22 de setembro de 2008

Joana Amendoeira : Sopra o vento [À flor da pele, 2006]

Sopra o vento, sopra o vento,
Sopra alto o vento lá fora,
Mas também meu pensamento
Tem um vento que devora.

Há uma íntima intenção
Que tumultua o meu ser
E faz do meu coração
O que um vento quer varrer.

Não sei se há ramos deitados
Abaixo, no temporal,
Se pés do chão levantados
Num sopro onde tudo é igual.

Dos ramos que ali caíram
Sei só que há magoas e dores
Destinadas a não ser
Mais que um desfolhar de flores.

Letra: Fernando Pessoa
Música: Paulo Paz

Sopra o vento
Joana Amendoeira
À flor da pele
HM Música, 2006

Joana Amendoeira e Mar Ensemble em disco e DVD

Gravado ao vivo na quinta edição da Festa do Fado, na Praça de Armas do Castelo de São Jorge, a 21 de Junho de 2008.
O Fado é o que lhe vai na alma. E a Alma é como um rio que força a margem para alcançar o talento, o respeito, a verdade e a coragem que se reflectem em todos os versos que canta, todas as palavras que empresta àquilo que no fim se transforma na “sua voz”.

A Paixão é o que lhe vai no sangue, incontida, desesperadamente incontornável. Pela música, pelas palavras lusas dos grandes poetas de ontem, de hoje e de amanhã.

O Fado na sua essência, na sua raiz e género musical é tudo em que acredita e de forma alguma poderia considerar menor aquilo que a torna maior.

Nada se desvirtua, nada se dispersa, tudo se transforma quando se acredita incondicionalmente em todos os momentos áureos da arte que nos perseguem e abraçam como condição.

Joana Amendoeira é uma fadista de raiz, incondicionalmente uma fadista. Hoje e sempre. E até quando se lança numa aventura forçada pela sua Paixão, consegue ser uma fadista quando, num burburinho, fervilha a água mais pura e mais cristalina. Como quando dois rios se encontram e nesse momento se fundem. Um rio é a “Alma” o outro a “Paixão”.

A Confluência entre a Alma e a Paixão…

Em Portimão, no mês de Novembro de 2007, Joana Amendoeira (voz), Pedro Amendoeira (guitarra portuguesa), Pedro Pinhal (viola de fado), Paulo Paz (contrabaixo) e Filipe Raposo (acordeão) encontraram-se numa reflexão em redor do repertório da fadista para uma actuação com a Orquestra do Algarve. O resultado foi um dos espectáculos mais emblemáticos da história da sua vida.

Como não seria possível deixar em branco uma noite tão memorável como esta, surgiu a ideia de criar um ensemble para se juntar à voz de Joana Amendoeira e ao seu quarteto, formando assim um espectáculo com arranjos de João Godinho, que viria a estrear na Praça de Armas do Castelo de São Jorge, em Lisboa, no âmbito da Festa do Fado, em Junho de 2008.

Deste espectáculo surgiu o sexto disco da fadista, desta vez gravado e filmado para se tornar num disco ao vivo com oferta de DVD.

O Mar Ensemble, criado especificamente para este espectáculo, com a direcção de Paulo Moreira (violoncelo), conta ainda com a presença de António Barbosa (primeiro violino), Paula Pestana (segundo violino), Ricardo Mateus (viola d’arco), Maria Rosa (flauta), Rui Travasso (clarinete), Carlos Alberto (trompete) e João Carlos (trompa). Filipe Raposo, um dos mais conceituados músicos da actualidade, junta o seu acordeão ao trio de fado que desde sempre tem vindo a acompanhar a fadista pelos quatro cantos do mundo.

21 de setembro de 2008

Raquel Tavares : Rosa da Madragoa [Bairro, 2008]

No Bairro da Madragoa
à janela de Lisboa,
nasceu a Rosa Maria
Filha de gente vareira
foi criada na ribeira
entre peixe e maresia

Flor, mulher aquela rosa,
era a moça mais airosa
que a malta já conheceu
e toda a malta do mar
suspira ao vê-la passar de chinela e perna ao léu

Lá vai a Rosa Maria
que a alegria desta ribeira
ouvia e ria à gargalhada qualquer piada por mais cora jeira.
Vai bugiar meu menino!
Não deites barro à parede
que esta rosa é peixe fino para as malhas da tua rede.

O jovem Chico Fateixa
já jurou que não a deixa,
pois a paixão é teimosa
e é de tal modo cegueira
que deu a sua traineira
o nome daquela rosa.

