16 de julho de 2009

Mapa etno-musical de Portugal

O mapa etno-musical de Portugal procura contribuir para a divulgação da música tradicional portuguesa e dos respectivos instrumentos. Não pretende ser uma obra académica ou a palavra final e única, mesmo que sintética, sobre esta matéria, mas, não o sendo, segue com rigor a palavra de quem lhe consagrou todo o seu trabalho.
O critério de divisão geográfica por já desusadas províncias, ainda que discutível (como tudo…), pareceu-nos o mais adequado e eficaz, atendendo às particularidades geográficas e sociais de cada região e à permanência dos seus nomes na nossa memória.
Adoptou-se, porém, genericamente, a distinção de Ernesto Veiga de Oliveira, figura maior e indisfarçável deste trabalho, entre o litoral do Minho ao Tejo, depois prolongado na costa algarvia - festivo, social e folgazão -, e o interior dos planaltos transmontano e beirão, que se estende, entre o litoral do Minho ao Tejo, depois prolongado na costa algarvia - festivo, social e folgazão -, e o interior dos planaltos transmontano e beirão, que se estende, embora com particularidades, ao Alentejo - austero, grave e cerimonial.
Para esta viagem, ligue o som das suas colunas e parta à descoberta de Portugal e seus elementos etno-musicais.

Maio Maduro Maio [Amélia Muge, João Afonso e José Mário Branco]



Música de José Afonso continua viva

A música de José Afonso continua viva nas muitas versões de temas do cantor que continuam a ser feitas "por diversos intérpretes, portugueses e estrangeiros, e nos mais variados registos musicais", afirmou hoje a historiadora Irene Flunser Pimentel.

A autora da fotobiografia de José Afonso falava na Casa da Imprensa, onde teve lugar a apresentação da obra, publicada pelo Círculo de Leitores e pela Temas e Debates.

Segundo Irene Pimentel, "dos anos 60 até ao presente existe mais de uma centena de versões de temas cantados originalmente por José Afonso, inclusive uma versão do "Grândola, Vila Morena" em sueco" e, segundo Joaquim Vieira, "uma outra em jazz, um estilo de que o Zeca até nem gostava".
fonte ~ rtp

12 de julho de 2009

Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra : Santa Clara-a-Velha de Coimbra

"Os tais vadios" que se rendem ao fado nos bares e tascas do Porto

Nas tascas e bares do Porto canta-se o fado vadio. São amadores que, no tempo livre, dão voz ao sentimento através do fado.

São "cantores, amadores, trovadores", "artistas inspirados e valentes" que não cantam "só para se mostrar à gente". São pescadores, advogados, engenheiros, os que, nas horas livres, entregam a voz ao fado. "Os tais vadios!", diz a canção idiz a cançãonspirada nos fadistas destas tascas e bares rústicos.

Mas, embora o termo "fado vadio" seja o mais utilizado para classificar estas actuações vespertinas ou nocturnas, há quem prefira chamar-lhe "a escola do fado" ou o "fado amador".

Para Lúcio Antunes, apresentador há quatro anos do Fado Menor, local onde nos encontramos, e fadista há "20 e poucos", é "mais ético chamar-lhe a escola do fado" pois "todas as vozes sonantes do fado passaram por estas casas, pelo fado amador".

"O fado para mim não é vadio, é fado amador", replica Júlio Soares, também fadista "residente" da casa. "Isto porque há maior camaradagem, melhor coração, melhores sentimentos."

"Vou cantar o fado até que a voz me doa"

"Vou cantar o fado até que a voz me doa, como dizia a outra...", confessa Lúcio Antunes, referindo-se a Maria da Fé, fadista a celebrar 50 anos de carreira. Quanto a apresentar as sessões de fado todas as segundas-feiras, Lúcio mostra-se emocionado e orgulhosoorgulhoso.

Nas apresentações deixa-se levar pela espontaneidade e, quando lhe perguntamos se consegue encher a casa, Lúcio Antunes dá, prontamente, provas da sua competência: "consigoConsigo".

"É um espírito de alma, exactamente um espírito de alma"

"Enquanto o fado profissional é a ganhar, nós amadores, ainda pagamos para cantar", salienta Júlio Soares. "Cantamos porque gostarmos. Isto é um bicho, que vai nas pessoas - dizem que não, mas acaba por aparecer nas pessoas que cantam fado", afiança Júlio Soares.

Rosa Pereira tinha oito anos quando "sentiu o bichinho", mas só começou a cantar aos 18 pois "os antigos diziam que quem cantava o fado iria ter uma má famamá fama". Só canta aquilo que sente. Não sabe explicar por que razão o fado ocupa tamanho lugar na sua vida. Simplesmente, adora fado.

As casas de fado dão oportunidade a quem quer cantar. São essenciais para se "fazer aquilo de que se gosta", defende Rosa, sem deixar de lamentar que não existam verdadeiras "casas de fado" e apenas "estas tasquinhas". Ainda assim, diz, "vale a pena".

"Não é só em Lisboa que tem que haver fadistas, também tem que haver aqui no Porto", sustentasustenta a fadista amadora, depois da actuação na adega Beira Rio.

"Todos os fadistas são pessoas humildes"

Quando se fala de fadistas profissionais, Maria Augusta Melo, frequentadora assídua das casas de fado, revela que já tem ido assistir a espectáculos de nomes conhecidos, mas não lhes dá "muito apreço". Até porque é a "humildadehumildade" que faz a diferença.

