17 de novembro de 2007

Carlos do Carmo "À Noite"

No próximo dia 22 Novembro, sairá ao mercado o novo trabalho discográfico de Carlos do Carmo, intitulado "À Noite".
O Expresso avança três músicas em primeira mão, para descobrirmos, na íntegra, a nova expressão dum dos fadistas mais emblemáticos da sua geração e do panorama musical actual.

Escritas do Maio - Escrever com José Afonso

A AJA tem o prazer de vos apresentar o livro "Escritas do Maio - Escrever com José Afonso".
Trata-se de uma obra que resulta da colaboração entre a editora Profedições e a Associação José Afonso. Uma unidade didáctica que, centrada na pessoa e na obra de José Afonso, apresenta propostas de trabalho, não só na área da língua portuguesa, mas em outros aspectos da educação e formação dos alunos. Indispensável aos educadores sociais e professores.
À venda na AJA.

10 de novembro de 2007

Mariza, menina e moça

A fadista Mariza não arrecadou o Grammy Latino para o qual estava nomeada, mas juntou, na noite de anteontem, 14 mil pessoas, que esgotaram o Pavilhão Atlântico, em Lisboa.

A notícia foi dada pela própria fadista na parte final da sua actuação "Como vêem, fiz bem em escolher ficar aqui", disse, interpretando logo de seguida um fado emblemático, "Oh, Gente da Minha Terra", de Amália Rodrigues e Tiago Machado.

O concerto abriu com a exibição de imagens do filme "Fados", de Carlos Saura, actualmente em exibição nas salas.

Depois disso, a fadista passou em revista vários dos seus sucessos, desde "Cavaleiro Monge" a "Transparente", passando por "Primavera" e "Meu Fado, Meu Fado".

A fadista foi acompanhada pela Sinfonieta de Lisboa e pelos seus músicos habituais Luís Guerreiro (guitarra portuguesa), António Neto (viola), Vasco de Sousa (viola-baixo) e Viky e João Pedro Ruela (secção rítmica).

Mas houve mais. É que o espectáculo contou com vários convidados amigos da fadista. A saber Carlos do Carmo, Filipe Mukemba, Tito Paris, Ivan Lins e Rui Veloso, com os quais interpretou diversos temas.

Alturas existiram em que a fadista abandonou o palco para dar lugar aos seus amigos. A intervenção mais aplaudida foi, como é natural, a de Carlos do Carmo - o fadista cantou "Canoas do Tejo" e conseguiu pôr 14 mil vozes a cantar "Lisboa Menina e Moça", naquele que foi um dos momentos mais emocionantes de toda a noite.

Tito Paris também lá esteve, já que o concerto pretendia celebrar a lusofonia. O músico cantou "Saudade", de Cesária Évora, em dueto com a protagonista ptrincipal da noite.

Minutos depois, foi a vez do brasileiro Ivan Lins dar um ar da sua graça, com "Madalena", "Passarela no ar" ou "Começar de novo".

Rui Veloso juntou-se à festa quase no final, interpretando peças como "Transparente", "Jura" e "Não queiras saber de mim".

O concerto durou duas horas. Não faltaram fados como "Loucura" (logo a abrir), "Barco Negro", "Maria Lisboa", "Cavaleiro Monge", "Feira de castro", "Primavera" ou, entre muitos outros, "Meu Fado meu".

Recorde-se que este espectáculo aconteceu poucos dias depois de Mariza ter regressado de uma digressão nos Estados Unidos, onde actuou em salas como o Carnegie Hall de Nova Iorque ou Disney Concert Hall de Los Angeles. Pelo meio, a fadista portuguesa participou no famoso programa televisivo de David Letterman. Os seus concertos no outro lado do Atlântico não passram propriamente despercebidos, tendo recebido o aplauso de grande parte da crítica.

Para um futuro próximo, a fadista tem agendados concertos em Bruxelas (amanhã) e na Holanda Amesterdão (dia 18) e Tilburg, três dias depois.

Em meados de 2008, Mariza deverá lançar mais um disco. Em princípio, o álbum será produzido por Javier Limón, um conceituado produtor espanhol e compositor de flamenco. Este será o quarto álbum de originais de Mariza, sucedendo a "Transparente", "Fado Curvo" e "Fado em Mim". A fadista tem ainda editados os álbuns ao vivo "Live in London" e "Concerto em Lisboa".