E a Rosa da Madragoa
ao ver escrito na proa
seu nome Rosa Maria
ergueu os braços ao Chico.
Começou o namorico
e vão casar qualquer dia.

Lá vai a Rosa Maria
que a alegria desta ribeira
ouvia e ria à gargalhada qualquer piada por mais cora jeira.
Vai bugiar meu menino!
Não deites barro à parede
que esta rosa é peixe fino para as malhas da tua rede.

Vai bugiar meu menino!
Não deites barro à parede
que esta rosa é peixe fino para as malhas da tua rede.
Rosa da Madragoa
Raquel Tavares
Bairro
Movieplay, 2008

18 de setembro de 2008

Pedro Jóia : Ciganita [À espera de Armandinho, 2007]

Ciganita
Pedro Jóia
À espera de Armandinho
HM Música, 2007

Pedro Jóia vence Prémio Carlos Paredes com CD "À espera de Armandinho"

O álbum "À espera de Armandinho", de Pedro Jóia, ganhou o Prémio Carlos Paredes por unanimidade, anunciou hoje a câmara de Vila Franca de Xira, que instituiu o galardão há seis anos.

Em "À espera de Armandinho", editado pela HM Música em Junho do ano passado, Jóia interpreta 12 composições de Armando Augusto Freire (1891/1946), que ficou conhecido por Armandinho. "Ciganita", "Fado Magioli", "Fado Conde de Anadia" e "Pinoia de Alfama" são algumas das composições que interpreta.

"Este é um prémio que me satisfaz muito e reconforta", disse à Lusa o Pedro Jóia, que não escondeu o seu entusiasmo e o facto de o antecederem neste prémio músicos como Mário Laginha e Bernardo Sassetti.

Ao prémio, com uma dotação de 2.500 euros, concorreram cinco projectos, que foram apreciados por um júri constituído pelo poeta José Jorge Letria e o maestro Pedro Osório, da Sociedade Portuguesa de Autores, o crítico de música Ruben de Carvalho e o compositor e músico Pedro Campos.

Com este prémio, a autarquia ribatejana visa "galardoar o melhor CD de música instrumental não erudita, feita por portugueses, no ano anterior", segundo uma nota da edilidade.

Eminente guitarrista, Armandinho foi acompanhador de vários fadistas, tendo composto essencialmente para guitarra portuguesa. Para este CD, Pedro Jóia, fez a transcrição para guitarra clássica.

"O desafio foi precisamente tornar audíveis e sonoramente agradáveis os temas criados para guitarra portuguesa, numa sonoridade diferente proporcionada pela guitarra clássica", disse á Lusa Jóia, acrescentando ter mergulhado "em absoluto no universo de Armandinho".

"Escolhi os temas que se apropriavam mais à transcrição da guitarra portuguesa para a clássica, havendo alguns que são emblemáticos da sua produção musical", disse.

Segundo Jóia, na música de Armandinho "há ornamentos musicais e andamentos muito rápidos que são difíceis de passar para a guitarra clássica".

O anúncio do Prémio Carlos Paredes antecede a partida de Jóia para o Brasil onde, no âmbito das comemorações dos 200 da Chegada da Corte Portuguesa àquele país, irá realizar uma série de recitais.

Ainda este ano, prevê realizar, em Novembro, um concerto na Casa da Música com a Orquestra de Câmara Portuguesa, que repetirá em Janeiro, em Lisboa, no Centro Cultural de Belém.

Pedro Jóia iniciou aos sete anos os estudos de guitarra clássica na Academia dos Amadores de Música em Lisboa, concluindo o curso de guitarra do Conservatório Nacional, em 1990.

Em 1986 começou a estudar guitarra flamenca, inicialmente de forma autodidacta, frequentando, mais tarde, "master classes" e cursos de aperfeiçoamento com os guitarristas Paco Peña e Gerardo Nuñes.

Frequentou, entre 1989 e 1992, a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e leccionou a disciplina de Guitarra Clássica no Conservatório Regional de Loures entre 1990 e 1992.

Entre 1992 e 1998 estudou e trabalhou com o guitarrista Manolo Sanlúcar, em Córdova.

Iniciou em 1993 a actividade de concertista, realizando vários recitais e apresentando-se em diferentes festivais, tanto em Portugal como no estrangeiro.

Em 1996 gravou o seu primeiro CD, "Guadiano", e, três anos mais tarde, "Sueste".

O seu terceiro CD - "Variações sobre Carlos Paredes" - surgiu em 2001 e, em 2003, editou "Jacarandá", que, entre outras, teve as prestações de Elba Ramalho, Ney Matogrosso e Daniela Mercury.

