25 de novembro de 2008

Filipe Lucas toca de "Sol a Sol"

“Sol a Sol”, é um recital de Guitarra Portuguesa em que Filipe Lucas se apresenta a solo.
Uma vez que se trata duma Guitarra Portuguesa com 14 Cordas, ou seja, com mais duas que o habitual, para além das melodias, o acompanhamento das mesmas surge em simultâneo, por vezes com a sensação que estamos a ouvir dois instrumentos.

O espectáculo é essencialmente composto por temas originais, onde se viaja por um Portugal erudito, sentido bem presente as influências da Musica de Raiz Tradicional Portuguesa, da Musica Erudita, e por vezes também do Fado.

21 de novembro de 2008

Frei Fado d'El Rei : De não saber o que me espera [Senhor Poeta, 2007]

De não saber o que me espera
Tirei a sorte à minha guerra
Recolhi sombras onde vira
Luzes de orvalho ao meio-dia

Vítima de só haver vaga
Entre uma mão e uma espada
Mas que maneira bicuda
De ir à guerra sem ajuda

Viemos pelo sol nascente
Vingamos a madrugada
Mas não encontramos nada
Sol e água sol e água

De linhas tortas havia
Um pouco de maresia
Mas quem vencer esta meta
Que diga se a linha é recta


José Afonso

Prémio José Afonso 2008

A notícia já tem alguns dias, mas não deixa de ter a sua devida importância e pertinência, por mais um destaque de qualidade da música portuguesa. Por isso, não posso deixar de felicitar o justo reconhecimento ao trabalho dos Frei Fado d'El Rei. Parabéns e venham mais discos!

O grupo Frei Fado d´El Rei venceu o Prémio José Afonso 2008 com o álbum "Senhor Poeta - Um tributo a José Afonso", anunciou hoje a câmara municipal da Amadora, que atribui o galardão.

O júri, que decidiu por unanimidade atribuir o prémio aos Frei Fado d´El Rei, foi composto por António Moreira, Olga Prats, Carlos Pinto Coelho e Natália de Matos.

Os Frei Fado d´El Rei, que receberão o prémio no dia 29 nos Recreios da Amadora, surgiram no Porto em 1990 como um projecto inspirado na música de raiz popular e tradicional.

O álbum de estreia, "Danças no tempo" foi lançado em 1995, um ano depois de os Frei Fado d´El Rei terem integrado a colectânea "Filhos da Madrugada", de homenagem a Zeca Afonso.

Desde então editaram ainda "Encanto da Lua" (1998), o álbum ao vivo "Em concerto" (2003) e "Senhor Poeta", registo com 14 temas de José Afonso reinventados pelo grupo a propósito dos vinte anos da morte do músico aveirense.

Integram o álbum temas como "Verdes são os campos", de Luís de Camões, "No comboio descendente", de Fernando Pessoa, ou "Senhor poeta", de Manuel Alegre, que dá o título ao álbum.

Em declarações à agência Lusa, quando saiu o álbum, o guitarrista Ricardo Costa disse que "José Afonso continua a ter uma sonoridade contemporânea e é incontornável para as novas gerações".

"José Afonso trouxe uma roupagem inovadora à música portuguesa, explorando o âmago da música tradicional e popular", explicou na altura o músico.

O Prémio José Afonso, no valor monetário de cinco mil euros, foi criado há vinte anos, em 1988, com o objectivo de homenagear o compositor português e incentivar a criação musical de raiz portuguesa.

Em 2007 o galardão foi atribuído à Brigada Victor Jara, que se junta a uma galeria de artistas como Sérgio Godinho, Fausto, Filipa Pais, Dulce Pontes e Vitorino.

fonte ~ rtp

11 de novembro de 2008

100 anos de Fado de Coimbra

(Re)publicamos a notícia sobre a edição do disco "100 anos de fado de Coimbra", publicado pelo Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra, que se integra na secção do Grupo de Fados dos AOC. Contudo, desta vez com informação actualizada graças à gentileza do Dr. Heinz Frieden, fundador e produtor da editora public-art e responsável pela realização deste trabalho discográfico enquanto director técnico do Coro, quem nos alertou para algumas incorrecções anteriormente publicadas. Assim sendo, citamos o texto de apresentação disponível na web da referida editora, onde também se pode encomendar o disco (por cada CD vendido, um euro reverterá a favor da “Liga Contra o Cancro”).
Relembramos que é um
CD duplo em edição de luxo, que compila não apenas os 40 temas seleccionados, todos eles interpretados por 17 cantores dos AOC e 9 instrumentistas, com a especial participação do Dr. Almeida Santos (sócio honorário nº1 dos AOC), mas também contém um livro, de 52 páginas, com informação das letras, as biografias resumidas de autores e compositores, bem como a história do Fado de Coimbra, do Coro dos Antigos Orfeonistas e da própria academia da Universidade de Coimbra.
É um disco que prestigia a cultura portuguesa a nível nacional e internacional, e desde aqui não podemos deixar de felicitar os AOC pelo seu magnífico e constante trabalho.

