14 de junho de 2009

Mirandeses Lenga Lenga lançam «L Teçtemunho»

O quarteto de gaiteiros de Sendim Lenga Lenga editam no próximo mês de Julho o álbum «L Teçtemunho», que presta tributo aos antigos tocadores de gaita-de-foles do planalto mirandês como José Maria Fernandes e Ângelo Arribas e dá também a conhecer uma nova geração de músicos locais, casos de Vanessa Martins e Ângela Topa.

Henrique Fernandes (voz, gaita de foles mirandesa, percussões tradicionais, flauta pastoril, tamboril e gaita de beiços), David Jantarada (voz, caixa de guerra, percussões tradicionais), Telmo Ramos (voz, percussões tradicionais, Bombo, Pandeiro) e Dinis Arribas (voz, percussões tradicionais, flauta gaita de foles mirandesa), editam «L Teçtemunho» num ano em que comemoram 10 anos de existência. Efeméride que será celebrada em pleno festival Intercéltico de Sendim com a apresentação do repertório tradicional mirandês deste disco, constituído por cantigas de serão, cantigas de desafio ou de segada, tocadas essencialmente por gaita-de-foles mirandesa, flauta pastoril de três buracos e caixa de guerra. Foi, curiosamente, na quarta edição deste festival sendinês que os Lenga Lenga gravaram ao vivo o seu primeiro disco, editado pela editora Sons da Terra de Mário Correia.

fonte ~ crónicas da terra

Hermínia Silva : Fado da Sina

Reza-te a sina nas linhas traçadas na palma da mão,
Que duas vidas se encontram cruzadas no teu coração.
Sinal de amargura, de dor e tortura, de esperança perdida,
Destino marcado de amor destroçado na linha da vida.

E mais se reza na linha do amor que terá de sofrer
O desencanto ou leve dispor de uma outra mulher.
Já que a má sorte assim quis, a tua sina te diz...
Que até morrer, terás de ser, sempre infeliz.

Não podes fugir, ao negro fado mortal,
Ao teu destino fatal,
Que uma má estrela domina.
Tu podes mentir às leis do teu coração,
Mas (ai!...) quer queiras quer não,
Tens de cumprir a tua sina.

Cruzando a estrada na linha da vida traçada na mão,
Tens uma cruz à feição mal contida, que foi uma ilusão:
Amor que em segredo, nasceu quase a medo, p’ra teu sofrimento,
E foi essa imagem a grata miragem do teu pensamento.

E mais ainda te reza o destino que tens de amargar,
Que a tua estrela de brilho divino deixou de brilhar...
Estrela que Deus te marcou, mas que bem pouco brilhou
E cuja luz, aos pés da cruz, já se apagou.

Amadeu do Vale / Jaime Mendes

Hermínia Silva: a sacerdotisa do Fado

Hermínia Silva nasceu em Lisboa. No ano de 1907 e numa passada gigante por todo o século. Estreou-se na opereta ‘Ouro sobre Azul’, no Parque Mayer, e a sua última aparição foi naquele lugar no ABC e na revista ‘Cada Cor seu Paladar’.

A sua carreira foi todo um vendaval de emoções. Cantando nos retiros fadistas. Com uma originalidade e encanto a marcar toda a sua geração.

Era uma mulher extremamente humorada, de muito bom gosto. Lutadora das grandes causas, esteve sempre na primeira linha de muitas batalhas.

Cantou Lisboa como ninguém. Os mais entendidos dizem que ela era um fenómeno na forma como esbanjava "saúde e muito fado bem cantado".

Nas revistas que fez foi dona e senhora com "os fanáticos admiradores" a persegui-la na plateia. E foram dezenas de revistas.

Hermínia cantava e "a crítica social" era o seu forte. Se Alfredo Marceneiro era o ícone do fado tradicional a par de Ercília Costa, Hermínia levou o fado até as grandes salas do mundo, com as guitarras e violas e as maiores orquestras.

Interpretou fados que ainda hoje permanecem na memória colectiva.

OS FADOS INESQUECÍVEIS

Idolatrada, pode-se dizer, por todo um público, Hermínia Silva interpretou fados inesquecíveis. ‘Fado da Sina’ e ‘A velha Tendinha’ até ‘A Casa da Mariquinhas’ ou o ‘Marinheiro Americano’ (com aquele braço no ar em estilo único) e tantos outros. A sacerdotisa do fado nunca mais será esquecida.

