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19 de maio de 2010

Carlos do Carmo: 100 canções - Uma vida

Após as comemorações de 45 Anos de Carreira, em 2008, assinaladas com 2 concertos – no Casino Estoril e no Pavilhão Atlântico, em Lisboa – e a edição do seu único best of até à data, “Fado Maestro” - em 2010 vai ser editada a primeira grande colecção com reportório de Carlos do Carmo, intitulada “100 Canções – Uma Vida”.

Esta colecção - uma edição em exclusivo com o jornal “Público” que estará disponível semanalmente, a partir do dia 24 de Maio – é composta por 10 volumes temáticos:
  • Os Poetas
  • Lisboa
  • Os Compositores
  • À Guitarra e À Viola
  • Os Fados Tradicionais
  • Com Orquestras
  • Outros “Fados
  • Internacional
  • Ary por Carlos do Carmo
  • Ao Vivo no Casino Estoril
O reportório que integra a colecção foi pessoalmente escolhido por Carlos do Carmo, em jeito de homenagem ora aos poetas que cantou ou à cidade onde sempre viveu, ora aos músicos que o acompanharam ou ao seu saudoso amigo José Carlos Ary dos Santos.

Para contar a história de uma vida de canções, o fadista sentou-se à conversa com a jornalista Ana Sousa Dias, dando origem aos textos que integram cada um dos volumes da colecção, através dos quais ficamos a conhecer, em primeira mão, os motivos que o levaram a seleccionar cada fado bem como as histórias que cada um guarda.

10 volumes temáticos com 10 temas cada reúnem assim grande parte da obra gravada de Carlos do Carmo, de 1963 a 2008, culminando na edição inédita e exclusiva do disco “Ao Vivo no Casino Estoril”, gravado no dia 3 de Outubro de 2008.

A colecção “100 Canções – Uma Vida” será apresentada no dia 21 de Maio, pelas 21h30, no Museu do Fado.

"Cancionário" de Ricardo Parreira

“Cancionário” é o novo trabalho discográfico e espectáculo do guitarrista Ricardo Parreira.

Depois do seu disco de estreia “Nas Veias de uma Guitarra – Tributo a Fernando Alvim”, considerado pela crítica e comentadores como um dos mais importantes documentos sobre os grandes compositores da história da guitarra portuguesa dos últimos anos, Ricardo Parreira prossegue agora numa nova viagem: um trabalho com base no fado, ainda que mais dedicado à música tradicional e popular portuguesa.

Este novo disco, que será também um novo espectáculo, tem vozes convidadas, baixo e percussões. Tem ritmo, balanço e diversidade, numa viagem sem sacrifícios pela história da nossa alma: “É preciso ter vontade de dançar mesmo que não seja o caso…”

Os temas são, na sua grande maioria, originais: alguns compostos pelo jovem músico e outros por alguns dos compositores da nova geração como Yami, Marco Oliveira e Hélder Moutinho. Da recolha feita do repertório da música popular e tradicional portuguesa destacam-se “Mi Maruxa”, “Gondarem”, “Danças Portuguesas nº 2”, “Altos Altentes”, entre outros grandes temas imortalizados por grandes intérpretes como José Afonso, Carlos Paredes ou Amália Rodrigues, esta última num repertório mais popular.

Embora se trate de um disco acima de tudo dedicado à guitarra portuguesa, desta vez Ricardo Parreira convida as vozes de Micaela Vaz, Vânia Conde e Marco Oliveira para alguns dos temas e conta com Yami e Joaquim Teles nos coros.

Este desafio, que partiu de um espectáculo inserido no âmbito do Festival “Casa Portuguesa”, promovido e realizado pela Casa da Música, em Julho de 2009, na Sala Suggia (Grande Auditório), começou a ser gravado em Agosto passado, entre as várias viagens que o músico teve de fazer pelo mundo fora, e está agora pronto para sair para a rua. Assim como o espectáculo que será apresentado, em primeira mão, no dia 20 de Maio no Cineteatro São Jorge, em Lisboa.

No início de Junho, Ricardo Parreira parte para os Estados Unidos para um dos mais importantes eventos culturais daquele país, o “Ibero American Guitar Festival”, um festival em Homenagem a ao compositor mexicano Manuel M. Ponce, onde participam grandes instrumentistas como Carlos Barbosa-Lima, Margarita Escarpa, José Mendoza (Aymara/Quechua), e Carlos Moscardini, entre outros.

Depois apresenta-se na Praça de Armas do Castelo de São Jorge no Festival “Festa do Fado” onde acrescenta convidados à sua banda. Desta vez três dos mais emblemáticos intérpretes da Canção de Coimbra, duas testemunhas, Fernando Machado Soares e Luís Góis, e um cantor da nova geração, António Ataíde.

16 de maio de 2010

O fado tem uma nova história que só se canta em português

A história que se segue, apesar de improvável, é matéria de facto. José Alberto Sardinha, advogado de Torres Vedras, investigador da música tradicional há mais de 30 anos, deu por si em nova viagem entre Beiras, de gravador ligado, à espera de aumentar a sua colecção de recolhas musicais de um Portugal tradicional. "Pela enésima vez, escutava uma velhinha entre cantos do romanceiro e encontrava neles incríveis semelhanças com o fado." Corria o ano de 1988 e, 16 anos depois de se ter iniciado nas lides da descoberta musical, o investigador regressava a casa, recuperava gravações de outros anos e consultava boa parte da sua biblioteca etnográfica. "Foi uma epifania: e se o fado não fosse de outro mundo, se tivesse nascido no meio da nossa tradição oral?"

A hipótese concretizou-se, pelas contas de José Alberto Sardinha, e fez-se livro. "A Origem do Fado" abandona teorias que fixam a génese do género entre África, Brasil e terras árabes e fixa-a no Portugal medieval. O autor diz "o que nunca foi antes publicado: que o fado nasceu da tradição oral, do substrato musical presente em todo o território português", fixando-se mais tarde em Lisboa com uma convicção que não se repetiu em qualquer outra parte. Os porquês de um estudo transformado em livro: "Porque, ao ter descoberto uma parcela importante da história da cultura portuguesa, achei que deveria ser revelada."

Recuemos nos arquivos de José Alberto Sardinha para que tudo pareça lógico - o próprio nos diz "estes temas têm de ter lógica". O estudante de Direito, nascido em Angola, chegou a Lisboa em 1960. Enquanto aprendiz na Faculdade de Direito integrou o Coro da Juventude Musical Portuguesa - "onde estavam também o actual secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, o Eduardo Paes Mamede, que faz música para teatro, o Luís Pedro Faro, maestro, o João Lisboa, crítico musical do 'Expresso', ou o José Manuel David, dos Gaiteiros de Lisboa". A orientação surgia pela mão do maestro Francisco d'Orey, que revelou ao futuro advogado o valor da recolha etnomusical. "Hoje posso dizer que tenho o maior arquivo do género em Portugal", graças a esforço e investimento: "Um dos primeiros gravadores que tive foi um Nagra4S Stereo. Custava dois mil euros."

O seu objecto de estudo primeiro sempre foi a "tradição rural". O fado não fazia parte deste catálogo, até à pergunta fundamental ter surgido no caminho: "Se o fado é uma música de tradição oral, inequivocamente, porque não compará-la com a restante herança musicada dessa mesma tradição?" A explicação, em linhas condensadas (que as mais de 500 páginas do livro servem para revelar os resultados do estudo de forma fundamentada), pedimo-la a José Alberto Sardinha: "O romanceiro é o herdeiro das canções de gesta, que celebrizavam os heróis de guerra. Foram provavelmente os primeiros cantos profanos, popularizados pelos jograis nas praças das localidades. Depois das epopeias, os cantos começaram a focar-se na história dos amantes dos nobres e daí chegaram à Rosinha costureira e ao caso de ciúmes da Isaura e do Manel." Pode parecer história de pouca monta para a canção portuguesa mais popular mas a narrativa continua.

