16 de fevereiro de 2009

Coimbra é uma lição de Amor


Em 1950, Amália Rodrigues actuando em espectáculos de beneficência integrada no plano Marshall tornou mundialmente famosa a canção escrita por Raul Ferrão com letra de José Galhardo.
April in Portugal, Avril au Portugal, Coimbra...
Uma canção de amor e beleza. Arranjos de Jorge Teixeira para Coro Misto, Coro Masculino e versão de Voz e cifra de guitarra.

Brevemente nas lojas Maestro, Paleta dos Sons (Espinho), Casa dos Músicos (Porto).

13 de fevereiro de 2009

Cristina Branco : Redondo Vocábulo [Abril, 2008]

Era um redondo vocábulo
Uma soma agreste
Revelavam-se ondas
Em maninhos dedos
Polpas seus cabelos
Resíduos de lar,
Pelos degraus de Laura
A tinta caía
No móvel vazio,
Congregando farpas
Chamando o telefone
Matando baratas
A fúria crescia
Clamando vingança,
Nos degraus de Laura
No quarto das danças
Na rua os meninos
Brincando e Laura
Na sala de espera
Inda o ar educa

José Afonso

Kronos: novo disco de Cristina Branco

Kronos, o novo disco de Cristina Branco. Composto por canções inéditas, será lançado em Março de 2009. No dia 9 de Março, mais precisamente.

O novo disco tem como tema unificador o tempo e será constituído por canções inéditas compostas por uma dezena de criadores muito diferentes, unidos por um traço comum: todos têm percursos desenhados ao longo de muitos anos, com contributos extraordinários na afirmação de um cancioneiro português de qualidade.

José Mário Branco, Sérgio Godinho, Amélia Muge, Rui Veloso, Vitorino, Janita Salomé, Maestro Victorino d’Almeida, Mário Laginha, Carlos Bica, João Paulo Esteves da Silva e Ricardo Dias compõem o lote de temas inéditos de KRONOS.

Dão corpo a KRONOS, para além da voz de Cristina Branco, o piano de Ricardo Dias, a guitarra portuguesa de José Manuel Neto ou Bernardo Couto, a viola de fado de Alexandre Silva e a guitarra baixo de Fernando Maia. Este será o décimo disco de uma carreira que teve início num palco de Amesterdão, em 1996, e que desde então nunca mais parou.

6 de fevereiro de 2009

Chuchurumel : Coquelhada Marralheira [Posta restante, 2007]

COQUELHADA MARRALHEIRA
carta para mário correia
Alguns ouvem mais do que vêem. Apaixonam-se por sons, por vozes, por músicas. Apetece dizer: têm mais ouvidos que olhos!

Tradicional | Freixiosa [Trás-os-Montes]
Recolha de Mário Correia
César Prata: bandolim eléctrico, programações, samples
Julieta Silva: sanfona
António Dinis: pancadas de sapateiro, voz final
Clementina Rosa Afonso: voz

2 de fevereiro de 2009

A Festa dos Montes

A Festa dos Montes é um estudo etnomusicológico de Julieta Silva sobre a Festa do São Brás dos Montes [Montes, Trancoso].
Trata-se de um trabalho realizado no âmbito do Seminário Práticas Musicais Tradicionais em Portugal,
sob a orientação da Doutora Maria do Rosário Pestana [Seminário integrado na Pós-Graduação em Estudos de Música Popular, com orientação científica da Doutora Salwa El-Shawan Castelo-Branco, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa].
A obra vai ser apresentada no dia 7 de Fevereiro [na véspera de mais uma edição da Festa do São Brás dos Montes],
pelas 16h30, no Cine-Auditório Jacinto Ramos, em Trancoso. Será também apresentado o filme A Batalha dos Montes de Maria Lino e Zigud sobre a mesma temática, editado pela Luzlinar.
O livro estará disponível, a partir da sua apresentação pública, através do sítio: http://www.atrasdosbarrocos.com


