11 de fevereiro de 2008

Novo álbum de Camané sairá na primeira semana de Abril pela EMI Music Iberia

Camané, recentemente regressado de uma actuação em Madrid, a 04 de Abril, o seu novo álbum, que está a gravar com produção do músico José Mário Branco, disse á Lusa o fadista.

Em declarações à Lusa, o fadista afirmou que manterá a equipa que o tem acompanhado nos últimos anos, além de José Mário Branco que é seu produtor desde "Uma noite de fados", editado em 1995.

"Somos já velhos cúmplices e amigos. Ele sabe onde eu posso surpreender e vice-versa. Somos uma equipa", afirmou.

Trata-se do primeiro albúm de Camané para a EMI Music Iberia, depois de terminada a parceria EMI Music/ Valentim de Carvalho.

Além do produtor, acompanham-no os músicos José Manuel Neto (guitarra portuguesa), Carlos Manuel Proença (viola) e Carlos Bica (contrabaixo).

Novidade será a participação do guitarrista Ricardo Rocha, que conhece "desde miúdo" e com quem há muito Camané pretendia gravar um fado.

"Reentro hoje em estúdio e na primeira semana de Abril o CD deverá estar no mercado", disse o fadista.

Quanto às escolhas Camané afirmou que seguirá "a linha dos anteriores, uma selecção de poemas que gosto e que me sinto bem a cantar, e quanto às músicas, alguns fados tradicionais e talvez experimentar músicas novas".

Em tom de balanço, Camané afirmou que "muita coisa mudou" desde que gravou o seu primeiro disco da fase adulta, há cerca de 15 anos, e que hoje se sente "menos constrangido" a cantar fado.

"Lutei muito para impôr uma produção para fado, com os meus músicos. Quando comecei a cantar, na altura do primeiro álbum da fase adulta, ninguém comprava espectáculos de fado, nem as câmaras, nem havia circuitos", disse.

"Naquele ano realizei apenas dois espectáculos, até à televisão era difícil ir", recordou.

Hoje considera que "está tudo mais fácil" e que "o fado não está em moda, está é mais visível e tornou-se mais interessante porque o descobriram".

fonte ~ rtp

7 de fevereiro de 2008

Novo regime de trabalho dos artistas entra em vigor

O regime que define as regras dos contratos de trabalho dos profissionais de espectáculos em Portugal entra em vigor com a publicação da legislação, hoje, no Diário da República.

Os profissionais do espectáculo, como actores, realizadores, músicos, bailarinos ou toureiros, não tinham até aqui qualquer estatuto que regulasse a sua actividade.

A maioria dos artistas trabalha actualmente sem contrato de trabalho, a recibos verdes, e sem qualquer protecção em caso de doença ou desemprego.

O novo regime, que foi aprovado na Assembleia da República em Novembro, regulamenta o exercício da profissão, estipula a modalidade de contrato de trabalho - por tempo indeterminado ou a termo resolutivo - e quem está abrangido pela lei.

O documento refere ainda que os artistas não são obrigados a registarem-se nos serviços do Ministério da Cultura, mas quem o fizer terá direito a um título profissional válido por cinco anos.

A lei não estabelece ainda as regras relativas à segurança social, cujo regime será estipulado numa regulamentação específica, uma ausência criticada por todos os partidos da oposição na altura em que a legislação foi aprovada.

Os direitos de propriedade intelectual decorrentes da actividade artística serão regidos pelo Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos.

A legislação estipula que são consideradas artísticas as actividades de actor, artista circense ou de variedades, bailarino, cantor, coreógrafo, encenador, realizador, cenógrafo, figurante, maestro, músico e toureiro.

fonte ~ lusa

5 de fevereiro de 2008

Escolas de Leiria contestam corte de apoios ao ensino inicial da música

Leiria, 04 Fev (Lusa) - Os responsáveis das duas escolas de música de ensino oficial de Leiria criticaram hoje a proposta da tutela em acabar com os apoios à iniciação e ao ensino supletivo, uma medida que deverá entrar em vigor no próximo ano lectivo.