Evolução Os romances eram interpretados por cantores ambulantes, "na maioria cegos, por terem melhor ouvido, memória e pela maior necessidade de dinheiro", à guitarra, acordeão ou violino. Vêm das aldeias para as cidades, concentram-se em Lisboa "porque é onde há mais gente e recantos para tocar as canções" e gera-se um hábito. A nobreza gosta, cria a moda e leva o fado das tabernas - "onde os cegos cantavam a troco de um prato de sopa ou um copo" - para os salões. Aqui chegamos ao conde Vimioso, que se apaixona por Maria Severa, lendária fadista, e tudo o resto é fama e glória. Do século XVI ao século XIX, com a tradição oral como motor.

"Ou seja, o tal substrato comum à tradição musical nacional diz que o fado existia em toda a parte antes de 'ser lisboeta', como hoje é entendido popularmente." O fado cantava-se nas aldeias de norte a sul, ainda hoje está nas vozes de quem se passeia entre as tabernas e os campos, mas não com o mediatismo de Lisboa. "Quando se tornou moda, chegou à revista. Recebeu influências e desmultiplicou-se em fórmulas e géneros, do fado marcha ao fado tango. Já prestou atenção à "Menina das Tranças Pretas? É um tango", afirma o autor. E o fado fez-se produto exportável.

E é neste fenómeno de popularidade que reside a polémica sobre as diferentes teorias da origem do fado. José Alberto Sardinha, convicto, assegura que "se o vira fosse tão famoso, seria objecto das mesmas divergências". Sobre outras teorias, o investigador diz que lhes falta "critério e objectividade, falta-lhes esta visão global do que é comum a todo o país. A etnografia, o folclore musical, presta-se muito a fantasias. Porque não há ninguém para reclamar, o autor não vai aparecer." Recusa as explicações que falam "de uma dança tornada canção vinda do Brasil, apesar de esta ser a origem das primeiras notícias oficiais sobre o fado". Ou as contaminações árabes ou africanas "ainda que existam semelhanças em géneros como a morna". A origem do fado está na vida rural, que em Lisboa "era também muito presente ainda durante boa parte do século XX. É essa a base comum, por isso a expressão musical era coesa por todo o país."

José Alberto Sardinha explica que a palavra fado, mais que destino, quer dizer "vida, desenlace, acontecimentos, vivências". E que antes de ser a música, é "a história, o poema, a narrativa" e que o original está na "tragédia de faca e alguidar". Espera contestação, diz-nos que "esta não é uma ciência exacta", mas é o resultado de uma "experiência musical concreta".
fonte ~ jornal i

Ao fado tudo se canta?

Daniel Gouveia, fadista, compositor, letrista e escritor, apresenta-nos no seu livro "Ao Fado tudo se canta?" 40 anos de reflexões, conversas e investigações sobre o tema, que aprofundou ao longo de 5 anos de trabalho, incluindo, igualmente, 3 CDs com 190 exemplos musicais.

Entre outras problemáticas sobre este género musical, destacam-se:
- Análise de todas as teorias actuais para as origens do Fado.
- Revelação e publicação de pautas com fados do séc. XIX e princípio do séc. XX (tocadas nos exemplos musicais).
- Propostas para definir as fases de evolução do Fado e dos fadistas.
- Análise dos procedimentos poéticos e de classificação dos fados Tradicionais e do Fado-Canção.
- O bem cantar e o mal cantar o Fado.
- Relações do Fado com o Tango, o Bolero e o Flamenco.
- Revelação de um plágio feito por compositores argentinos de Tango a «O Cochicho».
- Fado e Canção de Coimbra em paralelo.

O lançamento do livro será no Museu do Fado, em Lisboa, pelas 19 horas, no dia 19 de Maio.

4 de maio de 2010

Prémios Amália Rodrigues 2009

As fadistas Ada de Castro e Joana Costa, o pianista Bernardo Sassetti e a maestrina Joana Carneiro foram distinguidos na quinta edição dos Prémios Amália Rodrigues, cuja cerimónia decorrerá em Outubro em Lisboa, foi ontem anunciado.
Ada de Castro, de 72 anos, recebe o Prémio Carreira pelos 50 anos de vida artística dedicados ao fado, tendo contribuído para a sua aproximação às marchas populares.
O Prémio Revelação 2010 foi atribuído à fadista Joana Costa, que editou no final de 2008 o álbum de estreia, Recado. De acordo com o júri desta quinta edição, Joana Costa foi eleita por unanimidade a Artista Revelação por interpretar o fado tradicional com "segurança, clareza, compasso e entrega".
A celebrar dez anos de carreira, Kátia Guerreiro recebe o prémio de Melhor Fadista.
Já Ana Sofia Varela, que tinha sido distinguida em 2006 com prémio de Melhor Fadista, recebe agora o prémio de Melhor Álbum com Fados de Amor e Pecado.
Nesta quinta edição, a organização procurou alargar o universo dos artistas distinguidos para lá do fado, numa homenagem à carreira de Amália Rodrigues, que ultrapassou as fronteiras deste género. Assim, foi criado o Prémio Música Popular, que distingue o pianista e compositor Bernardo Sassetti "pela carreira exemplar", por ter conquistado novos públicos e por ter integrado o jazz no universo nacional. Em 2010 recupera-se ainda o Prémio Música Erudita e que este ano é entregue à maestrina Joana Carneiro.
Na área do Ensaio e Divulgação, o prémio é atribuído a Jean-François Chougnet, director artístico do Museu Berardo, pelo "magnífico catálogo da exposição Amália, Coração Independente, que apresenta novas perspectivas sobre a carreira da maior artista portuguesa", justifica o júri.
Custódio Castelo foi eleito o melhor instrumentista e Manuela de Freitas, que já escreveu para Carlos do Carmo e Camané, recebe o prémio Letrista/Compositor.
fonte ~ dn

26 de abril de 2010

Desafinar a Tradição

Tiago Pereira quer libertar a tradição e, provocador, lança ao ar: "Kill Giacometti!". Diz-nos: "tenho que dizer que esta memória existe, mas se quiser que seja contemporânea, tenho que a tratar de uma forma contemporânea". Algo que atravessa a sua obra, representada no IndieMusic do IndieLisboa por "Significado", o seu último filme, e "B Fachada - Tradição Oral Contemporânea"

"Significado" começou como encomenda da d'Orfeu, associação cultural que, em Águeda, vem trabalhando, divulgando e ensinando a música tradicional, as danças populares ou as artes de palco. Seria uma comemoração dos seus 15 anos, com os irmãos fundadores (Luís, Artur, Vítor e Rogério Fernandes) como personagens centrais, mas não ficou por aí. Transformou-se nisso e numa outra coisa. E é precisamente daquilo e disto que Tiago Pereira conversa de forma rápida e entusiasmada. Discorre sobre o seu novo filme, sucessor de "11 Burros Caem de Estômago Vazio" ou "B Fachada - Tradição Oral Contemporânea", e mais uma acha para a fogueira da discussão sobre o lugar da tradição na música popular da actualidade.