O CINEMA CHAMOU POR ELA

O cinema chama-a. Pela beleza e talento. Interpretou ‘Aldeia da Roupa Branca’, ‘O Costa do Castelo’ ou ‘O Diabo era Outro’.

Abriu ‘O Solar da Hermínia’ na sua Lisboa e um mar de gente durante anos a fio ia vê-la e ouvir cantar.

Houve quem a chamasse "a sacerdotisa do Fado" pela maneira como Hermínia sabia conquistar as plateias.

Morreu no Dia de Santo António (13), fez ontem 16 anos.

Carlos Castro (carlos.castro.jornal@gmail.com)

12 de junho de 2009

Gaiteiros de Lisboa : O fim da picada [Sátiro, 2006]

Amélia Muge - José Manuel David

Nuno da Câmara Pereira lança «Lusitânia»

O novo álbum de Nuno da Câmara Pereira, «Lusitânia», pretende «mostrar o brio de ser português» e como «a nossa cultura se mistura com outras», sendo também uma homenagem a Artur Ribeiro, disse o fadista à Lusa.

De Artur Ribeiro, interpreta os temas «Fado Rock», com música de António Rebocho, e «Cha, cha, cha p´ra namorar», musicado por João Vasconcelos.

«Este álbum é também uma homenagem a Artur Ribeiro, que foi um grande nome da música portuguesa, conhecido no mundo inteiro, que se cruzou comigo várias vezes, cantei dele por exemplo a 'Rosinha dos limões' e que faleceu no anonimato e em condições difíceis. Já doente, a única pessoa que o visitava era Amália», disse o fadista.

«Os temas que escolhi parecem, espantosamente, feitos para hoje», sublinhou o artista.

Além deste dois temas, Nuno da Câmara Pereira recria outros, designadamente «Lenda das rosas», «Senhora do Monte» ou «Igreja de Santo Estêvão».

«Fez sempre parte do fado fazer do antigo novo. Não faz sentido progredir no fado sem encontrar novos sons para músicas antigas», argumentou o artista.

fonte ~ diário digital


10 de junho de 2009

Coro infantil EMtrad: convite às crianças | Águeda

O Coro Infantil EMtrad’ surge como um espaço de expressão vocal onde se pode experimentar, partilhar e brincar com a voz.

Este Coro pretende, através de canções tradicionais infantis, sejam locais, nacionais ou até internacionais, explorar as potencialidades da voz enquanto instrumento de diversão, improvisação
e criatividade. Aprendendo em grupo, a voz cresce e com ela, a confiança, os sonhos e a imaginação.

Assim, convidamos todas as crianças que queiram participar neste projecto a preencher e entregar a pré-inscrição na d’Orfeu. Será validada após um primeiro encontro com a Formadora, para conhecer as aptidões vocais dos pequenos grandes cantores.

Pré-inscrição online

Quando
: Sábados 10:00-12:00
Local:
d’Orfeu Associação Cultural, Águeda
Inscrições:
gratuitas
Idade:
a partir dos 6 anos

Maestrina:
Stanislava Pavlov
Pianista:
Ann Marie Simões / Miguel Rodrigues

9 de junho de 2009

Deolinda : Clandestino [Canção ao lado, 2008]

a noite vinha fria
negras sombras a rondavam
era meia-noite
e o meu amor tardava

a nossa casa, a nossa vida
foi de novo revirada
à meia-noite
o meu amor não estava

ai, eu não sei aonde ele está
se à nossa casa voltará
foi esse o nosso compromisso

e acaso nos tocar o azar
o combinado é não esperar
que o nosso amor é clandestino

com o bebé, escondida,
quis lá eu saber, esperei
era meia-noite
e o meu amor tardava

e arranhada pelas silvas
sei lá eu o que desejei:
não voltar nunca...
amantes, outra casa...

e quando ele por fim chegou
trazia flores que apanhou
e um brinquedo pró menino

e quando a guarda apontou
fui eu quem o abraçou
o nosso amor é clandestino

Pedro da Silva Martins

Deolinda: The Times elogia a sensualidade de Ana Bacalhau

A crítica ao concerto do projecto português em Londres destaca as "ancas infinitamente agitadas" e o "humor contagiante" da cantora.

