14 de fevereiro de 2008

Carlos do Carmo | À Noite

Carlos do Carmo
À Noite
Universal Music Portugal, 2007

Na 22ª edição dos prémios Goya, Carlos do Carmo arrecadou a distinção de melhor canção original, com a interpretação do "Fado da Saudade" no filme Fados, uma visão cinematográfica pessoal do realizador espanhol sobre a canção de Lisboa. Tão pessoal, que a polémica foi constante e intensa, entre críticas mais puristas e elogios desmedidos.
Carlos do Carmo também é um artista habituado à polémica, ou não fosse ele um dos fadistas mais destacados e veteranos, logo susceptível a todo o tipo de comentários que a profissão lhe confere. Contudo, o seu génio supera as adversidades, patente na sua vasta discografia duma carreira internacional desde 1964. O facto de lhe ser atribuído este último reconhecimento só demonstra o carácter universalista do seu cantar, cujo timbre envolvente, aliado ao sentimento que o cantor impõe aos versos, resulta em magnetismo puro.
Carlos do Carmo não é um homem do passado, procurando sempre uma renovação constante da sua música, como é exemplo o seu mais recente trabalho "À Noite", que consiste numa homenagem a Lisboa, ao mesmo tempo que assinala o 25º aniversário do formato CD em Portugal, de quem o fadista foi o precursor com a gravação de "Um homem no país".
Para este novo disco, Carmo desafiou sete poetas contemporâneos (sem qualquer experiência de escrita para este tipo de música, há que dizer!) a pôr letra e mensagem a doze melodias emblemáticas de Alfredo Marceneiro ou Joaquim Campos, pretendendo estabelecer, desta forma, uma ponte temporal. É precisamente este saber cruzar tradição com modernidade que o torna numa referência para as novas gerações, sendo verdadeiramente um elo de aproximação e reencontro, com o intuito de consolidar uma arte musical ancestral, mas que se quer actual. Neste sentido, Carlos do Carmo é um guia sábio, ao partilhar o testemunho da sua experiência de vida, como reflexo duma história marcante e dum futuro sério e exigente, tal como o próprio Fado o é.

Sara Louraço Vidal, 2008
Alinhamento:
  1. insonia
  2. pontas soltas
  3. fado do 112
  4. lisboa oxalá
  5. margens da solidão
  6. à noite
  7. a guitarra e o clarim
  8. vem não te atrases
  9. madrugada
  10. vou contigo coração
  11. fado dos meus fados
  12. enredo

O crescer da Mandrágora

Ainda no mês passado escrevia uma resenha do primeiro disco dos Mandrágora, e já chegam boas novas do blog A Trompa sobre a edição do seguinte trabalho discográfico "Escarpa", a ser editado pela Hepta Trad a 9 de Maio deste ano.
A contagem decrescente já começou, ora leiam:
Depois da senda pelas raízes folk, que serviram de inspiração ao 1º disco dos Mandrágora, o novo “Escarpa” segue um caminho mais urbano numa explosão de ideias progressivas com salpicos de Jazz e vórtices de Rock. As músicas são curtas e densas com melodias rápidas na gaita de foles, muita improvisação ao saxofone e um baixo e bateria intensos. O conjunto é enriquecido com originais arranjos de guitarra e pela introdução de instrumentos de arco como o violoncelo a moraharpa e a nyquelarpa. Além da composição instrumental conjunta, “Escarpa” conta com a participação internacional de Simone Bottasso no acordeão diatónico e de Matteo Dorigo na Sanfona, e da participação nacional de Francisco Silva na voz e guitarra e de Helena Madeira na voz.
A raíz que se plantou no início, agora se fez formoso arbusto…“.

11 de fevereiro de 2008

Novo álbum de Camané sairá na primeira semana de Abril pela EMI Music Iberia

Camané, recentemente regressado de uma actuação em Madrid, a 04 de Abril, o seu novo álbum, que está a gravar com produção do músico José Mário Branco, disse á Lusa o fadista.

Em declarações à Lusa, o fadista afirmou que manterá a equipa que o tem acompanhado nos últimos anos, além de José Mário Branco que é seu produtor desde "Uma noite de fados", editado em 1995.

"Somos já velhos cúmplices e amigos. Ele sabe onde eu posso surpreender e vice-versa. Somos uma equipa", afirmou.

Trata-se do primeiro albúm de Camané para a EMI Music Iberia, depois de terminada a parceria EMI Music/ Valentim de Carvalho.

Além do produtor, acompanham-no os músicos José Manuel Neto (guitarra portuguesa), Carlos Manuel Proença (viola) e Carlos Bica (contrabaixo).

Novidade será a participação do guitarrista Ricardo Rocha, que conhece "desde miúdo" e com quem há muito Camané pretendia gravar um fado.

"Reentro hoje em estúdio e na primeira semana de Abril o CD deverá estar no mercado", disse o fadista.

Quanto às escolhas Camané afirmou que seguirá "a linha dos anteriores, uma selecção de poemas que gosto e que me sinto bem a cantar, e quanto às músicas, alguns fados tradicionais e talvez experimentar músicas novas".

