9 de abril de 2008

Os amigos do Gefac


Espectáculo musical

Ao longo dos seus 40 anos de existência, o GEFAC pautou a sua actividade pela valorização da cultura tradicional portuguesa que elegeu como fonte essencial do seu projecto de intervenção.

É com essa mesma intenção que a partir dos seus princípios que o Grupo se propõe realizar um projecto de gravação em CD, constituído por um conjunto de músicas e canções tradicionais, escolhidas de acordo com a ideia de tentar realçar os aspectos em que o mágico e o sagrado se cruzam com o popular nas vivências festivas e quotidianas das nossas gentes.
Não se tratando de um projecto com sentido comercial, não deixamos de atender à necessidade de satisfazer exigências de qualidade, através da reinvenção de uma tradição imemorial, com o propósito de tornar mais actuante e digna de atenção a música portuguesa.

Com base nesse CD apresentamos um espectáculo musical que reflecte a forma como o grupo tem encarado a cultura tradicional. Nesse sentido, o espectáculo não se confina apenas à vertente musical, mas integra apontamentos na área da dança com uma cuidada apresentação cénica.

Ficha Artística/Técnica

Concepção artística: GEFAC

Concepção musical: GEFAC

Desenho de Luz: GEFAC

Produção: GEFAC

7 de abril de 2008

A Naifa | Uma inocente inclinação para o mal

A Naifa
Uma inocente inclinação para o mal
Lisboa Records, 2008

Após dois trabalhos discográficos aclamados pela crítica – “Canções subterrâneas” (2004) e “3 minutos antes da maré encher” (2006) - o grupo A Naifa volta a afiar o panorama musical português com mais uma obra subversiva sobre a estética do Fado, que estará disponível no mercado a partir do dia 31 de Março.

O título “Uma inocente inclinação para o mal” pode sugerir uma intenção de desconstrução dos seus cânones estabelecidos, e, neste sentido, esta pequena maldade inocente é consentida por um desejo de renovação e adaptação do Fado às sonoridades mais contemporâneas e vanguardistas, ao mesmo tempo que se reivindica a aculturação que a música portuguesa tem vindo a sofrer nos últimos anos.

A Naifa é precisamente um dos grupos pioneiros nesta busca de modernidade inovadora, e, de facto, a fusão entre o acústico e o eléctrico tem sido a sua imagem de marca, misturando o som da voz e da guitarra portuguesa com os samplers, bateria e baixo eléctrico. Neste sentido, assistimos a uma continuidade sonora muito pessoal do grupo, que em conjunto desenvolve um cruzamento de diferentes linguagens musicais: música electrónica, pop, reggae e fado, que, comparativamente aos trabalhos anteriores, neste disco ganha especial protagonismo, tanto pelas cadências melódicas, como pela maior expressão da guitarra portuguesa.

Por outro lado, este projecto de música urbana sempre se destacou pela qualidade literária dos poemas musicados, mas se nos discos prévios havia um processo de selecção minuciosa nos livros de poesia, este trabalho abordou um método de criação distinto. Em oposição à procura e à recolha por parte do grupo, foi a letrista Maria Rodrigues Teixeira quem foi ao encontro dos músicos após um concerto em Tondela, estabelecendo uma simbiose consolidativa do ambiente de A Naifa, ou seja, o facto de conhecer o seu trabalho, permitiu-lhe idealizar “histórias-retratos” que se integram plenamente na filosofia do grupo. Por outro lado, ao serem poemas escritos com uma intenção musical, em certa medida proporcionou um resultado mais natural e fluído.

Este é um disco que emana uma forte personalidade de ironia e crítica sobre uma sociedade cada vez mais desnorteada, ou não fosse a sua inocente inclinação para o mal...