"No seguimento da missão que tem marcado a sua existência – prestigiar, promover e divulgar a cultura musical portuguesa e coimbrã a, internacionalmente reconhecida, Associação dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra pretende, com esta obra, cristalizar os diferentes momentos que marcaram a História do Fado de Coimbra através de interpretações surpreendentes dos seus mais emblemáticos temas cantados e instrumentais.

A obra apresentará uma compilação de 40 Fados de várias épocas e terá a particularidade de poder contar com 16 vozes que, apesar de timbricamente diferentes, espelham uma unicidade emocional que só o Fado de Coimbra consegue transmitir.

Assim sendo, este trabalho discográfico reúne diferentes gerações de intérpretes da tradição musical mais emblemática da cidade dos estudantes."


10 de novembro de 2008

"Recado" de Joana Costa

Joana Costa apresenta esta segunda-feira (hoje), às 21.45 horas, no Café Guarany, no Porto, o primeiro disco, "Recado", concerto no qual a fadista é acompanhada por Samuel Cabral (guitarra portuguesa), André Teixeira (viola) e Filipe Teixeira (contrabaixo).

Natural do Ribatejo, Joana Costa demonstrou cedo o interesse pela música. Aos nove anos, participou na gravação de um disco e aos 16 já mostrava o que valia numa revista à portuguesa.

Gravado no Porto e co-produzido pelo quarteto e por Francisco Maldonado, "Recado" (que chega hoje às lojas) nasceu de uma recriação de uma noite de fados. O disco inclui poemas de António Lobo Antunes, Tiago Torres da Silva, António Torre da Guia, Pedro Homem de Mello, Ferrer Trindade, Fernando Perez e Carlos Ary dos Santos, entre outros.

No álbum - uma edição de autor -, além de três temas inéditos, pode encontrar-se "Lisboa garrida", "Meu corpo" e "Sou um fado desta idade", êxitos da fadista Beatriz da Conceição, que sempre foi uma grande fonte de inspiração para Joana Costa.

Um single com o mesmo nome do CD, com letra de António Lobo Antunes, serviu de apresentação ao disco que é apresentado hoje.

Além dos quatro temas referidos, "Recado" tem mais oito: "Meu amor abre a janela", "Tua guitarra", "Fria claridade", "Fado de Coimbra nº 4", "São saudades", "Valsa nº 2", "Depois do amor" e "Duas lágrimas de orvalho".

Informações adicionais sobre Joana Costa podem ser encontradas em www.myspace.com/joanacostafado.

fonte ~ jn

6 de novembro de 2008

Grão a grão

O blog Raízes e Antenas dá-nos a conhecer uma nova editora discográfica no mercado fonográfico português. De nome "Grão", foi criada pelo poeta e letrista Tiago Torres da Silva, quem já colaborou com vários nomes da música portuguesa e brasileira, sendo a sua mais recente aparição o último disco "Flor de fado" da Mafalda Arnauth.
Toda a informação aqui.

Desgarradas de Fernando Maurício e Francisco Martinho editadas em CD

A discográfica Ovação recupera para digital gravações de 1970 de Fernando Maurício e Francisco Martinho que o estudioso de fado Luís de Castro qualifica como "uma mais-valia para as gerações actuais".

"Foram dois grandes nomes que marcaram uma época, as décadas de 1960 e 1970, dois fadistas que se entendiam muito bem e as desgarradas que interpretaram são disso exemplo", disse à Lusa Luís de Castro.

O CD intitula-se "Desgarradas" e além de três desgarradas inclui fados por cada uma destas duas vozes já desaparecidas.

"Toda a recuperação do espólio das editoras para CD é positivo, tanto mais que o Fernando Maurício é um nome de referência, e este CD constitui uma mais-valia para as novas gerações", sublinhou Luís de Castro.

"Revista de fados" (Carlos Conde/Rapsódia), "O fado em duas almas" (C. Conde/Fado Menor) e "Improviso ao desafio" (C.Conde/Rapsódia), são os três fados interpretados pelos dois fadistas.

Referindo-se a Francisco Martinho, Luís de Castro afirmou: "Era um rapaz que tinha uma voz belíssima, cantou na Parreirinha de Alfama e noutras casas também. Tinha uma voz mais metálica do que Fernando Maurício de quem não vale a pena dizer que cantava bastante bem: toda a gente o reconhece. Mas o Francisco não deixava de cantar também muito bem e era uma pessoa que agradava bastante".

