3 de outubro de 2007

WOMEX 2007: O nosso “samurai” em Berlim

Rui Mota, um dos seis “samurais” responsáveis pela selecção das quatro dezenas de projectos seleccionados para os “showcases” da WOMEX 2007, descreve como viveu esses dias intensos e como foi difícil ao júri ir eliminando outros canditados tão bons quanto os que se irão apresentar ao vivo em Sevilha entre os dias 24 e 28 de Outubro.

SEM RESSACAS DE BERLIM

No dia que voei para Berlim, levantei-me às cinco da madrugada.

Tinha prometido a mim mesmo não ouvir música nos dias anteriores, para que a minha cabeça e ouvidos estivessem “limpos” antes da maratona germânica.

O taxista que me conduziu ao aeroporto tinha, certamente, outra ideia em mente e não se envergonhou de partilhá-la comigo. A partir do momento em que entrei no táxi, sabia que teria de ouvir um sonante “funaná” de Cabo-Verde. A voz era de Tito Paris. Conheço Tito dos clubes da noite lisboeta e gosto de música cabo-verdiana. O condutor notou o meu interesse e, da conversa que se seguiu, outro CD apareceu: desta vez Nancy Vieira, interpretando uma “morna”. A “corrida” para o aeroporto levou menos de vinte minutos, mas nesse curto espaço de tempo tive de escutar 5 ou 6 cantores cabo-verdianos diferentes. O taxista ficou satisfeito por ter um cliente com quem pudesse falar sobre música do seu pais natal e eu fiquei contente por poder dividir com ele este gosto universal por sons únicos. Já no avião, enquanto anotava os nomes das canções que tinha acabado de ouvir, prometia a mim mesmo comprar alguns deles quando regressasse a Lisboa. Todos eram bons e, em tão pouco tempo, eu não conseguia decidir qual deles era melhor. Sem o saber, o condutor de Cabo-Verde tinha antecipado os dilemas que eu encontraria naquele fim-de-semana em Berlim.

O “Johann Hotel” é um pequeno e acolhedor edifício com cerca de trinta quartos, no famoso bairro de Kreuzberg. Para além de alemães, podem ver-se inúmeros emigrantes turcos e cidadãos asiáticos da Índia, China e Tailândia naquela zona da cidade. Nos cafés e parques circundantes, a “música do Mundo” mistura-se durante todo o dia. Sente-se uma atmosfera descontraída e podemos caminhar pelo parque ou beber uma (boa) cerveja num dos barcos-restaurante do urbanhafen. Aí encontrámo-nos pela primeira vez, todos os membros do júri, com Gerald e Christine da Womex. Eles foram os nossos guias nessa noite e a música foi, naturalmente, o tópico da conversa nesse primeiro encontro.

Os escritórios da Womex são a cerca de dez minutos do “Johann Hotel” e para lá nos dirigimos no dia seguinte, cheios de coragem para iniciar o grande trabalho, ainda não eram 10 horas da manhã. Os escritórios estão situados num antigo e bem cuidado edifício, que em tempos terá sido um hospital ou uma instituição similar e que, actualmente, está transformado num espaçoso “lof”. Espaços abertos e milhares de CD´s e livros sobre o circuito da Música do Mundo. Nada de surpreendente, uma vez que é ali, também, a sede da editora “Piranha”. A primeira surpresa surgiu com as caixas das candidaturas aos “showcases”: mais de trinta, de cartão, contendo 650 envelopes com materiais dos candidatos para serem vistos e ouvidos pelo júri, em apenas dois dias e meio…

O facto da Ásia e da África terem menos candidatos, não significava que estivéssemos satisfeitos com as primeiras horas de discussão sobre os gostos e critérios no grupo. Eu não estava. A segunda metade do dia, dedicada às Américas (Norte e Sul) e à Europa, seria ainda mais difícil. Por outro lado, esta era a música onde eu me sentia mais à vontade e isso ajuda sempre. O difícil era a qualidade a eliminar. Já passava da uma da manhã do dia seguinte e tínhamos reduzido a lista a 120 nomes.

