28 de julho de 2009
Foi um festim!
Águeda, Sever do Vouga, Estarreja e Ovar (municípios principais, com festim garantido nos próximos anos), a que se associaram nesta 1º edição os municípios de Oliveira do Bairro, Albergaria-a-Velha e Aveiro, acrescentam à sua história cultural a ousadia de partilhar um festival intermunicipal de músicas da mundo, por iniciativa da d’Orfeu Associação Cultural.
24 de julho de 2009
[1 em 2] A gente não lê
Que escuro vai dentro de nós
Rezar o terço ao fim da tarde
Só para espantar a solidão
Rogar a Deus que nos guarde
Confiar-lhe o destino na mão
Que adianta saber as marés
Os frutos e as sementeiras
Tratar por tu os ofícios
Entender o suão e os animais
Falar o dialecto da terra
Conhecer-lhe o corpo pelos sinais
E do resto entender mal
Soletrar assinar em cruz
Não ver os vultos furtivos
Que nos tramam por trás da luz
Ai Senhor das Furnas
Que escuro vai dentro de nós
A gente morre logo ao nascer
Com olhos rasos de lezíria
De boca em boca passar o saber
Com os provérbios que ficam na gíria
De que nos vale esta pureza
Sem ler fica-se pederneira
Agita-se a solidão cá no fundo
Fica-se sentado à soleira
A ouvir os ruídos do mundo
E a entende-los à nossa maneira
Carregar a superstição
De ser pequeno ser ninguém
E nã quebrar a tradição
Que dos nossos avós já vem
Carlos Tê / Rui Veloso
Rui Veloso, concerto 20 anos de carreira [Fora de moda, 1982]
Isabel Silvestre [A Portuguesa, 1997]
Morreu Joaquim Luís Gomes
Nascido em 1914, em Santarém, Joaquim Luís Gomes começou a aprender música na capital ribatejana, inscrevendo-se posteriormente no Conservatório Nacional, onde concluiu o curso superior de composição.Aos 18 anos integrou o Batalhão de Caçadores 5, em cuja banda tocava clarinete e à qual permaneceu ligado oito anos.
Convidado em 1940 a integrar a Banda da Guarda Nacional Republicana, uma das mais importantes formações musicais da época, trocou o clarinete pela harpa mas a doença que o acometeu acabaria por pôr fim à sua carreira militar.
A par da sua actividade na Banda da Guarda Nacional Republicana, Joaquim Luís Gomes trabalhava na Emissora Nacional, onde desenvolveu uma carreira de orquestrador de música ligeira ímpar, e colaborando com alguns dos mais destacados intérpretes da altura, entre os quais Maria Clara, Maria de Lurdes Resende, Francisco José, Tony de Matos, Carlos do Carmo, Simone de Oliveira, Fernando Tordo, e Amália Rodrigues.
Da fadista refira-se, além do LP de folclore que gravou, a belíssima orquestração de “Grândola, vila morena” ou “Nostalgie”.
Chefe de orquestra, domínio em que a sua obra ficou, segundo a nota da SPA, "marcada por uma grande originalidade e sentido de modernidade", Joaquim Luís Gomes dirigiu festivais da canção em Portugal, Inglaterra, Brasil e Espanha, em vários dos quais foram interpretadas canções que ele próprio compusera e orquestrara.
Como compositor, assinou bandas sonoras para filmes de ficção e para documentários cinematográficos, e escreveu música para teatro.
Noutro plano, o da música erudita, escreveu obras para orquestra sinfónica, harpa e piano, com destaque para "Pérolas Soltas", "Abertura Scalabitana", "Abidis", "Sonata em Mi Bemol" (para piano) e "Mar Português", inspirada nos poemas de "Mensagem", de Fernando Pessoa.
Em 2005 foi distinguido com a Medalha de Honra em 2005, nas comemorações do 80.º aniversário da instituição.
19 de julho de 2009
Quem canta seus males espanta
Quem canta seus males espanta from Tiago Pereira on Vimeo.
Vencedor do prémio "melhor realizador" dos encontros de cinema documental da Malaposta, Novembro 1998.
18 de julho de 2009
Roncos do Diabo: do concerto para o disco
A banda de gaita-de-foles mirandesas (+ grande percussão) Roncos do Diabo acaba de editar o seu primeiro álbum. Registo gravado ao vivo em Almada, no Auditório Fernando Lopes-Graça, a 26 de Janeiro de 2008. Uma verdadeira celebração da música popular portuguesa (e mirandesa), realizada no ambiente escaldante do Fórum Romeu Correia a rebentar pelas costuras, repleto de amigos do quinteto que vieram de várias partes dos país, como o projecto de percussão Tocandar da Marinha Grande, o cantautor Sebastião Antunes e os Pauliteiros da Associação da Lhengua Mirandesa.