As gravações originais foram realizadas em Outubro de 1970 pela editora Estúdio, sendo agora recuperadas para CD pela Ovação.

O editor da Estúdio, Emílio Mateus, disse à Lusa que o "Fernando Maurício foi um dos melhores fadistas, descuidou muito a sua carreira, era um homem essencialmente bairrista, enquanto o Martinho queria sempre gravar novos discos".

Opinião partilhada por Luís de Castro, segundo o qual "para Maurício o dinheiro estava sempre em segundo plano, apesar de não ser rico".

"Vivia o fado e a sua camaradagem, chegando a recusar bons contratos porque se comprometera a cantar numa festa de beneficência", sublinhou.

Emílio Mateus referiu, por seu turno, que "Maurício era sempre fugidio às gravações, preferia o convívio dos amigos, tendo ligado pouco à carreira".

A este propósito, recordou que o poeta Júlio de Sousa ofereceu ao fadista o tema "Saudade vai-te embora", que cantou mas nunca gravou, acabando a sua criação por ser de Fernanda Maria "tornando-se um estrondoso êxito", tendo Amália Rodrigues e Celeste Rodrigues gravado o mesmo tema em seguida.

Deste poeta incluem-se no CD os fados "Loucura", cantado por Maurício, e "Alvorada", por Martinho.

Luís de Castro salientou à Lusa que "Fernando Maurício tinha uma voz belíssima, marcante no seu estilo que deixou escola. Há hoje muitas cópias mas são isso mesmo... cópias, sempre inferiores".

O CD, além das desgarradas, inclui outros temas que cada um canta a solo, designadamente "Bairro eterno" (José António Sabrosa/Júlio Vieitas) por Maurício, ou "A luz do teu caminho" (António Rocha/Miguel Ramos) por Francisco Martinho.

fonte ~ visão

Ana Moura: Os búzios [Para além da saudade, 2007]

Havia a solidão da prece no olhar triste
Como se os seus olhos fossem as portas do pranto
Sinal da cruz que persiste, os dedos contra o quebranto
E os búzios que a velha lançava sobre um velho manto

À espreita está um grande amor mas guarda segredo
Vazio tens o teu coração na porta do medo
Vê como os búzios caíram virados p'ra norte
Pois eu vou mexer o destino, vou mudar-te a sorte (bis)

Havia um desespero intenso na sua voz
O quarto cheirava a incenso, mais uns quantos pós
A velha agitava o lenço, dobrou-o, deu-lhe 2 nós
E o seu padre santo falou usando-lhe a voz

Jorge Fernando

Ana Moura apresenta "Coliseu"

"Coliseu", o primeiro DVD da fadista Ana Moura, chega às lojas a 24 de Novembro. Este foi o seguimento lógico depois dos três trabalhos editados: Guarda-me a vida na mão (2004), Aconteceu (2005) e Para além da saudade (2007). O último rendeu-lhe finalmente um lugar de destaque no fado.

Pisou o palco dos Coliseus de Lisboa e do Porto e foi a partir de um destes concertos, à data esgotado, que foram registados e poderão agora ser revividos em DVD. Coliseu é, então, o primeiro DVD de Ana Moura. A fadista percorreu as canções maiores da sua carreira e contou também com a presença de nomes como Maria da Fé e Beatriz da Conceição, o guitarrista e produtor de sempre Jorge Fernando. Como naipe de músicos, Ana Moura contou com a participação de José Manuel Neto (guitarra portuguesa), José Elmiro Nunes (viola) e Filipe Larsen (viola baixo).

O alinhamento do DVD é o seguinte:

1. Lavava no rio lavava (Amália Rodrigues / Fontes Rocha)
2. Os Meus Olhos São Dois Círios (João Linhares Barbosa / José Alfredo dos Santos Moreira (Fado Menor))
3. Ó meu amigo João (Jorge Fernando / Fado Corrido)
4. Sou do fado, sou fadista (Jorge Fernando)
5. Fado das horas incertas (Jorge Fernando)
6. O Que Foi Que Aconteceu (Tozé Brito)
7. Venho falar dos meus medos (António Laranjeira / Acácio Gomes da Silva [Fado Acácio])
8. Porque teimas nesta dor (José Luis Gordo / José Carlos Gomes [Fado Magala])
9. Divino Fado (José Luís Gordo / Fado Corrido) por Maria da Fé
10. Meditando / Variações em Lá (Armando Freire)
11. Creio (Natália Correia / Jorge Fernando)
12. Boa noite solidão (Jorge Fernando) por Jorge Fernando
13. O meu corpo (Ary dos Santos / Fernando Tordo) por Beatriz da Conceição
14. Fado da procura (Amélia Muge)
15. Primeira Vez (Mário Raínho / Joaquim Frederico de Brito (Fado da Azenha))
16. E viemos nascidos do mar (Fausto Bordalo Dias)
17. Mapa do Coração (Nuno Miguel Guedes / José Blanc (Fado Blanc))
18. Até ao fim do fim (Tozé Brito)
19. Rosa Cor de Rosa (Jorge Fernando / Custódio Castelo)
20. Os búzios (Jorge Fernando)
fonte ~ bodyspace