Apesar de não ter recebido o Grammy, Mariza Mariza já foi distinguida com vários galardões, como, por exemplo, o European Border Breakers Award ou o Prémio Amália Rodrigues.

3 de novembro de 2007

10 músicas de José Afonso para guitarra acústica

"Abril" de Cristina Branco com lançamento em Novembro

Cristina Branco define o seu novo álbum, "Abril", a editar a 05 de Novembro, como "uma perspectiva feminina de José Afonso, que não procura trazer nada de novo e apenas lembrar".

Este álbum, constituído exclusivamente por temas do repertório de José Afonso, surge depois de um ciclo de espectáculos que Cristina Branco realizou este ano no Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, em Lisboa.

"Vim para estúdio mais amadurecida e experimentada nos temas que têm arranjos do Ricardo Dias mas em que afinal todos os músicos participaram.

"Canto Zeca Afonso pelo ideal que representa de humanidade, simplicidade e pela qualidade do seu trabalho", disse a cantora à Lusa.

"Qualquer músico tem de, obrigatoriamente, passar por Zeca Afonso e reflectir sobre aquilo que ele nos deixou", acrescentou.

Um trabalho idêntico ao que realizou sobre Amália Rodrigues, com o facto de a música de José Afonso a ter acompanhado desde sempre, disse.

A escolha das músicas "não será a mais óbvia" afirmou a cantora, todavia em "Abril" encontramos temas emblemáticos de Zeca, como "Menino d'Oiro" ou "Venham mais cinco".

No total são 16 canções, abrindo o álbum com "Menino d'Oiro" e encerrando com "Chamaram-me cigano", passando por "Redondo vocábulo" deque Cristina tinha já feito uma recriação num álbum anterior, "A morte saiu à rua" ou "Índios da Meia Praia".

"É curioso que desde o meu primeiro álbum o José Afonso esteve sempre presente, a sua poesia e música foram para mim sempre recorrentes", acrescentou.

Ao lado de Cristina Branco, Prémio Amália Rodrigues Internacional 2006, estão os músicos Ricardo Dias (piano), Bernardo Moreira (contrabaixo), Alexandre Frazão (bateria) e Mário Delgado (guitarras).

"Uma panóplia de músicos de excepção", disse Cristina Branco, que salientou ainda a participação de João Moreira (trompete) e "a experiência emocionante de cantar" com do Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra.

"Este álbum - afirmou - é também uma viagem pelo imaginário contestatário, do gira-discos, do canto amigo".

Por outro, acrescentou a artista, "cantar Zeca Afonso é procurar uma autenticidade, nós não trazemos nada de novo, frise-se, apenas queremos lembrar".

Este novo álbum, com a etiqueta da Universal Music, será ponto de partida para uma ronda de espectáculos pelo país, a partir de 07 de Dezembro, que culminará na sala principal do Teatro S. Luiz, em Lisboa.

Dia 07 de Dezembro Cristina Branco canta José Afonso no Teatro Gil Vicente em Coimbra, dia 13 em Viana do Castelo, no Sá de Miranda, no dia seguinte em Santa Maria da Feira, no Europarque, dia 15 em Braga no Theatro Circo e, finalmente, dia 17 em Lisboa no Teatro S. Luiz, onde tudo começou.

José Afonso, falecido a 23 de Fevereiro de 1987, aos 57 anos, foi, com Adriano Correia de Oliveira, umas das figuras centrais da canção de intervenção em Portugal.

O cantautor destacou-se também como intérprete da balada e do fado de Coimbra. Enquanto compositor procurou inspiração na música popular portuguesa, que usou como "canção de combate" ao regime deposto em 25 de Abril de 1974.

"Galinhas do mato" foi o seu último álbum de originais, publicado em 1985.

Cristina Branco conquistou já vários galardões em Portugal, França e Países Baixos. Até hoje editou já nove álbuns e o DVD "Cristina Branco live - a tribute to Amália Rodrigues".

NL/Lusa

1 de novembro de 2007

DVD "A Voz dum Povo" de Belaurora

Não nos é indiferente a beleza dos Açores. Não pode ser, nunca. A beleza da natureza, das pessoas, da cultura, de tudo. A cada regresso às ilhas do açor, cresce uma vontade em aprofundar o conhecimento sobre aquela forma de ser, aquelas gentes, aquele sentir. Foi assim, mais uma vez, que entre um suculento bife em S. Miguel e o famoso gin tónico do Café Sport, no Faial, se adensou esta vontade em voltar a trazer os Açores para o topo deste espaço. Na bagagem, veio também o recente DVD do grupo Belaurora.