Sara Louraço Vidal

Alinhamento:

  1. um feitio de rainha
  2. filha de duas mães
  3. na página seguinte
  4. esta depressão que me anima
  5. um rapaz mal desenhado
  6. dona de muitas casas
  7. o ferro de engomar
  8. apenas durmo mal
  9. pequenos romances
  10. na aula de dança
  11. o ar cansado dos meus vestidos
  12. nas tuas mãos vazias
  13. uma ligeira indisposição
  14. apanhada a roubar
pérola estúdios 4 e 5
setembro 2007 / fevereiro 2008
produção - joão aguardela e luis varatojo; gravação - antónio bragança; mistura - luis varatojo e antónio bragança; masterização - tó pinheiro da silva.


señoritas



4 de abril de 2008

Meu bem Meu mal

Na passada quinta-feira, 3 de Abril, José Barros e os Navegante apresentaram o seu último disco no Teatro da Luz, em Lisboa.
MEU BEM MEU MAL vai estar à venda nos primeiros dias de Maio 2008, e foi produzido por José Barros e José Manuel David, gravado, misturado e masterizado por João Magalhães no Estudio da Ribeira em Sintra entre Junho e Dezembro de 2007.
O grupo de José Barros,Miguel Tapadas,João Ramos, Abel Batista, Vasco Sousa e Carlos Lopes estará acompanhado neste especatculo, por José M.David e Gonçalo Lopes e apresentarão ao vivo apenas temas do novo disco.
http://web.mac.com/jbnavegante1
www.myspace.com/jbnavegante
www.youtube.com/jobarnavega

29 de março de 2008

Arrefole | Veículo Climatizado

Arrefole
Veículo Climatizado

Açor/ Megamúsica, 2006

Como uma reflexão metódica, uma imersão sensorial ou uma espontânea e revolucionária descoberta, “Veículo Climatizado” propõe-nos uma viagem entre a tradição, a perda e a procura de identidade cultural nas grandes urbes, neste caso contextualizada na cidade do Porto. Contudo, conhecendo a trajectória do grupo Arrefole, facilmente entendemos que este seu primeiro trabalho discográfico reflecte a própria travessia musical da banda.

Decorria o ano 2000 quando um trio de jovens apaixonados pela música tradicional portuguesa decide reavivar melodias esquecidas no urbanismo frenético e aventuraram-se em dá-las a conhecer a um público distante deste tipo de música. Do reavivar passaram ao criar, consolidando novas sonoridades e intenções, à medida que a formação se ia reinventando e adaptando-se à passagem do Tempo até aos dias de hoje.

Não há dúvida de que, actualmente, os Arrefole são uma esperança e um novo alento da música portuguesa de raiz, apresentando uma proposta criativa e original, emotiva e provocativa, onde a música tradicional do Minho e de Trás-os-Montes ganha novo fôlego e atrevimento, através de alguns arranjos talvez considerados pouco convencionais pelos mais puristas. Mas os Arrefole sabem transportar este legado patrimonial à sua e nossa realidade, e os temas originais transmitem essência própria e essa passagem de influência e de saber hereditário, onde a tradição dá lugar à inovação.

Veículo Climatizado apresenta-se, assim, como um conceito amadurecido, trabalhado e reflectido, onde se destacam os sons captados artesanalmente no quotidiano das ruas e das gentes do Porto. Eles provocam a nossa imaginação, acentuam uma vontade subliminar de também vivermos essas viagens e experiências urbanas, os contrastes cognitivos que nos possam surpreender ao som dos Arrefole, descobrindo uma nova identidade dentro do dia-a-dia duma realidade cada vez mais globalizada.

Sara Louraço Vidal, 2007

Alinhamento:

  1. travessia
  2. vôo do arado
  3. água sagrada
  4. barqueiros
  5. metro_nomo
  6. a minha saia velhinha
  7. arrebirachula
  8. um canto de mim
  9. passear p'lo passeado
  10. gutlics
  11. júlio pereira
  12. saia da carolina
  13. caixinha de música
gravação - emiliano toste (estúdios toste); mistura - emiliano toste, nuno flores, arrefole; masterização - emiliano toste.
metro_nomo

26 de março de 2008

Escola de Fado | Amadora

Inscrições e informações:

Escola Intercultural das Profissões e do Desporto
Rua Henrique de Paiva Couceiro, 10
Venda Nova
2700-453 AMADORA
Tel: 21 499 78 00 | Fax: 21 499 78 33