"Significado" tem por subtítulo "Como seria a música portuguesa se gostasse dela própria" e, durante a entrevista, Tiago aponta que a Banda do Casaco, em "Hoje Há Conquilhas, Amanhã Não Sabemos", ano 1977, já recorria aos samples de diversas proveniências que, anos depois, Brian Eno e David Byrne utilizariam no celebrado "My Life In The Bush Of Ghosts" - ainda assim, refere, poucos em Portugal sabem quem é a Banda do Casaco. Mais tarde, falará de João Aguardela e do seu trabalho enquanto Megafone e lança a questão: "Como teria sido Portugal, para nós da geração que assistiu ao eclodir da música de dança, se os samples de músicas e recolhas portuguesas tivessem sido usadas desde o início?" Fala-nos disto, mas aquele "como seria a música portuguesa" é primordialmente dirigido aos que, de tanto a querer preservar, a envolvem num abraço sufocante. Explica: "Há a tendência para ignorar que a tradição hoje, em 2010, não tem nada a ver com o que era há 40 anos. Continua presente o positivismo do aqui só se faz assim e só se faz desta maneira. Temos a memória afectiva do PREC que criou uma resistência. E aquilo foi tudo muito bonito, mas hoje em dia já não existe".

Afinem a velhinha!

Em "Significado", Tiago Pereira não procura sinais de um passado à beira de desaparecer. Enquanto autor, busca novos sentidos. Agitador, põe óculos de mergulhador em Adélia Garcia, cantadeira que Giacometti recolheu há cinco décadas, aponta que o deslumbramento urbano com o exótico rural representa estagnação e parolice e, ao contar-nos das recolhas que faz país fora e dos documentos vídeo que vasculha em baús esquecidos, há-de destacar: "tenho que dizer que esta memória existe, mas se eu quiser que ela seja contemporânea, tenho que a tratar de forma contemporânea". Todo o seu trabalho, de resto, aponta nesse sentido. Não por acaso, define-se como "vídeomúsico" - pormenor: nos seus filmes, a montagem do som precede sempre a da imagem.
Em 2009, na vídeo instalação "Mandrágora", pôs mezinhas e responsos a encontrar eco na música de Tó Trips ou Tiago Sousa, contrapôs gwana marroquino a curandeiros beirãos, correspondeu trip de rave moderna a alucinação da ancestral erva do diabo.

Com "Significado", monta um caleidoscópio de gentes e de suas práticas na abordagem ao tradicional para chegar a isto: "Tradição de futuro. Para mim, isso é que é importante. Ter o passado, o que é agora e o que vai ser, como na banda desenhado do Alan Moore em que todos os tempos se encontram num vértice. É essa noção que quero nos [meus] filmes".
Temos então os irmãos Fernandes, temos etnógrafos e musicólogos, a artista plástica Joana Vasconcelos, os Diabo na Cruz e o músico Vítor Rua. Temos Carlos Guerreiro, dos Gaiteiros de Lisboa, ou Júlio Pereira, pai de Tiago, e, com eles, uma genealogia da descoberta e apropriação da música tradicional desde a década de 1970. Temos o Megafone de João Aguardela e a sua dança samplada das recolhas de Michel Giacometti e José Alberto Sardinha. E os Dazkarieh que com instrumentos tradicionais e atitude rock põem metaleiros do Barreiro todos no "mosh", um Ricardo Lameiro que, com tecnologia moderna, transporta o fagote para novas dimensões, e, claro, a Banda do Casaco que, recuperando palavras de um dos fundadores, Nuno Rodrigues, em "Significado", andou nos anos 1970 e inícios de 1980 a pensar a tradição rural para "gajos que eram de Lisboa e Cascais" e a resgatar Ti Chitas a Penha Garcia para "pôr um botox nas berças". Tiago Pereira não escolhe ninguém, não aponta um caminho. "No 'Significado', interessava ver todo o tipo de práticas contemporâneas que existem na música tradicional. Não me interessa criar a narrativa de um filme, interessa-me o conceito de dar esta informação toda, lançar os ses e as interrogações". Conclui: "Não é para eu escolher, é para as pessoas irem por onde quiserem".

No caso dele, não poderia ser de outro modo. No universo da música tradicional, aquilo que mais o incomoda é sentir que se defende um caminho único, sem hipótese de desvios. É por isso que se atira "à sacralização das velhinhas e das recolhas de Giacometti". Provoca: "Afinem a velhinha!, Kill Giacometti!". E pergunta: "Para quê fazer projectos iguais à Brigada Vítor Jara? Porque é que, vinte anos depois, ainda tens gente a tentar fazer o 'Cavaquinho' que o Júlio Pereira fez nos anos 1980? Que o façam, mas percebam que isso não representa o pulsar actual, não representa a evolução". Na sua opinião, a ânsia de preservar a música de contaminações conduziu a um processo perverso: "Muitos dizem que a culpa das pessoas não ligarem à música tradicional é da folclorização do António Ferro, mas isso aconteceu há mais de quarenta anos e, entretanto, assistiu-se a um fenómeno semelhante, com toda esta espécie de 'folclotribos' que se juntam para fazer as danças europeias no Andanças com tudo muito coreografado e pouco sentido". Acentua, novamente: "O meu interesse é perceber como poderá a tradição sair do seu gueto e chegar a novos públicos, chegar realmente às pessoas".

Ponto de partida

Em "B Fachada - Tradição Oral Contemporânea", também em exibição no Indie, Tiago levou o músico de "Viola Braguesa" a Caçarelhos, pô-lo a cantar canções as cantadeiras e ouvir as canções que elas tinham para cantar. Filmou-os no mesmo plano, sobrepondo a ruralidade delas e o urbanismo dele como se emanassem de uma mesma vontade - e depois, Fachada trouxe de Caçarelhos uma "D. Filomena" com séculos de idade e, em Lisboa, ninguém suspeitou que a canção não fosse dele. "Tradição oral é transmitir o que se vive. Passá-lo de geração em geração, contaminando-se, alargando-se e atingindo combinações infinitas"- isto o que nos disse então Tiago Pereira. Em "Significado", ensaia uma conclusão. Coisa múltipla e por vezes contraditória, com as imagens e os sons, os de arquivo e os captados agora em dança neurótica ou em fusão frutuosa.

A encomenda inicial de que resultou este filme, que será também um DVD acompanhante o livro "Contexto", história da d'Orfeu assinada pelo jornalista António Pires, já continha a génese da sua estrutura. De facto, bastava a Tiago Pereira olhar os quatro irmãos que fundaram a associação. Artur, tocador de concertina que, nos Danças Ocultas, rompe com as formas canónicas de abordar o instrumento. Luís, dos Toques do Caramulo, que "pega na música da Serra e as coloca num contexto global". Rogério, "mais convencional", que "tomou conta da Orquestra Típica de Águeda". E Vítor, homem do improviso que percorre as ruas experimentando percussões e captando os sons da cidade, "inventor" de uns deliciosamente baptizados Mistérios das Vozes Vulgares que vemos a ensaiar polifonias ora na serra, ora em altar de sacristia. A partir deles, dos seus diferentes processos criativos, Tiago abriu o espectro. E, abrindo o espectro, oferece-nos um quadro múltiplo e dinâmico, mas com centro definido, denúncia da sua marca autoral.

Não o preocupa a contradição que é ter Joana Vasconcelos, olhando da cidade, dizer que em Portugal ainda há muita gente "que depende do seu burro" e, no Caramulo, o musicólogo que refere vivermos "tempos de despedida do mundo rural": "Fica a memória individual e o estudo, a museologia". Não, isso não o incomoda. Porque nesse jogo de vozes, tudo acaba por se conjugar.