"Estou perfeitamente convencido que isso terá sido um delírio" de algum responsável governativo, afirmou Henrique Pinto, responsável pelo Orfeão de Leiria, comentando a possibilidade de a tutela vir a cortar com os apoios ao ensino de iniciação.

"Não passa pela cabeça que alguém pense reduzir o ensino básico de música a uma mera generalidade como acontece nas actividades extra-curriculares", considerou este responsável.

No âmbito da reforma do ensino artístico especializado, a partir do próximo ano lectivo as escolas públicas de música estão impedidas de dar aulas ao 1º ciclo e terão de funcionar em regime integrado, ou seja, ministrarem formação geral (como em qualquer escola) e especializada (artística).

Outra das propostas do Ministério da Educação tendo em vista a reforma do sector passa pela obrigatoriedade de estas escolas leccionarem apenas em regime integrado, que prevê a realização da formação geral e especializada no mesmo estabelecimento de ensino.

O regime supletivo caracteriza-se por permitir aos alunos frequentar as disciplinas musicais no Conservatório e as do ensino geral numa escola à sua escolha.

Nesta matéria (regime supletivo), Henrique Pinto admite "alguma lógica" no corte dos apoios devido à resposta de o ensino generalista está a dar.

Posição mais crítica tem Paulo Lameiro, director da Escola de Artes, salientando que esta medida irá cortar com os apoios às escolas particulares - como são o caso de Leiria - e levar ao despedimento de muitos professores.

"Tudo o que afecta as escolas públicas, afecta-nos a nós" e as instituições deixarão de ter apoios para ministrar "ensino vocacionado de música" até aos dez anos de idade.

Para Paulo Lameiro, esta medida foi a forma da tutela "arranjar professores para as actividades extra-curriculares" nas escolas mas isso "só vai destruir o único sistema que, mesmo a funcionar mal, formou músicos em Portugal".

"Uma coisa é a educação musical que todo o cidadão tem direito a ela mas outra coisa é um sistema que permite a formação de músicos e isso não pode ser destruído", acrescentou.

fonte ~ rtp

4 de fevereiro de 2008

Prémio Goya para fado de Carlos do Carmo

Chegou a ser apontada como uma das mais polémicas categorias da edição deste ano dos prémios Goya, os Óscares do cinema espanhol. Não por ter um português e um fado entre os nomeados, já que a polémica veio mesmo de outras nomeações a concurso. A vitória sorriu contudo a Fado da Saudade, uma das canções originais integradas no filme Fados, de Carlos Saura, interpretada por Carlos do Carmo. O prémio foi ontem entregue em cerimónia que decorreu no Palácio Municipal de Congresos del Campo de las Naciones, em Madrid.

O Fado da Saudade, interpretado por Carlos do Carmo, venceu a categoria na qual estavam também nomeadas as canções Circus Honey Blues, de Victor Reyes e Rodrigo Cortés (da banda sonora do filme Concursante), Happy, Happy Chueca, de Diossa e Malyzzia, (de Chuecatown), La Vida Secreta de las Pequeñas Cosas, de David Broza e Jorge Drexer, (de Cándida), e Pequeño Paria, de Daniel Melingo (de El niño de barro).

Camané, outro fadista presente no elenco de Fados, comentou a vitória de Carlos do Carmo afirmando que esta "representa que o fado está a chegar a sítios difíceis e onde a música portuguesa habitualmente não chega". Para Camané, a vitória do Fado da Saudade é também "uma prova e um reconhecimento do grande intérprete que é o Carlos do Carmo e da forma como ele toca as pessoas", acrescentou.

O filme Fados, estava ainda nomeado para uma outra categoria: a de Melhor Documentário. Aí, contudo, o filme perdeu para Invisibles, produzido por Javier Bardem.

Em Portugal, Fados foi visto em 2007 por perto de 28 mil espectadores.- N.G.

31 de janeiro de 2008

Mandrágora | Mandrágora

Mandrágora
Mandrágora
Zounds/Sabotage, 2005

Há discos que vale a pena recordar, e escutar vezes sem conta, porque o tempo não os desactualiza ou descataloga, pelo contrário, amadurecem e ganham um sabor e côr especiais.