O segundo dia seria, se possível, ainda mais polémico pelo que foi impossível evitar a discussão dos “experts” em redor da mesa. Apesar disso, não foi difícil concordar com a excelente “inside information” trazida por Bill dos Estados Unidos ou o gosto escandinavo de Siogborn e a sua experiência radiofónica. Menos expressivos, mas dotados de grande conhecimento, foram Peter de Praga e Gaelle de Paris, a representante francesa no júri. Por outro lado, Hermínia (Espanha) teve o gosto e o humor suficientes para nos ajudar a atravessar as horas mais negras da noite. O dia findou às duas da manhã seguinte. Tínhamos trabalhado durante 14 horas consecutivas e chegado a uma primeira lista de 70 nomes. Destes, uma lista final de 40 artistas estará presente em Sevilha. Isso sabíamos de certeza.

Quando estes apontamentos forem publicados, os nomes dos artistas seleccionados para actuarem na próxima Womex serão conhecidos em todo o Mundo.

Após ouvir mais de 650 candidatos em três dias de 12 e mais horas de trabalho, os membros do júri (uns verdadeiros “samurais”!) fizeram a sua escolha: 40 nomes de grupos e artistas individuais que representam uma larga paleta de estilos musicais, países e, claro está, gostos pessoais.

Dadas as premissas e linhas de orientação conhecidas antecipadamente, devo admitir que fizemos um bom trabalho. Não que outros bons nomes, não pudessem ser igualmente escolhidos. Certamente outros quarenta, ou mais…

E este foi a principal problema do júri: como escolher bem, quando os candidatos eram tão bons?

Devo confessar que – estando pela primeira vez no “outro lado da barricada” – isso deu-me uma melhor percepção dos tremendos esforços que todos fizeram para dar uma oportunidade real à maioria dos grupos. Esta é uma responsabilidade que tenho de dividir com todos os meus colegas. Estou certo que todos eles concordam com a minha opinião: a dificuldade não foi fazer escolhas, mas eliminar nomes e, nesse sentido, ser obrigado a fazer escolhas…

São demasiados os exemplos para serem mencionados aqui. Pessoalmente, estou muito satisfeito que artistas como MAYRA ANDRADE (Cabo-Verde) ou TANYA TAGAQ (Canadá), possam estar presentes. Dos restantes nomes, as minhas preferências vão para os KASAI ALLSTARS (Congo), que falharam a edição do ano passado devido a problemas com os “vistos” e prometem um “show” colorido, onde a energia posta em palco não será inferior à música tocada. Grande música africana em perspectiva, pois. O “tanguero” MELINGO (Argentina), representante da velha escola “lunfarda”, com um timbre a lembrar o mestre Goyeneche, é outro nome a fixar. SIBA E A FULORESTA (Brasil), um verdadeiro caleidoscópio de ritmo e cor, é bem representativo da riqueza nordestina brasileira e um “must”. O grupo 3 CANAL (Trinidad e Tobago), um trio de cantadores-dançarinos que mistura hip-hop, ska e música electrónica, num espectáculo frenético, promete ser uma das surpresas destes “showcases”. FANFARA TRIANA (Albânia) uma “brass-band” pouco clássica, onde os sopros se misturam com as belas polifonias Balcãs, num espectáculo pleno de intensidade e técnica arrepiantes. TARA FUKI (República Checa) uma cantora surpreendente, na voz e atitude “zen”, onde o minimalismo das interpretações conseguem atingir uma atmosfera verdadeiramente encantatória. ROSS DALY (Irlanda/Grécia) o veterano tocador de “lyra” grega, que interpretará as belas melodias tradicionais de Kreta acompanhado do seu grupo “Labyrinthos”. Finalmente, os famosos BALKAN BEAT BOX, que têm dominado as “charts” europeias da “World Music” e que, em Sevilha, não deixarão os seus créditos por mãos alheias…

Todos eles aceitaram o convite para estarem em Sevilha. Nessa altura poderemos ajuizar da qualidade da sua música. E a boa música é, como todos sabemos, o último critério para julgar um músico no seu melhor. Não disfarço a minha impaciência.