“Maxura e Mirandum Carvalhesa”, “Passodoble Português”, “Quero Que Ti Te Fodas”, “Carvalhesa de Vinhais”, “Por Entre Vales”, “Fandango Asturiano”, “Campanitas de Toledo”, “Alvorada”, “Murinheira Burriqueira”, “Adelaida”, “Repaseado de Rio de Onor”, “Saia da Carolina”, “Jota Carvalhesa de Rio de Onor”, “Fado Batido” e Baile das Oliveiras” constituem a «set list» do espectáculo que deu origem ao alinhamento deste álbum homónimo, que já pode ser adquirido após os espectáculos dos Roncos do Diabo (para saberem as datas dos concertos consultem o myspace deles), mas que só será distribuído nas lojas no próximo mês de Setembro.
fonte ~ crónicas da terra
17 de julho de 2009
Pedro Moutinho : Um Copo de Sol [Um copo de sol, 2009]
Com mais de mil milhões de anos
Que é da estirpe das estrelas que destilam os humanos
Deixa o calor afogar-se na veia
Há lá coisa assim mais séria que andar nesta bebedeira
Bebe um copo de sol
Um de copo sol “on the rocks”
E tem paixões siderais de Lisboa até Cascais
P’ra beber sol
O mundo inteiro é uma tasca
Onde a gente se enfrasca de manhã ao pôr do sol
Bebe um copo de sol
Que a tarde vem bem avançada
A lua está mesmo a chegar e p’ra beber nunca tem nada
P’ra se vingar, a lua inventa um arder
Que num fermento qualquer a gente aprende a beber
Bebe um copo de sol
Por mim, por ti, por todos nós
Frutos da seiva solar que nos fez netos, nos faz avós
Vai luz adentro ao campo bom desta adega
Como um corpo que se dá
Bebe o sol que a ti se entrega
Amélia Muge
Vem aí uma série documental sobre fado na RTP
O título – “Trovas antigas, saudade louca” - remete de imediato para um dos fados de maior sucesso de Carlos do Carmo, “Bairro Alto”, e procura em (tão poucos) seis episódios contar a história do fado de Lisboa (que o de Coimbra são outras as notas).
Das origens presumivelmente brasileiras do lundum aos dias de hoje de Carminho, conta-se a história de uma das canções que sempre mal quista – críticas sempre houve – tem sido a principal e mais constante bandeira de Portugal no mundo, desde essa “bandeirante” que foi Amália Rodrigues à Mariza de hoje. O termo “bandeirante” pode chocar os mais conservadores mas na realidade bandeirante eram aqueles que indo com uma bandeira foram procurando prolongar o território do Brasil (ainda português) até ao interior tanto quanto lhes foi possível. Ora é absolutamente aplicável à grande Amália Rodrigues que graças ao seu talento e inteligência levou guitarras e violas ao Olympia, não o de hoje que é alugado, mas quando o seu cartaz era referência internacional, ao México e ao Hollywood Bowl, Japão, Isarel, Roméria e até à ex-URSS, quando não se faziam tournées de avião e as casas eram cheias pela bilheteira sem patrocínios.
Voltando à série, apesar das Relações Públicas da RTP não confirmarem nada o Hardmusica está em condições de adiantar que esta série será apresentada por Carlos do Carmo, constituída por seis episódios e conta com as participações das fadistas Carminho, Joana Amendoeira, Raquel Tavares, Cuca Roseta, Aldina Duarte, Maria da Fé, e Argentina Santos e as vozes masculinas de Rodrigo Costa Felix, Pedro Moutinho, Camané, António Zanbujo, Ricardo Ribeiro e claro está Carlos do Carmo. Todos estes fadistas gravaram propositadamente para o programa temas do seu repertório em cenários como a Adega Machado, Clube do Fado, Mesa de Frades e Senhor Vinho.
Mas não será uma série de fados, segundo o Hardmusica sabe, foi feita uma “atenta pesquisa” aos arquivos da RTP, aproveitando-se muito material, algum pouco conhecido, de nomes como os incontornáveis Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro, Hermínia Silva e Maria Teresa de Noronha. Por outro lado, a série conta com testemunhos de várias personalidades mais ou menos ligadas ao fado, casos de José Mário Branco, Eduardo Sucena, Vitorino d’Almeida, os presidentes da Academia do Fado e da Guitarra Portuguesa e dos Amigos do Fado, respectivamente Luís Penedo e Luís de Castro, e ainda Miguel Silva, José Moças que esteve envolvido na aquisição da colecção de discos Bastin, e claro está Sara Pereira a directora do Museu do Fado, além dos académicos como Salwa Castelo-Branco e o próprio Rui Vieira Nery.
Segundo fontes bem informadas, o guitarrista Raul Nery e o viola-baixo Joel Pina, assim como mestre José Fontes Rocha são outros dos participantes de luxo desta série. As entrevistas segundo apurou o Hardmusica foram conduzidas pelo jornalista Nuno Lopes que já coordenou as Jornadas de Fado na Fonoteca Municipal e encerrou a exposição sobre Berta Cardoso no Museu do Fado, entre outras iniciativas.
O Hardmusica não conseguiu apurar como se dividirão os episódios mas sabe-se que desde antes da Severa até aos fadistas da actualidade como Carminho, passa-se em revista o fado, os seus poetas, compositores, acompanhadores e claro está fadistas, sendo neste campo tão vasta a galeria que circulam já no meio fadista ausências de peso, e há sempre nomes, num universo tão grande e brilhante, escolhas difíceis de fazer.
Até à data é “esperar para ver” e todos os palpites que circulam pela fadistagem são isso mesmo: palpites, se estivéssemos em Londres havia já apostas, quem canta o quê, quem vai aparecer, quanto tempo de emissão é dispensado a cada um. Algumas certezas há: os incontornáveis surgirão e com o devido tempo de antena (espera-se), Amália terá de ser omnipresente, Carlos do Carmo abrirá e encerrará os programas e além dos seus fados de sempre iremos com certeza ter os novos (belíssimos) do CD “À noite”. Para já um aplauso à estação pública por se interessar pela canção nacional, e que a história continue!
16 de julho de 2009
Orquestra Típica de Águeda : Na rota dos ventos
Espectáculo multimédia "Na Rota dos Ventos" da Orquestra Típica de Águeda.
Vídeos realizados por Léa Prisca López.