O primeiro disco dos Mandrágora, intitulado homonimamente, é desses trabalhos que vai fluindo ao longo dos anos, precisamente como uma raíz que vai explorando e apropriando-se de novos terrenos. Por isso, nele encontramos sonoridades tão díspares, na sua maioria instrumentais e de autoria própria, de intensa personalidade, ou não fossem resultado das experiências vivenciais dos membros da formação do Porto, que desde o ano 2000 foram recolhendo e assimilando histórias do imaginário popular e paisagens dum Portugal ancestral, envolto em mistério e misticismo.

É neste contexto que submergimos num mundo de magia, conjuros e feitiços, e quebramos o “Aranganho” numa encruzilhada perdida em Trás-os-Montes; visitamos o “Alto das Pedras Talhadas”, lugar megalítico perto de Évora associado ao culto da fertilidade; ou descobrimos os encantamentos de “Dona Chama”.

Entretanto, a mandrágora cresceu e as suas propriedades fecundantes e afrodisíacas semearam resultados, sendo este disco aclamado pela crítica especializada, tanto a nível nacional como internacional, acabando por ganhar o Premio Carlos Paredes em 2006. De facto, este é um disco inovador dentro do panorama da música portuguesa, uma vez que sabe conjugar de forma criativa e original os sons da tradição mais rústica com a estética musical mais progressiva e global, recorrendo, por exemplo, a instrumentos como o baixo eléctrico e a bateria.

Reza a lenda que a raíz da Mandrágora, que tem forma humana, deve ser arrancada da terra em noite de lua cheia e por uma corda atada a um cão preto, caso contrário ela gritaria até matar. O certo é que este disco é um grito de afirmação dum grupo que promete uma continuidade desejada, estando prevista a apresentação do segundo disco para Maio de 2008.

Sara Louraço Vidal
Alinhamento:
  1. vale de sapos
  2. alto das pedras talhas
  3. penas roias
  4. campanhã
  5. galandum
  6. o aranganho
  7. e pia o mocho
  8. trotamundos
  9. dona chama
  10. contra a noite
  11. agarez
  12. ir
  13. alraun
  14. trangalhadanças - alvorada de murracezes
Gravado na Quinta da Música no Outono e Inverno de 2003/4.
Som - Luís Carlos; Produção - Luís Carlos e Mandrágora; Fotografia - Nuno Horta; Design - Rui Garrido; Produção Executiva - Ana Paula Flores.

vale de sapos

28 de janeiro de 2008

ABAF-Associação Benaventense Amigos do Fado

A ABAF foi fundada em 2003. O seu principal objectivo é fazer funcionar uma escola para o ensino da guitarra portuguesa e da viola de fado.
O objectivo foi conseguido e temos actualmente cerca de 30 alunos com idades compreendidas entre os 8 e os 60 anos.
São nossos professores o guitarrista António Jorge, e o violista João Ramos.

Somos uma Associação legalmente constituída, e estamos neste momento perto da conclusão da construção da nossa Sede, em terreno cedido pela Câmara Municipal de Benavente.

As aulas são gratuitas. Quem quiser frequentar basta aparecer às 3ªs feiras a partir das 21,00 horas no Cine Teatro de Benavente.

27 de janeiro de 2008

Museu do Fado recebe colecção na segunda-feira

Entre pilhas de discos e extensos inventários, o musicólogo José Moças confessa-nos: "Há mais de uma semana que estes discos são a minha vida." O intermediário do coleccionador inglês Bruce Bastin termina a catalogação dos primeiros cinco mil fonogramas do valioso espólio musical adquirido pelo Estado português e garante: "Na segunda-feira, este primeiro lote é entregue no Museu do Fado, em Lisboa."

A colecção ficará, então, numa fase transitória, enquanto não conquista morada definitiva no futuro Museu do Som. "O novo museu vai ocupar um edifício construído de raiz ou instalações adaptadas para o efeito", recorda José Moças. Enquanto tal não acontece, o Museu do Fado vai tutelar os fonogramas. "Está nomeada uma comissão para coordenar o futuro próximo da colecção", diz-nos.