Rui Mota (membro do júri Womex 2007)

WOMEX 2007: Portugal volta a conquistar o mundo

A WOMEX, principal feira de músicas tradicionais (e tudo à volta), tem sido ao longo de cerca de década e meia de existência, “a” montra de projectos emergentes dos quatro cantos do mundo que aí se dão a conhecer à imprensa e, sobretudo, aos programadores dos principais festivais do planeta. Uma boa prestação num “showcase” de meia-hora poderá representar a aquisição de uma “carta verde” para actuações regulares na Europa e na América do Norte e a possibilidade de um disco desse projecto ser distribuído a nível mundial. Apesar de haver inúmeros artistas que não necessitam de actuar neste certame para entrarem no “circuito”, o certo é que os seus agentes e editores não dispensam os três ou quatro dias de contactos ao mais alto nível que esta feira proporciona.

Se olharmos para o panorama da música feita por cá, verificamos que muito poucos músicos nascidos (ou a residirem) no nosso país pisaram os vários palcos disponíveis para “show cases”. Mas, aqueles que tiveram o talento de o fazer (e a qualidade necessária para convencer os “sete samurais” a integrar determinada “colheita”), como SARA TAVARES ou MARIZA, não esquecerão tão cedo que a WOMEX serviu de “rastilho” para uma carreira internacional que “explodiu” pouco tempo depois. ANA SOFIA VARELA só não aproveitou o mesmo “embalo” porque teve de interromper a sua carreira musical para cuidar do seu rebento.

O fado é, cada vez, mais uma das mais apetecíveis “iguarias” do, cada vez mais, miscigenado “cocktail” da “world music”. Claro que os MADREDEUS foram uma espécie de Bartolomeu Dias que transformaram o Cabo das Tormentas em Boa Esperança, abrindo o caminho à filiação da canção urbana de Lisboa para os palcos internacionais, mostrando aos programadores de festivais “world” e aos “media” da especialidade que em Portugal faz-se um certo tipo de música que é único, só nosso. É essa autenticidade, esse “blues” urbano da cidade de Lisboa, que cativaram editores holandeses (World Connection) e norte-americanos (Times Square) e programadores de espectáculos da vizinha Espanha como a Syntorama que trabalha, provavelmente, com mais músicos portugueses do que espanhóis.

A miscigenação de Lisboa

Lisboa tem sido também berço de muita da música da África lusófona apreciada, sobretudo, lá fora. Inúmeros são os artistas (BONGA, WALDEMAR BASTOS, LURA, SARA TAVARES, MANECAS COSTA, etc) que usam a grande Lisboa como um local onde se recupera energias antes, durante e depois de intensas digressões. Para além disso, certos grupos mais ligados à “folk”começam também a tocar com regularidade em importantes festivais do género. Veja-se a ascensão internacional dos DAZKARIEH. Coisa impensável há uns anos atrás quando alguma “inteligentsia” questionava como seria possível a uma banda, que não se pautasse pela autenticidade que o fado garante a alguns intérpretes portugueses, competir com músicos britânicos ou nórdicos tecnicamente muito mais dotados. Apesar de nunca terem tido a oportunidade de efectuar um “showcase” na WOMEX, a banda de VASCO RIBEIRO CASAIS tem tido presença assídua nestes últimos quatro anos. Basta olharmos para a agenda de concertos dos dois últimos anos para verificar que o quarteto já começou a colher os frutos do investimento efectuado e nunca prescindirá de regressar a esta feira.

Este ano, os GAITEIROS DE LISBOA asseguraram a única presença portuguesa nos “show cases” da WOMEX e JANITA SALOMÉ foi seleccionado para uma segunda lista de reservas para colmatarem eventuais desistências entre as cerca de quatro dezenas de projectos alinhados. Curiosamente, dois nomes não ligados ao fado entre um dos mais fortes lotes de sempre, com alguns “tubarões” pelo meio, que não precisavam de ir à WOMEX para serem figuras de cartaz nos principais festivais “world”, como são os casos de BAJOFONDO TANGO CLUB, MAYRA ANDRADE ou TOUMAST. Aqui se constata, quer importância cada vez mais determinante na angariação de datas para a “tournée” de uma banda, quer a maior qualidade dos projectos seleccionados pelo júri que parece saber, felizmente, o que é a nata da nata da música tradicional portuguesa além fado.