Em tom de balanço, Camané afirmou que "muita coisa mudou" desde que gravou o seu primeiro disco da fase adulta, há cerca de 15 anos, e que hoje se sente "menos constrangido" a cantar fado.

"Lutei muito para impôr uma produção para fado, com os meus músicos. Quando comecei a cantar, na altura do primeiro álbum da fase adulta, ninguém comprava espectáculos de fado, nem as câmaras, nem havia circuitos", disse.

"Naquele ano realizei apenas dois espectáculos, até à televisão era difícil ir", recordou.

Hoje considera que "está tudo mais fácil" e que "o fado não está em moda, está é mais visível e tornou-se mais interessante porque o descobriram".

fonte ~ rtp

7 de fevereiro de 2008

Novo regime de trabalho dos artistas entra em vigor

O regime que define as regras dos contratos de trabalho dos profissionais de espectáculos em Portugal entra em vigor com a publicação da legislação, hoje, no Diário da República.

Os profissionais do espectáculo, como actores, realizadores, músicos, bailarinos ou toureiros, não tinham até aqui qualquer estatuto que regulasse a sua actividade.

A maioria dos artistas trabalha actualmente sem contrato de trabalho, a recibos verdes, e sem qualquer protecção em caso de doença ou desemprego.

O novo regime, que foi aprovado na Assembleia da República em Novembro, regulamenta o exercício da profissão, estipula a modalidade de contrato de trabalho - por tempo indeterminado ou a termo resolutivo - e quem está abrangido pela lei.

O documento refere ainda que os artistas não são obrigados a registarem-se nos serviços do Ministério da Cultura, mas quem o fizer terá direito a um título profissional válido por cinco anos.

A lei não estabelece ainda as regras relativas à segurança social, cujo regime será estipulado numa regulamentação específica, uma ausência criticada por todos os partidos da oposição na altura em que a legislação foi aprovada.

Os direitos de propriedade intelectual decorrentes da actividade artística serão regidos pelo Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos.

A legislação estipula que são consideradas artísticas as actividades de actor, artista circense ou de variedades, bailarino, cantor, coreógrafo, encenador, realizador, cenógrafo, figurante, maestro, músico e toureiro.

fonte ~ lusa

5 de fevereiro de 2008

Escolas de Leiria contestam corte de apoios ao ensino inicial da música

Leiria, 04 Fev (Lusa) - Os responsáveis das duas escolas de música de ensino oficial de Leiria criticaram hoje a proposta da tutela em acabar com os apoios à iniciação e ao ensino supletivo, uma medida que deverá entrar em vigor no próximo ano lectivo.

"Estou perfeitamente convencido que isso terá sido um delírio" de algum responsável governativo, afirmou Henrique Pinto, responsável pelo Orfeão de Leiria, comentando a possibilidade de a tutela vir a cortar com os apoios ao ensino de iniciação.

"Não passa pela cabeça que alguém pense reduzir o ensino básico de música a uma mera generalidade como acontece nas actividades extra-curriculares", considerou este responsável.

No âmbito da reforma do ensino artístico especializado, a partir do próximo ano lectivo as escolas públicas de música estão impedidas de dar aulas ao 1º ciclo e terão de funcionar em regime integrado, ou seja, ministrarem formação geral (como em qualquer escola) e especializada (artística).

Outra das propostas do Ministério da Educação tendo em vista a reforma do sector passa pela obrigatoriedade de estas escolas leccionarem apenas em regime integrado, que prevê a realização da formação geral e especializada no mesmo estabelecimento de ensino.

O regime supletivo caracteriza-se por permitir aos alunos frequentar as disciplinas musicais no Conservatório e as do ensino geral numa escola à sua escolha.

Nesta matéria (regime supletivo), Henrique Pinto admite "alguma lógica" no corte dos apoios devido à resposta de o ensino generalista está a dar.

Posição mais crítica tem Paulo Lameiro, director da Escola de Artes, salientando que esta medida irá cortar com os apoios às escolas particulares - como são o caso de Leiria - e levar ao despedimento de muitos professores.

"Tudo o que afecta as escolas públicas, afecta-nos a nós" e as instituições deixarão de ter apoios para ministrar "ensino vocacionado de música" até aos dez anos de idade.

Para Paulo Lameiro, esta medida foi a forma da tutela "arranjar professores para as actividades extra-curriculares" nas escolas mas isso "só vai destruir o único sistema que, mesmo a funcionar mal, formou músicos em Portugal".

"Uma coisa é a educação musical que todo o cidadão tem direito a ela mas outra coisa é um sistema que permite a formação de músicos e isso não pode ser destruído", acrescentou.

fonte ~ rtp

4 de fevereiro de 2008

Prémio Goya para fado de Carlos do Carmo

Chegou a ser apontada como uma das mais polémicas categorias da edição deste ano dos prémios Goya, os Óscares do cinema espanhol. Não por ter um português e um fado entre os nomeados, já que a polémica veio mesmo de outras nomeações a concurso. A vitória sorriu contudo a Fado da Saudade, uma das canções originais integradas no filme Fados, de Carlos Saura, interpretada por Carlos do Carmo. O prémio foi ontem entregue em cerimónia que decorreu no Palácio Municipal de Congresos del Campo de las Naciones, em Madrid.