Vítor Rua a referir o manifesto "Arte do Ruído", do futurista Luigi Russolo - "há que destruir o passado, os conservatórios e criar algo novo, e o ruído tem que estar ali" - e Vítor Fernandes a cantar sons de guindastes e apitos de fabrico nas suas improvisações. Carlos Guerreiro a diagnosticar que "o problema não está na fonte [nas recolhas, nas canções que subsistem na memória das pessoas], está em como tratar aquilo que ainda está no reservatório", e Jorge Cruz, dos Diabo na Cruz, a manifestar o desejo de, amalgamando tradição e a vivência de hoje, chegar a algo "único", "nosso".
"Significado" pretende discussão e presente. Pretende ser a tal memória de futuro.
"Num país fragmentado", pergunta Tiago Pereira, "como é que se partem as caixas todas, como é que se parte este mundo da tradição para criar objectos que, vindos dela, sejam uma outra coisa, encaixem noutros sítios e interessem a mais pessoas?"
"Significado", que se ensaia como conclusão das obras de Tiago Pereira que o antecedem, não fecha nada. É um ponto de partida.
fonte ~ Ípsilon

Deolinda carimbam novo disco

Os Deolinda estão de volta com novas canções em que se acentua o humor, a sátira, e também o sonho, depois do sucesso de "Canção ao lado".

O novo álbum, "Dois selos e um carimbo", recupera três temas que a banda já tocava nos palcos - "Quando janto em restaurantes", "Entre Alvalade e as Portas de Benfica" e "Fado Notário" - sendo "um reforço daquilo que é a sonoridade dos Deolinda", disse à Lusa, a vocalista da banda, Ana Bacalhau.

Os Deolinda são os irmãos Pedro da Silva Martins, Luís Martins, a sua prima Ana Bacalhau (ex-Lupanar) e o amigo José Pedro Leitão.

Falam todos com grande entusiasmo e ao mesmo tempo, a frase de um é completada por outro e retomada por um terceiro. O grupo entende-se, partilha conceitos e ideais.

"A química é grande entre nós, relacionamo-nos bem, e estamos todos na mesma onda", justificam entre animadas gargalhadas.

14 novos temas

"Dois selos e um carimbo" integra 14 temas, alguns que estavam "no estaleiro", e é editado na segunda-feira pela EMI Music Portugal.
"Um novo disco é um desafio e decidimos aceitar outro desafio que foi a mudança de editora", disse Ana Bacalhau.

"Este segundo álbum pedia um reforço daquilo é a sonoridade de 'Canção ao lado' [CD de estreia]. Mudar seria não ter certeza daquilo que somos enquanto grupo, enquanto som e este disco sela a nossa a identidade", sublinhou Ana Bacalhau.

Luís Martins acrescentou: "Havia a necessidade de explorar as potencialidades do grupo até limite em termos de trabalho criativo, mas certamente, haverá muito que fazer".

Pedro Silva Martins, autor das letras da banda, referiu por seu turno: "Esta é uma sonoridade que pretendemos que chegue a muita gente, até no estrangeiro, mas que tenha um cunho próprio".

"Queremos que as canções sejam referenciais a uma cidade, a um país e a um grupo. Essa assinatura importa-nos muito", realçou.

Apresentação no dia 22 nos jardins do Palácio de Belém

Desde a saída de "Canção ao lado" em 2008, a banda fez mais de 200 concertos em Portugal e no estrangeiro. A agenda de apresentação de "Dois selos e um carimbo" começa dia 22 em Lisboa, nos jardins do Palácio de Belém e até julho estão previstos 20 espetáculos em Portugal, Bulgária e Itália.

Referindo-se às novas canções, José Pedro Leitão afirmou: "Todas nos satisfazem, até algumas que tínhamos posto de lado no álbum anterior porque os arranjos não nos agradavam, foram aqui retomadas".

O músico salientou que "se escutarmos, todas são diferentes nos tratamentos instrumentais, entre si e relativamente às do álbum anterior".
As canções - desvendaram - partem de uma melodia trauteada pelo Pedro da Silva Martins. "A melodia está logo a dizer que tipo de canção vai ser, e a temática que quer", explicou Silva Martins e Ana Bacalhau.

Depois vêm os arranjos que, se não são do agrado do grupo, "pomos de lado e deixamos no estaleiro", disse João Pedro Leitão.

"Um contra o outro" é o primeiro single

"Um contra o outro" é o primeiro single do álbum que inclui ainda, entre outros, "Se uma onda invertesse a marcha", "Não tenho mais razões", "Sem noção", "A problemática colocação de um mastro" ou "Patinho de borracha".

Pedro da Silva Martins escreve propositadamente para a voz de Ana Bacalhau, o que a cantora afirmou ser "uma felicidade e um privilégio".

Para desenhar a capa do álbum o grupo convidou o cartoonista João Fazenda.

O grupo afirmou que "a Deolinda está mais urbana, atrevida, e com um humor mais corrosivo, mas não é cínica e sonha. Neste álbum trabalha mais sobre o real e extrapola-o", disseram Ana Bacalhau e Luís Martins.
fonte ~ expresso

Grande Noite do Fado de Braga

Estão abertas as inscrições para a edição de 2010 da Grande Noite do Fado de Braga. Realizado pela ACOFA, este evento vai já na sua 10ª edição.

A Grande Noite do Fado de Braga teve o seu início aquando a celebração dos 20 anos da Associação. Foi uma aposta num novo espectáculo no âmbito da música e em particular do FADO, visando o aparecimento de novos valores do fado.

Este evento define como condição principal para concurso que os fadistas amadores à data da realização do concurso, não possuam título profissional nem vivam da actividade artística. Os fadistas podem concorrer a partir dos 15 anos de idade.

Esta realização envolve anualmente todos os associados, um trio de guitarristas, apresentadores de rádio, jornalistas, concorrentes, júris das áreas da música, da poesia, das artes, equipes de som e luzes, entre outros.

O projecto da Grande Noite de Fado de Braga, desenvolve-se em três fases, a abertura do concurso (Maio e Junho), a selecção dos concorrentes através de 3 sessões de audições e a final cujo júri escolhe o respectivo vencedor nas categorias feminino e masculino e juventude (15 aos 25 anos de idade).

A Grande Noite do Fado de Braga ao longo da sua existência tem premiado concorrentes que hoje em dia são considerados novos valores do fado.
O acompanhamento musical é composto pelos Mestres da Guitarra Portuguesa, António Lima, da Viola António Rodrigues e da Viola Baixo, Henrique Lima.

Este é um evento marcante na cultura da cidade Braga, pela qualidade dos seus participantes, da organização e das homenagens que tem vindo a prestar àqueles que ao longo dos anos solidificaram esta forma de cantar como Amália Rodrigues, Marceneiro, Tony de Matos, entre outros.
Mais informações e formulário de inscrição AQUI.

20 de abril de 2010

Carlos Macedo lança CD de fé

Maria da Fé cumpria com esmero e garbo a “ponte cultural luso-brasileira” em 1984, actuando por todos os recantos do Brasil, quando num determinado espectáculo, no Rio de Janeiro, foi mudar de fato e deixou o palco entregue a Carlos Macedo.

Grande surpresa para o público e imprensa quando o “senhor da guitarra” que acompanhava a grande fadista, também cantava e muito bem.

A imprensa regista sucesso. Tanto mais pela surpresa e pela forma elegante com que Maria da Fé deixa o palco sem deixar de haver fado e dando assim protagonismo a quem a acompanhava há muito, principalmente na sua casa de fados.

Mas se para os brasileiros Carlos Macedo foi uma novidade não era para os portugueses habituados à sua voz melodiosa, afinada e compasso certo.

Este CD recupera temas de um anterior “O caminheiro” em que o músico dava testemunho da sua fé em Cristo e apego a N.ª Sr.ª de Fátima, como “Ser peregrino” ou “O milagre que eu pedi”.