"Oriundo da ilha de São Miguel, o Grupo de Cantares Belaurora, constituído totalmente por amadores, dedica um pouco do seu tempo livre à recolha, pesquisa, estudo, preparação e divulgação da Música Tradicional, propondo, com o seu trabalho, uma pequena viagem pelas nove ilhas dos Açores." (1)

Não é uma pequena viagem...nascido em 1985, Ano Internacional da Juventude, na freguesia de Capelas, Ponta Delgada, S. Miguel, o Grupo de Cantares Belaurora mantém-se ainda hoje, como um dos expoentes máximos da divulgação da arte e cultura açorianas; da sua música.
Neste DVD, o grupo dirigido por Carlos Sousa (direcção musical), percorre com mestria a música das 9 ilhas dos Açores, oferecendo-nos um plano completo de toda a musicalidade - e vida - que irradia deste arquipélago. Depois, e mais do que um mero DVD musical, "A Voz de Um Povo" é um extraordinário cartão de visita das ilhas, na forma como interpõe as actuações do grupo - ao ar livre, sem público e com um fundo natural - com belíssimas imagens da ilha cantada; imagine-se uma banda sonora para a beleza de cada ilha. É esta a voz deste povo.
Porque a tradição existe, está viva e é preciso mantê-la!

"A Voz dum Povo" - Belaurora (Emiliano Toste, Açor, 2006)

Menu:
a. Filme/Capítulos
01 Marciana (S. Maria)
02 Lundum (S. Miguel)
03 Sapateia (Terceira)
04 Rema (Graciosa)
05 Caracol (S. Jorge)
06 Saudade (S. Jorge)
07 Majaricão (Pico)
08 Chamarrita do Caracol (Faial)
09 Rema (Flores)
10 Chamarrita Nova (Corvo)
11 Nova Chamarrita (G. Bernardo)
12 Roda do Leme (José F. Costa/C.Sousa)

Mariza lidera top nacional de vendas de álbuns

A poucos dias do mega-concerto no Pavilhão Atlântico, em Lisboa (8 de Novembro), a fadista Mariza está em grande nas tabelas de vendas. O álbum Concerto em Lisboa ascendeu esta semana à liderança do top de álbuns (estava em 10º na semana passada). Editado em Novembro de 2006, o registo encontra-se há 51 semanas no top e é platina.

Mas além de Concerto em Lisboa , Mariza consegue também a proeza de se manter entre os mais vendidos com o primeiro álbum de originais Fado em Mim (quádrupla platina): o registo de estreia assegura esta semana o 20º posto da tabela. Transparente (terceiro álbum, dupla platina) conquista um respeitável 33º lugar.

Relativamente aos DVDs, a fadista conquista a vice-liderança com Concerto em Lisboa (platina) e sobe até ao 19º lugar com o também platinado Live in London. A estas conquistas não serão alheias as promoções de que os vários registos (áudio e vídeo) têm sido alvo.

31 de outubro de 2007

"Vamos deixar que seja o público a escolher-nos"

Ana Sofia Varela, José Peixoto, Fernando Júdice e Vicky – os músicos que fazem o projecto Sal – estão praticamente na recta final de uma digressão nacional que já os levou, entre outros palcos, ao Teatro Viriato, em Viseu. Depois do concerto desta noite, em Coimbra, a digressão prosseguirá em Sintra, a 2 de Novembro, para encerrar em Lisboa, a 21 de Dezembro, no Centro Cultural de Belém. Em entrevista ao DIÁRIO AS BEIRAS, José Peixoto, um dos mentores do projecto, falou da música que fazem, das suas intenções e das referências (geográficas e culturais) que têm tudo a ver com o percurso da língua portuguesa.