Prefácio
A Festa dos Montes é uma singular etnografia de uma prática tradicional que anualmente se realiza no primeiro domingo do mês de Fevereiro (depois do dia de S. Brás), na aldeia dos Montes, no concelho de Trancoso. A autora é uma acordeonista que estudou, também, canto e composição, conhecida pela participação, entre outros, em grupos como o GEFAC (Grupo
de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra), o Chuchurumel ou o Diabo a Sete. O estudo resultou, primeiro, de um impacte emocional, vivido pela autora quando, em 2002, pela primeira vez, assistiu à Festa dos Montes – “Fiquei absolutamente fascinada pela força e pela energia que emanam por todo aquele espaço, no dia do São Brás dos Montes” – e, depois, da proposta de trabalho para o seminário Práticas Musicais Tradicionais em Portugal, do curso de pós‐graduação Estudos de Música Popular, realizado na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Julieta Silva aborda a realidade em estudo segundo dois vectores principais: a observação e análise, ao longo de vários anos, da Festa dos Montes; e a investigação histórica, em arquivos e periódicos locais. O estudo procura compreender a Festa dos Montes a partir da performance musical, considerando não só o momento de realização, no dia do evento, como, também, toda a preparação que acontece nos dias que antecedem a festa. Esta abordagem assenta em propostas teóricas actuais de etnomusicólogos como Anthony Seeger. Aliás, em linha com essa corrente de pensamento, a autora estabeleceu laços privilegiados com músicos de competência reconhecida pelas maltas e colaborou na preparação de instrumentos para a festa, como os membranofones. Ou seja, para a compreensão dos sentidos e experiências que emergem na Festa do Montes, Julieta Silva não se circunscreveu à simples observação mas, antes, disponibilizou‐se a aprender, a transformar‐se, através da experiência. O estudo sobre romarias portuguesas de Pierre Sanchis, “Arraial: Festa de um Povo – As romarias portuguesas”, é recorrentemente referido neste trabalho. Compreendendo a Festa dos Montes num contexto mais lato, português, de realização de rituais marcados pelo confronto entre a “religião oficial, da Igreja, e a religião popular”, o estudo de caso de Julieta Silva acaba por ser um importante contributo para uma necessária revisitação destas festividades cíclicas. Esta publicação encerra, ainda, um interesse acrescentado pelo facto de se dever a Julieta Silva, uma pessoa que passou pelo GEFAC, que foi ao encontro de detentores da tradição para fazer “recolhas” e aprender com eles, que integrou grupos com um particular apreço pela música da tradição oral. Nos últimos anos tem‐se assistido em Portugal ao emergir de um novo olhar sobre a música da tradição oral, comummente chamada música de matriz rural, sem nostalgias ou desejos de regresso a passados míticos da história de Portugal. Esta dinâmica configura, por um lado, um interesse pelo “regresso à terra”, mas segundo uma nova consciência em torno da Ecologia, na qual, coordenadas éticas e estéticas, inscritas num novo olhar de convivência sustentada – do Homem e da Natureza –, têm feito sugerir novas leituras e interpretações, como as que emergem , agora, do estudo de Julieta Silva. Por outro lado, este novo regresso à música da tradição oral não deixa de estar comprometido com a “era das incertezas” ou os “tempos líquidos” em que, segundo o sociólogo polaco Zygmunt Bauman, vivemos. A autora frisa, ao longo do texto, que a tradição, exactamente por ser dinâmica, possibilita a adaptação essencial à sobrevivência das maltas. Essa capacidade de manter uma tradição que, de cada vez, é sempre diferente, oferece a vivência de uma utopia de uma organização social – a malta – que não se desmorona. Por fim, sublinho o papel da música na construção da diferença, tal como foi referido por Julieta Silva, relativamente às maltas da Festa dos Montes. Considerando o evento como um acontecimento total, a autora sublinha o facto de as diferentes maltas não partilharem alimentos e de se quererem representar com músicas diferentes, num exercício de rivalidadesmarcadamente assumido. A Festa dos Montes divide‐se em quatro partes: a primeira, mais descritiva, dá‐nos a conhecer a festa, os intervenientes e o contexto em que se realiza; na segunda parte, a análise sincrónica cruza‐se com a diacrónica no sentido de compreender o papel da música no evento; na terceira parte a autora apresenta uma descrição organológica e dá a conhecer as transcrições musicais que efectuou, não sem antes discutir os problemas que se colocam, actualmente, a esta forma de registo da música; por último, fala das experiências que a despertaram para este estudo.
Rosário Pestana
Introdução
A Festa do São Brás dos Montes poderia ser um exemplo de um singular ritual que nos transportasse para outros tempos que só na memória moram. Tempos em que a labuta de um homem e o seu divertimento se circunscreviam a um pequeno círculo de coordenadas gaussianas, quando a mobilidade era curta. Mas não, não é isso. Ou, pelo menos, não é apenas isso. A Festa dos Montes existe, hoje, com uma força e uma vitalidade que não podem camuflar
qualquer imposição folclorizadora. Com a sua panóplia de rituais, que têm tanto de obrigatoriedade como de flexibilidade, firmemente enleada entre os fios emaranhados de uma globalização que já penetrou em todos os poros deste planeta, esta prática reveste‐se de uma importância absolutamente incontestável para as pessoas que nela participam. Esta prática está viva. E vive através dos conflitos, das angústias e dos desejos das maltas que, ano após ano, insistem em não deixar morrer esta tradição cujos princípios vão remodelando num continuum de que depende a sua própria sobrevivência. Esta Festa continua viva e de boa saúde porque não copia nenhum modelo. Renova‐se ano após ano, num respeito pela tradição que os mais antigos transmitiram mas sem daí entregar as rédeas da condução dos acontecimentos. Os seus protagonistas fazem a Festa acontecer e mesmo que em determinados aspectos haja repetição, ela não parece ser sentida assim. Há, sim, o sentimento de que cada ano acontece algo importante e novo, algo para o qual todos crêem dar um contributo valioso.