fonte ~ Luis Rei

28 de setembro de 2007

ROBERTO LEAL mergulha a fundo na tradição mirandesa

E se numa das mais importantes celebrações folk da Península Ibérica pudéssemos ver (num dos cartazes de 2008) inscrito o nome de ROBERTO LEAL? Espantados? Depois de ouvir o novo disco “Canto da Terra” diria que tudo é possível. Oriundo de Vale da Porca, Macedo de Cavaleiros, o cantor de música ligeira sobejamente conhecido pelo seu sotaque brasileiro e por êxitos da rádio de Onda Média como “Dá Cá Um Beijo” ou “Bate o Pé”, mergulhou a fundo na cultura mirandesa e apresenta-nos agora um álbum que, quem sabe, poderá ser um dos candidatos ao Prémio José Afonso de 2008. Não. Não estou a exagerar. Senão vejamos: Sabem quem é o responsável pelos arranjos e direcção artística do disco? RICARDO DIAS. Olhemos agora a lista de convidados: MANUEL ROCHA (da BRIGADA), AMADEU MAGALHÃES (já perdemos a conta aos projectos em que este multi-instrumentista que criou os REALEJO participa), GALANDUM GALUNDAINA (que cantam e tocam percussões em algumas das modas), RÃO KYAO, ANDRÉ SOUSA MACHADO e VITORINO. Além disso, há aqui também um agradecimento muito especial a MÁRIO ESTANISLAU e VICTOR FÉLIX dos RONCOS DO DIABO.

Em “Canto da Terra”, ROBERTO LEAL mergulhou a fundo na tradição de Miranda. Chega mesmo a cantar em mirandês (o escritor e estudioso Amadeu Ferreira colaborou também na pesquisa e tradução das letras) em vários temas, como “Nós Tenemos Muitos Nabos”, “Sinhá Senhora”, “Chin Glin Din”, “La Molinera” e “La Çarandilhera”. Só é pena que o trabalho gráfico da capa não tenha a sofisticação dos arranjos deste interessante lote de temas. O disco será apresentado ao vivo em breve no Casino Estoril (em data a anunciar). Eu vou!

fonte ~ Luís Rei, Crónicas da Terra

27 de setembro de 2007

Coimbra - Grupo de Fado apresenta temas inéditos do seu CD

O CD desta formação, a lançar antes do final do ano, intitula-se «Coimbra» e contém 13 temas inéditos da canção coimbrã, disse hoje à agência Lusa Ricardo Dias, um dos músicos do grupo.

Poemas de Fernando Pessoa, Eugénio de Andrade, Miguel Torga, Mário Cesariny e Antero de Quental, entre outros autores, serão cantados com música inédita do grupo.

Vão ser também executados alguns dos temas instrumentais inéditos que farão parte do CD.

O Coimbra - Grupo de Fado integra João Farinha (voz), Ricardo Dias (guitarra) e Pedro Lopes (viola).

No espectáculo de sábado, actuam ainda Luís Oliveira (contrabaixo) e o maestro Augusto Mesquita (piano de cauda).

Constituído em 2006 com o objectivo de «representar e dignificar a canção de Coimbra ao mais alto nível, o grupo potencia a vasta experiência dos seus elementos no sentido de renovar e refrescar a música de Coimbra, através, sobretudo, da composição de temas novos, embora mantendo a identidade e a sonoridade com que a música coimbrã é conhecida e reconhecida», lê-se num texto sobre a iniciativa.

No concerto, a fadista Cristina Branco interpretará temas do seu repertório, acompanhada pelo pianista Ricardo M. Dias, e actuará também com o grupo.

Organizado pela Fundação Inês de Castro, o espectáculo insere-se no ciclo «As Quatro Estações das Lágrimas», que visa proporcionar a Coimbra uma noite musical diferente.

Segundo a nota da organização, a celebração do Outono é o pretexto para esta «noite mágica» que assinala, na Quinta das Lágrimas, a mudança de estação.