O Fado da Saudade, interpretado por Carlos do Carmo, venceu a categoria na qual estavam também nomeadas as canções Circus Honey Blues, de Victor Reyes e Rodrigo Cortés (da banda sonora do filme Concursante), Happy, Happy Chueca, de Diossa e Malyzzia, (de Chuecatown), La Vida Secreta de las Pequeñas Cosas, de David Broza e Jorge Drexer, (de Cándida), e Pequeño Paria, de Daniel Melingo (de El niño de barro).

Camané, outro fadista presente no elenco de Fados, comentou a vitória de Carlos do Carmo afirmando que esta "representa que o fado está a chegar a sítios difíceis e onde a música portuguesa habitualmente não chega". Para Camané, a vitória do Fado da Saudade é também "uma prova e um reconhecimento do grande intérprete que é o Carlos do Carmo e da forma como ele toca as pessoas", acrescentou.

O filme Fados, estava ainda nomeado para uma outra categoria: a de Melhor Documentário. Aí, contudo, o filme perdeu para Invisibles, produzido por Javier Bardem.

Em Portugal, Fados foi visto em 2007 por perto de 28 mil espectadores.- N.G.

31 de janeiro de 2008

Mandrágora | Mandrágora

Mandrágora
Mandrágora
Zounds/Sabotage, 2005

Há discos que vale a pena recordar, e escutar vezes sem conta, porque o tempo não os desactualiza ou descataloga, pelo contrário, amadurecem e ganham um sabor e côr especiais.

O primeiro disco dos Mandrágora, intitulado homonimamente, é desses trabalhos que vai fluindo ao longo dos anos, precisamente como uma raíz que vai explorando e apropriando-se de novos terrenos. Por isso, nele encontramos sonoridades tão díspares, na sua maioria instrumentais e de autoria própria, de intensa personalidade, ou não fossem resultado das experiências vivenciais dos membros da formação do Porto, que desde o ano 2000 foram recolhendo e assimilando histórias do imaginário popular e paisagens dum Portugal ancestral, envolto em mistério e misticismo.

É neste contexto que submergimos num mundo de magia, conjuros e feitiços, e quebramos o “Aranganho” numa encruzilhada perdida em Trás-os-Montes; visitamos o “Alto das Pedras Talhadas”, lugar megalítico perto de Évora associado ao culto da fertilidade; ou descobrimos os encantamentos de “Dona Chama”.

Entretanto, a mandrágora cresceu e as suas propriedades fecundantes e afrodisíacas semearam resultados, sendo este disco aclamado pela crítica especializada, tanto a nível nacional como internacional, acabando por ganhar o Premio Carlos Paredes em 2006. De facto, este é um disco inovador dentro do panorama da música portuguesa, uma vez que sabe conjugar de forma criativa e original os sons da tradição mais rústica com a estética musical mais progressiva e global, recorrendo, por exemplo, a instrumentos como o baixo eléctrico e a bateria.

Reza a lenda que a raíz da Mandrágora, que tem forma humana, deve ser arrancada da terra em noite de lua cheia e por uma corda atada a um cão preto, caso contrário ela gritaria até matar. O certo é que este disco é um grito de afirmação dum grupo que promete uma continuidade desejada, estando prevista a apresentação do segundo disco para Maio de 2008.

Sara Louraço Vidal
Alinhamento:
  1. vale de sapos
  2. alto das pedras talhas
  3. penas roias
  4. campanhã
  5. galandum
  6. o aranganho
  7. e pia o mocho
  8. trotamundos
  9. dona chama
  10. contra a noite
  11. agarez
  12. ir
  13. alraun
  14. trangalhadanças - alvorada de murracezes
Gravado na Quinta da Música no Outono e Inverno de 2003/4.
Som - Luís Carlos; Produção - Luís Carlos e Mandrágora; Fotografia - Nuno Horta; Design - Rui Garrido; Produção Executiva - Ana Paula Flores.

vale de sapos

28 de janeiro de 2008

ABAF-Associação Benaventense Amigos do Fado

A ABAF foi fundada em 2003. O seu principal objectivo é fazer funcionar uma escola para o ensino da guitarra portuguesa e da viola de fado.
O objectivo foi conseguido e temos actualmente cerca de 30 alunos com idades compreendidas entre os 8 e os 60 anos.
São nossos professores o guitarrista António Jorge, e o violista João Ramos.

Somos uma Associação legalmente constituída, e estamos neste momento perto da conclusão da construção da nossa Sede, em terreno cedido pela Câmara Municipal de Benavente.

As aulas são gratuitas. Quem quiser frequentar basta aparecer às 3ªs feiras a partir das 21,00 horas no Cine Teatro de Benavente.