29 de janeiro de 2009

Aldeias Sonoras | Fev - Jun 09

O primeiro módulo do projecto educativo “Aldeias Sonoras” decorre em zonas rurais do concelho de S. Pedro do Sul entre Fevereiro e Junho 09 e realiza-se em colaboração com professores e alunos da Escola Secundária de S. Pedro do Sul e com o apoio financeiro da Câmara Municipal local.

“Aldeias Sonoras” é um projecto da Binaural, único a nível nacional, de mapeamento sonoro de zonas rurais portuguesas, em paralelo com o seu levantamento geográfico, histórico e sócio-cultural. O projecto envolve escolas de zonas rurais de diversas regiões de Portugal e pretende evidenciar a riqueza sonora do mundo rural português e a necessidade de o registar, envolvendo crianças e jovens nessa descoberta, promovendo em paralelo o sentido de identidade, de diversidade e de orgulho em viver no campo.

“Aldeias Sonoras” envolve uma série de módulos de aprendizagem teórico-prática, com o objectivo de dotar os alunos de conhecimentos de tecnologias de registo e edição de sons, mapeamento de sons em mapas Google, utilização de blogs para a organização e distribuição de informação, associando cada etapa do projecto a diversas disciplinas curriculares (nas áreas da arte, história, cidadania, geografia, tecnologias de informação, etc.).

O segundo módulo do projecto já está calendarizado para Maio 09 no concelho de Vimioso (distrito de Bragança), no âmbito do festival Sons e Ruralidades 09, o qual é organizado pelas associações Aldeia e AEPGA.

O mundo rural português está a despovoar-se e, com ele, vai paulatinamente morrendo uma cultura tradicional e uma relação particular com a paisagem e seus usos. À semelhança de outros países europeus, assiste-se a um processo de pós-ruralização, com implicações em diversos domínios: económico, psicológico, social, cultural.