Cada concerto é «especialmente concebido para assinalar a mudança de estação» e procura-se «fomentar o encontro entre intérpretes de Coimbra e nomes cimeiros da cena musical portuguesa, numa ambiência única e numa noite que se pretende fique na memória de todos os que assistam ao espectáculo».
Lusa

17 de setembro de 2007

Brigada Victor Jara distinguida com Prémio José Afonso


O grupo português
Brigada Victor Jara venceu a edição de 2007 do Prémio José Afonso, com o álbum Ceia Louca, editado em 2006, anunciou hoje a Câmara Municipal da Amadora.

Ceia Louca assinalou o regresso da Brigada Victor Jara, numa altura de celebrações de mais de três décadas de carreira, desde que o grupo apareceu, em 1975 em Coimbra.
O prémio foi atribuído por unanimidade por um júri do qual fizeram parte Olga Prats, António Vitorino de Almeida, Carlos Pinto Coelho, António Moreira e Natália Cañamero de Matos.
O Prémio José Afonso foi criado em 1988 para homenagear o cantautor português e destina-se a galardoar um álbum de edição portuguesa cujos temas tenham como referência a cultura e a história portuguesas.

Actualmente com nove músicos, a Brigada Victor Jara já integrou na sua formação inicial artistas como Né Ladeiras, Fernando Amílcar e Joaquim Caixeiro.
Em 1977, dois anos depois de se terem formado, com um nome que homenageia o cantor chileno Víctor Jara, editaram o primeiro álbum, Eito Fora, feito de cantares regionais.
Da sua discografia destaca-se Monte formoso, em 1989, do qual saiu um espectáculo de homenagem a José Afonso, que contou com a participação do Teatro Bonifrates e do Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra.
Em 2000 lançaram Por sendas, montes e vales e em 2006 Ceia louca, que contou com a participação de convidados como Carlos do Carmo, Vitorino e Janita Salomé, Lena d´Água e Jorge Palma.
O prémio José Afonso, que não foi atribuído em 2006, será entregue à Brigada Victor Jara no dia 22 de Setembro nos Recreios da Amadora.
Fausto, Sérgio Godinho, Né Ladeiras, Dulce Pontes, Filipa Pais, Carlos do Carmo e José Medeiros foram alguns dos músicos portugueses já distinguidos com o Prémio José Afonso.
Lusa/SOL

14 de setembro de 2007

A não perder!

Amanhã, 15 de Setembro, na TSF depois do noticiário das 11h, vão emitir um programa especial dedicado ao Festival Intercéltico de Sendim, que ocorreu no Nordeste de Trás-os-Montes a principios de Agosto.

Aviso a todos os Profissionais das Artes do Espectáculo e Audiovisual

Encontro no próximo dia 17 de Setembro, 2ª feira, ás 21h30m na RE.AL (Rua do Poço dos Negros n.º55)

No passado dia 10 de Setembro, a Plataforma dos Intermitentes encontrou-se no Maxime, em Lisboa, para discutir a proposta de lei do Governo que irá aprovar o regime de contratos de trabalho dos profissionais do espectáculo e do audiovisual.
A Plataforma dos Intermitentes é um grupo composto por estruturas, sindicatos e outras organizações que está a trabalhar desde há cerca de um ano, analisando as propostas de lei do BE e PCP acerca da regulamentação para os profissionais do sector das artes do espectáculo e audiovisual, tendo reuniões com os diversos grupos parlamentares e redigindo uma proposta sobre as matérias a regular nesta área, como a certificação profissional, o sistema de protecção social e o regime de intermitência.
Ainda não está marcada a data para aprovação desta proposta por parte do Governo maioritário PS e é importante salientar que OS ESFORÇOS LEVADOS A CABO PELA PLATAFORMA e por outras entidades RESULTARAM NO ADIAMENTO DA APROVAÇÃO PREVIAMENTE AGENDADA PARA JULHO ÚLTIMO.

VAMOS TER QUE NOS MEXER!

porque neste momento o governo prepara-se para aprovar uma lei que, para além de não resolver a situação que a maioria de nós vive (passar períodos de fome entre um trabalho que acaba e o próximo que só começa daí a três meses, ter que abrir e fechar actividade para colmatar a ausência de legislação adequada, não estar inscrito na segurança social por não poder pagá-la quando não se está a trabalhar, etc...) ainda vai prejudicar os trabalhadores do espectáculo e do audiovisual que são actualmente enquadrados pela lei geral do trabalho.

