17 de julho de 2009
Vem aí uma série documental sobre fado na RTP
O título – “Trovas antigas, saudade louca” - remete de imediato para um dos fados de maior sucesso de Carlos do Carmo, “Bairro Alto”, e procura em (tão poucos) seis episódios contar a história do fado de Lisboa (que o de Coimbra são outras as notas).
Das origens presumivelmente brasileiras do lundum aos dias de hoje de Carminho, conta-se a história de uma das canções que sempre mal quista – críticas sempre houve – tem sido a principal e mais constante bandeira de Portugal no mundo, desde essa “bandeirante” que foi Amália Rodrigues à Mariza de hoje. O termo “bandeirante” pode chocar os mais conservadores mas na realidade bandeirante eram aqueles que indo com uma bandeira foram procurando prolongar o território do Brasil (ainda português) até ao interior tanto quanto lhes foi possível. Ora é absolutamente aplicável à grande Amália Rodrigues que graças ao seu talento e inteligência levou guitarras e violas ao Olympia, não o de hoje que é alugado, mas quando o seu cartaz era referência internacional, ao México e ao Hollywood Bowl, Japão, Isarel, Roméria e até à ex-URSS, quando não se faziam tournées de avião e as casas eram cheias pela bilheteira sem patrocínios.
Voltando à série, apesar das Relações Públicas da RTP não confirmarem nada o Hardmusica está em condições de adiantar que esta série será apresentada por Carlos do Carmo, constituída por seis episódios e conta com as participações das fadistas Carminho, Joana Amendoeira, Raquel Tavares, Cuca Roseta, Aldina Duarte, Maria da Fé, e Argentina Santos e as vozes masculinas de Rodrigo Costa Felix, Pedro Moutinho, Camané, António Zanbujo, Ricardo Ribeiro e claro está Carlos do Carmo. Todos estes fadistas gravaram propositadamente para o programa temas do seu repertório em cenários como a Adega Machado, Clube do Fado, Mesa de Frades e Senhor Vinho.
Mas não será uma série de fados, segundo o Hardmusica sabe, foi feita uma “atenta pesquisa” aos arquivos da RTP, aproveitando-se muito material, algum pouco conhecido, de nomes como os incontornáveis Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro, Hermínia Silva e Maria Teresa de Noronha. Por outro lado, a série conta com testemunhos de várias personalidades mais ou menos ligadas ao fado, casos de José Mário Branco, Eduardo Sucena, Vitorino d’Almeida, os presidentes da Academia do Fado e da Guitarra Portuguesa e dos Amigos do Fado, respectivamente Luís Penedo e Luís de Castro, e ainda Miguel Silva, José Moças que esteve envolvido na aquisição da colecção de discos Bastin, e claro está Sara Pereira a directora do Museu do Fado, além dos académicos como Salwa Castelo-Branco e o próprio Rui Vieira Nery.
Segundo fontes bem informadas, o guitarrista Raul Nery e o viola-baixo Joel Pina, assim como mestre José Fontes Rocha são outros dos participantes de luxo desta série. As entrevistas segundo apurou o Hardmusica foram conduzidas pelo jornalista Nuno Lopes que já coordenou as Jornadas de Fado na Fonoteca Municipal e encerrou a exposição sobre Berta Cardoso no Museu do Fado, entre outras iniciativas.
O Hardmusica não conseguiu apurar como se dividirão os episódios mas sabe-se que desde antes da Severa até aos fadistas da actualidade como Carminho, passa-se em revista o fado, os seus poetas, compositores, acompanhadores e claro está fadistas, sendo neste campo tão vasta a galeria que circulam já no meio fadista ausências de peso, e há sempre nomes, num universo tão grande e brilhante, escolhas difíceis de fazer.
Até à data é “esperar para ver” e todos os palpites que circulam pela fadistagem são isso mesmo: palpites, se estivéssemos em Londres havia já apostas, quem canta o quê, quem vai aparecer, quanto tempo de emissão é dispensado a cada um. Algumas certezas há: os incontornáveis surgirão e com o devido tempo de antena (espera-se), Amália terá de ser omnipresente, Carlos do Carmo abrirá e encerrará os programas e além dos seus fados de sempre iremos com certeza ter os novos (belíssimos) do CD “À noite”. Para já um aplauso à estação pública por se interessar pela canção nacional, e que a história continue!
16 de julho de 2009
Orquestra Típica de Águeda : Na rota dos ventos
Espectáculo multimédia "Na Rota dos Ventos" da Orquestra Típica de Águeda.
Vídeos realizados por Léa Prisca López.
Mapa etno-musical de Portugal
O critério de divisão geográfica por já desusadas províncias, ainda que discutível (como tudo…), pareceu-nos o mais adequado e eficaz, atendendo às particularidades geográficas e sociais de cada região e à permanência dos seus nomes na nossa memória.
Adoptou-se, porém, genericamente, a distinção de Ernesto Veiga de Oliveira, figura maior e indisfarçável deste trabalho, entre o litoral do Minho ao Tejo, depois prolongado na costa algarvia - festivo, social e folgazão -, e o interior dos planaltos transmontano e beirão, que se estende, entre o litoral do Minho ao Tejo, depois prolongado na costa algarvia - festivo, social e folgazão -, e o interior dos planaltos transmontano e beirão, que se estende, embora com particularidades, ao Alentejo - austero, grave e cerimonial.