Estas transformações formam uma malha complexa e sobreposta de realidades. Não existe um antes e um depois. As formas ancestrais de viver o rural (ainda) coexistem com novos usos da paisagem, com novas actividades e prioridades, muitas delas ligadas a uma dimensão ociosa.

Perante este cenário, existe hoje um imperativo de defesa e documentação de realidades paisagísticas rurais, para além da perspectiva ambiental em sentido estrito. A paisagem enquanto sobreposição de elementos naturais de fauna, flora e geologia, mas que inclui também elementos de intervenção humana, sejam arquitectónicos, agrícolas, saberes, utensílios, etc.

Uma realidade que abrange todas as dimensões da paisagem é a acústica. Quais os sons que a nossa paisagem rural incorpora? Quanto deles já desaparecerem irremediavelmente? Estamos habituados a olhar o mundo que nos rodeia, mas quanto tempo nos dedicamos a escutar a “música” da paisagem? O que podemos aprender acerca das comunidades rurais através da dimensão sonora?

Hoje em dia existe uma consciencialização crescente para a necessidade de defender, estudar e documentar o património sonoro, de tal forma que existem estudos de ecologia sonora e algumas áreas geográficas (como a região autónoma da Galiza) incluem a dimensão sonora no âmbito do seu património imaterial autóctone.

É com este contexto presente que surge o projecto “Aldeias Sonoras”.

“Aldeias Sonoras” é um projecto educativo da Binaural de mapeamento sonoro de zonas rurais portuguesas, em paralelo com o seu levantamento geográfico, histórico e sócio-cultural. O projecto envolverá escolas básicas de zonas rurais de diversas regiões de Portugal, começando uma fase-piloto no ano lectivo 2008-2009 na zona de Lafões e da Serra do Montemuro, pela sua proximidade ao Centro de Residências Artísticas de Nodar (S. Pedro do Sul) e pelo conhecimento profundo que os autores do projecto têm da sua diversidade paisagística e humana.

O projecto pretende evidenciar a riqueza sonora do mundo rural português e a necessidade de o registar, envolvendo crianças e jovens nessa descoberta, promovendo em paralelo o sentido de identidade, de diversidade e de orgulho em viver no campo.

“Aldeias Sonoras” envolverá uma série de módulos de aprendizagem teórico-prática, com o objectivo de dotar os alunos de conhecimentos de tecnologias de registo e edição de sons, utilização de blogs para a organização e distribuição de informação, associando cada etapa do projecto a diversas disciplinas curriculares (nas áreas da arte, história, cidadania, geografia, tecnologias de informação, etc.).

27 de janeiro de 2009

Danças Ocultas : Contradança [Ar, 1998]

Danças Ocultas ao vivo no Festival Músicas do Mundo
[Sines, 2008]
Projecção Multimédia :: Luis Girão

26 de janeiro de 2009

In-Canto : Mouriscas

Com a colaboração das Adufeiras de Penha Garcia.

24 de janeiro de 2009

Luísa Amaro "liberta-se" de Carlos Paredes e edita "Meditherranjos"

A compositora e guitarrista Luísa Amaro afirmou à Lusa que o seu novo CD, "Meditherranjos", a editar em Fevereiro, representa "uma libertação de Carlos Paredes", com quem trabalhou, e a "conquista de uma sonoridade própria".

"Eu senti a necessidade de trabalhar por mim tão somente. Claro que o Paredes é uma referência para todos nós, pois é o mestre, mas eu tinha de largar o Paredes e criar um projecto meu", disse a instrumentista à Lusa.

"Quero explicar que tenho um projecto, isso para mim é essencial. Representa um esforço muito grande, que consegui também graças aos músicos que me acompanham", acrescentou.

Com Luísa Amaro (guitarra portuguesa), estão António Eustáquio (guitolão), Gonçalo Lopes (clarinetes), Baltazar Molina (percussões orientais) e Mário Laginha tem participação especial numa faixa.

