12 de junho de 2009

Gaiteiros de Lisboa : O fim da picada [Sátiro, 2006]

Amélia Muge - José Manuel David

Nuno da Câmara Pereira lança «Lusitânia»

O novo álbum de Nuno da Câmara Pereira, «Lusitânia», pretende «mostrar o brio de ser português» e como «a nossa cultura se mistura com outras», sendo também uma homenagem a Artur Ribeiro, disse o fadista à Lusa.

De Artur Ribeiro, interpreta os temas «Fado Rock», com música de António Rebocho, e «Cha, cha, cha p´ra namorar», musicado por João Vasconcelos.

«Este álbum é também uma homenagem a Artur Ribeiro, que foi um grande nome da música portuguesa, conhecido no mundo inteiro, que se cruzou comigo várias vezes, cantei dele por exemplo a 'Rosinha dos limões' e que faleceu no anonimato e em condições difíceis. Já doente, a única pessoa que o visitava era Amália», disse o fadista.

«Os temas que escolhi parecem, espantosamente, feitos para hoje», sublinhou o artista.

Além deste dois temas, Nuno da Câmara Pereira recria outros, designadamente «Lenda das rosas», «Senhora do Monte» ou «Igreja de Santo Estêvão».

«Fez sempre parte do fado fazer do antigo novo. Não faz sentido progredir no fado sem encontrar novos sons para músicas antigas», argumentou o artista.

fonte ~ diário digital


10 de junho de 2009

Coro infantil EMtrad: convite às crianças | Águeda

O Coro Infantil EMtrad’ surge como um espaço de expressão vocal onde se pode experimentar, partilhar e brincar com a voz.

Este Coro pretende, através de canções tradicionais infantis, sejam locais, nacionais ou até internacionais, explorar as potencialidades da voz enquanto instrumento de diversão, improvisação
e criatividade. Aprendendo em grupo, a voz cresce e com ela, a confiança, os sonhos e a imaginação.

Assim, convidamos todas as crianças que queiram participar neste projecto a preencher e entregar a pré-inscrição na d’Orfeu. Será validada após um primeiro encontro com a Formadora, para conhecer as aptidões vocais dos pequenos grandes cantores.

Pré-inscrição online

Quando
: Sábados 10:00-12:00
Local:
d’Orfeu Associação Cultural, Águeda
Inscrições:
gratuitas
Idade:
a partir dos 6 anos

Maestrina:
Stanislava Pavlov
Pianista:
Ann Marie Simões / Miguel Rodrigues

9 de junho de 2009

Deolinda : Clandestino [Canção ao lado, 2008]

a noite vinha fria
negras sombras a rondavam
era meia-noite
e o meu amor tardava

a nossa casa, a nossa vida
foi de novo revirada
à meia-noite
o meu amor não estava

ai, eu não sei aonde ele está
se à nossa casa voltará
foi esse o nosso compromisso

e acaso nos tocar o azar
o combinado é não esperar
que o nosso amor é clandestino

com o bebé, escondida,
quis lá eu saber, esperei
era meia-noite
e o meu amor tardava

e arranhada pelas silvas
sei lá eu o que desejei:
não voltar nunca...
amantes, outra casa...

e quando ele por fim chegou
trazia flores que apanhou
e um brinquedo pró menino

e quando a guarda apontou
fui eu quem o abraçou
o nosso amor é clandestino

Pedro da Silva Martins

Deolinda: The Times elogia a sensualidade de Ana Bacalhau

A crítica ao concerto do projecto português em Londres destaca as "ancas infinitamente agitadas" e o "humor contagiante" da cantora.

O jornal The Times deu quatro estrelas (em cinco) ao concerto dos Deolinda na sala ICA, em Londres. A crítica assinada pelo jornalista Clive Davis destaca a prestação de Ana Bacalhau: "uma figura sensual, abençoada com umas ancas infinitamente agitadas e um humor contagiante", que esteve no centro das atenções "ajudada pelo facto de falar um inglês excelente".

O sucesso foi tal que o jornalista começa o texto da seguinte forma: "Não há dúvidas: da próxima que voltarem, vão estar a tocar numa sala maior". Além de dizer que o projecto pode vir a fazer concorrência séria à "rainha do fado", Mariza, os elogios estendem-se ao álbum de estreia Canção ao Lado , uma das mais "animadoras edições do ano".

Depois de elogiar o fado dos Deolinda, a crítica diz ainda que uma ou duas melodias acústicas têm "uma subtil pitada de indie-rock" e que "se Jarvis Cocker [Pulp] tivesse crescido em Lisboa talvez tivesse escrito algo tão aguçado quanto 'Mal por Mal'".

Para ler a crítica na íntegra, basta seguir o link para o Times Online.


fonte ~ blitz

7 de junho de 2009

Cristina Branco : Bomba relógio [Kronos, 2009]

O teu amor quando palpita
verdade seja dita
põe rastilho no meu peito
trinta batidas num só beijo
sem defeito.

Feito tac e tic
o teu amor rebenta o dique
feito tic e tac
o teu amor passa ao ataque
feito tac e tic
o teu amor rebenta o dique
feito tic e tac
eu à defesa ele ao ataque
e toca e foge e toca e foge
é uma bomba relógio

O teu amor quando palpita
verdade seja dita
faz-me atrasar os ponteiros
como a ostra esconde a pérola
aos viveiros.

Feito tac e tic
pérola solta-se a pique
feito tic e tac
faz-me o coração um baque
feito tac e tic
pérola solta-se a pique
feito tic e tac
faz-me o corpo todo um baque
e toca e foge e toca e foge
é uma bomba relógio.