E mesmo sem qualquer indicação sobre o destino das gravações históricas, disponibiliza-se para acompanhar todo o processo: "Tenho sempre a expectativa de que alguém me considere útil para o efeito. Tenho uma base de dados como ninguém em Portugal possui. Conheço o espólio e posso esclarecer muitas questões", afirma.

Longe de olhares mais curiosos, José Moças vai confirmando cada um dos discos com o inventário fornecido por Bruce Bastin. E mesmo com a colecção ainda longe de estar completa (em Junho chegam os restantes três mil fonogramas, vindos do Brasil), o musicólogo português revela-se "surpreendido" com as descobertas já registadas. "As pessoas ouvem falar deste espólio mas só quando o conhecemos de facto é que compreendemos como é inacreditável", diz. José Moças "perde-se" por entre a "história do som", do fado ao teatro de revista, passando pela canção de Coimbra. Primeiros sons registados em Portugal, no início do século XX, distribuem-se por "rodelas de uma riqueza incalculável". Recorda "noites sem dormir" como medalhas de mérito. Aponta para as caixas amarelas - "aqui estão guardados os discos já inventariados e conferidos" - e observa o trabalho que ainda o espera. Tudo sem nunca se queixar, que esta é uma função de "orgulho e paixão", rodeado por memórias de Júlia Florista, Alfredo Marceneiro ou Júlia Mendes. "Assim que os discos entraram em solo português, senti, de facto, uma emoção que nunca tinha experimentado antes", lembra.

Para que tal fosse possível, José Moças assumiu-se como intermediário de Bruce Bastin e fez questão de acompanhar o transporte dos fonogramas entre Londres e Portugal. Um percurso recheado de dificuldades: "A ida, de avião, foi talvez a viagem mais acidentada de sempre. O regresso, primeiro sobre o Canal da Mancha, mais tarde por estradas europeias, foi lento, para garantir a segurança da mercadoria."

Nenhuma companhia seguradora aceitou realizar um plano para proteger os 1100 quilos de discos transportados. Contudo, José Moças garante-nos que "o Ministério da Cultura já está ultimar os pormenores para um seguro sobre tão valiosa colecção", adquirida pelo Estado português por 1,1 milhões de euros.

Dominic Miller responde ao desafio de Mariza

O guitarrista de Sting, Dominic Miller (e autor do tema ‘Shape of My Heart’), ofereceu um fado a Mariza que será incluído no seu quarto álbum de originais. As gravações estão prestes a começar e, pela primeira vez, Portugal terá a primazia (sobre o resto do Mundo) no que diz respeito a datas de edição.
De acordo com o manager da cantora, João Pedro Ruela, a iniciativa partiu “do próprio Dominic Miller, que decidiu ir conhecê-la” após um concerto na Alemanha. “A Mariza chegou a dizer-lhe: ‘um dia ainda vais fazer um fado!’. E ele apareceu mesmo com uma canção muito bonita, muito clássica, que será, sem dúvida, um dos pontos altos do novo álbum”, acrescentou o empresário. Miller, que além de Sting tocou com Phil Collins e com os Pretenders, irá também colaborar no álbum como músico.
As gravações do sucessor de ‘Transparente’ arrancam em Fevereiro, em Madrid, onde Mariza contará com a ajuda do produtor Javier Limón. Talvez por isso, Mariza não descarte a possibilidade de fazer uma parceria com um músico espanhol. “É provável que aconteça, mas não está definido”, disse Mariza.
“Não se trata de um namoro ao mercado latino por causa do Grammy. Esta parceria com Javier Limón já estava planeada há muito. É um caminho natural, mas se nos derem um Grammy, não nos chateia nada...”, brinca a fadista.
Mariza contará ainda com as “colaborações de Paulo de Carvalho, Ivan Lins, Rui Veloso, Mário Pacheco, Tiago Machado, Pedro Campos, entre outros, já que o painel de convidados não está fechado”. As gravações prolongam-se até Abril. O disco, ainda sem título, vai sair primeiro em Portugal e só depois no resto da Europa e EUA.
fonte ~ portal do fado

o deserto (live in london)