DIÁRIO AS BEIRAS – "Uma nova música vincadamente portuguesa que visita o fado de uma forma inesperada". Esta frase, que tem servido para apresentar o vosso projecto, significa exactamente o quê?
José Peixoto – Quer eu quer o Fernando Júdice, quando idealizámos este grupo, sabíamos apenas que queríamos fazer música original em português, que se sentisse portuguesa (não pela integração de fórmulas do nosso folclore mas pela digestão, mais ou menos estilizada, que dele fazemos), e que de alguma maneira pudesse passar pelo fado. Nenhum de nós, enquanto músicos, teve um passado ligado ao fado. Sabíamos como fazer a música aproximar-se dele mas não queríamos fazer fado enquanto tal. Daí a escolha por uma voz que viesse do fado, o que, só pela presença desse canto original e único, viesse permitir essa tal visita de que falou atrás. Assim procurámos esse ponto de equilíbrio entre a expressão do canto do fado e uma música que, sem o ser, permitisse a evolução dessa expressão. O resultado revelou-se interessante e motivador.

Mas a vossa música vai muito para lá das fronteiras físicas do país, cruzando "a raiz ibérica com a dimensão atlântica do percurso lusófono", como já alguém disse. É assim?
Sim, procuramos a universalidade e esse conjunto (poético) de referências geográficas e culturais que têm a ver com o percurso da língua portuguesa no mundo e onde ela se estabeleceu e vive. Tudo sem nunca perder de vista o nosso ponto de partida ibérico.

Onde encaixa a "mestiçagem" nesta vossa nova proposta musical?
Precisamente no resultado do convívio subjectivo e criativo com essas referências. Encontram-se estilizados (não importados) na música que fazemos elementos alusivos a todos esses lugares.

Como é que aconteceu o encontro dos quatro músicos – Ana Sofia Varela (voz), Fernando Júdice (baixo), José Peixoto (guitarra clássica) e Vicky (Bateria) – num projecto a que chamaram Sal?
O Fernando Júdice e eu já há muito que nos conhecemos e já há muito que trabalhamos juntos. Antes, durante e depois da nossa passagem pelo Madredeus. Fizemos, em duo, no ano de 2002 o cd "Carinhoso" com música do compositor brasileiro Pixinguinha. O nosso convívio musical aí deu muito bons frutos. Desenvolvemos, a partir de uma maneira espontânea de juntar os nossos dois instrumentos, uma expressão original e única. E foi com essa motivação e com a garantia desses resultados que decidimos criar um projecto em que transportássemos essa expressão única para um contexto de música original. Foi esse o começo do Sal. Percebemos que uma percussão daria a cor e o vigor rítmico que queríamos imprimir à música e foi fácil chegar ao Vicky, percussionista com quem já tinha trabalhado no meu disco anterior ("Pele", com Maria João). Foi-lhe pedido que desenvolvesse um instrumento que se situasse entre a bateria e a percussão. O resultado é surpreendente. Por fim a Ana Sofia Varela juntou-se ao grupo, aconselhada pelo letrista que connosco trabalhou, o Tiago Torres da Silva, porque achou que seria a voz certa. A primeira experiência que fizemos em estúdio com ela, confirmou essa opção. A Ana é fadista e cresceu na vila de Serpa onde se abriu ao canto alentejano e também à música vizinha da Andaluzia. Estas três vertentes confluem no seu canto dando um tom de exotismo que redimensionou a música que estávamos a trabalhar.

Sal porquê?
De todas as ideias que surgiram para o "baptismo" do grupo, a que de alguma maneira simbolizava a nossa situação geográfica e cultural, a nossa relação com o oceano e a nossa atitude itinerante, era a que estava associada à palavra Sal. Foneticamente também se apresentava apelativa. Surgiu como uma evidência. Daí a escolha.

Desde a apresentação de "Sal", em Março último, o grupo tem percorrido o país numa digressão que não passa apenas pelos palcos principais. A vossa intenção é chegar a que público? A todo o público?
A nossa intenção é poder partilhar e mostrar a música e o concerto que fazemos ao máximo de público possível e nos locais considerados por nós adequados. Sabemos que não vamos ser nós a escolher o público. Vamos sim deixar que seja o público a escolher-nos.

E como é que tem sido o acolhimento nos concertos em que já se apresentaram?
Depois do efeito surpresa que a originalidade da nossa música provoca (digo isto sem qualquer tipo de presunção. É apenas baseado nos ecos que nos vão chegando...), há uma sintonia e uma compreensão emotiva evidente e o acolhimento surge natural e caloroso.