31 de outubro de 2008

José Mário Branco incita público a 'Mudar de Vida'

Música. Cantor/compositor apresenta pela primeira vez em Lisboa a canção que estreou no Porto em 2007. Os Gaiteiros de Lisboa são os convidados especiais de um espectáculo assumidamente político, que não deixará de oferecer a restrospectiva de uma carreira única

Músico tentou trazer canção a Lisboa há um ano

No dia 30 de Abril de 2007, o Porto ouviu pela primeira vez Mudar de Vida, a composição que José Mário Branco apresenta hoje e amanhã na capital. "Eu quis fazer este espectáculo em Lisboa há mais de um ano, mas não consegui financiamento", explicou. "Este convite da Culturgest permite-me apresentar cá esse tema, mesmo que o programa não seja exactamente igual ao que levei ao Porto".

Não obstante, a ideia central do espectáculo continua a ser a mesma. "Há uma crítica ao que nós chamamos democracia parlamentar representativa, que não resolve os verdadeiros problemas das pessoas, limitando-se a redistribuir a riqueza em função de estratos, classes sociais, e elites que existem na política e na economia e se apoderam da riqueza produzida".

O cantor/compositor não quer, porém, "impingir uma receita política a ninguém", desejando apenas incitar as pessoas. "Se não gostam da vida que estão a viver têm que a mudar, que ela não muda sozinha se as pessoas não fizerem nada", lembra. "Começa-se nas pequenas coisas, pois tem que haver uma progressiva acumulação de forças para haver uma mudança geral na sociedade".

O músico não crê, porém, que seja possível alterar o actual sistema político, sem a movimentação das "grandes massas", descontentes com o actual estado do mundo. "Quando se fala em criar movimento político, em colocar em marcha as energias que há nas pessoas para mudar de vida, música como esta não resolve nada, a não ser do ponto de vista afectivo", continua. "É um oxigénio moral que se dá às pessoas".

No seu entender, esta atitude distingue o artista dos falsos "cantores de intervenção" que "dão um oxigénio contaminado para as pessoas se esquecerem dos seus problemas. É uma droga como outra qualquer, como todos os outros vícios desviantes da realidade". As suas canções, por outro lado, tentam "mobilizar as pessoas para serem sujeitos na sociedade, e não objectos".

É por isso que considera que "tudo é político, mesmo quando diz que não é". Este domínio da política sobre o quotidiano também está presente na canção apresentada hoje na Culturgest. "Um dos temas abordados no Mudar de Vida, é precisamente esse", concorda, referindo uma das frases mais marcantes do tema: "bem tentais não vos ocupar de política, mas a política ocupa-se de vós". Uma citação a Charles Montalembert - "um daqueles neoclássicos franceses" - incluída na canção.

"O Mudar de Vida é apresentado em três partes", refere. "Ouve-se no início - apesar de começar com um tema inédito que escrevi para Lisboa, intitulado Vamos Embora - depois no meio aparece outra vez, antes de fechar o espectáculo com o Mudar de Vida final". Pelo meio vão soar diversas canções retiradas do mais recente Resistir é Vencer (2004), mas também de outros registos, gravados desde a década de 70, e variando entre momentos abertamente políticos e outros mais intimistas.

"Gosto de revisitar os temas, porque os músicos, as condições e os estados de espírito nunca são os mesmos", reitera. Entre os temas reformulados será possível ouvir A Cantiga de Trabalho ou A Engrenagem, de 1973, ou mesmo Remendos e Côdeas, que se ouviu pela primeira vez no Disco da Mãe, corria o ano 1978. Para interpretar estes temas, o artista socorreu-se de um quinteto que o acompanha há vários anos, e inclui Carlos Bica, José Peixoto, Rui Júnior, Filipe Raposo e Guto Lucena.

De entre os músicos que actuaram na Casa da Música, em 2007, este são os únicos que visitam Lisboa, por limitações de orçamento. Agora, o cantor volta a colaborar com o quarteto de cortas que o acompanhou "nos Coliseus de há 4 anos", quando editou o último disco. As percussões tradicionais e os suportes corais cabem aos Gaiteiros de Lisboa, um grupo ao qual José Mário Branco chegou a pertencer. Os bilhetes já estão esgotados, mas a actuação será gravada, e a edição de um disco com a actuação não está posta de parte.
fonte ~ DN