9 de junho de 2009

Deolinda: The Times elogia a sensualidade de Ana Bacalhau

A crítica ao concerto do projecto português em Londres destaca as "ancas infinitamente agitadas" e o "humor contagiante" da cantora.

O jornal The Times deu quatro estrelas (em cinco) ao concerto dos Deolinda na sala ICA, em Londres. A crítica assinada pelo jornalista Clive Davis destaca a prestação de Ana Bacalhau: "uma figura sensual, abençoada com umas ancas infinitamente agitadas e um humor contagiante", que esteve no centro das atenções "ajudada pelo facto de falar um inglês excelente".

O sucesso foi tal que o jornalista começa o texto da seguinte forma: "Não há dúvidas: da próxima que voltarem, vão estar a tocar numa sala maior". Além de dizer que o projecto pode vir a fazer concorrência séria à "rainha do fado", Mariza, os elogios estendem-se ao álbum de estreia Canção ao Lado , uma das mais "animadoras edições do ano".

Depois de elogiar o fado dos Deolinda, a crítica diz ainda que uma ou duas melodias acústicas têm "uma subtil pitada de indie-rock" e que "se Jarvis Cocker [Pulp] tivesse crescido em Lisboa talvez tivesse escrito algo tão aguçado quanto 'Mal por Mal'".

Para ler a crítica na íntegra, basta seguir o link para o Times Online.


fonte ~ blitz

7 de junho de 2009

Cristina Branco : Bomba relógio [Kronos, 2009]

O teu amor quando palpita
verdade seja dita
põe rastilho no meu peito
trinta batidas num só beijo
sem defeito.

Feito tac e tic
o teu amor rebenta o dique
feito tic e tac
o teu amor passa ao ataque
feito tac e tic
o teu amor rebenta o dique
feito tic e tac
eu à defesa ele ao ataque
e toca e foge e toca e foge
é uma bomba relógio

O teu amor quando palpita
verdade seja dita
faz-me atrasar os ponteiros
como a ostra esconde a pérola
aos viveiros.

Feito tac e tic
pérola solta-se a pique
feito tic e tac
faz-me o coração um baque
feito tac e tic
pérola solta-se a pique
feito tic e tac
faz-me o corpo todo um baque
e toca e foge e toca e foge
é uma bomba relógio.

Sérgio Godinho



Arquivos do Fado - Amália, Maria Alice, Ercília Costa

A nova colecção 'Arquivos do Fado' devolve aos nossos dias gravações originalmente lançadas em discos de 78 rotações. Amália Rodrigues, Ercília Costa e Maria Alice surgem nos três primeiros volumes.

Com coordenação executiva de José Moças e João Afonso e editada pela Farol, apresenta fonogramas históricos digitalmente restaurados.


Amália Secreta (1953-1958)

Este último disco contém uma importantíssima investigação, levada a cabo por um jovem argentino – Ramiro Guinazú - que fez da sua vida uma busca contínua acerca da carreira da grande diva do fado. Nele poderemos ouvir, fruto dessa investigação, além de outras importantes interpretações, 11 temas inéditos em CD, uma preciosidade para a qual não precisamos de adjectivos!

É Amália no seu esplendor, num documento único da história discográfica da cantora, no ano em que se comemoram 10 anos sobre o seu desaparecimento físico!


Maria Alice (1929-1931)

Maria Alice evidenciou-se nas lides do Fado mercê das suas invulgares faculdades de intérprete da humilde canção do povo, que ela sabia valorizar com a sua voz privilegiada. Ingressou nas fileiras do fado, tornando-se na década de 20 a estrela do pitoresco retiro “Ferro de Engomar”.

Foi nessa época de oiro, que agora aqui começamos a revelar quem mais disco gravou.

Neste CD apresentamos as suas primeiras 20 gravações.


Ercília Costa (1929-1930)

O fado tem em Ercília Costa uma das suas mais legítimas e fiéis intérpretes.

“Sereia peregrina do Fado”, no dizer de alguns críticos, “Santa do Fado”, no dizer de outros, Ercília foi inquestionavelmente uma grande cantadeira.

Acompanhada na maioria das suas interpretações pelo grande Armandinho, a sua linda voz é agora recordada na sua plenitude, através das primeiras 20 gravações da sua carreira.

6 de junho de 2009

Augusto Canário e Naty à desgarrada


O que é a desgarrada?