Sem discussão sobre o conceito de intermitente e uma proposta concreta sobre a matéria da Segurança Social, não nos é possível aceitar esta lei!
Devemos desenvolver em conjunto uma lei que realmente sirva aos profissionais, não uma lei inútil, sem a mínima percepção das dificuldades e necessidades do sector que a Plataforma representa. Querendo convencer o país que finalmente estão a resolver os problemas dos trabalhadores do espectáculo e do audiovisual...

Intermitência tem sido um conceito difícil de entender para o nosso governo:
O conceito de intermitência enquanto aspecto do exercício das profissões do espectáculo e do audiovisual, que tem servido de base material para a regulamentação dos regimes contratuais em diversos países (França, Holanda ou Alemanha), é formulado a partir da circunstância da sujeição dos trabalhadores dos espectáculos e do audiovisual a períodos de suspensão da sua actividade, em resultado dos necessários tempos de aperfeiçoamento e maturação artística, bem como da limitação temporal do ciclo económico da produção de espectáculos, normalmente associados a diferentes e sucessivas entidades empregadoras.
Este conceito tem servido como fundamento a regimes de contratação e de segurança social nesses países, que visam proteger o trabalhador face à descontinuidade da prestação de trabalho e das consequências dessa situação no plano remuneratório.

Da leitura do artigo 7º desta proposta de lei conclui-se que, sob a designação de contrato de trabalho intermitente, se cria um modelo contratual que visa exclusivamente a redução das contrapartidas de que beneficiará um trabalhador com vínculo de carácter permanente [SEM ESTABELECER NENHUM BENEFÍCIO PARA AQUELES QUE EFECTIVAMENTE EXERCEM UMA ACTIVIDADE DE FORMA INTERMITENTE NESTE SECTOR].

VAMOS TER QUE NOS MEXER!

COMO?

· entupindo contas de e-mail protestando sobre esta situação*
· informando e motivando os colegas de profissão para esta luta
· estando presentes em massa em frente à AR no dia da aprovação da proposta de lei (em data ainda a anunciar)

· lendo comunicados ao público no início dos espectáculos sobre esta situação
· entregando informação escrita ao público antes e/ou depois dos espectáculose qualquer outra acção individual ou colectiva que entendam útil

*Serão enviados dados mais concretos sobre que e-mails entupir e com sugestões da mensagem a enviar.

esclarece as tuas dúvidas ou propõe outras acções através do endereço:
intermitentes@gmail.com


A Plataforma dos Intermitentes é constituida pelas seguintes organizações: AIP- Associação de Imagem Portuguesa, Associação Novo Circo, ARA – Associação de Assistentes de Realização e Anotação, ATSP – Associação dos Técnicos de Som Profissional, Granular - Associação de Música Contemporânea, PLATEIA - Associação de Profissionais das Artes Cénicas, REDE - Associação de Estruturas para a Dança Contemporânea, RAMPA, Sindicato dos Músicos, SINTTAV- Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual, STE - Sindicato das Artes do Espectáculo.

Bolsa de Instrumentos

Este ano a Bolsa de Instrumentos vai funcionar de modo diferente.

Existem dois períodos de bolsa, sendo que o primeiro é de 6 meses (de Outubro de 2007 a Abril de 2008) e o segundo de Maio de 2008 a Maio de 2009.

As candidaturas para a primeira bolsa estão abertas até 8 de Setembro. As candidaturas para a segunda bolsa abrem em Fevereiro.

12 de setembro de 2007

Filme Fados apresentado no Museu do Fado

Com estreia marcada para dia 4 de Outubro, o filme Fados, do realizador espanhol Carlos Saura, foi hoje apresentado à imprensa no Museu do Fado, em Lisboa. O projecto, cuja gestação começou há cinco anos, está finalmente concluído e teve a sua estreia mundial na semana passada, no Festival Internacional de Cinema de Toronto.

No final da exibição e acompanhado pelos fadistas Carlos do Carmo e Marisa, Saura foi presenteado com uma ovação que durou cerca de cinco minutos.