Nesta vertente católica recupera um extraordinário fado, “Avé Maria fadista” do grande poeta Gabriel Marujo e Francisco Viana, cuja interpretação de Amália eternizou, mas que se tornou um clássico e Carlos Macedo (muito bem) recupera e canta.

Além de se acompanhar à guitarra portuguesa, Carlos Macedo é acompanhado neste CD pelo extraordinário guitarrista Custódio Castelo que não poupa elogios ao colega.

Escreve Castelo: “Carlos Macedo é sem dúvida um dos grandes fadistas da história” e acrescenta:”homem dotado de sensibilidade, cujo talento o tem destacado pela diferença”.

Outros acompanhantes são Carlos Garcia (Cajé) e Jorge Fernando na viola e Carlos Menezes e Filipe Larsen na viola baixo.
No Museu do Fado, dia 22 a partir das 19:00 estarão ao seu lado Castelo, Cajé e Menezes.

“Quero ser o teu velhote” é o tema de abertura do álbum deste fadista nascido no Minho e que actualmente canta e toca no Taverna do Embuçado, a Alfama, tendo deixado o Senhor Vinho.
fonte ~ hardmusica

Atenção músicos: curso de música tradicional portuguesa na Suécia.

Enquanto que em Portugal, a música tradicional ainda é uma grande desconhecida para a maioria da população e está totalmente ausente no ensino oficial, parece um pouco surreal esta boa nova que nos chega através de Sérgio Crisóstomo (músico português a residir actualmente na Suécia e membro de Stockholm Lisboa Project). E assim se alimenta a esperança duma verdadeira rede de ensino da música tradicional em Portugal.

"A escola onde trabalho tem há vários anos curso de música trad, jazz, pop & rock, entre outros, e mais recentemente, também música tradicional Portuguesa.
Para o ano (2010/2011) vamos abrir 5 vagas para alunos portugueses e assim podemos focar mais energia no curso de Música Portuguesa. A escola prepara alunos para a universidade, pelo que ter o ensino secundário concluído é importante.
O curso terá aulas de teoria, instrumento principal e secundário (instr. de harmonia), coro, ensemble/banda, audição, liderança de grupo, partilha de música sem pauta, composição, etc Durante o ano há ainda semanas dedicadas a projectos específicos. O curso é de preparação para a Universidade, mínimo 1 semestre. Quem quiser pode seguir universidade na Suécia.
O ensino é gratuito, o aluno tem de pagar somente a estadia e comida. Estadia e comida paga-se em qualquer lado e na Suécia não é tão caro como se pensa.
Este valor oscila entre os 2.000 e 3.500 euros por ano dependendo de onde se vive ou come. A escola tem cantina e dormida que se pode "comprar".
Vamos em conjunto com os alunos procurar também formas de angariar financiamento também para este valor.
A escola oferece o ensino gratuitamente, apesar de não receber subsídios estatais para alunos estrangeiros. Daí termos apenas 5 vagas. Esta é uma opurtunidade invulgar. Quem vier conta com o meu apoio e com alunos suecos, com quem tocar e trocar experiências.
Podem-se inscrever ou fazer mais perguntas através de mim. As inscrições estão abertas para as 5 vagas até Maio."

sergio.crisostomo.sjovik@folkbildning.net
+46 703 155 073
Sérgio Crisóstomo
Professor na escola de Sjövik, Dalarna, Suécia.
www.stockholmlisboa.com
www.sjovik.eu

18 de abril de 2010

A "Porta do coração" de Ricardo Ribeiro

O fadista Ricardo Ribeiro regressa na segunda-feira, dia 19, com o seu mais recente trabalho, intitulado 'Porta do Coração'

"Pretende ser aquilo que for. Não pretende ser nada mais do que um disco de fados. Pretende mostrar o Ricardo Ribeiro, e onde foi criado, e aquilo que foi", declara categoricamente Ricardo Ribeiro, acerca do seu novo álbum, Porta do Coração, que tem edição agendada para a próxima segunda-feira, dia 19.
"É um disco que honra muito o meu primeiro disco", diz, referindo-se à estreia a solo, o auto-intitulado Ricardo Ribeiro, de 2004. "Mas neste disco resolvi cantar como eu quero, como eu acho que devo cantar, e fazer este disco como eu ambiciono fazer, como eu o sinto, e foi isso que aconteceu. Não se trata de uma renovação, ou de fazer novas coisas, ou coisas mais elaboradas."
É na fala marcada e decidida do fadista que se adivinha a mudança que o percurso recente de Ricardo Ribeiro operou na sua personalidade.
Embora declare não ter qualquer desejo de "fundir o fado nalguma coisa", foi por "coisas mais elaboradas" que Ribeiro marcou o seu caminho. A colaboração de 2008 com Rabi Abouh-Khalil, Em Português, onde o cantor se uniu ao conjunto do oudista e compositor libanês representa, até ao momento, a digressão mais alargada de Ricardo Ribeiro pela chamada "música do mundo". "Nem Rabi nem eu tivemos a intenção sequer de fazer fados, aquilo que houve a intenção foi de utilizar um fadista. Era eu, o Ricardo Ribeiro, a cantar a música de Rabi, não era eu a cantar fados com o Rabi", corrige, "Foi uma união de personalidades."
A propósito desse "percurso", que já lhe granjeou, em 2005, o prémio Revelação Masculina da Fundação Amália Rodrigues e o Prémio Revelação da Casa da Imprensa, em 2006, Ribeiro, que participou também nos filmes Rio Turvo , de Edgar Pêra, e Fados, de Carlos Saura, ambos de 2007, confessa: "Não sei se acabei ou se comecei, até porque nestas coisas da arte nunca se acaba. Foram as pessoas do fado, os fadistas, os guitarristas, os poetas, que, no fundo, me elegeram."
O que pode parecer excesso de modéstia denuncia, no entanto, a "profunda gratidão" que o fadista nutre pela "grande família do fado": "[A Porta do Coração] é sobretudo um agradecimento por aquilo que me deram, por aquilo que me ensinaram."
É de peito igualmente aberto que fala de Fernando Maurício, seu mestre, "amigo" e colega na casa de fados Os Ferreiras, em Lisboa. "Uma das coisas que mais me fascinam nele é que viveu onde, quando e como quis. Era autêntico, verdadeiro. Era assim, era aquilo."
Com a "autenticidade" de Fernando Maurício como referência, Ricardo Ribeiro regressa agora, com um currículo alargado por concertos em Bona e Frankfurt, ao fado tradicional (ou tradicionalista) que o "fez" enquanto cantor.
fonte ~ dn

6 de abril de 2010

Dinamizador Workshop de Instrumentos Tradicionais Portugueses | Festival Parapanda Folk [Íllora - Granada]

O Festival Parapanda Folk, que decorre em Íllora / Granada, Espanha, entre os dias 29 de Julho e 2 de Agosto de 2010, gostaria de ter na sua programação um workshop de Instrumentos Tradicionais Portugueses com a duração de 1 ou 2 dias.

Na sequência desta manifestação de interesse por parte deste Festival, vimos comunicar que procuramos um dinamizador para este workshop, que domine o castelhano, pois deverá ser esta a língua utilizada no decorrer do workshop. Este decorrerá durante 1 dia (2 horas de manhã e 3 horas de tarde) e terá uma vertente teórica e prática, o que implica sempre a demonstração prática dos diferentes instrumentos, ou seja, terá de ser alguém que domine tecnicamente vários instrumentos tradicionais.
Há igualmente a possibilidade de reunir uma equipa de 2/3 músicos, cada um tratando de pelo menos 3 conjuntos de instrumentos: cordofones, aerofones e membranofones, por exemplo.
É preciso que os interessados enviem uma proposta de orçamento.