O jornal The Times deu quatro estrelas (em cinco) ao concerto dos Deolinda na sala ICA, em Londres. A crítica assinada pelo jornalista Clive Davis destaca a prestação de Ana Bacalhau: "uma figura sensual, abençoada com umas ancas infinitamente agitadas e um humor contagiante", que esteve no centro das atenções "ajudada pelo facto de falar um inglês excelente".

O sucesso foi tal que o jornalista começa o texto da seguinte forma: "Não há dúvidas: da próxima que voltarem, vão estar a tocar numa sala maior". Além de dizer que o projecto pode vir a fazer concorrência séria à "rainha do fado", Mariza, os elogios estendem-se ao álbum de estreia Canção ao Lado , uma das mais "animadoras edições do ano".

Depois de elogiar o fado dos Deolinda, a crítica diz ainda que uma ou duas melodias acústicas têm "uma subtil pitada de indie-rock" e que "se Jarvis Cocker [Pulp] tivesse crescido em Lisboa talvez tivesse escrito algo tão aguçado quanto 'Mal por Mal'".

Para ler a crítica na íntegra, basta seguir o link para o Times Online.


fonte ~ blitz

7 de junho de 2009

Cristina Branco : Bomba relógio [Kronos, 2009]

O teu amor quando palpita
verdade seja dita
põe rastilho no meu peito
trinta batidas num só beijo
sem defeito.

Feito tac e tic
o teu amor rebenta o dique
feito tic e tac
o teu amor passa ao ataque
feito tac e tic
o teu amor rebenta o dique
feito tic e tac
eu à defesa ele ao ataque
e toca e foge e toca e foge
é uma bomba relógio

O teu amor quando palpita
verdade seja dita
faz-me atrasar os ponteiros
como a ostra esconde a pérola
aos viveiros.

Feito tac e tic
pérola solta-se a pique
feito tic e tac
faz-me o coração um baque
feito tac e tic
pérola solta-se a pique
feito tic e tac
faz-me o corpo todo um baque
e toca e foge e toca e foge
é uma bomba relógio.

Sérgio Godinho



Arquivos do Fado - Amália, Maria Alice, Ercília Costa

A nova colecção 'Arquivos do Fado' devolve aos nossos dias gravações originalmente lançadas em discos de 78 rotações. Amália Rodrigues, Ercília Costa e Maria Alice surgem nos três primeiros volumes.

Com coordenação executiva de José Moças e João Afonso e editada pela Farol, apresenta fonogramas históricos digitalmente restaurados.


Amália Secreta (1953-1958)

Este último disco contém uma importantíssima investigação, levada a cabo por um jovem argentino – Ramiro Guinazú - que fez da sua vida uma busca contínua acerca da carreira da grande diva do fado. Nele poderemos ouvir, fruto dessa investigação, além de outras importantes interpretações, 11 temas inéditos em CD, uma preciosidade para a qual não precisamos de adjectivos!

É Amália no seu esplendor, num documento único da história discográfica da cantora, no ano em que se comemoram 10 anos sobre o seu desaparecimento físico!


Maria Alice (1929-1931)

Maria Alice evidenciou-se nas lides do Fado mercê das suas invulgares faculdades de intérprete da humilde canção do povo, que ela sabia valorizar com a sua voz privilegiada. Ingressou nas fileiras do fado, tornando-se na década de 20 a estrela do pitoresco retiro “Ferro de Engomar”.

Foi nessa época de oiro, que agora aqui começamos a revelar quem mais disco gravou.

Neste CD apresentamos as suas primeiras 20 gravações.


Ercília Costa (1929-1930)

O fado tem em Ercília Costa uma das suas mais legítimas e fiéis intérpretes.

“Sereia peregrina do Fado”, no dizer de alguns críticos, “Santa do Fado”, no dizer de outros, Ercília foi inquestionavelmente uma grande cantadeira.

Acompanhada na maioria das suas interpretações pelo grande Armandinho, a sua linda voz é agora recordada na sua plenitude, através das primeiras 20 gravações da sua carreira.