Depois de Flamenco (1995) e Tango (1998) – nomeado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro -, Fados representa mais uma incursão do cineasta pelo mundo da música e, neste caso, um olhar especial sobre o estilo que melhor representa a cultura portuguesa.

São vários os artistas que participam em Fados. Mas nem só fadistas e nem só de portugueses é feita esta declaração de amor de Saura à canção de Lisboa. Além de nomes inevitáveis como Camané, Carlos do Carmo, Mariza, Vicente da Câmara ou Argentina Santos há outros que podem surpreender: Caetano Veloso interpreta Estranha Forma de Vida e a mexicana Lila Downs dá voz a Foi na Travessa da Palha. Também Chico Buarque, Lura, Rui Veloso ou os hip hopers NBC e SP & Wilson emprestam voz e sonoridades a Fados. Carlos do Carmo e Rui Vieira Nery desempenharam o papel de consultores musicais.

A ante-estreia em Portugal está marcada para dia 26 no Cinema São Jorge, em Lisboa, e o filme está já vendido para 20 países. Em agenda estão também importantes exibições em diversos festivais de cinema e várias cidades, um pouco por todo o mundo.

Durante a apresentação à imprensa Ivan Dias, pai da ideia original e responsável pela produção artística, explicou que «não foram precisos mais do que cinco minutos para interessar Carlos Saura pelo projecto» e congratulou-se pelo resultado final, sublinhando que «quem vê o filme sente orgulho em ser português».

José Amaral Lopes, presidente da EGEAC, empresa responsável pela gestão de equipamentos e animação cultural da cidade de Lisboa, falou numa «aposta ganha» e relembrou que foram muitas as críticas quando a EGEAC contribui com um milhão de euros para a concretização do projecto.

Também José Eduardo Moniz – a TVI é uma das co-produtoras em conjunto com a EGEAC e o Turismo de Portugal – esteve presente e manifestou o seu contentamento pela participação da estação de Queluz no filme de Saura. «Tendo em conta o que se escreve sobre o perfil do canal, para muitos deve ter sido uma surpresa a TVI apostar neste projecto», começou por afirmar Moniz. «Mas somos um canal português e queremos estar de mãos dadas com o que é português», acrescentou.

Fados poderá desempenhar, assim acredita João Teixeira, administrador-executivo da EMI Portugal, um papel decisivo na promoção do fado e dos artistas portugueses. «O fado tem um potencial de exportação maior do que o Flamenco e este projecto, para a EMI, não poderia ter sido mais bem-vindo».

A produção de Fados é responsabilidade da Fado Filmes, da Duvideo e da Zebra Producciones, será distribuído pela Lusomundo e EMI Portugal editará a banda sonora, que será lançada no próximo dia 24 em Portugal, Espanha e Bulgária; e mais tarde no Brasil, França e Japão.
fonte ~ José Fialho / Sol

9 de setembro de 2007

Cavaquinho, Concertina e Gaita-de-Foles > cursos mensais na EMtrad'

A EMtrad' retoma os cursos mensais de Cavaquinho, Concertina e Gaita-de-Foles, que vão dirigidos a tocadores com pouca disponibilidade para um regime semanal de aulas na EMtrad’ (por limitação horária ou por distância geográfica de Águeda), permitindo concentrar o estudo acompanhado num único fim-de-semana por mês.

Datas de Setembro dos Cursos Mensais
Novidade: custo inscrição 30Eur decresce consoante nº participantes inscritos!
Ainda aplicável Programa Apoio 50% para elementos dos grupos folclóricos Águeda.

Curso Mensal de CAVAQUINHO
formador: André Jesus
marcado para
15 Setembro 2007
inscrições abertas para o bloco
SÁBADO MANHÃ (9h30 – 12h30)


Curso Mensal de CONCERTINA

formador: Artur Fernandes
marcado para
15 e 16 Setembro 2007
inscrições abertas para os blocos:
SÁBADO TARDE (14h00 – 17h00)
DOMINGO MANHÃ (9h30 – 12h30)


Curso Mensal de GAITA DE FOLES
formador: Dulce Cruz
marcado para
23 Setembro 2007
inscrições abertas para o bloco
DOMINGO MANHÃ (9h30 – 12h30)


inscrição ou informações: dorfeu@dorfeu.com