Alguma expectativa particular para o concerto em Coimbra?
Todos nós já tocámos em Coimbra com projectos e em eventos muito diferentes e ninguém tem más memórias de nenhuma situação. Até podemos afirmar que pela sua cultura, dinamismo e tradição, Coimbra é uma cidade musical. O que por si já deixa adivinhar uma visita estimulante. Queremos oferecer a Coimbra o "desafio" do nosso concerto sabendo de antemão que o público dessa cidade é um público aberto e que nos irá receber bem.

E o mercado além fronteiras, é vossa intenção conquistá-lo?
Naturalmente.

29 de outubro de 2007

Fado em Si Bemol

"Esta é a nossa forma de estar na música". É assim que Pedro Matos classifica este trabalho - o primeiro apresentado por este grupo que, para já, se dedicou a dar uma nova roupagem a temas conhecidos, mas com arranjos e sonoridades que abraçam vários estilos musicais. Vão desde o fado, por exemplo, até ao jazz. Os ritmos são arrepiantes em alguns casos e ficam, sem dúvida, no ouvido.

A produção deste CD, gravado ao vivo no B-Flat Jazz Bar, no Porto, esteve a cargo da empresa Trovas Soltas e, numa primeira audição, já mostrou que vai ser um sucesso. A apresentação deste disco aos jornalistas foi feita, a semana passada, durante um jantar, a bordo de barco rabelo e pelas reacções venceu e convenceu.

Pedro Matos (voz), Miguel Silva (guitarra portuguesa), Paulo Gonçalves (guitarra clássica e guitarra jazz), Pedro Silva (contrabaixo) e Juca (percussão) apresentam-se de forma despretensiosa e tentam interagir com o público. Conseguem-no, sem dúvida. Com 11 faixas, este ‘Fado em Si Bemol’, que dá nome também ao quinteto, inclui "Elegia do Amor", Canção do Mar", "Ó Gente da Minha Terra", "Fado Tropical" e "Ela Tinha uma Amiga", entre outros temas.

Foi há cerca de quatro anos que o grupo começou a "experimentar arranjos". Traçou um caminho que chegou até a este trabalho. E daqui para a frente? Pedro Matos respondeu: "vamos ver. Até agora andámos à procura do nosso som, que não tem uma origem forçada", mas isso é algo que vai ficar mais explícito, quando o grupo começar "a produzir os seus próprios temas".

E porque este trabalho é uma mistura de temas e de ritmos, será que o Fado em Si Bemol representa "uma forma diferente de sentir o fado ou de ouvir o jazz? "Nem uma coisa nem outra", afirmou peremptório Pedro Matos ao mesmo tempo que explicou que este CD "não é fado, nem jazz, nem bossa nova, nem blues. Juntámos tudo num tacho e foi isto que saiu". E a verdade é que saiu bem.

Fonte ~ Márcia Vara/ Póvoa Semanário


Fernando Rolim regressa aos discos e ao fado de Coimbra

O CD que marca o retorno de Fernando Rolim ao mercado discográfico abre com o toque da Cabra e “Meu Nabo, Meu Grelo”, seguindo-se alguns dos temas que o autor cantou enquanto estudante, mas que nunca foram gravados. “Adeus Minho encantado”, “Fado da esperança”, “Adeus a Coimbra” e “Estrelinha do Norte” estão entre eles. O CD, da responsabilidade da editora “Ovação”, inclui também folclore urbano de Coimbra, com destaque para “A Morena”. O Grupo de Guitarras de Coimbra, da Associação Cultural Menina e Moça, com Carlos Jesus e Paulo Largueza, garante os acompanhamentos.

DIÁRIO AS BEIRAS - Lança hoje, em Lisboa, um novo disco. Como surgiu este “Regresso de quem nunca partiu”?
Fernando Rolim - Após várias tentativas, aí está, de facto, finalmente, a obra. Os primeiros ensaios remontam há, pelo menos, uns vinte anos, mas a distância entre Setúbal, onde actualmente vivo e trabalho, e Coimbra dificultou muito esse meu objectivo. Só ultimamente consegui a disponibilidade necessária para vir até cá, de 15 em 15 dias, preparar a gravação.

Este CD tem alguma mensagem especial?
É, essencialmente, um disco dedicado a Coimbra, no seu todo. Ou seja, aos estudantes e aos não estudantes.