Se falarmos com qualquer alto-minhoto, e lhe perguntarmos que é uma "desgarrada", logo a seguir dizem: então a senhora não sabe? é o cantar ao desafio. Mas, o facto de cantar ao desafio não é privativo de alto-minhotos, nem sequer de minhotos, dado que existe em outras regiões de Portugal, como também não é privativo de portugueses, já que existe, com outras denominações, é claro, em diversas regiões pelo mundo fora.
Desgarrada, tal e como reza o dicionário, é aquela canção popular que se caracteriza por ser entoada alternadamente por duas ou mais pessoas, ao desafio, sendo a letra geralmente improvisada.
Canta-se pois ao desafio em Portugal, e não só. Na Galiza, este género é denominado "regueifa" e era cantado antigamente nos casamentos. Em verdade, a regueifa era o bolo de casamento que os noivos ofereciam a quem, de entre os moços, for o melhor cantador a desafiar aos outros, sempre improvisando, a reclamar a regueifa. Por extensão é que o cantar ao desafio na Galiza é chamado regueifa, e os seus cantadores regueifeiros.
Hoje em dia ficam alguns (poucos) regueifeiros velhos na zona de Bergantiños -infelizmente acaba de falecer o "Calviño"-. Mas desde a Associação ORAL estão a tentar revitalizar esta tradição, organizando work-shops e encontros, e estão a consolidar-se cantadores novos como Luís "O Caruncho" ou "Pinto de Herbón", que estão a puxar da regueifa com muita força.
Se formos para a América do sul, temos, quer no Brasil, quer na Colómbia, os "repentistas". Os repentistas são as pessoas que cantam aquilo que sai num "repente", isto é, num impulso, sem pensar. Assim tão lindamente é definido o improviso por aquelas bandas onde, ainda hoje, é uma tradição em toda a sua vigência.
Em Portugal não é só no Minho que se canta ao desafio. "... por vezes chegava lá à festa uma daquelas pessoas que tinha jeito para cantar ao desafio. Na altura encontrava-se com outra pessoa das mesmas características ... e vê lá, que da alegria do encontro começavam a sair quadras, era uma maneira da saudar, de começar o encontro na festa.." Eis o que nos contavam em S. Pedro do Sul, na Beira Alta, a Rosa Branca e o Zé Fernando, elementos do grupo Alafum.
Os beirões chamam a este género "fado beirão" ou "fado à desgarrada", mas normalmente abreviam para fado. E, tal como os minhotos, apreciam o segundo sentido no fado. Mas reconhecem que, para a desgarrada não há como os minhotos, com a sua alegria e a sua facilidade para a piada.
Na zona de Lisboa também há desgarrada, mas em forma de fado, fado castiço. Também é divertido, mas não é tanto no improviso.
No Alentejo canta-se ao desafio em duas formas diferentes: ao baldão e ao despique. No cantar ao despique parte-se de um "mote" e daí se pega num tema que se desenvolve. O cantar ao baldão já o próprio nome diz: à balda, isto é canta-se, vai-se respondendo e vai-se improvisando. Na Madeira chamam-lhe também despique e é muito parecido com o minhoto.
Nos Açores há também uma forma de cantar que é "As Velhas", que se adapta a um improviso.
Fernando Peneiras

[1 em 2] Lisboa que amanhece

Sérgio Godinho, 1987



Tuna Académica de Lisboa, 2007

2 de junho de 2009

Ana Laíns edita "Vida" em Outubro

Após a boa recepção por parte da critica e do público ao seu disco de estreia "Sentidos", Ana Laíns regressa agora a estúdio para gravar o seu 2º álbum "Vida".
A tournée de "Sentidos" passou por Portugal, Espanha, Itália, França, Grécia, Bélgica, Alemanha e Luxemburgo.
Este novo trabalho! conta com a produção de Diogo Clemente que assume também os arranjos e a gravação da viola de Fado. Tem ainda os músicos: Marino de Freitas e Nando Araújo no Baixo, Bernardo Couto e Ângelo Freire na guitarra portuguesa, Ruben Alves, Paulo Loureiro e Filipe Raposo no piano, Pedro Santos no acordeão e Vicky na percussão.
"Vida" faz uma incursão pelo Fado e pela música tradicional portuguesa. As composições são maioritariamente originais e têm a assinatura de Diogo Clemente, Amélia Muge, Miguel Rebelo, Filipe Raposo, José Manuel David, Samuel Lopes entre outros. Quanto a palavras, a própria estreia-se na escrita com o poema "Não sou nascida do Fado" e podemos encontrar também poemas de Amélia Muge, Natália Correia, Carlos Drumond de Andrade entre outros ilustres, havendo lugar também para duas recuperações de clássicos da música portuguesa.

"Vida" é uma edição Difference e tem lançamento previsto para Outubro deste ano.

Carminho : Escrevi teu nome no vento [Fado, 2009]

Escrevi teu nome no vento
Convencido que o escrevia
Na folha dum esquecimento
Que no vento se perdia

Ao vê-lo seguir envolto / Na poeira do caminho
Julguei meu coração solto / Dos elos do teu carinho

Em vez de ir longe levá-lo / Longe, onde o tempo o desfaça
Fica contente a gritá-lo / Onde passa e a quem passa

Pobre de mim, não pensava / Que tal e qual como eu
O vento se apaixonava / Por esse nome que é teu

E quando o vento se agita / Agita-se o meu tormento
Quero esquecer-te, acredita / Mas cada vez há mais vento


Jorge Rosa / Raúl Ferrão *fado carriche*


Fados dos tempos das grafonolas na era digital

A nova colecção 'Arquivos do Fado' devolve aos nossos dias gravações originalmente lançadas em discos de 78 rotações. Amália Rodrigues, Ercília Costa e Maria Alice surgem nos três primeiros volumes.