25 de março de 2008

Teresa Salgueiro & Lusitânia Ensemble | La Serena

Teresa Salgueiro & Lusitânia Ensemble
La Serena

Éter, 2007

Longe vai o ano de 1986, quando Rodrigo Leão e Gabriel Gomes, ao passear pelo Bairro Alto, em Lisboa, são surpreendidos pelo cantar de Teresa Salgueiro, que espontâneamente cantava um fado entre amigos. Ironia do destino ou sorte do acaso, o certo é que esse instante seria o início dum dos movimentos mais importantes da música portuguesa e de maior projecção internacional.
Ao longo de 21 anos, Salgueiro foi gradualmente assumindo o papel de imagem de marca dos Madredeus, aliado ao seu jeito peculiar de cantar e à sua postura em palco, relembrando-nos adjectivos como “doce” e “delicada”. De facto, o seu encanto natural e o timbre único da sua voz não passaram desapercebidos, e transformaram-na numa das vozes femininas mais destacáveis dos últimos tempos, colaborando com grandes nomes da música internacional, tais como Ângelo Branduardi, Caetano Veloso e Carlos Núñez.
Apesar de se identificar plenamente com a música de Madredeus, Teresa Salgueiro sentiu a necessidade de abarcar outros projectos paralelos ao grupo, que se consolidaram com a sua saída do grupo em Novembro de 2007. É neste contexto que assistimos ao florescer de “La Serena”, uma ideia impulsada por Pedro Ayres Magalhães, quem desafiou Salgueiro a elaborar unha lista das suas canções favoritas em vários idiomas. Por sua vez, os arranjos foram concebidos por Jorge Varrecoso Gonçalves, mentor e director do Quinteto Lusitânia, um grupo de cordas com alguma relevância no campo da música erudita, e que neste espectáculo evolucionou para Lusitânia Ensemble.
As sensibilidades cruzam-se e resultam na gravação deste disco transversal, como um viajar duma sereia que parte ao encontro das melodias que compõem o mundo e marés de sons, cantadas em italiano, português, castelhano, francês, inglês e crioulo. Por outro lado, este disco é um convite aberto à descoberta do universo pessoal de Teresa Salgueiro, que assim partilha, com toques de elegância e refinamento, o seu sentir sobre diversas estéticas musicais, desde o jazz ao samba, passando pela morna e pelo fado, entre outros estilos, denotando-se uma conjunção perfeita entre a voz e o envolver do lirismo das cordas.
Sara Louraço Vidal, 2008
Alinhamento
  1. la serena
  2. a velha tendinha
  3. o namoro
  4. o leãozinho
  5. vuelvo al sur
  6. la vie en rose
  7. lá vai lisboa
  8. nome de rua
  9. amanhã
  10. se todos fossem iguais a você
  11. caruso
  12. paloma negra
  13. a velha infância
  14. mar azul
  15. estranha forma de vida
  16. a casa da mariquinhas
  17. avec le temps
  18. unforgettable
  19. somewhere over the rainbow
Gravado no Estudio Garate, de San Sebastián, em Maio e Junho de 2007.
Engenheiro de som - Jorge Barata; Técnico de som - Haritz Harreguy; Assessor musical de Teresa Salgueiro - Francisco Ribeiro; Direcção das gravações - Vasco Azevedo; Misturado por Pedro Ayres Magalhães; Masterizado nos Estudios Auditiv em Junho de 2007 por Pedro Ayres Magalhães e Rui Fingers.

13 de março de 2008

uma inocente inclinação para o mal

Mulher passa a palavra

Numa acção inédita que pretende chamar a atenção das mulheres portuguesas para o problema do cancro do colo do útero, 17 cantoras nacionais juntaram as suas vozes no CD "Mulher passa a palavra".

Adelaide Ferreira, Ana Moura, Dulce Pontes, Claud, Jacinta, Joana Pessoa, Kátia Guerreiro, Lúcia Moniz, Susana Félix, Manuela Azevedo, Nancy Vieira, Rita Guerra, Teresa Salgueiro e Xana são as artistas que participam no projecto solidário. Cada cantora escolheu um tema para integrar o CD e para além disso, foi incluída uma versão inédita da música Woman, de John Lennon, interpretada por dez cantoras.

Parte da receita da venda do álbum reverte para a Liga Portuguesa Contra o Cancro, que age no âmbito da prevenção da doença. Todos os dias, uma mulher portuguesa morre vítima do cancro do colo do útero. Esta é a segunda causa de morte por cancro na Europa, em mulheres entre os 15 e 44 anos.