Maria Augusta confessa que vai a "quase todas as casas de fado vadio". Hoje, segunda-feira, optou pela Fado Menor. "Sou louca pela casa de fados", confessa, entusiasmada. Há um pequeno silêncio na explicaçãoexplicação desta vontade, que, invariavelmente, arrebata os frequentadores desta "escola de fado", quando verbalizam este sentimento de ir, ouvir, cantar e voltar.
fonte ~ JPN

6 de julho de 2009

Camané : Sempre de mim [documentário]




"Sempre de mim" com edição em DVD

O espectáculo de apresentação do álbum «Sempre de mim», do fadista Camané, que no ano passado, esgotou o Coliseu dos Recreios, vai ser editado em DVD a 22 deste mês.

Intitulada «Camané ao vivo no Coliseu», será uma edição limitada em formato digipack em CD e DVD e que inclui como extra um conjunto de fotografias de Reinaldo Rodrigues.

O fadista partilhou o palco do Coliseu com José Manuel Neto (guitarra portuguesa), Carlos Manuel Proença (viola) e Paulo Paz (contrabaixo), tendo sido convidado especial Carlos Bica (contrabaixo).

Camané e Bica interpretaram uma nova versão de «Asas fechadas» (Luís Macedo/Alain Oulman), um fado do repertório de Amália Rodrigues que o fadista recriou pela primeira vez.

«Camané ao vivo no Coliseu» apresenta temas do álbum de platina «Sempre de mim» como «Sei de um rio», «Te juro» ou «Dança de volta», e também junta outros fados de álbuns anteriores, como «Saudades trago comigo», «Triste sorte», «Senhora do Livramento» ou «Fado sagitário».

Segundo refere a Lusa, o fadista anunciou em Loulé que irá gravar a actuação do próximo dia 17 no Cool Jazz festival, no Jardim da Cerca, em Mafra, com vista à edição de um álbum que se intitulará «Vadios».
fonte ~ IOL Diário

Ana Moura : O que foi que aconteceu [Aconteceu, 2004]

Aconteceu
Eu não estava à tua espera
E tu não me procuravas
Nem sabias quem eu era
Eu estava ali só porque tinha que estar
E tu chegaste porque tinhas que chegar
Olhei para ti
O mundo inteiro parou
Nesse instante a minha vida
A minha vida mudou
Tudo era para ser eterno
E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos?
O que foi que aconteceu?
Tudo era para ser eterno
E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos, meu amor?
O que foi que aconteceu?
Aconteceu
Chama-lhe sorte ou azar
Eu não estava à tua espera
E tu voltaste a passar
Nunca senti bater o meu coração
Como senti ao sentir a tua mão
Na tua boca o tempo voltou atrás
E se fui louca
Essa loucura
Essa loucura foi paz
Tudo era para ser eterno
E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos?
O que foi que aconteceu?
Tudo era para ser eterno
E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos, meu amor?
O que foi que aconteceu?

ToZé Brito

Finalmente "Stones world" com Ana Moura

A proposta do saxofonista convidado da banda de Mick Jagger a outros artistas, designadamente da área de "world music", é interpretarem canções da banda britânica. À fadista portuguesa coube "No expectations" e "Brown sugar", temas em que introduziu algumas estrofes em português, traduzidas por Jorge Fernando, que fez também os arranjos para fado. Além de Ries (saxofone soprano), Ana Moura é acompanhada nos dois temas por Charlie Watts (tambor), Marc Miralta (cajon e percussão), Thomas Bramerie (baixo), Jordi Bonnel (guitarra eléctrica), Chuck Leavell (piano), e ainda pelos portugueses Jorge Fernando na viola e Custódio Castelo na guitarra portuguesa.
Os dois temas foram gravados em Novembro de 2006 no estúdio MB, de Mário Barreiros, em Canelas (Vila Nova de Gaia), aproveitando a presença da banda no Porto, quando actuou no Estádio do Dragão.
Em declarações à Lusa, Ana Moura afirmou que "a gravação correu muito bem, tendo-se procurado com a guitarra portuguesa dar uma sonoridade fadista aos temas". "No caso de 'Brown sugar' é mesmo um fado corrido", sublinhou.
“Hoje, com o CD a sair, guardo ternura pelo momento da gravação. Gravámos todos juntos, na mesma sala, e foi uma emoção estar a partilhar o mesmo espaço com aqueles músicos excepcionais", disse a criadora de “Búzios”.
Além da fadista portuguesa foram também convidados, entre outros, Milton Nascimento, Minako Yoshida, os Tidawt, Bernard Fowler, Fatima El Shibi, Lisa Fischer, Marcos Herrera, Mario Montoya, e Badal Roy.
O projecto "Stones world" será apresentado, com Ana Moura, na próxima quinta-feira (dia 09) em Lisboa, no Cinema S. Jorge, onde aliás actuaram juntos o ano passado Ana Moura e Tim Ries.
fonte ~ hardmúsica

1 de julho de 2009

TIAGO PEREIRA VS GIACOMETTI

O rural vai ser sempre contaminado pelo urbano, mas o urbano tem obrigação de realçar o bom que o rural tem, tornando-o mais urbano ainda sem perder a essência do rural... Complexo? Não, nem por isso, até é bastante simples. A paisagem sonora pode e deve ser música da memória e utilizada até mais não, e os velhos devem ser pessoas, não deuses rurais de um cantar perfeito.
Tiago Pereira