Gravações de finais dos anos 20 e inícios dos anos 30 de Ercília Costa e de Maria Alice, e um conjunto de temas originalmente registados por Amália Rodrigues nos anos 50, correspondem aos três primeiros volumes de uma nova série de edições discográficas que a partir de hoje chega às lojas. Com o título Arquivos do Fado, a série, com coordenação executiva de José Moças e João Afonso e editada pela Farol, apresenta fonogramas históricos digitalmente restaurados.

Estamos assim, além do reencontro com gravações históricas de Amália Rodrigues, perante o reencontro com duas vozes marcantes do fado na primeira metade do século XX. Ercília Costa (1902-1985) foi a primeira fadista portuguesa a ter grande exposição internacional, tendo realizado digressões em França, Estados Unidos e Brasil, e mantido também uma carreira como actriz de revista e, mais tarde, no cinema. As suas gravações são quase todas anteriores a 1950 e, por isso, um tanto esquecidas nos nossos dias. No disco agora editado são recuperados o seu histórico Fado de Alfama, entre outros, em gravações de 1920 e 1930.

Maria Alice (1904-1997) foi outra das primeiras vozes do fado a conhecer gravação. Cantou em diversas casas de fado e chegou a actuar no Brasil. O disco desta colecção que lhe é dedicado recorda-a em gravações efectuadas entre 1929 e 1931.

Já o volume dedicado a Amália Rodrigues revela outra etapa na história do fado, recuperando uma série de gravações editadas em discos de 78 rotações originalmente lançados entre 1953 e 58, e que correspondem a uma etapa de grande projecção internacional da sua carreira.

Esta nova colecção surge após mais de uma década de investigação entre colecções privadas, arquivos públicos e alfarrabistas. Como explica depois Maria de São José Côrte-Real no booklet de um dos volumes da colecção, "a qualidade sonora dos fonogramas originais das grandes empresas discográficas da época a operar em Portugal e no Brasil (...) foi agora refinada". Os discos foram submetidos a um processo de tratamento áudio que mantém as características técnicas das gravações de então, "de modo a oferecer a máxima fidelidade possível relativamente ao som captado na época".

O objectivo principal desta nova série é o de "dar a conhecer ao grande público uma parte significativa e totalmente desconhecida das gravações realizadas em Portugal desde o seu ponto de partida", no início do século XX.

Os três primeiros volumes, que hoje chegam ao mercado, evocam três das maiores vozes femininas do fado na primeira metade do século.

Nuno Galopim

30 de maio de 2009

Homens da Luta : E o Povo, pá?

Da-lhe Falancio, pá!!
Pois é camaradas,pá!
Chegou a luta,pá, para provar que a cantiga ainda é uma arma,pá, e que deve e pode reflectir os anseios do proletariado nacional, nestas alturas de grande crise,pá
A luta vai meter a boca no megafone, para explicar aqui nesta cantiga,pá, quais é que são os problemas que realmente afectam a nação, pá
Então cá vai!


É o desemprego, pá, a corrupção, pá, endividamento, pá, a depressão, pá, o aquecimento,pá, a recessão, pá
E como se isto não bastasse a reacção, pá
E os oprimidos,pá, os endividados, pá, os suprimidos,pá, os separados,pá, os desvalidos,pá, desalinhados,pá e os sem-brigo coitadinhos dormem no chão,pá

E o povo, pá?
E o povo, pá?
Quero dinheiro para comprar um carro novo, pá

São indigentes,pá, são insolventes,pá, são repetentes,pá, delinquentes,pá
É só aumentos,pá, despedimentos,pá, aluimentos,pá, desinvestimentos,pá
E os camponeses,pá, e os professores,pá, e os reformados,pá e os pescadores,pá, e os subsídios,pá, e os ordenados,pá, e as dividas e os créditos mal parados,pá

Ah, pois quero pá!
O povo também quer Ferraris,pá, o povo também quer Maseratis e Bentleys e Lamborghinis, pá
Porque são só os jogadores da bola a ter,pá
O povo também quer o novo CLK 200 da Mercedes,pá, o povo também quer um BMW Z3,pá, aquele muito bonito, com os estofos creme em pele,pá e com a manete das mudanças em marfim,pá
O povo também quer o novo Audi A8 com o motor Z12,pá que gasta 35 litros aos 100, mas dá a volta á 270 na autoestrada,pá
O povo também trabalha,pá!!