Na semana passada, cinco delas - Jacinta, Joana Pessoa, Rita Guerra, Nancy Vieira e Claud - subiram ao palco do Casino Lisboa para a apresentação do trabalho.

9 de março de 2008

Aldina Duarte edita novo álbum em Abril

O terceiro álbum da Aldina Duarte "sairá em Abril ou Maio", e será composto com letras de sua autoria e de Maria do Rosário Pedreira, sobre melodias de fado tradicional, disse a fadista à Lusa.

A fadista que não revelou o título do álbum afirmou que "o tema central do disco são as histórias do universo feminino familiares a todos nós".

Aldina Duarte escusou-se a dar outros pormenores, acrescentando apenas que "três fados são originais de três fadistas que são marcos determinantes na história do fado".

O álbum foi gravado com os músicos que a acompanham desde o primeiro disco: José Manuel Neto, na guitarra portuguesa e Carlos Manuel Proença, na viola.

"Há algumas surpresas que penso válido mantê-las como tal até à edição do disco, inclusive o título", sublinhou.

Aldina Duarte editou o seu primeiro álbum, "Apenas o amor", em 2004, em que canta maioritariamente poemas inéditos de sua autoria, de Manuela de Freitas e de João Cabral do Nascimento e recupera "Anjo inútil" (Luís de Macedo) do repertório de Amália Rodrigues.

Em 2006 publicou pela EMI Music "Crua", constituído apenas por poemas de João Monge para músicas tradicionais de fado.

Aldina Duarte começou a cantar no coro do grupo "Valdez e as piranhas douradas", o seu primeiro fado, "A Rua do Capelão" ("Novo fado da Severa" de Frederico de Freitas e Júlio Dantas), é cantado para um filme "Xavier", de Manuel Mozos.

Conhece mais tarde, por razões profissionais, Beatriz da Conceição e ficou "apaixonada" pelo fado, tendo decidido ser fadista.

Prosseguiu os trilhos do fado, cantou em peças de teatro, designadamente "Judite nome de guerra" de Almada Negreiros, encenada por Germana Tânger no Teatro São Luiz, em Lisboa.

Aldina afirma que foi ganhando a noção do "sagrado" da profissão, mas também "achando que havia muito para aprender".

Passa pelas noites de fado da Casa do Registo da Mãe d`Água, em Lisboa, pelo programa televisivo "Grande Noite" de Filipe la Féria, que abandona pois achava "que não sabia o suficiente para estar ali".

Organiza noites de poesia e fado no Teatro da Comuna, em Lisboa, e começa a trabalhar diariamente numa casa de fados.

Do Piccolo Teatro, em Milão (Norte de Itália) surge o convite para participar numa peça sobre a vida de Fernando Pessoa escrita por António Tabucchi.

Em todo este percurso, afirma, "mantive os rituais que sempre achei distintos e belos no fado: o xaile preto, o vestido preto, discreto e elegante, o silêncio, a luz baixa, tudo o que sempre me deslumbrou".

O ano passado integrou o elenco de "Divas do Fado" apresentado em Londres, no Queen Elisabeth Hall, no âmbito do Festival Atlantic Waves.

fonte ~ rtp

deste-me tudo o que tinhas

29 de fevereiro de 2008

"Falta consciência histórica à população portuguesa"

Quando é que se interessou pela música?

Foi em miúdo. Na escola, sempre cantei. Lembro--me de ter interpretado uma ópera de Mozart. Na altura, estava longe de saber que iria fazer dessa vida profissão. Mas só mais tarde é que me interessei pelos instrumentos de sopro...

Porquê? Não são instrumentos tão habituais como a guitarra ou o piano...

Sim, é verdade mas eu sempre quis reproduzir a voz. Queria tocar como se estivesse a cantar. Os livros dizem que a flauta de bambu é o instrumento que mais se assemelha com a voz humana. Também sempre me encantou a imagem do pastor a tocar no campo. A faceta bucólica sempre esteve presente.

Cresceu na cidade. De onde vem esse gosto pela ruralidade?

Sou de Campo de Ourique [Lisboa] mas sempre tive gosto pelo campo. A música tem uma grande ligação à natureza. De certa forma, creio que percorri um caminho inverso a muitas pessoas que nascem num meio rural e querem vir para a cidade a todo o custo.