Informações sobre o Festival:
http://parapandafolk.com/
http://parapandafolk.blogspot.com/
http://www.facebook.com/people/Parapandafolk-Illora/100000442582753

Coordenação do Sector de Etnografia | Direcção de Cultura
Sofia Tomaz
stomaz@inatel.pt
T. +351 210 027 174
F. +351 210 027 140

5 de abril de 2010

Joana Amendoeira canta o seu "Sétimo fado"

A fadista Joana Amendoeira apresenta na próxima sexta- feira, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa e no dia 17 no Coliseu do Porto o novo álbum, "Sétimo fado", que chega ao mercado no dia 12. Tal como o título indica, trata-se do sétimo disco da cantora.

Em palco, tal como no CD, estarão Pedro Amendoeira (guitarra portuguesa), Pedro Pinhal (viola), Paulo Paz (contrabaixo), Filipe Raposo (acordeão/piano), Davide Zaccaria (violoncelo) e João Ferreira (percussões).

"Sétimo fado" marca a vontade da fadista em "tomar mão" da carreira ao assumir pela primeira vez a produção do disco, com os músicos Pedro Pinhal e Filipe Raposo, mas também a edição discográfica e a produção dos espetáculos, através da empresa por si criada, Nosso Fado.

Os 17 fados deste álbum são de diferentes autores, de Hélder Moutinho a Pedro Tamen, passando por João Monge, Domingos Gonçalves Castro ou Amélia Muge.

Um dos temas, "Fado Rosa Maria" (Tiago Torres da Silva/Paulo Paz) recupera esta personagem do imaginário fadista referenciada em outros fados como o "Há festa na Mouraria" que Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro e Carlos do Carmo gravaram.

"Por um lado, é o meu compromisso com o fado tradicional e a história do fado, por outro, uma homenagem ao fado espontâneo", afirmou a fadista.

29 de março de 2010

"Guia": novo disco de António Zambujo

“Guia” é o nome do mais recente álbum do fadista que será apresentado, pela primeira vez ao vivo, em Guimarães no Centro Cultural Vila Flor.

“Guia” é o nome do mais recente disco de António Zambujo, cujas músicas serão apresentadas, pela primeira vez ao vivo, no próximo dia 10 de Abril, no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães. Quarto álbum da sua carreira, “Guia” dá continuidade à melancolia luminosa que caracteriza a música de António Zambujo.

Neste concerto serão interpretados originais de compositores e letristas nacionais e brasileiros, como Vinicius de Moraes, Márcio Faraco, Rodrigo Maranhão, Ricardo Cruz, o próprio Zambujo, João Gil, João Monge, Aldina Duarte, José Agualusa, Maria do Rosário Pedreira, entre outros.

Em “Outro sentido”, António Zambujo canta e sente o fado à sua maneira, apontando outras direcções para a sua música. Em 2008, o disco é também editado em toda Europa e EUA pela prestigiada editora Harmonia Mundi, sob a etiqueta da sua filiada World Village. “Outro sentido” foi considerado pela revista Songlines “Top of the World Album”, um dos melhores do ano na área da world music. No mesmo ano, a editora MP,B, através do seu director João Mário Linhares, resolve editar “Outro Sentido” no Brasil. A edição brasileira conta com três faixas adicionais com participações de Roberta Sá e Trio Madeira Brasil, de Zé Renato e de Ivan Lins. 2009 foi um ano marcado por diversos concertos. A tournée pela Europa, apresentando "Outro Sentido", incluiu países como a Noruega, Suécia, Finlândia, França, Holanda e Áustria. Em Junho de 2009, inicia a primeira tournée no Brasil, aquando do lançamento do disco neste país. Os concertos dados em 2009 no Brasil levaram a que fosse eleito um dos "10 Melhores Shows Internacionais do Ano" pela Secção de Cultura, do jornal O Globo, ao lado de músicos como Elton John, Burt Bacharah, Terence Blanchard (trompetista), Kiss, Youssou N'Dour e Angelique Kidjo. De volta a Portugal, António Zambujo fecha o ano de 2009 com a digressão nacional que incluiu sete cidades de norte a sul do país.

O ano de 2010 arranca com o lançamento do quarto disco da sua carreira. "Guia" é apresentado em estreia mundial no Centro Cultural Vila Flor, no próximo dia 10 de Abril, às 22h00. António Zambujo é o Guia nesta sua estrada, que é a do fado, passa pelo cante alentejano, sempre visitando outras influências musicais, porque afinal o fado também pode ser contemporâneo. Em palco vai estar acompanhado por Paulo Parreira, na guitarra portuguesa, José Conde, no clarinete, e Ricardo Cruz, no contrabaixo.

28 de março de 2010

Um ano após a morte de João Aguardela, A Naifa está de regresso

"Depois de um ano de luto, A Naifa volta à luta". É assim que começa o comunicado de imprensa que dá conta do regresso d' A Naifa aos palcos e às edições, um ano após a morte do músico João Aguardela.

Em Maio, A Naifa - agora com Sandra Baptista (viúva de João Aguardela) no baixo e Samuel Palitos na bateria - lança um livro / DVD biográfico dos seus primeiros quatro anos de carreira.

No livro, expõem-se os poemas que deram origem às canções dos três discos do grupo e as imagens das respectivas capas, bem como fotografias de mais de 100 concertos e o testemunho dos fãs.

No DVD, encontra-se um concerto ao vivo gravado na digressão de 2008 e um documentário de 2006.

Também em Maio, a banda de Luís Varatojo e Maria Antónia Mendes enceta uma digressão nacional intitulada Esta Depressão que me Anima. (datas abaixo).

7 de Maio - Barreiro, Auditório Augusto Cabrita
8 de Maio - Centro Cultural do Cartaxo
13 de Maio - Teatro Municipal de Faro
14 de Maio - Centro de Artes e Espectáculos de Portalegre
15 de Maio - Teatro Aveirense
22 de Maio - Teatro Faialense, Horta
26 e 27 de Maio - Teatrão, Coimbra
28 de Maio - Centro Cultural Vila Flor, Guimarães
29 de Maio - Centro Cultural das Caldas da Rainha
5 de Junho - Castelo São Jorge, Lisboa

Mentor dos projectos A Naifa, Megafone e Sitiados, João Aguardela morreu em Janeiro de 2009, vítima de cancro. Tinha apenas 39 anos.
fonte ~ blitz

19 de março de 2010

Encontros da Eira: 13 anos de música madeirense

Ao longo dos últimos treze anos, a associação cultural e o grupo Encontros da Eira consolidaram o seu papel incontornável na defesa e divulgação da música tradicional madeirense. Só podemos agradecer e felicitar pelo trabalho que têm desenvolvido, e esperar por mais. Muito mais!
Eis o programa de festas.

«Actividades a realizar

Para assinalar a passagem de mais este aniversário, a ACEE vai apresentar numa unidade hoteleira do Funchal na próxima Sexta Feira dia 19 a partir das 16h30, a nova imagem e renovação de conteúdos do site www.encontrosdaeira.com, que já conta com mais de 100 000
visitantes ao longo dos anos que o mesmo está online.

Esta Associação entende que este instrumento divulgativo, muito tem contribuído para a divulgação das suas actividades por esse mundo fora, daí o apostar em mais este renovação da imagem e colocação numa plataforma que permita a sua actualização em qualquer ponto do globo, pelos seus responsáveis.

Lembramos que os Encontros da Eira também estão no www.myspace.com/encontrosdaeira, com mais de 33 e 400 visitas desde 2008.