"Laginha toca cinco minutos de improviso, numa rajada", na faixa seis, intitulada "Meditherranios", que foi a última a ser gravada, dados os compromissos do pianista.

"Se ele não participasse o disco sairia na mesma, mas ele é um músico que estimo, admiro e muito respeito", observou.

Na opinião da guitarrista, Laginha "é um convidado que marca a diferença e é muito bonito o diálogo entre a guitarra portuguesa e o piano".

Quanto ao guitolão, um instrumento imaginado por Carlos Paredes que integra o CD, "está a fazer a sua história e depende muito de quem o toca e a forma como o toca", asseverou Luísa Amaro, para quem a sua inclusão "faz sentido pelo António Eustáquio e por a sua sonoridade se aproximar da do alaúde árabe".

O CD "Meditherranjos" é constituído por nove faixas, todas compostas por Luísa Amaro, com excepção da que conta com a participação de Laginha, "mas pode ser entendido como uma peça só, toda ligada", e é desta forma que será apresentado ao público, a 13 de Fevereiro, no Museu do Oriente, em Lisboa.

Dia 13 marca também o lançamento do CD/Digibook para o mercado, voltando Luísa Amaro e os seus músicos ao palco do Museu no dia seguinte.

"Trata-se de um Digbook porque pedi a vários amigos, como o arabista Adalberto Alves, a etnomusicóloga Salwa Castelo-Branco e o escritor Urbano Tavares Rodrigues para escreverem textos acerca de determinadas faixas", esclareceu a compositora.

Os textos estão traduzidos em inglês, francês e alemão, tendo em vista o mercado externo e os festivais de músicas do mundo onde "o som da guitarra portuguesa é bebido de outra forma", já que "é duro" ser-se concertista em Portugal.

"Muitas pessoas gostam mas quando vêm ter comigo dizem sempre, `se tivesse uma voz`. Não há essa cultura de ouvir música em Portugal", acrescentou Luísa Amaro.

O CD remete para a tradição musical do Mediterrâneo, definindo-o Luísa Amaro nestes termos: "É uma viagem e um reencontro com a música oriental, designadamente árabe que faz parte de nós, mas temos passado ao lado" dela.

Este é o segundo álbum de Luísa Amaro, depois do editado em 2004, "Canção para Carlos Paredes" com o qual pretendeu homenagear o falecido mestre da guitarra e compositor. "Em 2004, pouco depois da morte do Paredes, fiz a minha homenagem ao mestre e fechei um ciclo", disse.

Gravado em três dias, "Meditherranjos" esteve "em maturação" durante quatro anos, com vários espectáculos que foram "essenciais" para fazer "respirar" as músicas compostas e permitiu aos músicos "um maior à-vontade".

"Há também a componente dança que existia nesses espectáculos e que me ajudou a imaginar ambientes, como acontece na faixa `Crisálida`", referiu. Outros temas do álbum são "Egiptânia", "Devaneios", "Kalipha", "Lusitânia", "Jogral", "Mouriscas" e "Jardim da sereia".

fonte ~ rtp

20 de janeiro de 2009

A Naifa : Monotone [3 minutos antes da maré encher, 2005]

Antes de saíres para o trabalho, arrumas à pressa o dia anterior
Para debaixo da cama.
Guardas o coração ainda adormecido bem dentro do teu corpo

E esqueces essa canção que já não passa na rádio
Mas que vive secretamente dentro de ti.
Fechas a porta à chave com duas voltas e sais.

Os teus passos na escada fria soam ligeiros e apagam-se,
Perde-se o rasto, easy listening,
Guardas tudo para ti como um ex-dj...
Assim partes, quase a correr.

Parada junto à passadeira, protegida num gesto ledo
Fixas o olhar na sombra dos carros que passam.
Esperas pelo sábado,
Pelo feriado e as suas pontes,
Pelas férias para ouvires as tuas canções.
Sentes-te longe, silenciosa de luz.

joão miguel queirós / a naifa