Em 1978, esteve presente numa Serenata, na Sé Velha, com muitos outros cultores da Canção de Coimbra, visando a sua reabilitação no pós-25 de Abril. O objectivo foi conseguido?
Sim, foi inteiramente conseguido. Após nove anos de mutismo, a canção de Coimbra voltou a ser interpretada livremente na cidade e fora dela. As serenatas recuperaram o brilho de outrora, a população da cidade voltou a acorrer em massa, como habitualmente, ao Largo da Sé Velha, as janelas das casas circundantes voltaram a ostentar as ténues luzinhas, ornamento singelo, é certo, mas bem característico.

Essa serenata teve alguma preparação prévia?
É verdade. Tudo começou cerca de um ano antes, numa reunião-convívio realizada na cave de um prédio dos Olivais, em Lisboa, habitado então por antigos estudantes de Coimbra. Um deles fez o contacto com os condóminos, eu fiz o contacto com os intervenientes. Em Junho de 1977, todos responderam à chamada. Cantores, guitarristas, violas, poetas, ilusionistas, humoristas, historiadores, enfim, ali estiveram presentes.

Quem foram eles, nomeadamente?
Além, é claro, de mim próprio, compareceram António Portugal, Pinho Brojo, Machado Soares, Luís Góis, António Bernardino, Tossan, Joaquim Teixeira Santos, Júlio Condorcet Pais Mamede, Aurélio Reis e o arquitecto Proença de Carvalho.

E que decidiram?
Exactamente isso - voltar a fazer uma serenata na Sé Velha, Resolvemos, ainda, complementá-la com um seminário sobe a canção de Coimbra e cunhar uma medalha.
Ainda há tempo e modo, nestes anos que correm, para o fado de Coimbra?
Com certeza que sim. O fado de Coimbra é parte integrante da alma da cidade.

Como analisa os seus actuais compositores e intérpretes?
Como pessoas que procuram dar à canção de Coimbra os vários cambiantes da sociedade do seu tempo, sem esquecer os clássicos.

Como antigo estudante da Universidade de Coimbra, que ideia faz da actual vivência académica?
O estudante de Coimbra vive a sua época, de acordo com os ideais da academia do seu tempo. Todas as épocas têm as suas características tipo, que devem ser respeitadas e entendidas como o reflexo de toda uma série de inovações, que se vêm processando na sociedade e, sem se dar por isso, exercem em nós uma grande influência. A rádio, a televisão, as novas tecnologias têm sucessivamente dado um contributo, positivo ou negativo, que, quer queiramos ou não, marcam as manifestações culturais.

Costuma chamar à música uma das suas “amantes”. Porquê?
Porque efectivamente, para além da família, a medicina e a música são tudo aquilo de que mais gosto.

Então, não há outras?
Não tenho realmente outras, para lá das que mencionei.

Donde lhe veio a veia artística?
Geneticamente foi herança dos meus avós maternos e da minha mãe. O meu avô compunha e cantava, a minha avó cantava as canções típicas das romarias e fogueiras e a minha mãe, que tinha uma bonita voz, segui–lhes o rasto.

Ostenta o título de “Cidadão Honorário da Prefeitura Francesa”. O que é isso?
É um título honorífico conferido a quem colaborou em manifestações culturais, musicais ou outras em prol da polícia e das forças militares francesas, em especial dos mutilados em combate, designadamente nas duas guerras mundiais.

Coimbra tem hoje mais ou menos relevância nacional do que no tempo em que cá viveu?
Do ponto de vista académico, houve uma evolução que não me caberá a mim definir, já que habitualmente somos levados a sobrevalorizar o nosso tempo e as nossas vivências, menosprezando, indevidamente, outras vivências mais actuais, que desconhecemos. No que se refere a Coimbra, como parte integrante da nação portuguesa, há que dar relevo à enorme expansão da cidade, às áreas universitárias, às iniciativas culturais que actualmente cá têm lugar, ao desenvolvimento turístico, às infra-estruturas. No entanto, permito-me perguntar até que ponto é que há mais expressividade e qualificações naquilo que tem acontecido comparativamente com o que, por exemplo, há 50 anos, se realizava em Coimbra com certa originalidade e de forma duradoira e irrepetível em relação ao futuro.

Se voltasse a Coimbra, que faria pelo governo da cidade? E pelo governo da universidade?
Faria aquilo que no momento mais se adequasse e fosse conforme com a minha perspectiva.
fonte ~ As Beiras Online