Um pouco de história

A (ACEE) tem no grupo Encontros da Eira a sua face mais visível, grupo de música tradicional que conta com centenas de concertos, várias deslocações ao estrangeiro, imensas citações na imprensa nacional e internacional (Exºs: Revista FRoots, Blitzz, El País, etc), participações
em programas de rádio e televisão.
Os Encontros da Eira apostam numa sonoridade que engloba características de músicas do mundo e da música erudita, mantendo sempre uma forte ligação com a música tradicional madeirense.
Do seu palmarés constam várias centenas de concertos realizados, alguns dos quais no Estrangeiro e outros no Continente, sendo os restantes na ilha da Madeira.

Contam ainda com várias dezenas de participações em programas de tv e de rádio (locais, regionais nacionais e internacionais).

Em Abril de 2008 participou no emblemático Festival Intercéltico (XVII edição) realizado na cidade do Porto tendo merecido aplaudidas críticas dos presentes no qual se inclui a comunicação social do Continente e da Madeira.

A Associação Cultural Encontros da Eira editou cinco CD’s, do grupo a ela afecto, todos com temas populares e/ou de tradição Madeirense: "Retalhos de Tradição", "Aquintrodia", "Instrumentais d'Outrora", “Meia Volta” e “Raízes do Povo”.

Para além das edições próprias:

-Os Encontros da Eira participaram com 2 temas no CD de Antologia de Música Tradicional da Madeira.
-A editora Vidisco, sedeada em Lisboa editou ainda o CD - “O Melhor dos Encontros da Eira a 24/03/2002.

"(…) A Música Tradicional da Madeira é representada em grande forma pelo grupo Encontros da Eira… mas não é apenas pela expressão dos números que este grupo conquistou um lugar de destaque na música de raiz tradicional portuguesa. A verdade é que os "Encontros da Eira" e a associação cultural que os envolvem, tem realizado um trabalho notável na divulgação de
repertório tradicional da Madeira(…)". In: www.at-tambur.com

Do Reportório do grupo constam mais de meia centena de temas todos de tradição oral/instrumental madeirense, sendo que quase todos estão incluídos nos Cd’s acima indicados.

Outras actividades da ACEE

Cursos a Tocar e a Cantar Instrumentos e Cantigas Tradicionais da Madeira

Como é sabido a Associação Cultural Encontros da Eira tem vindo a dar formação destinada essencialmente a crianças dos 6 aos 14 anos, tanto na sede - sala C2 – Casa do Povo da Camacha, bem como no Funchal à Rua Aspirante Mota Freitas nº 8, r/c –D, num total de mais de trinta
formandos.
Também temos pessoas de outras idades principalmente familiares dos mais jovens que depois de experimentar também ficaram, numa iniciativa InterGerações deveras salutar.

Curso de Iniciação à Guitarra Portuguesa

Em boa hora a Associação Cultural Encontros da Eira deu início à formação em Guitarra Portuguesa, instrumento de difícil execução que infelizmente na Região Autónoma da Madeira ao longo dos anos tem vindo cada vez mais a perder executantes.
Apraz-nos registar que neste momento temos 2/3 alunos do curso que já têm acompanhado o Formador que é o conhecido guitarrista César e Abrantes, em algumas pequenas festas particulares.

As inscrições mantêm-se abertas a todos os interessados.

Actividades Futuras

A ACEE prevê e no seguimento da política de apoio à cultura das Entidades Competentes da RAM, candidatar a Fundos Comunitários, um projecto a realizar a médio/curto prazo no intuito de trazer a lume muitas das “Raízes Intemporais do Arquipélago da Madeira” e do qual oportunamente daremos o respectivo realce.

O mesmo decorrerá entre os anos 2010 ou(11), 2011ou(12) e 2012 ou(13), num investimento global superior a 500 000€ apoiado pela EU a 80% e conterá muitas iniciativas a saber:
-Registo em CD’S e DVD’S, de várias recolhas e tradições da Madeira (Natal, Reis e Espírito Santo);
-Seminários e Workshops, sobe as várias temáticas das tradições musicais madeirenses;
-Formação em construção e restauro de instrumentos tradicionais da Madeira;
-Edição de três livros, dois CD’S e dois DVD’S;
-Várias Festivais de musica étnica da Macaronésia;
-Montagem e apetrechamento de uma oficina de construção e restauro de instrumentos tradicionais;
-Loja de comercialização de instrumentos e outros produtos etnográficos;
-Criação de uma plataforma tecnológica de armazenamento, gestão e difusão de informação, no que às tradições musicais da Madeira diz respeito, com a utilização integral das potencialidades da Internet.

Este projecto desenrolar-se-à (em 2010, 2011 e 2012) em dois ou três concelhos da região que oportunamente informaremos.»

16 de março de 2010

Congresso Identidades - A Música Tradicional Hoje

O meio musical tradicional português questiona-se, revitaliza-se, identifica-se.
Tudo isto em debate no Congresso Identidades, dia 13 de Maio, na Marinha Grande, numa iniciativa promovida pelas Associações Tócandar e Uxu Kalhus. E de forma a ser um encontro de ideias, opiniões e vivências o mais participativo possível, somos convidados (mesmo quem não possa estar presente) a preencher a ficha de inscrição-questionário, uma vez que o programa do congresso ainda está em aberto e será construído a partir das respostas. Tradicionalizas?

13 de março de 2010

Ada de Castro: 50 anos de Fado

Ada de Castro mora em Lisboa, mais exactamente em Campo de Ourique mas não é aqui que tem as suas raizes. Nasceu no Castelo, perto de Alfama, berço de muito Fado e de muitos que o cantam.

"Sou uma mulher simples que ama o Fado e que tudo tem feito para o cantar bem. Sou das fadistas castiças que cantam com voz velada e um cheirinho de rua".
E Ada continua a descrição do que tem sido a sua vida de fadista:"Cantei a primeira vez como profissional no Faia, que era do pai do Carlos do Carmo, um homem muito simpático. Gostaram muito de mim e fui continuando a cantar. Só canto fados meus. Também apadrinhei muitas marchas sempre diferentes e foi sempre uma coisa de que gostei muito".
E Ada continua a falar embalada pelas recordações mas sem qualquer laivo de melancolia: " sabe para mim há uma figura máxima no Fado, a Maria Severa, e a partir daí vem Amália e depois vêm mais umas outras. Por exemplo fala-se pouco de Hermínia Silva uma pessoa que fez parte da minha vida porque a minha avó foi sua contemporânea e falava-se muito dela. Mas este país esquece os grandes artistas. Veja a Laura Alves. Ninguém fala dela e foi uma das melhores actrizes portuguesas".

Aqui o Hardmusica decidiu perguntar-lhe se se considera uma Diva uma vez que está incluida no rol das divas agora editado pela Fonoteca: " de modo nenhum. E penso que não há divas no Fado. Diva para mim é talvez a Maria Callas na ópera, a Piaff na canção. Diva é uma nome que não se aplica ao Fado e a haver seria a Severa."
Perguntámos a Ada de Castro como via ela o papel do Museu do Fado no panorama artístico actual mas a fadista não quiz adiantar muito sobre esta questão embora seja um local onde vai sempre que é solicitada.
"Ada de Castro, acha que lhe vão fazer uma festa como têm feito a outras colegas?"
Resposta imediata " Não". Com mais calma elucidou: "Mas se me quiserem fazer eu vou com toda a certeza. Mas ser eu a pagar para ter uma festa isso não!"