Sérgio Godinho



Arquivos do Fado - Amália, Maria Alice, Ercília Costa

A nova colecção 'Arquivos do Fado' devolve aos nossos dias gravações originalmente lançadas em discos de 78 rotações. Amália Rodrigues, Ercília Costa e Maria Alice surgem nos três primeiros volumes.

Com coordenação executiva de José Moças e João Afonso e editada pela Farol, apresenta fonogramas históricos digitalmente restaurados.


Amália Secreta (1953-1958)

Este último disco contém uma importantíssima investigação, levada a cabo por um jovem argentino – Ramiro Guinazú - que fez da sua vida uma busca contínua acerca da carreira da grande diva do fado. Nele poderemos ouvir, fruto dessa investigação, além de outras importantes interpretações, 11 temas inéditos em CD, uma preciosidade para a qual não precisamos de adjectivos!

É Amália no seu esplendor, num documento único da história discográfica da cantora, no ano em que se comemoram 10 anos sobre o seu desaparecimento físico!


Maria Alice (1929-1931)

Maria Alice evidenciou-se nas lides do Fado mercê das suas invulgares faculdades de intérprete da humilde canção do povo, que ela sabia valorizar com a sua voz privilegiada. Ingressou nas fileiras do fado, tornando-se na década de 20 a estrela do pitoresco retiro “Ferro de Engomar”.

Foi nessa época de oiro, que agora aqui começamos a revelar quem mais disco gravou.

Neste CD apresentamos as suas primeiras 20 gravações.


Ercília Costa (1929-1930)

O fado tem em Ercília Costa uma das suas mais legítimas e fiéis intérpretes.

“Sereia peregrina do Fado”, no dizer de alguns críticos, “Santa do Fado”, no dizer de outros, Ercília foi inquestionavelmente uma grande cantadeira.

Acompanhada na maioria das suas interpretações pelo grande Armandinho, a sua linda voz é agora recordada na sua plenitude, através das primeiras 20 gravações da sua carreira.

6 de junho de 2009

Augusto Canário e Naty à desgarrada


O que é a desgarrada?

Se falarmos com qualquer alto-minhoto, e lhe perguntarmos que é uma "desgarrada", logo a seguir dizem: então a senhora não sabe? é o cantar ao desafio. Mas, o facto de cantar ao desafio não é privativo de alto-minhotos, nem sequer de minhotos, dado que existe em outras regiões de Portugal, como também não é privativo de portugueses, já que existe, com outras denominações, é claro, em diversas regiões pelo mundo fora.
Desgarrada, tal e como reza o dicionário, é aquela canção popular que se caracteriza por ser entoada alternadamente por duas ou mais pessoas, ao desafio, sendo a letra geralmente improvisada.
Canta-se pois ao desafio em Portugal, e não só. Na Galiza, este género é denominado "regueifa" e era cantado antigamente nos casamentos. Em verdade, a regueifa era o bolo de casamento que os noivos ofereciam a quem, de entre os moços, for o melhor cantador a desafiar aos outros, sempre improvisando, a reclamar a regueifa. Por extensão é que o cantar ao desafio na Galiza é chamado regueifa, e os seus cantadores regueifeiros.
Hoje em dia ficam alguns (poucos) regueifeiros velhos na zona de Bergantiños -infelizmente acaba de falecer o "Calviño"-. Mas desde a Associação ORAL estão a tentar revitalizar esta tradição, organizando work-shops e encontros, e estão a consolidar-se cantadores novos como Luís "O Caruncho" ou "Pinto de Herbón", que estão a puxar da regueifa com muita força.
Se formos para a América do sul, temos, quer no Brasil, quer na Colómbia, os "repentistas". Os repentistas são as pessoas que cantam aquilo que sai num "repente", isto é, num impulso, sem pensar. Assim tão lindamente é definido o improviso por aquelas bandas onde, ainda hoje, é uma tradição em toda a sua vigência.
Em Portugal não é só no Minho que se canta ao desafio. "... por vezes chegava lá à festa uma daquelas pessoas que tinha jeito para cantar ao desafio. Na altura encontrava-se com outra pessoa das mesmas características ... e vê lá, que da alegria do encontro começavam a sair quadras, era uma maneira da saudar, de começar o encontro na festa.." Eis o que nos contavam em S. Pedro do Sul, na Beira Alta, a Rosa Branca e o Zé Fernando, elementos do grupo Alafum.
Os beirões chamam a este género "fado beirão" ou "fado à desgarrada", mas normalmente abreviam para fado. E, tal como os minhotos, apreciam o segundo sentido no fado. Mas reconhecem que, para a desgarrada não há como os minhotos, com a sua alegria e a sua facilidade para a piada.
Na zona de Lisboa também há desgarrada, mas em forma de fado, fado castiço. Também é divertido, mas não é tanto no improviso.
No Alentejo canta-se ao desafio em duas formas diferentes: ao baldão e ao despique. No cantar ao despique parte-se de um "mote" e daí se pega num tema que se desenvolve. O cantar ao baldão já o próprio nome diz: à balda, isto é canta-se, vai-se respondendo e vai-se improvisando. Na Madeira chamam-lhe também despique e é muito parecido com o minhoto.
Nos Açores há também uma forma de cantar que é "As Velhas", que se adapta a um improviso.
Fernando Peneiras

[1 em 2] Lisboa que amanhece

Sérgio Godinho, 1987



Tuna Académica de Lisboa, 2007