Para esta viagem, ligue o som das suas colunas e parta à descoberta de Portugal e seus elementos etno-musicais.
Música de José Afonso continua viva
A autora da fotobiografia de José Afonso falava na Casa da Imprensa, onde teve lugar a apresentação da obra, publicada pelo Círculo de Leitores e pela Temas e Debates.
Segundo Irene Pimentel, "dos anos 60 até ao presente existe mais de uma centena de versões de temas cantados originalmente por José Afonso, inclusive uma versão do "Grândola, Vila Morena" em sueco" e, segundo Joaquim Vieira, "uma outra em jazz, um estilo de que o Zeca até nem gostava".
12 de julho de 2009
"Os tais vadios" que se rendem ao fado nos bares e tascas do Porto
São "cantores, amadores, trovadores", "artistas inspirados e valentes" que não cantam "só para se mostrar à gente". São pescadores, advogados, engenheiros, os que, nas horas livres, entregam a voz ao fado. "Os tais vadios!", diz a canção idiz a cançãonspirada nos fadistas destas tascas e bares rústicos.
Mas, embora o termo "fado vadio" seja o mais utilizado para classificar estas actuações vespertinas ou nocturnas, há quem prefira chamar-lhe "a escola do fado" ou o "fado amador".
Para Lúcio Antunes, apresentador há quatro anos do Fado Menor, local onde nos encontramos, e fadista há "20 e poucos", é "mais ético chamar-lhe a escola do fado" pois "todas as vozes sonantes do fado passaram por estas casas, pelo fado amador".
"O fado para mim não é vadio, é fado amador", replica Júlio Soares, também fadista "residente" da casa. "Isto porque há maior camaradagem, melhor coração, melhores sentimentos."
"Vou cantar o fado até que a voz me doa"
"Vou cantar o fado até que a voz me doa, como dizia a outra...", confessa Lúcio Antunes, referindo-se a Maria da Fé, fadista a celebrar 50 anos de carreira. Quanto a apresentar as sessões de fado todas as segundas-feiras, Lúcio mostra-se emocionado e orgulhosoorgulhoso.
Nas apresentações deixa-se levar pela espontaneidade e, quando lhe perguntamos se consegue encher a casa, Lúcio Antunes dá, prontamente, provas da sua competência: "consigoConsigo".
"É um espírito de alma, exactamente um espírito de alma"
"Enquanto o fado profissional é a ganhar, nós amadores, ainda pagamos para cantar", salienta Júlio Soares. "Cantamos porque gostarmos. Isto é um bicho, que vai nas pessoas - dizem que não, mas acaba por aparecer nas pessoas que cantam fado", afiança Júlio Soares.Rosa Pereira tinha oito anos quando "sentiu o bichinho", mas só começou a cantar aos 18 pois "os antigos diziam que quem cantava o fado iria ter uma má famamá fama". Só canta aquilo que sente. Não sabe explicar por que razão o fado ocupa tamanho lugar na sua vida. Simplesmente, adora fado.
As casas de fado dão oportunidade a quem quer cantar. São essenciais para se "fazer aquilo de que se gosta", defende Rosa, sem deixar de lamentar que não existam verdadeiras "casas de fado" e apenas "estas tasquinhas". Ainda assim, diz, "vale a pena".
"Não é só em Lisboa que tem que haver fadistas, também tem que haver aqui no Porto", sustentasustenta a fadista amadora, depois da actuação na adega Beira Rio.
"Todos os fadistas são pessoas humildes"
Quando se fala de fadistas profissionais, Maria Augusta Melo, frequentadora assídua das casas de fado, revela que já tem ido assistir a espectáculos de nomes conhecidos, mas não lhes dá "muito apreço". Até porque é a "humildadehumildade" que faz a diferença.
Maria Augusta confessa que vai a "quase todas as casas de fado vadio". Hoje, segunda-feira, optou pela Fado Menor. "Sou louca pela casa de fados", confessa, entusiasmada. Há um pequeno silêncio na explicaçãoexplicação desta vontade, que, invariavelmente, arrebata os frequentadores desta "escola de fado", quando verbalizam este sentimento de ir, ouvir, cantar e voltar.6 de julho de 2009
"Sempre de mim" com edição em DVD
Intitulada «Camané ao vivo no Coliseu», será uma edição limitada em formato digipack em CD e DVD e que inclui como extra um conjunto de fotografias de Reinaldo Rodrigues.
O fadista partilhou o palco do Coliseu com José Manuel Neto (guitarra portuguesa), Carlos Manuel Proença (viola) e Paulo Paz (contrabaixo), tendo sido convidado especial Carlos Bica (contrabaixo).
Camané e Bica interpretaram uma nova versão de «Asas fechadas» (Luís Macedo/Alain Oulman), um fado do repertório de Amália Rodrigues que o fadista recriou pela primeira vez.
«Camané ao vivo no Coliseu» apresenta temas do álbum de platina «Sempre de mim» como «Sei de um rio», «Te juro» ou «Dança de volta», e também junta outros fados de álbuns anteriores, como «Saudades trago comigo», «Triste sorte», «Senhora do Livramento» ou «Fado sagitário».
Segundo refere a Lusa, o fadista anunciou em Loulé que irá gravar a actuação do próximo dia 17 no Cool Jazz festival, no Jardim da Cerca, em Mafra, com vista à edição de um álbum que se intitulará «Vadios».