado, em Lisboa.
"Babel e Sião", que João Braga musicou, é para o fadista "o essencial da ideia de Camões". É o poema que o "deslumbra" e que relê, por o "considerar o que há de melhor na lírica camoniana".
"Elegia do ciúme", de David Mourão-Ferreira, é o "único não-fado do CD, é um balada feita pelo Nuno Rodrigues, e em que nem entram as guitarras portuguesas", explicou Braga.
Manuel Alegre "amigo de longa data" de João Braga assina dois poemas e recita uma parte de "Soneto da separação" de Vinicius de Moraes e a quem se deve o título do álbum. "Depois de pensar em 'fado inteiro e reunido', tirei o 'reunido'. Ficava pomposo. Também não gostei e mudei para 'fado meu' mas lembrou-me logo uma coisa brasileira, 'sonho meu'. Foi então que o Manel [Alegre] descobriu este 'fado nosso'", esclareceu. "Fado nosso", também pelas ideias que partilham sobre o fado, reconheceu fadista que abre o CD com um poema Alegre, em que se reivindica a matriz portuguesa do fado.
Em "A origem do fado", com música de José Fontes Rocha e João Braga, defende-se que "a origem do fado pouco importa" e segundo o fadista "a sua matriz é portuguesa, senão outros já o tinham reivindicado".
Braga interpreta ainda poemas de João Linhares Barbosa, o seu poeta popular preferido, e dois poemas de Vinicius de Moraes.
O fadista destacou a participação "afinada" de Cuca Roseta em "Apelo" e a forma como os instrumentos foram "brilhantemente captados, com uma nitidez única" por Rui Guerreiro.
João Braga é acompanhado por José Luís Nobre Costa e Pedro Castro (guitarra portuguesa), Jaime Santos Jr. (viola), e Joel Pina (viola-baixo).
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30 de julho de 2009
José Afonso : Vampiros [Dr. José Afonso em Baladas de Coimbra, 1963]
| No céu cinzento Sob o astro mudo Batendo as asas Pela noite calada Vem em bandos Com pés veludo Chupar o sangue Fresco da manada Se alguém se engana Com seu ar sisudo E lhes franqueia As portas à chegada Eles comem tudo Eles comem tudo Eles comem tudo E não deixam nada | A toda a parte Chegam os vampiros Poisam nos prédios Poisam nas calçadas Trazem no ventre Despojos antigos Mas nada os prende Às vidas acabadas São os mordomos Do universo todo Senhores à força Mandadores sem lei Enchem as tulhas Bebem vinho novo Dançam a ronda No pinhal do rei Eles comem tudo Eles comem tudo Eles comem tudo E não deixam nada | No chão do medo Tombam os vencidos Ouvem-se os gritos Na noite abafada Jazem nos fossos Vítimas dum credo E não se esgota O sangue da manada Se alguém se engana Com seu ar sisudo E lhes franqueia As portas à chegada Eles comem tudo Eles comem tudo Eles comem tudo E não deixam nada Eles comem tudo Eles comem tudo Eles comem tudo E não deixam nada |
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