O que é que encontra no campo que a cidade não lhe oferece?

Principalmente, a paz interior. Há um recolhimento muito forte que é difícil de conseguir na cidade. Todos os dias viajo até ao campo para tocar um pouco. É um ambiente calmo, com muito ar puro. O lado contemplativo está sempre presente.

Pratica 'yoga'?

Desenvolvo uma série de actividades ligadas ao yoga mas a mais importante de todas é mesmo tocar (risos). Falando a sério, é muito bom para a saúde até pelo exercício que representa para os pulmões.

Como é que se sente num meio urbano cada vez mais agressivo?

Não gosto de multidões. Prefiro estar no meu canto mas não sou anti-social. Se estiver muita gente num espectáculo meu, óptimo! Gosto da Lisboa antiga, do Cais do Sodré e de Alfama. Sou muito fadista e até toco por carolice todas as segundas-feiras no restaurante Mesa de Frades.

Fado Bailado, disco que editou em 1983, obteve sucesso comercial e reconhecimento. Foi inesperado?

O Fado Bailado nunca foi pensado para grandes multidões. Quando o gravei, fiquei à espera que os puristas do fado me atacassem. Mas afinal não. No fundo, é apenas cantar o fado mas recorrendo a um instrumento de sopro.

De onde vem essa alma fadista que ficou clara nessse disco?

Quando era mais novo, gostava de fado e de flamenco e só mais tarde é que me envolvi com o jazz. Gostava muito da Amália Rodrigues e do Alfredo Marceneiro. Sou um pouco marginal mas não à força. Considero que a minha música é contestária apesar de já ter obtido muito sucesso com ela.

Esteve ligado ao fado e ao jazz. Considera-se um músico ecléctico?

Através de todas as diferentes influências, procuro mostrar um espírito que passa pela música do Oriente, pela Índia, pelo Norte de África e até mesmo por Goa. Tocar outras músicas é tocar-me a mim. Por vezes, sinto que gostava de saber tudo mas sei que é impossível (risos).

Há um interesse pela diáspora portuguesa que lhe é muito caro. É um apaixonado pela história?

É preciso compreender as origens. Creio que falta consciência histórica à população portuguesa para se perceber que, por exemplo, a influência árabe está muito presente na música.

De onde vem o seu interesse pela cultura oriental?

Sou fã de toda a música de raiz. É preciso compreender as origens para andar para a frente. A música oriental tem muito a ver connosco. Canta emoções como o fado. Tem muito a ver com o lamento. Para além disso, é muito chegada à voz.

Mais uma vez o lado espiritual presente...

É preciso compreender essa ligação. A música é a voz de Deus.

Tocou em Jacarta, na Indonésia. Como foi essa experiência?

Foi fantástico. Os problemas não estão no povo. São coisas criadas pela classe política. Não foram as pessoas que assaltaram Timor. É um território com uma tradição musical muito rica. Nesta altura, já nem estou completamente familiarizado com a cultura local. Mais importante, foi o concerto em Bombaim. Nunca me tinha sentido tão nervoso. Foi importante para ultrapassar fraquezas.

Sente que há tesouros por descobrir em tradições menos exploradas?

Claro! A cultura anglo-saxónica é avassaladoramente potente e consegue mesmo enganar as pessoas. Por exemplo, um miúdo pode ter a tentação de dizer que música portuguesa é toda aquela que é cantada em português o que não é verdade. O rock tem uma matriz claramente anglófona e pode ser cantado na língua portuguesa mas não é por isso que passa a pertencer à tradição nacional. Sou capaz de reconhecer uma frase musical por conhecer a nossa raiz.

As novas tecnologias podem ser importantes para a divulgação de outras músicas ?

Sim, mas acabam por não ser. Na teoria, são muito boas mas, mais uma vez, o imperialismo do mundo ocidental manipula a verdade. É o jogo do mais potente, mais uma vez a funcionar. Os mais poderosos dominam completamente a divulgação. Há alturas em que me sinto um estranho com o domínio de uma cultura que me é bastante estranha. Confesso que nunca estive muito ligado à pop.
fonte ~ dn

chapéu preto