Mas esta fadista tem um talento em que a voz não entra: gosta de pintar. Autodidacta, recusa-se a ter lições porque "gosto de pintar o que quero, como quero e quando quero e se tivesse lições perdia a espontaneidade que ponho nas minhas pinturas"

Ada de Castro faz neste sábado, 13 de Março, 50 anos de actividade artística como fadista.
Cantou em várias casa de fado e actuou em inúmeras casas de espectáculo do país.
Visitou profissionalmente vários países, tendo actuado quer ao vivo quer nas televisões dos mesmos: Espanha, Dinamarca, Suécia, Bélgica, Holanda, Japão, China, França, Itália, Brasil, Argentina, Uruguai, EUA, Canadá e toda a antiga África Portuguesa, foram locais onde deixou a sua voz e o seu Fado.

No Mónaco actuou nos jardins do palácio Grimaldi para toda a família do príncipe Reinier incluindo a princesa Grace.
No Brasil actuou em todos os Estados da Federação a convite do Governo Brasileiro, isto em 1968.
Gravou para várias editoras, não só em Portuga,l mas também no Brasil e Holanda, detendo entre fados e marchas um total de 550 números gravados.
São inúmeros os prémios recebidos como em 1962, o oscar pela melhor fadista, prémio RTP, outro oscar em 1968 como melhor fadista do ano, em 1964 um elefante de ouro,em 1982 mais um oscar como melhor fadista do ano e por aí adiante.
Um pormenor que Ada conta com muita graça:" Veja só. Sou do Benfica e tenho uma placa de agradecimento do Sporting". E lá estava ela!
fonte ~ hardmusica

25 de fevereiro de 2010

António Chainho: de Lisboa a Goa

Lisgoa: novos descobrimentos

«Parece sempre que não há mais nada para fazer – mas há». Quem o diz é Mestre António Chainho, que quase sem querer resume numa frase a sua longa carreira e a vontade que a motiva.

De facto o mundo parece não chegar para o homem que fez da guitarra portuguesa o seu amor e a sua missão. Depois de acompanhar os grandes fadistas do seu tempo, António Chainho sentiu a necessidade de afirmar o que lhe estava na alma e não se podia limitar ao fado. Nessa altura, tomou a decisão corajosa de se lançar como solista; e hoje só podemos estar agradecidos por isso.

Lisgoa, o novo disco e projecto de Mestre Chainho é mais uma escala no mapa dos afectos que o guitarrista tem desenhado no planeta. Desta vez viajou para a Índia e encontrou cumplicidades e diferenças que quis trazer para o seu mundo musical e partilhá-lo connosco. Os cúmplices nesta aventura não poderiam ser melhores: para as colaborações vocais indianas, Lisgoa conta com dois cantores consagrados no seu país: Sonia Shirsat e Remo Fernandes, que cantam em Concanim, dialecto goês com muitas contribuições do português; para os temas cantados em Hindi, há a espantosa voz de Natasha Lewis; e para a ponte portuguesa, Mestre Chainho conta com Isabel de Noronha, companheira de aventuras musicais anteriores e que garante a alma fadista nesta longa viagem. Tiago Oliveira na guitarra clássica, Paulo Sousa na cítara, Raimund Engelhart nas tablas, Ruca Rebordão nas percussões, Rodrigo Serrão no contrabaixo, Mohamed Assani nas tablas e cítara, Marc Rapson nos sintetizadores e Carlos Barreto Xavier (que produziu, assegurou a direcção musical e toca teclados e piano) completam a equipa de músicos-viajantes que fizeram nascer Lisgoa.

Depois do Brasil e de África a guitarra portuguesa passa pela Índia, num casamento perfeito entre o sagrado e o profano, entre a lágrima e a festa. O ponto de partida e de chegada desta viagem é universal, como há muito António Chainho nos tem mostrado: esta jornada começa e acaba na alma. E nesse aspecto, Lisgoa é um dos mais belos descobrimentos.

Apresentação:

Auditório do Edifício Sede do Montepio, Lisboa
18 Março | 18.30h | Entrada c/ convite

Auditório Municipal Eunice Muñoz, Oeiras
20 de Março | 21.30h | €6,00 – plateia e balcão

22 de fevereiro de 2010

Os fados da Alvorada

A série "Os fados da Alvorada", a editar a 01 de Março, recupera 58 temas, 25 deles pela primeira vez em CD, acompanhados por uma brochura com textos explicativos do investigador José Manuel Osório e fotografias inéditas.

"Esta colecção lança pistas para novas abordagens e repõe, em muitos casos, a verdade dos factos, pois dávamos por certo muita coisa que assim não é", disse à Lusa José Manuel Osório.

O investigador refere-se a autorias erroneamente atribuídas, além de pela primeira vez se publicar as biografias de dois nomes incontornáveis da história do fado: Pedro Rodrigues e Francisco Viana, (Vianinha), entre outros.

"A Ada de Castro interpreta o fado "A rosa" que há mais de 50 anos tem sido intitulado "Rosa caída" e atribuída a autoria José Guimarães, quando o autor é um poeta do Porto, Joaquim Borges da Silva. E por outro lado identificou-se o autor da música, Joaquim Campos", explicou.

O investigador afirmou existirem "dezenas de casos destes de que agora se repõe a verdade".

Osório levou dois anos a investigar os arquivos da Movieplay Portuguesa, que adquiriu o espólio da extinta etiqueta Alvorada, mas também pesquisou em arquivos, cartórios, bibliotecas e até nas ruas e nos cemitérios de Lisboa.

O investigador recorreu à memória de familiares de alguns dos fadistas, autores e compositores, ou até de pessoas que os conheceram.

"Recorri à memória dos vizinhos, cruzando com outras fontes, e consegui fazer aquela que é a sua primeira biografia, publicando até uma fotografia", afirmou.

Carlos da Maia, guitarrista e compositor, de que também se publica pela primeira vez a fotografia e uma biografia, foi um "caso bicudo" na medida em que existiram vários Carlos da Maia na família.

"Ele é o Carlos Augusto da Maia, que nos discos surge como Carlos da Maia quando acompanhava fadistas, e como Manuel Lencastre quando tocava a solo".

A cada fadista corresponde um texto que inclui biografia, fotografias, capa original do disco, a letra do fado, os respectivos autores, ano de gravação e de edição, e ainda outros dados como o técnico responsável, acompanhantes, local de gravação, e sempre que se justifique a alusão a uma outra personagem.

Por exemplo, Carlos Augusto da Maia é referenciado a propósito do fado "Perseguição" interpretado por Flora Pereira.

O "Fado Alberto", interpretado por Fernando Maurício, com uma letra de João Rodrigues Gomes, "Saudades de mim", justifica uma referência biográfica ao violista Miguel Ramos, seu autor.

Os três CD separados incluem fadistas de A (Ada de Castro) a V (Vicente da Câmara), passando por Amália, Carlos do Carmo, Maria Amélia Proença, Mariana Silva, Tony de Matos, Maria José da Guia ou Alfredo Monderrei.

"Uma colecção equilibrada que não mostra apenas os mais conhecidos, mas muitos que se calhar só gravaram um disco. Quis mostrar a história da Alvorada que se fez desde 1957 até 1977", asseverou.

Na escolha de cada um dos fados "imperou o gosto pessoal". "É uma colecção de autor e que dedico a dois nomes maiores do fado: Fernanda Maria e Raul Nery, ainda felizmente vivos ", enfatizou.

"Noventa e dois por cento são fados tradicionais porque era o que se gravava, alguns são registados ao vivo, casos de Maria Amorim, Maria da Fé ou Argentina Santos".

A colecção, que será apresentada a 03 de Março no Museu do Fado, em Lisboa, tem a chancela de "Fado, património da Humanidade".
fonte ~ destak