No ano passado editou "À espera de Armandinho", que integra, além dos citados fados, quatro variações, em Lá menor, I e II, em Mi menor e em Ré Maior.

fonte ~ rtp

11 de setembro de 2008

Roberto Leal : Canto da Terra [Canto da Terra, 2007]

QUEM HÁ DE REGAR O PRADO

AI, E A OLIVEIRA DO MONTE

E DAR DE BEBER AO GADO

AI ! SE UM DIA SECAR A FONTE


QUEM HÁ DE PLANTAR NAS SERRAS

AI, QUEM HÁ DE COLHER A FLOR

QUEM HÁ DE LAVRAR A TERRA

QUANDO NÃO HOUVER UM LAVRADOR


AI, AI, AI – O CANTO DA SERRA

AI, Ó LINDA ATÉ QUANDO SERÁ

AI,AI,AI , O CANTO DA TERRA

AI, Ó LINDA O TEMPO DIRÁ


QUEM SABE A COR DA VIDEIRA

AI, E O TEMPO DE SEMEAR

E O CHEIRO DA LARANJEIRA

AI SE UM DIA NINGUÉM LÁ VOLTAR


QUEM HÁ DE PISAR O VINHO

AI, QUEM CEIFARÁ OS TRIGAIS

E OUVIR OS PASSARINHOS

DE MANHÃ CANTANDO NOS BEIRAIS


E QUANDO EU JÁ FOR VELHINHO

AI, NÃO PUDER SUBIR A SERRA

VOU SONHAR OS TEUS CAMINHOS

HÁS DE SER SEMPRE A MINHA TERRA


(Roberto Leal / Márcia Lúcia)

Canto da Terra
Roberto Leal
Canto da Terra
Som Livre, 2007

Mariza nomeada para Grammy latino pela segunda vez

A cantora Mariza foi nomeada para a 9ª edição dos Latin Grammy Awards, com o seu último álbum, "Terra", na categoria de Melhor Álbum Folk, anunciaram hoje os representantes da artista em Portugal.

Trata-se da segunda vez que Mariza é nomeada para os Latin Grammy Awards - prémios atribuídos anualmente desde 2000, pela secção latina da National Academy of Recording Arts and Sciences norte-americana - depois de no ano passado ter sido seleccionada com o registo ao vivo "Concerto em Lisboa", também na categoria de Melhor Álbum Folk.

"Terra", o quarto CD de originais gravado pela cantora, que se encontra no top de vendas da Associação Fonográfica Portuguesa desde que foi editado, a 30 de Junho deste ano, e é já disco de platina, integrou por pouco uma das 49 categorias dos Latin Grammy Awards deste ano, destinada a premiar os melhores discos lançados entre 01 de Julho de 2007 e 30 de Junho de 2008.

A cerimónia de entrega dos prémios realiza-se a 13 de Novembro, no Toyota Center, em Houston, no Estado norte-americano do Texas.

fonte ~ rtp

10 de setembro de 2008

Amélia Muge : Não sou daqui [Não sou daqui, 2006]

não sou daqui
mas gosto daqui estar
de aprender no lugar de outros
a me encontrar
de poder um lugar achar
no estar aqui
desejar o lugar de todos neste lugar
e saber, no lugar daqui
o meu lugar
não sou daqui

não sou daqui
mas se aqui estou
é porque para mim
também há aqui lugar
e porque há um eu
que aqui se foi achar
e porque um teu
gostou de mim
de me encontrar

(Amélia Muge)
Não sou daqui
Amélia Muge
Não sou daqui
Vachier & Associados, 2006

9 de setembro de 2008

Camané : Sei de um rio [Sempre de mim, 2008]

Sei de um rio, sei de um rio
Em que as únicas estrelas nele sempre debruçadas
São as luzes da cidade
Sei de um rio, sei de um rio
Onde a própria mentira tem o sabor da verdade
Sei de um rio…
Meu amor dá-me os teus lábios, dá-me os lábios desse rio
Que nasceu na minha sede, mas o sonho continua
E a minha boca até quando ao separar-se da tua
Vai repetindo e lembrando
Sei de um rio, sei de um rio
Meu amor dá-me os teus lábios, dá-me os lábios desse rio
Que nasceu na minha sede, mas o sonho continua
E a minha boca até quando ao separar-se da tua
Vai repetindo e lembrando
Sei de um rio, sei de um rio
Sei de um rio, até quando

(Pedro Homem de Melo - Alain Oulman)

Sei de um rio
Camané
Sempre de mim
EMI, 2008